domingo, 4 de janeiro de 2015

Diário para um viajante - Palmira - Síria

A umas três horas de carro de Damasco, em direção ao nordeste, há um notável sítio arqueológico: Palmira, chamada na Bíblia de Tadmor.

Esse oásis, que fica a meio caminho entre o Mediterrâneo e o rio Eufrates, é regado por mananciais subterrâneos cujas águas afloram ali, procedentes das montanhas situadas ao norte. 

A antiga rota comercial entre a Mesopotâmia e o Mediterrâneo seguia o Crescente Fértil, bem ao norte de Palmira.

Contudo, no primeiro século, a instabilidade política no norte fez com que a rota sul, mais curta, fosse preferida pelos viajantes. Localizada nessa rota comercial, Palmira atingiu o auge de sua prosperidade.

Sendo útil a Roma como ponto estratégico para defender o lado oriental do império, Palmira foi integrada na província romana da Síria, mas por fim foi declarada uma cidade independente. 

Numa rua ornada com colunatas magníficas havia grandes templos, arcos monumentais, banhos e um teatro. Os pórticos em cada lado eram pavimentados para a passagem de pedestres, mas a via principal não era pavimentada, para a conveniência das caravanas de camelos que passavam por ali. 

As caravanas que percorriam a rota comercial que ligava a China e a Índia (no Oriente) ao mundo greco-romano (no Ocidente), se abasteciam em Palmira. Ali os comerciantes eram obrigados a pagar impostos sobre a seda, as especiarias e outros bens que transportavam.


Zenóbia acorrentada

Zenóbia foi uma rainha na cidade de Palmira do século III que assumiu o controle do Império de Palmira depois da morte do marido, Odenato, em 267, juntamente com o filho Vabalato.

Já em 269, ela havia expandido seus domínios conquistando o Egito, de onde expulsou o prefeito, Tenagino Probo, que foi decapitado depois de fracassar em sua tentativa recuperar a província.

Ela governou até 274, quando foi derrotada e levada prisioneira para Roma pelo imperador Aureliano.

Sua pele era morena, bem morena, e seus dentes, brancos como pérolas, destacavam ainda mais os grandes olhos negros, que brilhavam acentuando ainda mais sua beleza. Sua voz era forte, possante como convinha a uma líder. Sua cultura era apropriada à de uma rainha, que falava mais dois idiomas além do seu.




Entre as ruínas se destaca o Templo de Bel, a grande colunada, uma avenida de colunas que atravessa imponente a cidade terminando no Templo Funerário, o Arco Monumental, o Castelo de qala´at ibn Maan, localizado sobre uma colina dominando a cidade e o Museu, localizado entre as ruínas e a nova cidade, que guarda excelentes peças de Palmira.

O nome "Palmira" refere-se, tal como o prenome feminino, às palmeiras — árvore que supostamente existiria aí em grande quantidade.

Palmira tornou-se parte da província romana da Síria durante o reinado de Tibério (r. 14–37 d.C.).

A cidade continuou a desenvolver-se e a ganhar importância até que se tornou uma cidade livre, sob o império de Adriano, em 129.




Nos séculos I e II, a arte e arquitetura de Palmira, resultou em um encontro de de civilizações, conjugando o greco-romano com as técnicas locais e as influências persas.

Esta cidade apresenta um exemplo único da urbanização antiga, com algumas partes em estados de conservação excelentes, como é o caso da ágora, do teatro e de alguns templos. Juntamente com estes há zonas habitacionais e imensos cemitérios no exterior das muralhas. Palmira exerceu uma inequívoca influência na evolução da arquitetura neoclássica da urbanização moderna.

As ruínas de Palmira na Síria são um dos mais belos conjuntos arqueológicos de ruínas romanas do mundo. Todas as horas são boas para ver algo tão belo, mas é ao fim do dia, quando o intenso calor do deserto acalma e o Sol se esconde, que estas atingem o esplendor da sua magia, e nos levam para tempos longínquos em que esta cidade era um importante ponto de paragem nas caravanas da rota de seda.



De longe a colunata coríntia denuncia sua espetacular grandiosidade. A chegada a Palmira é um fabuloso choque entre o deserto e a abrupta imagem que se abre, um imponente conjunto de ruínas, das maiores e mais importantes do planeta, só muitos séculos depois perdeu importância para Damasco e Aleppo. 

A moderna Tadmor, no mesmo local da antiga Palmira, situa-se junto ao oleoduto Kirkuk-Trípoli, no cruzamento das rodovias que cortam o deserto da Síria.

Aproximavam-se tanto as ruínas daquela que foi uma das mais importantes cidades da Rota da Seda quanto o acesso à fronteira da Síria com o Iraque. 

Aqui o Iraque fica a 150 Km. Aliás, se o deserto sírio tem um coração, ele está em Palmira, e se tudo se aprece com um deserto, é aqui, na beira da fronteira com o Iraque que ele melhor se caracteriza. 

E as ruínas de Palmira são indubitavelmente um grande prêmio para os olhos depois de uma viagem tão longa pelo deserto.














































Os quartos são bem cuidados



































Marcello Lopes

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