quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Solas



O grupo americano Solas foi formado em 1994 e logo alcançou sucesso de crítica e de público, mesclando a música tradicional irlandesa com as raízes do country e folk americano. 

O grupo fez sua primeira apresentação em 1995 no Georgetown Gaston Hall e no mesmo ano recebeu críticas favoráveis do American Media Public. 

Em 1996 gravaram seu primeiro álbum e fizeram sua primeira turnê ao longo dos EUA. 

O nome da banda vem de uma palavra gaélica que significa LUZ. 

Através de arranjos inesperados de músicas antigas, originais e capas atraentes e musicalidade ímpar, Solas continua a definir o caminho para o mundo da música celta e conduz com propriedade o gênero para o futuro. 

Com vários projetos e atual turnê, Solas procura ir além da música, criando oportunidades para os fãs para compartilhar suas histórias de família nos pontos de turísticos e on-line. 

No processo, o projeto visa criar um diálogo mais significativo e aberto sobre muitas das questões que enfrentamos na América de hoje. 










Seamus Egan – flute, tenor banjo, mandolin, tin whistle, low whistle, guitars, bodhran
Winifred Horan – violins, vocals
Mick McAuley – accordians, contertina, low whistle, vocals
Eamon McElholm – guitars, keyboards, vocals
Niamh Varian-Barry – vocals



sábado, 26 de outubro de 2013

Calímaco e a Biblioteca de Alexandria

Calímaco de Cirene (294-224),  foi designado bibliotecário pelo Faraó Ptolomeu II, cargo que ocupou por 20 anos na Biblioteca de Alexandria.

Ele foi o criador do primeiro catálogo sistematizado, organizando 490.000 rolos de papiros, para elaboração de um catálogo por assunto, onde constaria por essa ordem, os nomes dos autores alfabeticamente organizados.

O trabalho de Calímaco foi concluído por Aulo Gélio (120-175) e Amiano Marcelio (330-395), que organizaram mais 700.000 rolos.

Segundo a história, todas as obras de Alexandria, mais de um milhão de rolos de papiro, foram catalogados em 120 volumes, os Pinakes, com a descrição em ordem alfabética de autores e uma breve biografia de cada um.

Considerando o contexto da época, Calímaco iniciou, assim, a ordem do caos.

Antes dele, somente por sorte alguém seria capaz de encontrar um texto específico.

A leitura atual que fazemos de tudo isso é que a obra de referência, na concepção de ajuda ao leitor, remonta à Antiguidade e, sem dúvida, Calímaco, como bibliotecário, deu sua contribuição.


Biblioteca de Alexandria


A Biblioteca Real de Alexandria ou Antiga Biblioteca de Alexandria foi uma das maiores bibliotecas do mundo antigo. Ela floresceu sob o patrocínio da dinastia ptolemaica e existiu até à Idade Média, quando alegadamente foi totalmente destruída por um incêndio cujas causas são controversas.

Alexandria, às margens do Mediterrâneo, reinou quase absoluta como centro da cultura mundial no período do séc. III a.C. ao séc. IV d.C. Sua famosa Biblioteca continha praticamente todo o saber da Antiguidade, em cerca de 700 000 rolos de papiros e pergaminhos. Seu lema era “adquirir um exemplar de cada manuscrito existente na face da Terra”.

Acredita-se que a biblioteca foi fundada no início do século III a.C., concebida e aberta durante o reinado do faraó Ptolemeu I Sóter ou durante o de seu filho Ptolomeu II. Plutarco (46 d.C.–120) escreveu que, durante sua visita a Alexandria em 48 a.C., Júlio César queimou acidentalmente a biblioteca quando ele incendiou seus próprios navios para frustrar a tentativa de Achillas de limitar a sua capacidade de comunicação por via marítima. De acordo com Plutarco, o incêndio se espalhou para as docas e daí à biblioteca.

No entanto, esta versão dos acontecimentos não é confirmada na contemporaneidade. Atualmente, tem sido estabelecido que a biblioteca, ou pelo menos segmentos de sua coleção, foram destruídos em várias ocasiões, antes e após o século I a.C.

Destinada como uma comemoração, homenagem e cópia da biblioteca original, a Bibliotheca Alexandrina foi inaugurada em 2002 próximo ao local da antiga biblioteca.

Os grandes nomes da Alexandria antiga

  • Euclides: matemático do século IV a.C.. O pai da geometria e o pioneiro no estudo da óptica. Sua obra Os Elementos foi usada como padrão da geometria até ao século XIX.
  • Aristarco de Samos: astrônomo do século III a.C. O primeiro a presumir que os planetas giram em torno do Sol. Usou a trigonometria na tentativa de calcular a distância do Sol e da Lua, e o tamanho deles.
  • Arquimedes: matemático e inventor do século III a.C.. Realizou diversas descobertas e fez os primeiros esforços científicos para determinar o valor do pi (π).
  • Eratóstenes: polímata (conhecedor de muitas ciências) e um dos primeiros bibliotecários de Alexandria, do terceiro século a.C.. Calculou a circunferência da Terra com razoável exatidão.
  • Galeno: médico do século II d.C. Seus 15 livros sobre a ciência da medicina tornaram-se padrão por mais de 12 séculos.
  • Hipátia: astrônoma, matemática e filósofa do século IV d.C. Uma das maiores matemáticas, diretora da Biblioteca de Alexandria; por ser pagã, foi assassinada durante um motim de cristãos.3
  • Herófilo: médico, considerado o fundador do método científico, o primeiro a sugerir que a inteligência e as emoções faziam parte do cérebro e não do coração.
  • Ptolomeu: astrônomo do século II d.C. Os escritos geográficos e astronômicos eram aceitos como padrão.
Nova Biblioteca de Alexandria




A Nova Biblioteca de Alexandria, além do salão principal, é composta de mais quatro bibliotecas especializadas, laboratórios, um planetário, um museu de ciências e um de caligrafia e uma sala de congresso e de exposições.

