sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin

A Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin é um órgão da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da Universidade de São Paulo (USP). Foi criada em janeiro de 2005 para abrigar e integrar a coleção brasiliana reunida ao longo de mais de oitenta anos pelo bibliófilo José Mindlin e sua esposa Guita.

A coleção foi doada pela família Mindlin à USP em um gesto de extrema generosidade para com a nação. Com o seu expressivo conjunto de livros e manuscritos, a brasiliana reunida por Guita e José Mindlin é considerada a mais importante coleção do gênero formada por particulares. São 32,2 mil títulos que correspondem a 60 mil volumes aproximadamente.

Em 2002, o professor István Jancsó, então diretor do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP, concebeu, juntamente com José Mindlin, o projeto de construção de um moderno edifício capaz de abrigar as duas importantes coleções brasilianas da USP (a do próprio IEB, fundado em 1962 pelo historiador Sérgio Buarque de Holanda, e a de José e Guita Mindlin).

A Biblioteca Mindlin, enquanto instituição da Universidade de São Paulo, foi criada em função desse projeto e a doação do acervo foi confirmada em cerimônia realizada em maio de 2006. A nova sede da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin foi inaugurada em março de 2013.

Parte do acervo doado pertencia ao bibliófilo e bibliotecário Rubens Borba de Moraes, em quem José Mindlin reconhecia “uma espécie de irmão mais velho”, dono de “um amor aos livros e à leitura muito parecido com o meu”. Importante intelectual e o mais destacado estudioso da bibliografia sobre o Brasil, Rubens Borba de Moraes deixou sua biblioteca de 2.300 obras ao casal Mindlin após seu falecimento, em 1986.

Vida entre livros

José Mindlin começa muito cedo sua vida de colecionador de livros raros. Ele tinha apenas 13 anos quando comprou o primeiro livro em razão de sua antiguidade; era uma edição portuguesa de 1740 do “Discurso sobre a História Universal” de Bossuet. Um pouco mais tarde, um presente de seu pai – os seis volumes da “História do Brasil” de Robert Southey, de 1862 – e outro de uma tia – História do Brasil por Frei Vicente do Salvador, com notas por Capistrano de Abreu, de 1918 – fizeram Mindlin decidir-se a reunir livros sobre o Brasil. É o início da formação de uma coleção brasiliana, que chegaria a mais de 32 mil títulos.

A paixão duradoura pelo livro e pela leitura fez José Mindlin dedicar toda sua vida à constituição de sua biblioteca. Mas sua contribuição à cultura e à sociedade não se restringiu a isso. Ele também teve atuação destacada nos setores público e privado: foi empresário da indústria metalúrgica, secretário estadual de cultura, ciência e tecnologia (1975) e membro de diversos conselhos, principalmente de instituições culturais. Foi também membro da Academia Brasileira de Letras de 2006 a 2010, ano de sua morte.

Guita Mindlin partilhou com o colega da Faculdade de Direito e depois marido a paixão pelos livros e, como José, dedicou boa parte de sua vida a eles. Seu principal interesse era a conservação e o restauro de livros. Para ampliar seus conhecimentos sobre o assunto visitou bibliotecas, fez cursos no Brasil, na França, na Espanha e na Alemanha e montou um laboratório dentro de casa com a finalidade de cuidar melhor dos livros da biblioteca do casal.

Em 1988, juntamente com Tereza Brandão Teixeira, criou a Associação Brasileira de Encadernação e Restauro (ABER) com o objetivo de reunir profissionais ligados à conservação e ao restauro de livros, a documentos impressos e manuscritos e à encadernação artesanal. O trabalho de Guita e Tereza são pioneiros no Brasil na área de preservação do patrimônio bibliográfico.

Uma extraordinária coleção sobre o Brasil

A biblioteca formada por José Mindlin ao longo de sua vida estava organizada em quatro principais vertentes temáticas: assuntos brasileiros, literatura em geral, livros de arte, e livros como objeto de arte em virtude de seus traços tipográficos, de sua diagramação, ilustração, encadernação, entre outros aspectos.

O acervo doado à USP em 2006 reúne material sobre o Brasil ou que, tendo sido escrito e/ou publicado por brasileiros, sejam importantes para a compreensão da cultura e história do país.

