domingo, 4 de outubro de 2015

Os muçulmanos e o papel



O papel parece ser um produto comum de hoje em dia, mas tem sido fundamental para a civilização moderna. Pense em todos os pedaços de papel que você usa todos os dias como revistas, guias, jornais, papel-toalha, papel higiênico e cartões de visita.

Mil e cem anos atrás Muçulmanos estavam fabricando papéis em Bagdá após a captura de prisioneiros chineses na batalha de Talas em 751.

Os segredos da fabricação de papel dos Chineses eram passados para seus capturadores, a fabricação foi refinada e transformada rapidamente em produção em massa pelas usinas de Bagdá e se espalhou para o oeste de Damasco, Tibérias, e Trípoli Sírio. 

Com o aumento da produção o papel se tornou mais barato e de melhor qualidade e foram os moinhos de Damasco que foram as principais fontes de abastecimento para a Europa.

As fábricas sírias eram confiáveis e grandemente beneficiadas por fazerem o cultivo de cânhamo, uma matéria-prima de fibra, cujo comprimento e força significava produção de papel de alta qualidade. Hoje, papel de cânhamo é considerada renovável e ambientalmente amigável;

Também custa menos de metade do que para processar como papel à base de madeira.

Assim como o cânhamo, os muçulmanos também introduziram o linho como um substituto para a casca da amoreira, uma matéria-prima utilizada pelos chineses. Os panos de linho eram divididos, embebido em água e fermentados.

Eles eram, então, fervidos ficando assim livre de resíduos alcalinos e sujeira. Os panos limpos eram batidos com marteladas até virarem uma polpa, um método pioneiro dos muçulmanos.

Eles também fizeram experimento com matérias-prima, fabricando papel de algodão. Um manuscrito muçulmano datado do século XI foi descoberto na livraria da Escorial em Madri.

Por volta dos anos 800, a produção de papel havia chegado no Egito e possivelmente o mais antigo exemplar do Alcorão em papel foi registrado no século X. Do Egito, ele viajou mais a oeste, através do norte da África para o Marrocos.

Como muitos outros, a partir daí, atravessou o estreito para a Espanha Muçulmana em torno de 950, onde os Andaluzes logo a tomou e a cidade de Jativa, perto de Valência, se tornou famosa pela produção de papel espesso, brilhante, chamado Shatibi.

Isso significou que a produção de livros havia se tornado mais fácil e mais rentável, pois o papel substituiu os caros e raros materiais de papiro e pergaminho, assim a produção de livros em massa foi iniciada.

Além disso, a produção era complexa e altamente sofisticada: complexa naquilo que era feito através do trabalho dos copistas e sofisticado devido às mãos hábeis envolvidas.

A quantidade de trabalho na produção diminuiu, mas a sofisticação do artesanato permaneceu, assim, no mundo muçulmano centenas, talvez milhares, de cópias de materiais de referência foram disponibilizados, estimulando um comércio próspero de livros e aprendizagem. 

Obviamente a revolução na fabricação de livros estava para acontecer muito mais tarde, após o uso de impressoras na Europa.

A expansão da fabricação de papel gerou outras profissões, como, tintureiros, fabricantes de tinta, artesãos de manuscritos e calígrafos; as ciências também se beneficiaram.

O pioneiro Tunisiano ibn Badis, a partir do século XI, descreveu isso em sua Equipe de Escribas, escrevendo sobre a excelência da caneta, a preparação dos tipos de tintas coloridas, a coloração de pigmentos e misturas, escrita secreta e a fabricação de papel.

A primeira fábrica de papel na Europa Cristã foi estabelecida na Bolonha em 1293, e no ano de 1309 o primeiro uso de papel na Inglaterra foi registrado.

Com todo este papel e livros produzidos de forma mais barata, a difusão do conhecimento dentro e ao redor da Europa acelerou.

O historiador dinamarquês Johannes Pedersen disse que até a fabricação de papel em grande escala, os muçulmanos "conseguiram uma façanha de importância crucial não só para a história dos livros islâmicos, mas também para todo o mundo dos livros."

Fonte: História Islâmica

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