A instituição pretende ser um dos centros de conhecimento mais importantes do mundo assim como sua antecessora. Assim, foi dada prioridade à criação de uma biblioteca cibernética.

No local estão ainda guardados dez mil livros raros, cem mil manuscritos, 300 mil títulos de publicações periódicas, 200 mil cassetes áudio e 50 mil vídeos.

No total podem trabalhar na Biblioteca de Alexandria cerca de 3500 investigadores, que têm ao dispor 200 salas de estudo.



O projeto da biblioteca é da autoria de uma firma de arquitetos noruegueses, a Snohetta. A construção demorou sete anos, mas a ideia nasceu em 1974.

Concluída em 2002, custou 212 milhões de dólares, boa parte dos quais pagos pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura). Esse espaço abriga 4 milhões de livros, acervo bem inferior ao da Biblioteca do Congresso dos EUA (18 milhões) e da Biblioteca Nacional da França (12 milhões).

No granito do frontispício da face sul, foram gravadas as letras de todos os alfabetos das civilizações antigas e modernas. Porém, mais do que o acervo e a suntuosidade, o soerguimento da nova Biblioteca enseja um extraordinário simbolismo histórico.

A Biblioteca Tahan Hussein é especializada em deficientes visuais, a dos Jovens é dedicada a pessoas entre os 12 e os 18 anos, a das Crianças é para quem tem entre 6 e 12 anos, e a Multimídia está dotada com CD, DVD, cassetes áudio e vídeo, diapositivos e fotografias.



O telhado de vidro e alumínio tem quase o tamanho de dois campos de futebol.

Este teto da biblioteca é um disco com 160 metros de diâmetro reclinado, que parece em parte enterrado no solo. É provido de claraboias, voltadas para o norte, que iluminam a sala de leitura principal.

Os espaços públicos principais ficam no enorme cilindro com o topo truncado, cuja parte inferior desce abaixo do nível do mar. A superfície inclinada e brilhante do telhado começa no subsolo e chega a 30 metros de altura.

Olhando à distância, quando a luz do Sol reflete nessa superfície metálica, a construção parece o Sol quando nasce no horizonte. A entrada é pelo Triângulo de Calímaco, uma varanda de vidro triangular, assim chamada em homenagem ao bibliotecário que sistematizou os 500 mil livros da antiga biblioteca.



A sala de leitura tem vinte mil metros quadrados e é iluminada uniformemente por luz solar direta.

Ao todo a biblioteca tem onze pisos, sete à superfície e quatro subterrâneos, sustentados por 66 colunas de 16 metros cada uma.

Missão e Objetivos

A Bibliotheca Alexandrina pretende ser:

Um centro de excelência na produção e difusão do conhecimento e para ser um lugar de diálogo, aprendizagem e compreensão entre as culturas e os povos.

Objetivos:

O único papel da Biblioteca de Alexandria, como a de uma grande biblioteca egípcia com dimensões internacionais, incidirá sobre quatro aspectos principais, que buscam recuperar o espírito da antiga biblioteca de Alexandria originais.

Ela aspira a ser:

  1. A janela do mundo sobre o Egito.
  2. Janela do Egito no mundo.
  3. A instituição líder da era digital.
  4. Um centro para a aprendizagem, a tolerância, o diálogo e a compreensão.



 Biblioteca Central

A Biblioteca BA é um espaço de aprendizagem que oferece informações em todos os seus formatos, através de suas coleções de livros, periódicos, mapas, manuscritos, multimídia e recursos eletrônicos, e mais importante, os serviços personalizados aos seus usuários: estudantes, pesquisadores e público em geral pessoas com deficiência.

A biblioteca é composta pela biblioteca principal, considerado o maior espaço de leitura do mundo, e um número de bibliotecas especializadas:

Biblioteca Infantil, Biblioteca dos Jovens e a Biblioteca Taha Hussein para Cegos e Deficientes Visuais atende às necessidades específicas de seus usuários.

As coleções especiais da biblioteca incluem as artes e biblioteca multimídia, o manuscrito sala de leitura, o Microfilme sala de leitura, os Livros Raros e Coleções Especiais sala de leitura, a Seção Nobel, e a coleção Shadi Abdel Salam.



Biblioteca da Francofonia

Localizado no primeiro subsolo (B1), Biblioteca da Francofonia é formada após o dom excepcional da Biblioteca Nacional da França (FBN) para a BA.

O presente é uma coleção de 500 mil livros franceses publicados entre 1996 e 2006 em diferentes campos.

Assim, a BA tornou-se a quarta maior biblioteca francófona no mundo, com a maior coleção de livros franceses fora da França.

A Biblioteca da Francofonia BA, em cooperação com a Fundação Sawiris de Desenvolvimento Social, e de vários parceiros na França lançou também um treinamento para os bibliotecários francófonos BA.

No centro da BACC, o Hexagon é o centro da Biblioteca da Francofonia e o ponto de encontro de todos os francófonos. É um café, um fórum cultural e uma plataforma para a realização de cerimônias, mesas-redondas, workshops e outros eventos em uma atmosfera que lembra muito cafés parisienses.

A Biblioteca da Francofonia oferece diferentes serviços para o público em diversas áreas, que presta assistência a pesquisadores e usuários sobre literatura francesa, oferece oficinas de conversação em francês, tenta documentar o mundo francófono, e introduz a geografia, a história, civilização e atrações turísticas francesa para os usuários.



Museu 

A ideia extraordinária de abrigar um museu de antiguidades no complexo cultural da Bibliotheca Alexandrina nasceu quando várias peças requintadas que datam das épocas helenística, romana e bizantina foram descobertas durante a escavação no local da construção da Biblioteca.

A BA Antiquities Museum é um dos poucos museus do mundo que exibe artefatos descobertos no mesmo local do museu.

O Museu foi inaugurado oficialmente em 16 de outubro de 2002.

