domingo, 13 de março de 2016

Béla Bartok



Béla Viktor János Bartók, compositor e pianista húngaro, que se destacou como pesquisador de música folclórica da Europa Oriental, morreu em Nova York em 26 de setembro de 1945. Bartók foi um dos fundadores da etnomusicologia, ciência que estuda a música em seu contexto cultural ou a antropologia da música (Merriam, 1964).

Bartók nasceu em 1881 em Nagyszentmiklós, região situada na confluência das culturas húngara, romena e eslovaca e tradicional foco de oposição aos Habsburgos. Sua mãe deu-lhe as primeiras aulas de piano aos cinco anos. Em 1888, com a morte do país, a família passou a viver em Vinogradiv, atual Ucrânia.

Com 11 anos, Bartók deu seu primeiro concerto: o allegro da sonata Waldstein, de Beethoven, e sua composição O Curso do Danúbio. A família se trasladou então a Presburgo, atual Bratislava, capital da Eslováquia, onde László Erkel lhe ensinou harmonia e piano.

Com 17 anos, ingressa na Academia de Música. Lá conhece Zoltan Kodály, com quem empreenderia uma recopilação da música folclórica húngara. Em 1903 compõe um extenso poema sinfônico, Kossuth, herói da revolução húngara de 1848.

A partir de 1905, aprofunda seus conhecimentos da música tradicional e canções folclóricas magiares.

Junto com Kodály percorre os povoados da Hungria e da Romênia, recolhendo num gramofone milhares de canções. Fizeram o mesmo com boa parte da Europa Central e até da Turquia. 

Pensava-se que a música folclórica húngara se baseava em melodias zíngaras, como as rapsódias compostas por Liszt. No entanto, Bartók descobriu que as antigas melodias húngaras se baseavam em escalas pentatônicas, a exemplo da música asiática ou siberiana.

Em 1905, adota Paris por motivo do concurso Rubinstein. Afasta-se da religião e se declara um “ateu profundo e sereno”. Em 1916, contudo, anuncia publicamente sua conversão ao unitarismo.

Em 1907, compõe Três Canções Populares Húngaras e no ano seguinte, Quarteto para Cordas. 

Em 1909, casa-se com Marta Ziegler, sua aluna de 16 anos. Em 1911, escreveu sua única ópera, “O Castelo de Barba Azul”, que só estreou em 1918, com a condição que apagasse do programa o nome do libretista, Bela Balazs, devido às suas ideias políticas. Bartok se negou.

Continuou concentrado em recolher a música folclórica da Europa Central, Bálcãs e Turquia. Durante a I Guerra Mundial compôs dois balés: “O Príncipe de Madeira” e “O Mandarim Maravilhoso”, duas sonatas para violino e piano, peças harmônica e estruturalmente complexas.

Bartók se divorciou de Marta em 1923 e se casou com uma estudante de piano, Ditta Pásztory, com quem fez uma turnê pela Europa interpretando concertos para dois pianos.

Em 1927-1928 compôs o 3º e 4º de Cordas, considerados uns dos mais importantes da música clássica. O 5º Quarteto retorna a uma linguagem harmônica mais simples. O 6º Quarteto foi escrito em 1939.

Entrementes, Hitler e a II Guerra Mundial iriam provocar impacto em sua vida. Bartók jamais se comprometeu com regimes fascistas. Opôs-se a Horty quando integrou a Hungria na esfera nazista. Mudou de editor quando este se afiliou ao nazismo. Pediu que sua música fosse incluída na “exposição sobre a música degenerada” patrocinada pelos nazistas em Düsseldorf.

Com o início da guerra, foi tentado a deixar a Hungria. Compõe então “Contrastes”, um de seus últimos grandes êxitos. Em agosto de 1940 muda-se para os Estados Unidos e pouco depois se alista na Força Naval norte-americana.

No entanto, Bartók sentia-se profundamente afetado pelo exílio. No começo foi bem recebido, porém recusou um posto de professor de composição na Curtis University embora tenha aceitado o título de doutor honoris causa pela Universidade de Columbia. Apesar de ser celebrado como etno-musicólogo e pianista, não era reconhecido como compositor e havia pouco interesse em sua música e a crítica era severa. Por outro lado, a Casa Baldwin requisitou um piano emprestado, o que o impediu de realizar concertos com sua mulher Ditta.

Em princípios de 1943, deu seu último concerto como intérprete quando os primeiros sintomas de leucemia já se manifestavam. Estimulado pelos colegas músicos norte-americanos recobra confiança e compõe o Concerto para Orquestra que lhe foi encomendado pelo maestro Serge Koussevitzki, a obra mais popular de Bartók. Animado, compõe ainda o Concerto para Piano nº 3 e o Concerto para Viola. A pedido do extraordinário violinista Yehudi Menuhin, compôs a Sonata para Violino Solo.

Com a libertação da Hungria, o país lhe ofereceu ser deputado. Aceitou, mesmo sabendo que não poderia assumir. Em setembro de 1945, morre em Nova York de leucemia. Foi enterrado no cemitério Ferncliff. Porém, em julho de 1988, seus restos foram transferidos para Budapeste a pedido dos filhos.

A música de Bartók está baseada em grande parte em suas investigações sobre o folclore e poderia dividir-se em dois grandes blocos, distintos quanto à concepção, todavia complementares entre si, chegando a alternar-se inclusive numa mesma obra em diferentes seções. São o sistema diatônico, fundado na música folclórica, seus modos e ritmos e na escala acústica; e o sistema cromático, influenciado também pelo folclore.




Fonte: Opera Mundi

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