terça-feira, 20 de outubro de 2015

Origem do papel

A palavra papel vem do latim papyrus e faz referência ao papiro, uma planta que cresce nas margens do rio Nilo no Egito, da qual se extraia fibras para a fabricação de cordas, barcos e as folhas feitas de papiro para a escrita.

Quando a escrita surgiu, há mais de 6 mil anos atrás, as palavras eram inscritas em tabuletas de pedras ou argila. A forma mais primitiva de escrita era a cuneiforme. Por volta de 3000 a.C., os egípcios inventaram o papiro.

Depois vieram os pergaminhos feitos de couro curtido de bovinos, bem mais resistentes. Finalmente, o papel seria inventado na China 105 anos depois de Cristo (d.C.), por T’sai Lun. Ele fez uma mistura umedecida de casca de amoreira, cânhamo, restos de roupas, e outros produtos que contivesse fonte de fibras vegetais. Bateu a massa até formar uma pasta, peneirou-a e obteve uma fina camada que foi deixada para secar ao sol.

Depois de seca, a folha de papel estava pronta! A técnica, no entanto, foi guardada a sete chaves, pois o comércio de papel era bastante lucrativo. Somente 500 anos depois de o papel ter sido inventado, os japoneses conheceram o papel graças aos monges budistas coreanos que lá estiveram.

Em 751 d.C, os chineses tentaram conquistar uma cidade sob o domínio árabe e foram derrotados. Nessa ocasião, alguns artesãos foram capturados e a tecnologia da fabricação de papel deixou de ser um monopólio chinês. Mais tarde, os mouros invadiram a Europa, mais precisamente a Espanha e lá deixaram uma forte influência cultural e tecnológica.

Foi assim, que os espanhóis conheceram também a técnica de dobrar papeis que ficou conhecida comopapiroflexia. O processo básico de fabricação de papel criado por T’sai Lun foi sendo sofisticado e que possibilitou uma imensa diversidade de papeis quanto à texturas, cores, maleabilidade, resistência, etc.

A fibra vegetal que nos referimos antes é a celulose, um dos principais constituintes da plantas e um polímero formado de pequenas moléculas de carboidratos, a glicose.

A celulose pode também ser usada para a fabricação de tecidos quando extraída do algodão, cânhamo, chita ou do linho. Potencialmente, qualquer planta produtora de celulose é fonte de matéria-prima para a produção de papel.

Você sabia que para produzir 1 tonelada de papel são necessários, em média, 24 árvores?

A quantidade e a qualidade do papel vão determinar o tipo de madeira e de planta que será utilizada. Atualmente, a produção de papel industrial usa duas espécies de árvores cultivadas em larga escala: o pinheiro (Pinus sp.) e o eucalipto (Eucalyptus sp), ambas originárias, respectivamente da Europa e da Austrália. 

O papel feito a partir de madeiras de reflorestamento ajuda a amenizar as práticas de desmatamento e ajuda a preservar as florestas naturais. Outra prática que atenua as problemáticas ambientais devido ao consumo de papel é a sua reciclagem, processo que ainda não ocorre de forma plena, inclusive no Brasil.

domingo, 4 de outubro de 2015

Os muçulmanos e o papel



O papel parece ser um produto comum de hoje em dia, mas tem sido fundamental para a civilização moderna. Pense em todos os pedaços de papel que você usa todos os dias como revistas, guias, jornais, papel-toalha, papel higiênico e cartões de visita.

Mil e cem anos atrás Muçulmanos estavam fabricando papéis em Bagdá após a captura de prisioneiros chineses na batalha de Talas em 751.

Os segredos da fabricação de papel dos Chineses eram passados para seus capturadores, a fabricação foi refinada e transformada rapidamente em produção em massa pelas usinas de Bagdá e se espalhou para o oeste de Damasco, Tibérias, e Trípoli Sírio. 

Com o aumento da produção o papel se tornou mais barato e de melhor qualidade e foram os moinhos de Damasco que foram as principais fontes de abastecimento para a Europa.

As fábricas sírias eram confiáveis e grandemente beneficiadas por fazerem o cultivo de cânhamo, uma matéria-prima de fibra, cujo comprimento e força significava produção de papel de alta qualidade. Hoje, papel de cânhamo é considerada renovável e ambientalmente amigável;

Também custa menos de metade do que para processar como papel à base de madeira.

Assim como o cânhamo, os muçulmanos também introduziram o linho como um substituto para a casca da amoreira, uma matéria-prima utilizada pelos chineses. Os panos de linho eram divididos, embebido em água e fermentados.

Eles eram, então, fervidos ficando assim livre de resíduos alcalinos e sujeira. Os panos limpos eram batidos com marteladas até virarem uma polpa, um método pioneiro dos muçulmanos.

Eles também fizeram experimento com matérias-prima, fabricando papel de algodão. Um manuscrito muçulmano datado do século XI foi descoberto na livraria da Escorial em Madri.

Por volta dos anos 800, a produção de papel havia chegado no Egito e possivelmente o mais antigo exemplar do Alcorão em papel foi registrado no século X. Do Egito, ele viajou mais a oeste, através do norte da África para o Marrocos.

Como muitos outros, a partir daí, atravessou o estreito para a Espanha Muçulmana em torno de 950, onde os Andaluzes logo a tomou e a cidade de Jativa, perto de Valência, se tornou famosa pela produção de papel espesso, brilhante, chamado Shatibi.

Isso significou que a produção de livros havia se tornado mais fácil e mais rentável, pois o papel substituiu os caros e raros materiais de papiro e pergaminho, assim a produção de livros em massa foi iniciada.

Além disso, a produção era complexa e altamente sofisticada: complexa naquilo que era feito através do trabalho dos copistas e sofisticado devido às mãos hábeis envolvidas.

A quantidade de trabalho na produção diminuiu, mas a sofisticação do artesanato permaneceu, assim, no mundo muçulmano centenas, talvez milhares, de cópias de materiais de referência foram disponibilizados, estimulando um comércio próspero de livros e aprendizagem. 

Obviamente a revolução na fabricação de livros estava para acontecer muito mais tarde, após o uso de impressoras na Europa.

A expansão da fabricação de papel gerou outras profissões, como, tintureiros, fabricantes de tinta, artesãos de manuscritos e calígrafos; as ciências também se beneficiaram.

O pioneiro Tunisiano ibn Badis, a partir do século XI, descreveu isso em sua Equipe de Escribas, escrevendo sobre a excelência da caneta, a preparação dos tipos de tintas coloridas, a coloração de pigmentos e misturas, escrita secreta e a fabricação de papel.

A primeira fábrica de papel na Europa Cristã foi estabelecida na Bolonha em 1293, e no ano de 1309 o primeiro uso de papel na Inglaterra foi registrado.

Com todo este papel e livros produzidos de forma mais barata, a difusão do conhecimento dentro e ao redor da Europa acelerou.

O historiador dinamarquês Johannes Pedersen disse que até a fabricação de papel em grande escala, os muçulmanos "conseguiram uma façanha de importância crucial não só para a história dos livros islâmicos, mas também para todo o mundo dos livros."

Fonte: História Islâmica