Suas coleções foram cuidadosamente selecionadas para refletir a história rica, multi-cultural do Egito com sua faraônica, greco-romana, o patrimônio copta e islâmica, com ênfase especial em Alexandria e no período helenístico. O Museu abriga 1.133 peças, que incluem duas coleções exclusivas:

  • Os artefatos encontrados durante a escavação no local da construção (1993-1995)
  • Antiguidades subaquáticas içadas do fundo do mar Mediterrâneo perto do Porto Oriental e da Baía de Abukir.

Fundada em 2001, a missão do Museu é promover a pesquisa e a criatividade através de diferentes programas e atividades.

Tem como objetivo proporcionar aos seus visitantes uma visão das diferentes eras da história do Egito, e de sensibilização cultural dos jovens, apresentando uma variedade de programas educacionais.

O Museu de Antiguidades é projetado de uma maneira muito moderna, utilizando as técnicas mais sofisticadas, como sistemas ópticos especiais de iluminação adequadas para as exposições e alarme de roubo e sistemas de combate a incêndio.

Recentemente, rótulos descritivos do Museu foram traduzidos para o francês, além de árabe e Inglês, para atender todos os visitantes francófonos.

Com um banco de dados de mais de 1.000 monumentos antigos, o Museu de Antiguidades BA é o primeiro museu no Egito para mostrar mais de suas participações on-line em Árabe, Inglês e Francês.

Os usuários podem navegar através das diferentes seções para ver introduções históricas e artísticas na era em que as antiguidades pertencem. Os visitantes do site também pode ter um tour virtual nas diferentes salas do Museu, e visualizar fotografias panorâmicas sobre as várias seções.

Exposições Permanentes 

Adam Henein

Desde o início da década de 1960, Henein foi um dos escultores mais importantes do Egito. Ele passou parte de um período sabático, obteve do Ministério da Cultura junto ao grande artista egípcio Hamed Saeed.

A outra parte, ele passou no Luxor Studio, onde ele desenvolveu amplo conhecimento das origens e filosofia da herança egípcia. Isso influenciou seu estilo artístico ao longo de sua carreira.







 Henein desenha linhas geométricas vivas em papiro, fazendo uso de seus contornos suaves e de superfície áspera.

Ele usa óxidos egípcios naturais, tais como óxidos de ferro, óxido de magnésio e cromo misturados com goma arábica. Às vezes, ele retrata peixes, aves e animais em forma simples e como se fossem esboços de sua escultura.

Alguns destes desenhos parecem amuletos, enquanto outros têm um sabor faraônico e não têm qualquer semelhança com suas esculturas.

Seus primeiros trabalhos consistem em estátuas de animais do meio ambiente, especialmente o jumento, no qual ele descreveu em serenidade contemplativa com detalhes mínimos, e com o corpo quadrado ou cilíndrico.

Mais tarde, ele desenvolveu uma abordagem mais abstrata e simbólica, onde voltou a desenhar em papiro em quadros de ardósia. Como resultado, tornou-se os seus trabalhos bidimensional e com base em contornos lineares.

Henein recebeu a Medalha do Egito Estado, o Prêmio de Mérito do Estado, e o Prêmio Mubarak de arte.

Ele também estabeleceu o Granite Simpósio Internacional de Escultura em Aswan.  A El-Shorouk Editora e Skira Publishing Group publicou um livro completo sobre sua vida e obra.

Ahmed Abdel-Wahab (1932)
Abdel-Wahab é uma figura eminente entre escultores egípcios contemporâneos. Ele dedicou a sua arte para a prossecução de um modelo contemporâneo de escultura egípcia.


Seu interesse foi atraído para a figura de Akhenaton, em quem percebeu  características nobres e contemplativa que encarnavam uma profunda piedade.


Abdel-Wahab representado Akhenaton em diferentes formas, todas as quais ele manteve esse espírito de contemplação e piedade.


Ele criou grandes e pequenas esculturas, assim como uma escultura com ampla atenção para ornamentação. Em suas criações, o artista usou diversos materiais, como cerâmica, pedra, e poliéster com metal.

Ele foi agraciado com o Prémio de Mérito do Estado de Arte em 2002.

Instrumentos Medievais de Astronomia e Ciência

Uma das exposições únicas BA, os instrumentos medievais árabes e muçulmanos de Astronomia e Ciências Exposição destaca as contribuições inestimáveis ​​dos árabes para a ciência em geral e da astronomia em particular.

É composto por várias réplicas de relógios de sol originais, astrolábios, bússolas, areia e relógios de água, além de globos com apresentações cinzelados de constelações celestes.

A exposição é cuidadosamente projetada para apresentar uma parte da contribuição de cientistas árabes medievais, que eram muitas vezes, ao mesmo tempo, os artesãos qualificados.

A ideia de reviver a contribuição da civilização árabe a Ciência foi originalmente iniciada pelo professor Fuat Sezgin, diretor do Instituto para a História das Ciências árabe-islâmica em Frankfurt, e fez a primeira tentativa em pesquisar, documentar e reproduzir os instrumentos da civilização árabe, através do estudo dos manuscritos antigos e reconstrução dos instrumentos a partir da informação disponível.

Fotos: 






















Informações do próprio site da Biblioteca.
Fotos: Google e do próprio site da Biblioteca

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Assurbanipal e sua biblioteca



Assurbanipal - Neto de Senaquerib e filho de Assur-hadon, Assurbanipal (668 a.C. - 626 a.C.) foi o último grande rei da Assíria.

Conquistador, venceu os egípcios, sírios e susianos, guerreando com ferocidade, foi um grande caçador de leões, mas também um intelectual protetor das letras.

Em sua capital, Nínive, restaurou o palácio de Senaquerib, acrescentando-lhe várias salas. Aí centralizou a sua famosa biblioteca. Consistia numa imensa coleção de placas de terracota cobertas de ambos os lados de escrita miúda e apertada.

O rei mandava copistas nas cidades da Caldeia transcrever o que havia em outras bibliotecas, em tempos diversos.

