quarta-feira, 18 de março de 2015

Émile Durkheim

Émile Durkheim nasceu em 1858, em Épinal, no noroeste da França, próximo à fronteira com a Alemanha.

Era filho de judeus e optou por não seguir o caminho do rabinato, como era costume na sua família. Mais tarde declarou-se agnóstico.

Depois de formar-se, lecionou pedagogia e ciências sociais na Faculdade de Letras de Bordeaux, de 1887 a 1902.

A cátedra de ciências sociais foi a primeira em uma universidade francesa e foi concedida justamente àquele que criaria a Escola Sociológica Francesa.

Seus alunos eram, sobretudo, professores do ensino primário.

Durkheim não repartiu o seu tempo nem o pensamento entre duas atividades distintas por mero acaso.

Abordou a educação como um fato social. "Estou convicto de que não há método mais apropriado para pôr em evidência a verdadeira natureza da educação", declarou.

A partir de 1902, foi auxiliar de Ferdinand Buisson na cadeira de ciência da educação na Sorbonne e o sucedeu em 1906.

Estava plenamente preparado para o posto, pois não parara de dedicar-se aos problemas do ensino. Dentro da educação moral, psicologia da criança ou história das doutrinas pedagógicas, não há campos que ele não tenha explorado.

Suas obras mais famosas são A Divisão do Trabalho Social e O Suicídio. Morreu em 1917, supostamente pela tristeza de ter perdido o filho na Primeira Guerra Mundial, no ano anterior.

A segunda metade do século 19 marca o nascimento de algumas ciências humanas, como antropologia, sociologia, psicanálise e lingüística. Charles Darwin (1809-1882), Karl Marx (1818-1883) e Sigmund Freud (1856-1939), para citar apenas alguns clássicos, estavam formulando as idéias que reorientariam o pensamento mundial mais tarde, assim como fez Durkheim no campo da sociologia.

A França vivia um período de conflitos - parte da região da Lorena, onde Durkheim nasceu, foi tomada pela Alemanha em 1871, o que levou à guerra entre os dois países.

Nesse mesmo ano, foi proclamada a Terceira República Francesa, que implantou medidas políticas inovadoras, como a instituição da lei do divórcio.

Na educação, devido também à influência das concepções de Durkheim, a Terceira República trouxe a obrigatoriedade escolar para crianças de 6 a 13 anos e a proibição do ensino religioso nas escolas públicas, ideais que até hoje estão entre os pilares educacionais naquele país.

Tais transformações foram fundamentais para a preocupação de Durkheim com a formação de professores para a nova escola laica republicana.

Ele viveu também no período da chamada Segunda Revolução Industrial, quando o motor de combustão interna, o dínamo, a eletricidade, o telégrafo e o petróleo tomaram a atenção do mundo todo. Morreu durante a Primeira Guerra Mundial, no ano da Revolução Russa.

Durkheim dizia que a criança, ao nascer, trazia consigo só a sua natureza de indivíduo. "A sociedade encontra-se, a cada nova geração, na presença de uma tábua rasa sobre a qual é necessário construir novamente", escreveu.

Os professores, como parte responsável pelo desenvolvimento dos indivíduos, têm um papel determinante e delicado. Devem transmitir os conhecimentos adquiridos, com cuidado para não tirar a autonomia de pensamento dos jovens.

A proposta de Durkheim levará o aluno a avançar sozinho? Esse modelo de formação externa contraria a independência nos estudos? Ou será uma condição para que a educação cumpra seu papel social e político?

Em cada aluno há dois seres inseparáveis, porém distintos. Um deles seria o que o sociólogo francês Émile Durkheim (1858-1917) chamou de individual. Tal porção do sujeito - o jovem bruto -, segundo ele, é formada pelos estados mentais de cada pessoa.

O desenvolvimento dessa metade do homem foi a principal função da educação até o século 19. Principalmente por meio da psicologia, entendida então como a ciência do indivíduo, os professores tentavam construir nos estudantes os valores e a moral.

A caracterização do segundo ser foi o que deu projeção a Durkheim. "Ele ampliou o foco conhecido até então, considerando e estimulando também o que concebeu como o outro lado dos alunos, algo formado por um sistema de idéias que exprimem, dentro das pessoas, a sociedade de que fazem parte", explica Dermeval Saviani, professor emérito da Universidade Estadual de Campinas.

Dessa forma, Durkheim acreditava que a sociedade seria mais beneficiada pelo processo educativo. Para ele, "a educação é uma socialização da jovem geração pela geração adulta".

E quanto mais eficiente for o processo, melhor será o desenvolvimento da comunidade em que a escola esteja inserida.