O conjunto é constituído por obras de literatura, de história, relatos de viajantes, manuscritos históricos e literários, documentos, periódicos, mapas, livros científicos e didáticos, iconografia e livros de artistas. A Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin almeja expandir seu acervo - torná-la uma biblioteca viva, conforme os ideais de José Mindlin - adquirindo novos títulos e coleções que dialoguem com as vertentes inicias do acervo.

Esta Biblioteca, conforme o regimento, tem o compromisso de conservar, divulgar e facilitar o acesso de estudantes, pesquisadores e do público em geral ao acervo, e promover a disseminação de estudos de assuntos brasileiros por meio de programas e projetos específicos. Neste sentido, ela tem atuado como um centro interdisciplinar de documentação, pesquisa e difusão científica de estudos brasileiros, da cultura do livro, da tecnologia da informação e das humanidades digitais, tornando um órgão de integração de diversas iniciativas acadêmicas, de interesse intersetorial e transdisciplinar.

Desde 2005, quando passou a funcionar, a Biblioteca tem reunido especialistas, sediado projetos e apoiado iniciativas de estudos, desenvolvendo atividades em torno de quatro campos do saber: 1) Estudos Brasileiros; 2) História do Livro e da Leitura; 3) Tecnologia do Conhecimento e Humanidades Digitais; e 4) Preservação, conservação e restauração do livro e do papel.

O edifício

A Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin está instalada em um dos blocos do recentemente inaugurado edifício no coração da Cidade Universitária, em São Paulo. O projeto de arquitetura foi desenvolvido pelos escritórios de Eduardo de Almeida e Rodrigo Mindlin Loeb, com a assessoria da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.

O edifício foi inspirado em conceituadas bibliotecas de outros países, como a Beinecke Rare Book & Manuscript Library (Biblioteca Beinecke de Manuscritos e Livros Raros), da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, e a Biblioteca Sainte-Geneviève, de Paris, na França. A Library of Congress (Biblioteca do Congresso), de Washington, foi consultada para definir diretrizes de conservação das obras.

Além de abrigar a BBM, o edifício do Complexo Brasiliana USP abriga o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), a Livraria da Edusp e o Auditório István Jancsó (com capacidade para 300 pessoas), e conta com salas de aula e salas de exposição.

O complexo contará ainda com cafeteria no mezzanino da Livraria da Edusp. O projeto levou em conta, ainda, elementos sustentáveis. A estrutura do prédio prioriza a entrada de luz natural, promovendo economia de energia, além de possuir células fotoelétricas instaladas para a captação da energia solar, uma das melhores formas de produção de energia limpa.

Além dos recursos orçamentários da USP, a construção do edifício contou com o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Lampadia, do Programa de Ação (Proac) da Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo, do Senador Eduardo M. Suplicy e do BNDES, e com o patrocínio (por meio da Lei Rouanet) da Petrobras, CBMM, CSN, Fundação Telefonica, Suzano Papel e Celulose, Fundação Votorantim, Grupo Santander, Natura, CPFL, Cosan e Raizen. O Gerenciamento da obra foi de responsabilidade da Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo (FUSP), em parceria com a Superintendência do Espaço Físico (SEF) da USP.

Auditório István Jancsó

O Auditório István Jancsó possui infraestrutura moderna e adequada para receber diferentes tipos de eventos acadêmicos, como conferências, seminários e colóquios. O espaço conta com 276 assentos e dispõe de lugares especialmente destinados a deficientes físicos.

É possível estender a capacidade do Auditório em 60 lugares. O Auditório possui infraestrutura completa, destacando-se as cabines de tradução simultânea e uma câmera especial para videoconferência.

A Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin disponibiliza o Auditório István Jancsó para empréstimo ou locação. A solicitação de reserva do Auditório deve ser feita através do preenchimento e envio do formulário ao lado para que se verifiquem as necessidades do evento, sua adequação ao espaço do auditório bem como a disponibilidade do mesmo para os dias pretendidos.

[Fotos de Ricardo Amado (vista externa do Auditório István Jancsó) e Nelson Kon (Auditório István Jancsó por dentro).]