As trinta mil placas de barro eram metodicamente catalogadas e, por vezes, as obras comportavam vários "volumes" sobre um mesmo assunto; principiava então o texto com a mesma frase, como por exemplo: "Outrora o que está acima, 1", "Outrora o que está acima, 2", etc.

Todos os escritos levavam o nome do rei, orgulhoso do título de protetor das letras.

Em Der-Sarukin também existia uma biblioteca, menos rica, porém, ao que a de Nínive, da qual era encarregado o escriba Narasumidin.

Assurbanipal costumava ouvir a leitura de suas campanhas e de suas vitórias, mas dava preferência a textos relativos a oráculos por meio dos quais a vontade dos deuses lhe era revelada.

O amparo e o auxílio que estes lhe pareciam oferecer o animava nas lutas que empreendia. Por isso, todas as atrocidades relatadas nos textos relativos a Assurbanipal, em que descreve o rei que mandou executar, tem referência aos mandamentos de Assur e de Istar.

Entre os poemas de aventuras, contados nos textos de Nínive, encontravam-se as Aventuras de Giges, rei da Lídia, a Descida de Istar aos Infernos, onde foi buscar seu marido, o deus Tamuz, as Proezas do Herói Gilgamés, capaz de enforcar leões, touros, mas vítima da maldição de Istar.

A biblioteca de Nínive, cujas placas foram decifradas na Inglaterra, continha também gramáticas, dicionários, tratados de matemática e de astronomia, livros sobre magia e listas de cidades, de funcionários, relatórios e correspondência.


A morte de Assurbanipal por Delacroix


Placa contendo parte da Epopéia de Gilgamesh

História de Nínive

Evidências arqueológicas indicam que a área de Nínive foi ocupada no início do sétimo milênio a.C.

O Império Assírio estava em seu ponto alto a partir de cerca de 900 a.C, até que caiu em 612 a.C.

Sargão II fez de Nínive a capital da Assíria, durante o seu reinado (772-702 aC), quando ele construiu seu palácio lá.

O Rei Senaqueribe (704-681 aC) construiu Nínive em uma cidade fortificada, cercada por um fosso e uma parede de 3 metros de altura e abastecida por aquedutos.

Mapa das salas do palácio
Na guerra, os assírios eram extremamente brutal.

Registros arqueológicos mostram que eles construíram pirâmides de cabeças cortadas e empilhadas com os corpos de seus adversários.

Senaqueribe construiu uma bela cidade cheia de parques e palácios. Seu próprio palácio rivalizava com a dos reis David e Salomão.

Rei Assurbanipal (669-626 a.C) construiu uma enorme biblioteca, que continha mais de 22.000 tábuas de argila. Esta foi, de longe, a maior biblioteca antes da biblioteca egípcia de Alexandria.

Em 612 a.C, os babilônios e os medos sob o comando de Nabopolassar atacaram Nínive.

Depois de um cerco de três meses, os atacantes estavam prontos para desistir quando um dilúvio lhes deu uma entrada através das paredes da cidade. Nínive foi saqueada e completamente destruída.

Com o passar dos anos as ruínas foram cobertas pelas areias em movimento e sua área perdeu sua importância durante séculos até que a cidade de Mosul do outro lado do rio Tigre fosse estabelecida.

A maioria dos restos de Nínive estavam sob dois grandes montes. Estes foram os primeiros a serem explorados pela primeira vez pelos franceses em meados da década de 1800.

Até aquele momento, Nínive foi amplamente imaginada como um mito bíblico.

Em um certo número de escavações ao longo dos últimos 160 anos, algumas das coisas descobertas incluem:


  • Palácio de Sargão II.
  • Enorme palácio de Senaqueribe e muitos jardins.
  • Biblioteca de Assurbanipal, que incluiu 12 tabletes de argila contendo a Epopeia de Gilgamesh.
  • Muralhas da cidade e os restos de um fosso medindo quase 8 quilômetros de comprimento total.

Centenas de stellas, murais e tábuas de argila contendo uma grande quantidade de informações sobre a região durante o reinado assírio.

Estão incluídos muitas referências extra-bíblica que mostram a confiabilidade de muitos relatos bíblicos.

Ezequias e outros líderes de Judá são mencionados dando mais uma prova de que eles eram reais.

Em muitos casos, as contas das ruínas de Nínive diferem dos relatos bíblicos.

A cidade real de Nínive não teria levado três dias para cruzar, como relatado por Jonas.

Apesar de uma grande cidade em seu tempo, Jonas poderia ter facilmente andado seu comprimento de largura em algumas horas.

Os três dias mais provável referem-se ao tempo que Jonas levou para atravessar a área imediata governado por Nínive ou para ir de um bairro para outro para entregar a mensagem de Deus.


Mapa da cidade de Nínive


Referências bibliográficas: 

CARVALHO, Delgado de. História geral 1: Antiguidade. Rio de Janeiro: Record, s.d. p. 77-78.

http://eduscapes.com/history/ancient/600bce.htm - Acessado no dia 25/10/2013

sábado, 19 de outubro de 2013

Dominique Ingres

Auto-retrato

Jean-Auguste Dominique Ingres nasceu em 29 de Agosto de 1780, Montauban e faleceu em 14 de Janeiro de 1867, Paris, mais conhecido simplesmente por Ingres, foi um celebrado pintor e desenhista francês, atuando na passagem do Neoclassicismo para o Romantismo.

Foi um discípulo do pintor Jacques-Louis David e em sua carreira encontrou grandes sucessos e grandes fracassos, mas é considerado hoje um dos mais importantes nomes da pintura do século XIX.

Filho de um escultor ornamentista, educou-se inicialmente em Toulouse. Depois, formado na oficina de David, permaneceu fiel aos postulados neoclássicos do seu mestre ao longo de toda a vida.

Passou muitos anos em Roma, onde assimilou aspectos formais de Rafael e do maneirismo.

A partir de 1830 opôs-se com veemência, da sua posição de acadêmico ao triunfo do romantismo pictórico representado por Delacroix.