Nessa concepção durkheimiana - também chamada de funcionalista -, as consciências individuais são formadas pela sociedade. Ela é oposta ao idealismo, de acordo com o qual a sociedade é moldada pelo "espírito" ou pela consciência humana.

"A construção do ser social, feita em boa parte pela educação, é a assimilação pelo indivíduo de uma série de normas e princípios - sejam morais, religiosos, éticos ou de comportamento - que baliza a conduta do indivíduo num grupo.

O homem, mais do que formador da sociedade, é um produto dela", escreveu Durkheim.

Essa teoria, além de caracterizar a educação como um bem social, a relacionou pela primeira vez às normas sociais e à cultura local, diminuindo o valor que as capacidades individuais têm na constituição de um desenvolvimento coletivo.

"Todo o passado da humanidade contribuiu para fazer o conjunto de máximas que dirigem os diferentes modelos de educação, cada uma com as características que lhe são próprias.

As sociedades cristãs da Idade Média, por exemplo, não teriam sobrevivido se tivessem dado ao pensamento racional o lugar que lhe é dado atualmente", exemplificou o pensador.

Durkheim não desenvolveu métodos pedagógicos, mas suas ideias ajudaram a compreender o significado social do trabalho do professor, tirando a educação escolar da perspectiva individualista, sempre limitada pelo psicologismo idealista - influenciado pelas escolas filosóficas alemãs de Kant (1724-1804) e Hegel (1770-1831).

"Segundo Durkheim, o papel da ação educativa é formar um cidadão que tomará parte do espaço público, não somente o desenvolvimento individual do aluno", explica José Sérgio Fonseca de Carvalho, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).

Nas palavras de Durkheim, "a educação tem por objetivo suscitar e desenvolver na criança estados físicos e morais que são requeridos pela sociedade política no seu conjunto".

Tais exigências, com forte influência no processo de ensino, estão relacionadas à religião, às normas e sanções, à ação política, ao grau de desenvolvimento das ciências e até mesmo ao estado de progresso da indústria local.

Se a educação for desligada das causas históricas, ela se tornará apenas exercício da vontade e do desenvolvimento individual, o que para ele era incompreensível: "Como é que o indivíduo pode pretender reconstruir, por meio do único esforço da sua reflexão privada, o que não é obra do pensamento individual?"

E ele mesmo respondeu: "O indivíduo só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto em que está inserido, a saber quais são suas origens e as condições de que depende.

E não poderá sabê-lo sem ir à escola, começando por observar a matéria bruta que está lá representada".

Por tudo isso, Durkheim é também considerado um dos mentores dos ideais republicanos de uma educação pública, monopolizada pelo Estado e laica, liberta da influência do clero romano.

Durkheim sugeria que a ação educativa funcionasse de forma normativa. A criança estaria pronta para assimilar conhecimentos - e o professor bem preparado, dominando as circunstâncias.

"A criança deve exercitar-se a reconhecer [a autoridade] na palavra do educador e a submeter-se ao seu ascendente; é por meio dessa condição que saberá, mais tarde, encontrá-la na sua consciência e aí se conformar a ela", propôs ele.

"Em Durkheim, a autonomia da vontade só existe como obediência consentida", diz Heloísa Fernandes, da Faculdade de Ciências Sociais da USP.

O sociólogo francês foi criticado por Jean Piaget (1896-1980) e Pierre Bourdieu (1930-2002), defensores da ideia de que a criança determina seus juízos e relações apenas com estímulos de seus educadores, sem que estes exerçam, necessariamente, força autoritária sobre ela.

A elaboração, adoção e socialização dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs)foi uma grande conquista para a educação brasileira.

Houve padronização na indicação dos conteúdos curriculares e uma clara demonstração do que o governo espera dos jovens que deixarão os bancos escolares nos próximos anos.

Para o professor Dermeval Saviani, da Unicamp, esse fato tem certa relação com as concepções de Durkheim. "Os currículos são sugeridos para todos. Esses documentos mostram as necessidades da sociedade.

Agora, cabe aos estabelecimentos de ensino pegar essas indicações e moldá-las aos estudantes", explica. "A ideia de fundo é colocar as pessoas certas nos lugares certos, onde a comunidade precisa", diz.