José e Guita Mindlin



José Mindlin (1914-2010)

Nascido na cidade de São Paulo em 8 de setembro de 1914, José Ephim Mindlin trabalhou como jornalista na redação do Jornal O Estado de S. Paulo desde os 15 anos de idade até se formar em Direito pela Faculdade do Largo São Francisco, da USP, em 1936. Advogou por 20 anos. Em 1950 foi um dos fundadores da empresa Metal Leve, que se tornou uma das maiores empresas no setor de peças automotivas do Brasil. Como industrial, estimulou o desenvolvimento tecnológico e as exportações de manufaturados brasileiros. Foi doutor honoris causa por diversas universidades, inclusive pela USP. José Mindlin foi membro do Conselho Superior da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) de 1973 a 1974; de 1975 a 1976, diretor do Conselho de Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e Secretário da Cultura, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, quando estruturou a carreira de pesquisador. Foi também membro de diversos conselhos de entidades culturais, como IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), EDUSP (Editora da Universidade de São Paulo), Conselho Internacional do Museu de Arte Moderna de Nova York e Conselho Diretor da John Carter Brown Library, de Providence, em Rhode Island. Foi membro da Academia Paulista de Letras e, em 2006, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras.

Guita Mindlin (1916-2006)

Nascida em São Paulo, em 1916, Guita Kauffmann tinha 20 anos quando ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Conheceu o estudante José Mindlin e, dois anos depois, casaram-se. Formou-se em Direito em 1940, mas não exerceu a profissão. Interessada em história e literatura, fez cursos de extensão nos anos 1960 e 1970. Grande leitora, sempre zelou pelos livros da biblioteca que formou junto com José Mindlin e com o tempo foi estudando como conservá-los. Visitou bibliotecas, fez cursos no Brasil, na França, na Espanha e na Alemanha e montou um laboratório dentro de casa com a finalidade de cuidar melhor dos livros da biblioteca do casal. Em 1988, juntamente com Thereza Brandão Teixeira, criou a Associação Brasileira de Encadernação e Restauro (ABER), com o objetivo de reunir profissionais ligados à conservação e ao restauro de livros, documentos impressos e manuscritos e à encadernação artesanal, estimulando o interesse pela documentação gráfica.

Consulta ao acervo


Os materiais impressos e manuscritos que constituem o acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) estão a serviço de pesquisadores e estudiosos que têm interesse em conhecer mais a fundo temas da história, da literatura, da arte e da cultura brasileira em geral.

O acervo é constituído por livros, folhetos, periódicos, mapas, manuscritos, gravuras etc. Todos esses materiais abrangem uma grande variedade de temas relacionados ao Brasil. Pela quantidade e importância deve-se destacar os livros de história, de literatura e crítica literária, os relatos de viajantes e missionários e os almanaques e periódicos nacionais.

Devido ao caráter raro e especial desses materiais, o acervo da Biblioteca não é circulante, ou seja, não há empréstimo de obras.

Apesar disso, o pesquisador pode consultar qualquer item do acervo na Sala de Consulta Rubens Borba de Moraes sob supervisão de um membro da equipe.

A consulta ao acervo da Biblioteca pode ser realizada pelo Catálogo Geral da USP (Dedalus).

Parte do acervo já digitalizado encontra-se disponível para consulta e download neste site.

Atualmente, cerca de 3.000 títulos da BBM estão disponíveis para livre acesso. São diferentes tipos de materiais que abordam temas variados da história do Brasil.

As coleções de livros de literatura e de história, mapas, iconografias, e uma coleção de periódicos dos séculos XIX e XX são particularmente significativos. O pesquisador pode consultar o material no próprio site ou fazer o download das obras.

O atendimento aos pesquisadores é realizado diretamente no edifício da BBM, como também pelo telefone (11) 2648-0317 ou pelo biblioteca@bbm.usp.br.

Não são realizadas fotocópias.

Horários de consulta ao acervo
Segunda a sexta, das 8h30 às 12h e das 13h30 às 17h (temporariamente)
Obs.: solicitação de documentos para consulta serão aceitas até as 16h.

Endereço

Rua da Biblioteca, s/n.
Cidade Universitária
São Paulo, SP
CEP 05508-050














Informações: Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin
Fotos: Arquitetura de Bibliotecas.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Biblioteca de Maranello - Modena - Itália

A biblioteca de Maranello foi inaugurada em 2011 como um local para a iniciativa cultural e eventos diversos, o design da biblioteca é assinado pelo escritório Maffei Associados.