Ingres preferia os retratos e os nus às cenas mitológicas e históricas. Entre os seus melhores retratos contam-se Bonaparte Primeiro Cônsul, A Bela Célia, O Pintor Granet e A Condessa de Hassonville.

Nos nus que pintou (A Grande Odalisca, Banho Turco e, sobretudo, A Banhista) é patente o domínio e a graça com que se serve do traço. A sua obra mais conhecida é Apoteose de Homero, de desenho nítido e equilibrada composição.

Sua obra representa a última grande floração da veneranda tradição de pintura histórica. Também deixou obra notável no retrato e no nu feminino. Sua pintura tinha um acabamento técnico impecável e a qualidade de sua linha foi sempre altamente elogiada.

Respeitava profundamente os mestres do passado, assumindo depois da morte de David o papel de paladino da ortodoxia clássica contra a ascensão do Romantismo.

Esclareceu sua posição afirmando que seguia "os grandes mestres que floresceram naquele século de gloriosa memória quando Rafael estabeleceu os eternos e incontestáveis padrões do sublime em arte… " Sou, assim, um conservador de boa doutrina, e não um inovador".

Não obstante a crítica moderna tende a considerá-lo como uma encarnação do mesmo espírito romântico que ele procurava evitar - opinião que foi expressa também por vários de seus contemporâneos, enquanto que suas distorções expressivas de forma e de espaço o tornam um precursor da arte moderna, exercendo influência sobre artistas como Degas, Picasso, Matisse e Willem de Kooning, entre outros.

Primeiros anos


Ingres foi o primeiro de sete filhos de Jean-Marie-Joseph Ingres (1755–1814) e sua esposa Anne Moulet (1758–1817). Seu pai era um "faz-tudo" nas artes - pintor de miniaturas, escultor, ornatista em pedra e músico amador - mas sua mãe tinha escassa educação.

O pai foi o primeiro incentivador e introdutor do jovem Ingres nas artes, através da música e do desenho.

A partir de 1786 passou a frequentar a Ecole des Frères de l'Education Chrétienne, mas os estudos foram interrompidos com a Revolução Francesa, e desde ali sua instrução deixou de ser regular, fato que foi sempre causa de insegurança para ele.

Em 1791, viajando com o pai, ingressou na academia de arte de Toulouse, onde foi aluno de Jean-Pierre Vigan, Jean Briant e Joseph Roques, artistas competentes mas de pouco gênio, mas cuja admiração por Rafael foi assimilada pelo jovem.

Seu talento musical recebeu a atenção do violinista Lejeune, sendo dos 13 aos 16 anos o segundo violinista da Orchestre du Capitole de Toulouse. Por ocasião das comemorações da morte de Luís XVI foi o solista de um concerto para violino de Viotti, recebendo aplausos calorosos.

Era um admirador entusiasta de Gluck e por algum tempo hesitou entre a música e a pintura, optando finalmente pela última, mas levaria por toda a vida o gosto pela outra arte e pelo violino.

Obtendo o primeiro prêmio em desenho na academia provincial, viajou para Paris em fins de 1796, sendo aceito por Jacques-Louis David, o mais célebre dos neoclássicos da França revolucionária, permanecendo seu discípulo por quatro anos e seguindo o estilo de seu mestre, que o reconhecera como um de seus alunos mais promissores, embora criticasse sua tendência ao exagero em seus estudos.

Os Embaixadores de Agamenon na tenda de Aquiles

Admitido no Departamento de Pintura da École des Beaux-Arts em 1799, obteve segundo lugar na disputa pelo Prêmio de Roma logo no ano seguinte, saindo-se vencedor em 1801 com a obra Os embaixadores de Agamemnon na tenda de Aquiles.

Porém, sua viagem seria postergada até 1806, quando houve disponibilidade de fundos. A partir dali deixaria a imitação do estilo do mestre e seguiria um caminho próprio. Foi acusado de ingratidão por alguns, mas mesmo consolidando um estilo pessoal, o ensinamento de David permaneceria consigo ao longo de toda a sua carreira.

Sessenta anos mais tarde exclamaria, com lágrimas nos olhos, "…o grande David e sua grande escola!" Em seus cadernos de notas escreveria também que David estabelecera um cânone sobre os princípios mais puros e severos.

Neste ínterim trabalhou em um estúdio pago pelo Estado junto com outros alunos de David, aprimorando a pureza de seu desenho e encontrando inspiração em Rafael, nos desenhos de vasos etruscos e nas gravuras de John Flaxman.

Flaxman, visitando Paris pouco depois de Ingres ter recebido o Prêmio de Roma, disse que a obra que lhe merecera a distinção fora a melhor coisa que vira na capital francesa.

Sua estréia no Salão de Paris se deu em 1802 com o Retrato de uma dama, que se perdeu, e no ano seguinte foi-lhe feita a encomenda, junto com outros pintores, incluindo Greuze, de pintar o retrato de Napoleão Bonaparte como Primeiro Cônsul, obras que seriam entregues a diferentes prefeituras conquistadas pela França no Tratado de Lunéville.

As circunstâncias não eram favoráveis, Napoleão não tinha paciência de posar, e concedeu-lhes apenas alguns minutos. Mais tarde apareceu por outro breve instante.

Napoleão entronizado

Este retrato seria logo seguido de um outro, de Napoleão já entronizado.

No verão de 1806 Ingres tornou-se noivo de Marie-Anne-Julie Forestier, pintora e musicista, antes de partir relutante em setembro, enfim, para Roma, perdendo com isso a abertura do Salão daquele ano, onde exporia diversos trabalhos.

No Salão suas obras causaram um impressão perturbadora no público por seu estilo original e pelo uso, no retrato de Napoleão, de uma simbologia inspirada no império Carolíngio.

Jacques-Louis David foi um crítico implacável, junto com outros, que desdenharam das peças do pintor ausente que já estava em Roma, a extravagância colorística, a falta de relevo escultural, a fria precisão dos contornos e a atmosfera deliberadamente arcaica.