Para saber mais:

  • A Evolução Pedagógica, Émile Durkheim, 325 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444 (edição esgotada) 
  • Durkheim, José Albertino Rodrigues (org.), 208 págs., Ed. Ática, tel. 0800-115-152, 27,50 reais 
  • Educação e Sociologia, Émile Durkheim, 132 págs., Edições 70, tel. (11) 3107-0017 (Livraria Portugal, importadora), 47 reais 
  • Sintoma Social Dominante e Moralização Infantil, Heloísa Rodrigues Fernandes, 219 págs., Edusp e Ed. Escuta, tel. (11) 3865-8950, 33,70 reais 
Fonte: Revista Escola

quinta-feira, 12 de março de 2015

Dia do Bibliotecário - Pioneiros da Biblioteconomia



Gabriel Naudé (1600-1653) nasceu em Paris em 2 de fevereiro de 1600. Apesar de ser conhecido como um grande bibliotecário francês, essa não foi sua profissão inicial: aos 26 anos, mudou-se para Pádua, na Itália, a fim de estudar medicina. 

Ao retornar para Paris, Naudé se tornou bibliotecário de Henri de Mesmes, conhecido como Président de Mesmes, o que marca o início da carreira de bibliotecário e o abandono da profissão de médico, a qual aparentemente ele nunca exerceu.

Posteriormente trabalhou novamente na Itália para o Cardeal de Bagni e depois para o Cardeal Francesco Barberini. De volta à França mais uma vez, trabalhou para o Cardeal Richilieu e, após a morte deste, para o Primeiro Ministro da França, em 1642. 

Durante os dez anos seguintes, Naudé dedicou-se à construção de uma biblioteca para Mazarino, tendo formado um acervo respeitável com mais de 40 mil livros, comprados por ele mesmo por toda a Europa. Ao final desses anos, a Biblioteca Mazarina era provavelmente a maior do continente europeu à sua época. 

De 1926 a 1977 a Biblioteca Mazarina fez parte da Réunion des Bibliothèques Nationales, que foi abolida em 1977.

A Biblioteca Mazarina passou por problemas durante as Frondas, período que compreende a guerra civil na França de 1648 a 1652 e a guerra entre França e Espanha, de 1653 a 1659. Com a queda de Mazarin do poder em 1652 e confisco de seus bens, o acervo da Biblioteca Mazarina foi leiloado naquele mesmo ano. 

Naudé chegou a escrever ao Parlamento contestando a venda da coleção da referida biblioteca, o que infelizmente não surtiu efeito. Isso o levou a trocar Paris por Estocolmo em 21 de julho de 1652, tendo partido a convite da Rainha Cristina da Suécia para ser diretor e organizar sua biblioteca. 

No ano seguinte, contudo, Mazarin recuperou o poder que tinha antes e muitos daqueles que haviam comprado livros da Biblioteca Mazarina devolveram os itens à biblioteca como forma de provar sua lealdade a Mazarin. Naudé não teve boas experiências em Estocolmo e em 1953 resolveu voltar à Paris. Infelizmente, ele morreu durante a viagem de volta à sua cidade natal, em 29 de julho de 1953.

A grande contribuição de Gabriel Naudé para biblioteconomia, pela qual ele é muito lembrado, foi a publicação da obra “Advis pour dresser une bibliothèque”, que é considerada o primeiro tratado em biblioteconomia escrito em língua vernácula e não em latim. 

O livro foi escrito em 1627 e trazia teorias sobre seleção de livros, ensaios sobre classificação e catalogação, além de orientações aplicáveis até os dias de hoje ao armazenamento de documentos, como o cuidado com a luz natural e a necessidade de deixá-los longe da umidade. 

O livro é considerado um marco para a transição das práticas bibliotecárias medievais para as práticas modernas.

Fonte: i10 Biblioteca

terça-feira, 10 de março de 2015

André Gide


André Gide pertencia a uma família modesta e protestante, por parte de pai, e a uma família da alta burguesia, por parte de mãe. Gide teve uma infância difícil, alternando períodos de estudo com temporadas no sul da França, para tratamento de saúde.

Suas obras são inseparáveis de sua biografia, viajou muito imbuindo seus textos de experiências. Escreveu ficção e autobiografia. Em Paris, Gide cursou a faculdade de letras e de filosofia, formando-se em 1889.

Sua primeira obra, intitulada "Os Cadernos de André Walter", foi publicada em 1891. A juventude de Gide foi marcada por numerosos conflitos interiores.

Com a realização de uma viagem ao norte da África, durante a qual adoeceu gravemente, Gide deu vazão a seus impulsos homossexuais, como relatou depois em sua autobiografia. Conheceu nessa viagem Oscar Wilde.

Em 1895 Gide casou-se com sua prima Madeleine, realizando a seguir uma grande viagem pela Suíça, Itália e Tunísia. Dois anos depois, passou a colaborar com o periódico "L'Ermitage", para o qual escreveu diversos artigos.

