quinta-feira, 5 de março de 2015

Canto gregoriano


Partitura ricamente adornada

A única música litúrgica que conta para o Ocidente é o coral gregoriano, a liturgia à qual Gregório I, O grande (590-604) concedeu espécie de monopólio na Igreja romana.

O canto gregoriano é a mais antiga manifestação musical do Ocidente e tem suas raízes nos cantos das antigas sinagogas, desde os tempos de Jesus Cristo.

O período de formação do canto gregoriano vai dos séculos I ao VI, atingindo o seu auge nos séculos VII e VIII, quando foram feitas as mais lindas composições e, finalmente, nos séculos IX, X e XI, princípio da Idade Média; começa, então, sua decadência.

Seu nome é uma homenagem ao papa Gregório Magno (540-604) que fez uma coletânea de peças, publicando-as em dois livros: o Antifonário, conjunto de melodias referentes às Horas Canônicas, e o Gradual Romano, contendo os cantos da Santa Missa.

Ele também iniciou a "Schola Cantorum" que deu grande desenvolvimento ao canto gregoriano.

O canto sofreu, durante muitos séculos de sua existência, numerosas modificações, deve-se porém aos monges do mosteiro de Solesmes o restabelecimento dos textos originais.

O coral gregoriano tem em suas características a riqueza melódica, rigorosa homofonia e o ritmo subordinado ao texto sem a separação dos compassos pelo risco.

Aos poucos o canto gregoriano é influenciado por canções profanas de poesia lírica cantadas pelos trovadores nas cortes, e canções populares de poesia lírica mais simples cantadas em aldeias.

Assim a polifonia dessas canções encontra brechas nas igrejas, essa mudança é limite entre o que os historiadores chamam de Ars Antiqua e Ars Nova.

Dentro do coral gregoriano há uma divisão musical, uma contradição que levará à divisão de vozes, uma recitando o texto, e outra ornando-o melodicamente. São essas as origens das primeiras tentativas de música polifônica, do Organum e do Discantus.

Perotinus foi um diretor de escola musical por volta de 1200 em Paris, ele é o primeiro compositor a sair do anonimato, várias obras estão documentadas e preservadas em Montpellier e Florença, são obras polifônicas rudimentares, que recentemente foram gravadas em álbuns.

O grande compositor da Ars Nova é Machaut, foi dignatário eclesiástico em Verdum e Reims, na corte do rei Charles V da França.

Machaut foi o primeiro que escolheu cinco partes fixas do texto da missa para colocá-las em música:
  • Kyrie
  • Gloria
  • Credo
  • Sanctus - Benedictus
  • Agnus Dei
Essa forma, esquema é que muitos compositores se servirão ao longo dos séculos para compor.





Texto: Marcello Lopes
Obra consultada: Uma nova história da música - Otto Maria Carpeaux - Ed.Ediouro
Fotos: Google
Vídeo: Youtube

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