As notícias que amigos lhe mandaram destas críticas causaram profunda indignação no artista: "Eis que o Salão se torna o palco de minha desgraça… Os patifes esperaram até que eu viajasse para assassinarem minha reputação… Jamais me senti tão infeliz!". Jurou jamais expor novamente no Salão, e recusou-se a voltar a Paris, o que foi a causa do rompimento de seu noivado.

Mas anos mais tarde quando perguntada por que se mantivera solteira após a ruptura, Mademoiselle Forestier declarou que "quem uma vez teve a honra de ser noiva de M. Ingres não mais deseja casar".

Temporada em Roma 

Instalado em um atelier na Villa Medici, Ingres continuou seus estudos e, como mandavam os regulamentos de sua bolsa, enviava sua produção a Paris para que seu progresso pudesse ser avaliado.

Banhista de Valpiçon

Em 1808 remeteu Édipo e a esfinge, e a Banhista de Valpinçon, para demonstrar sua maestria sobre o nu masculino e o feminino. A crítica não foi muito favorável, reconheceu alguns méritos nos trabalhos, mas também seu afastamento da escola de David, e aconselhou mais estudo dos clássicos.

Produziu nesta fase diversos retratos: Madame Duvauçay, François-Marius Granet, Edme-François-Joseph Bochet, Madame Panckoucke, e Madame la Comtesse de Tournon.

Sua pensão expirou em 1810, mas em vez de retornar à França preferiu permanecer na Itália e buscar patrocínio do governo francês de ocupação.

Júpiter e Tétis

Em 1811 terminou sua última obra como estudante, a monumental composição Júpiter e Tétis.

Mas não foi bem recebida na capital francesa. Os juízes da Academia consideraram a obra carente de profundidade e contorno, pobre no colorido e confusa no desenho anatômico da figura de Tétis.

Uma cópia de Rafael, parte do mesmo envio e foi desqualificada como insípida.

Seus colegas neoclássicos franceses o consideraram um renegado. Somente alguns românticos, a quem sempre aborrecera, entre eles Eugène Delacroix, ousaram reconhecer-lhe as qualidades.

Apesar de se encontrar em uma situação incerta, casou em 1813 com Madeleine Chapelle, após uma corte por correspondência e sem tê-la jamais encontrado antes. Afortunadamente seu casamento foi feliz, e Madame Ingres adquiriu uma grande confiança no seu esposo, o que o capacitou suportar com coragem e paciência uma fase difícil.

Um nobre inglês tentou contratá-lo por um período de dois anos, mas deveria ficar à sua disposição e pintar o que fosse solicitado. Em meio às privações materiais, Ingres sentiu-se tentado a aceitar a oferta, mas por pressão da esposa, que se orgulhava do talento do marido e desejava preservar-lhe a honra de criador independente, recusou.

Outras criações desta época, como Don Pedro de Toledo beijando a espada de Henrique IV, Rafael e a Fornarina, e diversos retratos, encontraram críticos ferozes no Salão de 1814.

Apesar dos agravos generalizados à sua obra, conseguiu algumas importantes encomendas durante este período. O governador de Roma o encarregou de pintar Virgílio lendo a Eneida (1812) para sua mansão particular, e duas pinturas monumentais - A vitória de Rômulo sobre Acron (1812) e O sonho de Ossian (1813) - para Monte Cavallo, numa antiga residência papal que estava sendo reformada para se tornar o palácio de Napoleão em Roma.

Estas criações resumem o estilo, os temas e a escala em que Ingres decidira construir sua reputação, mesmo que o mercado para obras desta envergadura e em temas históricos fosse bastante restrito até na cidade de Rafael e Michelangelo.

A moda de então entre os colecionadores eram cenas mitológicas amenas, imagens do cotidiano, paisagens, naturezas-mortas, ou retratos, preferências que perduraram ao longo de todo o século XIX, e para satisfazerem suas mais altas ambições os artistas deviam buscar o patrocínio do Estado ou da Igreja.

Na primavera de 1814 Ingres passou a Nápoles a fim de pintar a rainha Carolina Bonaparte, e a família Murat encomendou mais retratos e outras composições, como A grande odalisca.

Nunca recebeu pagamento por elas, e a queda de Napoleão em seguida o deixou de súbito sem patrono. Para sobreviver teve de fazer pequenos retratos em desenho para turistas. Apesar da irritação que isso lhe causava, os desenhos deste período são exemplos primorosos de sua habilidade, e permanecem como suas obras mais admiradas.

Também dedicou-se a pequenas pinturas de gênero em estilo medievalista, como Paolo e Francesca, que só contribuíram para aumentar as críticas dos acadêmicos.

Em 1817 recebeu sua primeira encomenda oficial em três anos, um Cristo dando as chaves a São Pedro, completado em 1820. A obra foi bem recebida em Roma, mas as autoridades eclesiásticas não permitiram que a enviasse a Paris, para a sua frustração.

Na mesma época, outra encomenda, um retrato do Duque de Alva recebendo honras do Papa. Nem o tema nem o sujeito o agradavam, e acabou por abandonar o trabalho.

Mesmo com a falta de encomendas lucrativas e a má recepção de suas peças no Salão de 1819 (A grande odalisca, Filipe V e o marechal de Bervick e Rogério libertando Angélica, tachados de "góticos") sua vida andava bem pelo menos no terreno das amizades, aproximando-se de Paganini e tocando violino com ele e outros músicos que compartilhavam sua admiração por Mozart, Haydn, Gluck e Beethoven.

Florença e o triunfo em Paris

Ingres e sua esposa se mudaram para Florença em 1820 por convite do escultor Lorenzo Bartolini, um antigo amigo de Paris, que esperava que lá o pintor pudesse melhorar suas condições financeiras.

Isso não aconteceu, e a sobrevivência do casal novamente dependeu de seus desenhos para turistas.