Junto com ouros intelectuais, André Gide fundou, em 1908, a "Nouvelle Revue Française", que se tornaria uma das revistas de maior prestígio na Europa. Em seus artigos, defendeu o rigor formal e o classsicismo. Durante a Primeira Guerra Mundial, Gide viveu uma crise religiosa e em 1914 publicou "Os Subterrâneos do Vaticano", um romance burlesco.

Depois da guerra, Gide adquiriu grande prestígio junto ao meio intelectual. Em 1919 publicou o que muitos críticos consideram sua obra prima, "A Sinfonia Pastoral". Gide tornou-se um intelectual engajado, participando ativamente da política de seu tempo. Manifestou-se contra o colonialismo e defendeu o comunismo. Apesar desta sua posição, depois de uma viagem à União Soviética, denunciou os crimes de Stalin, no livro "Retour de l'URSS".

Escreveu ainda diversas obras, entre elas "Os Moedeiros Falsos", Os Frutos da Terra", "Saul"e "A Volta do Filho Pródigo". Em 1947 recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, e no mesmo ano tornou-se doutor honoris causa pela Universidade de Oxford, o que lhe conferiu reconhecimento internacional.

Entre as últimas atividades de André Gide estão a elaboração do romance "Tereza", uma tradução de "Hamlet", de Shakespeare, e uma adaptação para o teatro de "O Processo", de Kafka.

André Gide morreu de problemas cardíacos.

Texto: 500 grandes escritores

Alexandre Dumas


O célebre escritor nasceu em 24 de julho de 1802 em Villers-Cotterêts, região de Aisne, e morreu em Paris, em 5 de dezembro de 1870.

Dumas Davy de la Pailleterie (seu nome de nascimento) é um dos pilares do gênero do romance de aventuras. Era neto do marquês Antoine-Alexandre Davy de la Pailleterie e de uma escrava (ou liberta, não se sabe ao certo) negra, Marie Césette Dumas.

Seu pai foi o General Dumas, grande figura militar de sua época que serviu nas guerras napoleônicas.

Enquanto trabalhava em Paris, Dumas começou a escrever artigos para revistas e também peças para teatro. Em 1829 foi produzida sua primeira peça, Henrique III e sua Côrte, alcançando sucesso de público. No ano seguinte, sua segunda peça Christine também obteve popularidade.

Como resultado, ele se tornou financeiramente capaz de trabalhar como escritor em tempo integral.

Entretanto, em 1830, ele participou da revolução que depos o rei Carlos X da França e substituiu-o no trono pelo ex-patrão de Dumas, o Duque d'Orléans, que governaria com o nome de Luís Filipe de França, alcunhado de Rei Cidadão.

Após escrever mais algumas peças de sucesso, passou a se dedicar aos romances.

Apesar de ter um estilo de vida extravagante e sempre gastar mais do que ganhava, Dumas provou ser um astuto divulgador de sua obra.

Com a alta demanda dos jornais por romances em folhetim, em 1838 ele simplesmente reescreveu uma de suas peças para criar sua primeira série em romance.

Intitulada "O Capitão Paulo" (em francês Le Capitaine Paul) conduziu-o a criar um estúdio de produção que lançou centenas de histórias, todas sujeitas à sua apreciação pessoal.

Em 1840, ele se casou com a atriz Ida Ferrier, mas continuou a manter seus casos com outras mulheres, sendo pai de pelo menos três filhos fora do casamento.

Um destes filhos, que recebeu o seu nome, (Alexandre Dumas, autor de A dama das camélias) seguiria seus passos na carreira de novelista e escritor de peças teatrais.

Alexandre Dumas escreveu romances e crônicas históricas de muita aventura que estimulavam a imaginação do público francês, e de outros países nos idiomas para os quais foram traduzidos.

Alguns destes trabalhos foram:

  • Os Três Mosqueteiros (Les Trois Mousqetaires, 1844)
  • Vinte anos depois (Vingt Ans Après, 1845)
  • Visconde de Bragelonne (Le Vicomte de Bragelonne, ou Dix ans plus tard, 1847, do qual faz parte O homem com a máscara de ferro)
  • O conde de Monte Cristo (1845-1846)
  • A filha do regente (1845)
  • As duas Dianas (1846)
  • Rainha Margot (1845)
  • A dama de Monsoreau (1846)
  • A tulipa negra (1850)
  • O quebra-nozes (1844 – mais tarde adaptada por Tchaikovsky para um balé)
  • Os ladrões de ouro (escrito após 1857)
  • Napoleão
  • O colar de veludo 
  • Memórias Garibaldi 
Seu trabalho como escritor lhe rendeu bastante dinheiro, já que na época áurea dos folhetins, Dumas e Balzac eram os mais célebres e requisitados autores.