Tampouco a amizade com Bartolini, afamado em toda a Europa e muito requisitado, pôde suportar a disparidade em seu nível social.

No ano seguinte um amigo de infância, Monsieur de Pastoret, requisitou-lhe três pinturas, a Entrada de Carlos V em Paris, um retrato e a Virgem do véu azul, mas a realização maior do período foi o Voto de Luís XIII, para a catedral de Montauban, encomenda conseguida com a ajuda de Pastoret e que levou quatro anos para ser terminada, levando-a então para Paris para ser exposta depois da insistência de seu amigo Étienne-Jean Delécluze.

Exibido no Salão de 1824, o Voto rendeu-lhe finalmente o tão almejado sucesso de crítica. Concebida em um estilo rafaelesco e relativamente livre da arcaísmos, pelo que o autor havia sido tão fustigado nos anos anteriores, a composição foi admirada até mesmo pelos mais intransigentes Davidianos, e sua fama correu a França.

Em janeiro de 1825, antes do enceramento do Salão, recebeu a Cruz da Legião de Honra e em junho foi eleito para o Instituto de França.

A Grande odalisca

Mesmo obras anteriormente criticadas como A grande odalisca passaram a ser bem vistas, com sua divulgação através de estampas, e se tornaram muito populares. Coroando o súbito e enorme sucesso uma encomenda do governo foi o motivo da produção da monumental Apoteose de Homero, cuja recepção foi tão favorável que muitos novos artistas acorreram a ele para serem aceitos como discípulos, fazendo com que ele abrisse seu atelier para dar aulas.

Na década seguinte o estúdio de Ingres se encontrava repleto de estudantes e ele passou a ser visto como um chef d'école, uma autoridade em seu ofício, e como o campeão do classicismo contra a escola romântica.

Os retratos que enviou para o Salão nesta fase foram aplaudidos pelo público, em especial o de Louis-François Bertin (1832), por causa do seu poderoso realismo. Mas mesmo aqui foram ouvidas algumas críticas, apontando como falhas o cromatismo limitado e seu naturalismo, considerado vulgar.

Martírio de São Sinforiano

Mas foram as críticas ao ambicioso Martírio de São Sinforiano, realizado para a catedral de Autun e mostrado no Salão de 1834 que abalaram a sua estabilidade. A obra estava sendo objeto de expectativa desde 1827, e quando foi exposta causou enorme polêmica, que ia do elogio adulatório aos insultos agressivos que o acusavam de usar manipulação política para obter sucesso.

Ressentido, considerou-se desobrigado de atender ao gosto do público, pois via a si mesmo como um mestre que já dera provas de seu mérito, declarando seu afastamento dos Salões e fechando sua escola.

Mesmo que mais tarde aceitasse encomendas e cargos oficiais, jamais enviou outra tela para os Salões da academia, e a partir de então só exibiria suas obras em seu atelier, salvo uma retrospectiva pública em 1855. Sua influência começou a declinar para as novas gerações, embora ainda continuasse a ser um dos nomes mais comentados pela crítica da França.

Neste momento uma oportunidade se ofereceu de voltar a Roma, e foi alegremente aceita pelo artista, tornando-se o novo diretor da extensão da academia de Paris naquela cidade com a vacância de Horace Vernet.

Lá, mesmo que os deveres administrativos lhe roubassem tempo para a pintura, pôde executar um Antíoco e Estratônica e um retrato de Luigi Cherubini, além de mais outras peças.

Retornando à capital francesa em 1841, levou consigo o Antíoco, que exibido privadamente causou uma impressão tão favorável que todas as honras que ele imaginava serem devidas lhe foram prestadas.

Foi recebido por numerosos admiradores, recebeu a homenagem de um banquete e foi convidado pelo rei para uma audiência, embora o grande público ainda se mostrasse reticente.

O retrato do Duque de Orleans que realizou em seguida foi copiado diversas vezes, por força do impacto sobre a nação que sua morte por atropelamento causou.

Os grandes painéis que foram encomendados para o Château de Dampierre, iniciados em 1843 com grande entusiasmo, foram contudo deixados inacabados, uma vez que o falecimento da esposa em 1849 deixou o artista em estado de grande abatimento.

Depois disso produziu trabalhos em pequena escala, fez uma doação de obras à sua cidade natal, a origem do atual Museu Ingres, e em outubro de 1851 renunciou ao cargo de professor na École des Beaux-Arts.

Anos finais


Em 1852, já com setenta e um anos de idade, Ingres casou novamente. A escolhida foi Delphine Ramel, muito mais jovem que ele, e parente de seu amigo Marcotte d'Argenteuil. O segundo casamento foi tão bem sucedido quanto o primeiro, e lhe deu forças para produzir na década seguinte mais uma série de grandes trabalhos.

Dentre os mais notáveis estão a Apoteose de Napoleão (1853) para o Hôtel de Ville em Paris, infelizmente devorado pelo fogo em 1871; o Retrato da Princesa de Broglie (1853) e Joana d'Arc (1854), este com o auxílio provável de assistentes.

Em 1855 consentiu em ter uma sala especial para uma retrospectiva de suas obras na Exposição Internacional, onde ficou claro para todos que ele dava seu melhor nos retratos, apesar de o artista sempre lamentar o tempo perdido neste gênero, quando preferiria poder se dedicar mais à pintura histórica.

Retrato de Louis-François Bertin

Seu Retrato de Louis-François Bertin de imediato tornou-se um símbolo da burguesia em ascensão.

Nesta ocasião foi condecorado como Grande Oficial da Legião de Honra. Novamente confiante, Ingres pôde terminar uma de suas obras mais charmosas, A fonte, retomando uma tela de nu que havia iniciado muitos anos antes. A admiração por suas obras foi renovada e recebeu o título de senador do império.

Depois de A fonte Ingres voltou sua atenção para pinturas históricas, como as duas versões de Luís XIV e Molière (1857, 1860), bem como para obras religiosas, muitas retratando a Virgem Maria, retomando o modelo da Virgem de composições mais antigas.