Porém, devido ao seu alto padrão de vida, em 1851 Dumas teve que ir embora para Bruxelas para fugir de seus credores. Passou dois anos na Rússia antes de se mudar em busca de aventuras e inspirações para mais histórias.

Em março de 1861, o reino da Itália foi proclamado, com Vítor Emanuel II como rei. Nos 3 anos seguintes, Alexandre Dumas se envolveria na luta pela unificação da Itália, retornando a Paris em 1864.

Deste período vem a sua amizade com Giuseppe Garibaldi que resultou no magnífico relato Memórias de Garibaldi, onde o grande aventureiro narrou as suas aventuras ao grande escritor.

Apesar do sucesso e das conexões aristocráticas de Alexandre Dumas, sua vida sempre foi marcada pelo fato de ser mulato.

Em 1843, escreveu uma curta novela intitulada Georges, que chamava atenção para alguns aspectos raciais e para os efeitos do colonialismo.

Sepultado no local onde nasceu, o corpo de Alexandre Dumas ficou no cemitério de Villers-Cotterêts até 30 de novembro de 2002.

Sob as ordens do presidente francês Jacques Chirac, seu corpo foi exumado e, numa cerimônia televisiva, seu novo caixão, carregado por quatro homens vestidos como os mosqueteiros Athos, Porthos, Aramis e D'Artagnan, foi transportado em procissão solene até o Panteão de Paris, o grande mausoléu onde grandes filósofos e escritores da França estão sepultados.





quinta-feira, 5 de março de 2015

Canto gregoriano


Partitura ricamente adornada

A única música litúrgica que conta para o Ocidente é o coral gregoriano, a liturgia à qual Gregório I, O grande (590-604) concedeu espécie de monopólio na Igreja romana.

O canto gregoriano é a mais antiga manifestação musical do Ocidente e tem suas raízes nos cantos das antigas sinagogas, desde os tempos de Jesus Cristo.

O período de formação do canto gregoriano vai dos séculos I ao VI, atingindo o seu auge nos séculos VII e VIII, quando foram feitas as mais lindas composições e, finalmente, nos séculos IX, X e XI, princípio da Idade Média; começa, então, sua decadência.

Seu nome é uma homenagem ao papa Gregório Magno (540-604) que fez uma coletânea de peças, publicando-as em dois livros: o Antifonário, conjunto de melodias referentes às Horas Canônicas, e o Gradual Romano, contendo os cantos da Santa Missa.

Ele também iniciou a "Schola Cantorum" que deu grande desenvolvimento ao canto gregoriano.

O canto sofreu, durante muitos séculos de sua existência, numerosas modificações, deve-se porém aos monges do mosteiro de Solesmes o restabelecimento dos textos originais.

O coral gregoriano tem em suas características a riqueza melódica, rigorosa homofonia e o ritmo subordinado ao texto sem a separação dos compassos pelo risco.

Aos poucos o canto gregoriano é influenciado por canções profanas de poesia lírica cantadas pelos trovadores nas cortes, e canções populares de poesia lírica mais simples cantadas em aldeias.

Assim a polifonia dessas canções encontra brechas nas igrejas, essa mudança é limite entre o que os historiadores chamam de Ars Antiqua e Ars Nova.

Dentro do coral gregoriano há uma divisão musical, uma contradição que levará à divisão de vozes, uma recitando o texto, e outra ornando-o melodicamente. São essas as origens das primeiras tentativas de música polifônica, do Organum e do Discantus.

Perotinus foi um diretor de escola musical por volta de 1200 em Paris, ele é o primeiro compositor a sair do anonimato, várias obras estão documentadas e preservadas em Montpellier e Florença, são obras polifônicas rudimentares, que recentemente foram gravadas em álbuns.

O grande compositor da Ars Nova é Machaut, foi dignatário eclesiástico em Verdum e Reims, na corte do rei Charles V da França.

Machaut foi o primeiro que escolheu cinco partes fixas do texto da missa para colocá-las em música:
  • Kyrie
  • Gloria
  • Credo
  • Sanctus - Benedictus
  • Agnus Dei
Essa forma, esquema é que muitos compositores se servirão ao longo dos séculos para compor.





Texto: Marcello Lopes
Obra consultada: Uma nova história da música - Otto Maria Carpeaux - Ed.Ediouro
Fotos: Google
Vídeo: Youtube