Os retratos deste período estão entre suas melhores composições no gênero: Marie-Clothilde-Inés de Foucauld, Madame Moitessier, Sentada (1856), Auto-retrato com 79 anos e Madame J.-A.-D. Ingres, Delphine Ramel, ambos de 1859.

O conhecido Banho turco também data desta época. Ingres faleceu de pneumonia com a idade de 86 anos, tendo permanecido ativo e lúcido até o final. Poucos dias antes de falecer ainda foi ao teatro assistir a uma ópera de Gluck, com tanto entusiasmo pelo compositor quanto demonstrara em sua juventude, e oferecera uma festa musical em sua casa.

Foi enterrado no cemitério Père Lachaise, em Paris. O seu espólio, incluindo o conteúdo de seu atelier com grande número de pinturas e desenhos, mais seu violino, foram doados ao museu da cidade de Montauban, rebatizado como Museu Ingres.

Sua morte foi lamentada como o desaparecimento do maior pintor de sua geração


A Fonte (1856): esta obra foi uma das responsáveis por reacender a admiração do público por suas obras, em 1856.


O Voto de Luís XIII (1824): encomenda realizada para a catedral de Montauban, levou quatro anos para ser finalizada. Finalmente outra obra sua foi aceita no Salão de Paris – em 1824 -, e recebeu o sucesso de crítica e público. Ingres foi agraciado com a Cruz da Legião de Honra após esta obra, honraria máxima da nação francesa.




Apoteose de Homero (1827): encomendada pelo governo francês após o triunfo da obra anterior. Foi outro sucesso de público e crítica.


Retrato de Charles Thévenin

Estudo de Nu

Retrato Granet 

Roger salvando Angélica

Retrato da Princesa de Broglie

Retrato de Paganini

O sonho de Ossian

Referências Bibliográficas: 

http://abstracaocoletiva.com.br/

Wikipédia


Se quiser saber mais sobre o pintor, segue abaixo a Bibliografia encontrada nas páginas consultadas:


  • Arikha, Avigdor. J.A.D. Ingres: Fifty Life Drawings from the Musée Ingres at Montauban. Houston: The Museum of Fine Arts, 1986. ISBN 0-89090-036-1
  • Barousse, Pierre. The drawings of Ingres or the poetry in his work. In Ingres: Drawings from the Musee Ingres at Montauban and other collections (catalogue), Arts Council of Great Britain, 1979. ISBN 0-7287-0204-5
  • Benjamin, Robert. Ingres chez Les Fauves. In Siegfried, S. L., & Rifkin, A. Fingering Ingres. Oxford: Blackwell, 2001. ISBN 0-631-22526-9
  • Boswell, John & Strickland, Carol. The annotated Mona Lisa: a crash course in art history from prehistoric to post-modern. Andrews McMeel Publishing, 1992. ISBN 0-8362-8005-9
  • Clay, Jean. Romanticism. New York: Vendome, 1981. ISBN 0-86565-012-8
  • Coli, Jorge. Pintura sem Palavras, ou Os paradoxos de Ingres. In Novaes, Adauto et al. Artepensamento. Editora Companhia das Letras, 1994. ISBN 85-7164-417-9
  • Cohn, Marjorie B.; Siegfried, Susan L. Works by J.-A.-D. Ingres in the collection of the Fogg Art Museum. Cambridge: Fogg Art Museum, 1980.
  • Condon, Patricia, et al. In Pursuit of Perfection: The Art of J.-A.-D. Ingres. Louisville: The J. B. Speed Art Museum, 1983. ISBN 0-9612276-0-5
  • Delaborde, Henri. Ingres, sa vie et ses travaux, 1870.
  • Encyclopædia Britannica Online. J.-A.-D. Ingres. 24 May. 2009
  • Gowing, Lawrence. Paintings in the Louvre New York: Stewart, Tabori & Chang, 1987. ISBN 1-55670-007-5
  • Guégan, Stéphane; Pomaréde, Vincent & Prat, Louis-Antoine. Théodore Chassériau, 1819-1856: the unknown romantic. New Haven and London: Yale University Press, 2002. ISBN 1-58839-067-5
  • Mongan, Agnes; Naef, Dr. Hans (1967). Ingres Centennial Exhibition 1867-1967: Drawings, Watercolors, and Oil Sketches from American Collections. Greenwich: New York Graphic Society.
  • Parker, Robert Allerton. Ingres: The Apostle of Draughtsmanship". International Studio 83 (March 1926): pp 24–32.
  • Prat, Louis-Antoine. Ingres. Milan: 5 Continents, 2004. ISBN 88-7439-099-8
  • Ribeiro, Aileen. Ingres in Fashion: Representations of Dress and Appearance in Ingres's Images of Women. New Haven and London: Yale University Press, 1999. ISBN 0-300-07927-3
  • Rifkin, Adrian. Ingres then, and now. Routledge, 2000. ISBN 0-415-06698-0
  • Shelton, Andrew Carrington. Ingres and his critics. Cambridge University Press, 2005. ISBN 0-521-84243-3
  • Schneider, Pierre. Through the Louvre with Barnett Newman. ARTnews (June 1969): pp 34–72.
  • Schwartz, Sanford. Ingres vs. Ingres. The New York Review of Books 53:12 (2005): pp 4–6.
  • Siegfried, S. L., & Rifkin, A. Fingering Ingres. Oxford: Blackwell, 2001. ISBN 0-631-22526-9
  • Tinterow, Gary; Conisbee, Philip, et al. Portraits by Ingres: Image of an Epoch. New York: Harry N. Abrams, Inc. 1999. ISBN 0-300-08653-9
  • Turner, J. From Monet to Cézanne: late 19th-century French artists. Grove Art. New York: St Martin's Press, 2000. ISBN 0-312-22971-2
  • Wedmore, T. Ingres. The Contemporary Review. London: Alexander Straham Publisher. Vol V. Maio-agosto de 1867