sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Escritos sobre música erudita

Certa vez, Schumann afirmou ser a música como o xadrez: a Rainha (a melodia) no poder supremo, mas quem decide o jogo é sempre o Rei (a harmonia). No entanto, a afirmação do músico romântico talvez não intuísse a evolução rítmica que aconteceria já durante os primeiros passos do modernismo musical.

Carl Orff (1895-1982), influenciado por Stravinsky, buscou compor suas obras procurando estabelecer ligações com tipos primitivos de comportamento musical que, embora dotados de aspereza incomum pela ausência melódica, acabaram descortinando um novo mundo sonoro, onde a música fica reduzida ao ritmo acentuado de golpes percussivos.

Carmina Burana é o exemplo (do latim Cármen – poesia – e Burana – de Bura, adjetivo latino usado para referir o distrito bávaro de sua origem), resultante do aproveitamento de 24 poemas e canções, originadas em manuscrito latino do Século XVIII existente no Mosteiro de Benedictbeuern, em Baden-Wurtenberg, no vale do Reno, Alemanha. 

É logo nos primeiros movimentos que está a melhor caracterização de Orff: a declamação do texto, embora de extrema pobreza melódica, ganha força por seu caráter repetitivo e opressivo, empregando motivos do folclore bávaro e, como que parodiando, faz sua alusão ao coral gregoriano.

Juntamente com Carmina Burana, Catulli Carmina (sobre a vida obscena de Caius Valprius Catullus e sua paixão proibida por Lésbia) e Il Trionfo de Aphrodite concluem a célebre tríade do autor.




Egmont, de Goethe, foi escrito em 1786, e composta por Beethoven no final de 1809. A obra é um drama clássico sobre liberação política. O conde Egmont, herói de Flandres, século XVI, lidera a revolta do povo flamengo contra a tirania espanhola.

Capturado, encarcerado e, após tentativa fracassada de sua amante Clärchen em resgatá-lo, Egmont toma conhecimento de que Clärchen, desesperada, se envenena. Dentro de sua cela, enquanto aguarda a execução, Egmont tem uma visão transcendental da imagem da liberdade como uma mulher, fisicamente semelhante a Clärchen – que, aproximando-se de Egmont, lhe deposita uma coroa de louros na cabeça.

Uma música militar soa externamente. Egmont é levado para a sua execução, sacrificando-se pelo seu país, sabendo que a liberdade vai prevalecer. O início pesante mostra a profunda opressão sofrida pelo povo flamengo (início até o minuto 2:10).

No allegro o crescente tumulto (a partir do minuto 2:10) a e a revolta, que atinge seu climax na coda refletindo a captura de Egmont e morte por decapitação, representado pelo abrupto corte sonoro (minuto 6:47).

É então que vem a música da vitória (minuto 7:03) iniciando numpianíssimo ao climax em fortíssimo.

Beethoven, ao final, como sempre, vence!

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Mortos entre vivos



Estocolmo, Suécia, 13 de agosto de 2002. Seria mais um dia normal na capital do civilizado e pacato país com um dos melhores IDH do mundo, não fosse uma “epidemia” de cefaleia e o estranho comportamento dos aparelhos eletrônicos: eles simplesmente não desligam, mesmo quando desconectados da tomada. Prenúncio de fenômeno ainda mais extraordinário: os mortos revivem – inclusive os falecidos até alguns meses antes. De repente, eles se movem, andam, deixam as câmaras de refrigeração dos hospitais, falam (ou balbuciam algumas palavras, como crianças) e podem ser ouvidos arranhando a tampa de suas urnas funerárias, nos cemitérios.

Não se trata de zumbis devoradores de cérebros e transmissores de sua condição de “nem vivo, nem morto” por meio de mordidas. Pelo contrário, os “redivivos” – como passam a ser oficialmente chamados pelo governo – são entes queridos (o avô, o marido, a esposa, o filho, o neto) que todos gostariam de ter de volta ou ao menos por mais um tempo para corrigir erros, pedir perdão (ou perdoar), prorrogar a companhia em nome de momentos felizes e de afetos que a morte impediu de repetir ou de cultivar.

São milhares de redivivos, que põem em cheque tanto a ciência quanto a religião, além de instaurar o pânico entre as autoridades – atônitas diante da inusitada situação. Mas o romance se concentra nos familiares de Eva – autora de livros infantis vítima de um acidente fatal naquele mesmo 13 de agosto –, Elias – um menino de seis anos morto um mês antes – e Tore – idoso recém-falecido, mentalmente desfigurado pelo mal de Alzheimer.

Cruzando-se pontualmente, as três histórias se desenvolvem ao longo de 400 páginas repletas de tensão, situações inusitadas e às vezes repulsivas (vários redivivos estavam em avançado estado de putrefação), fenômenos inexplicáveis (como a telepatia entre os vivos, quando próximos dos “zumbis”) e, sobretudo, o desespero dos que tentam trazer os semimortos plenamente à vida, a todo custo – como é o caso do avô de Elias, o jornalista Gustav Mahler (homônimo do compositor), capaz de invadir o cemitério, escavar a sepultura do neto, exumar o cadáver agora com sinais de vida e fugir com ele e a filha para o litoral. David, comediante de stand up e marido de Eva, mobilizado por seu profundo amor pela mulher, descobre que ela foi feita “cobaia” no principal instituto médico legal do país. 

A viúva e a neta de Tore, Elvy e Flora, protagonizam as cenas mais estranhas: Elvy, dotada de sensibilidade incomum, experimenta uma visão em que a Virgem Maria lhe atribui a missão de salvar os descrentes que se recusam a ver a mensagem divina na ressurreição dos mortos; Flora, típica adolescente rebelde, desenvolve extraordinária capacidade de compreensão e comunicação com os mortos-vivos.

O governo acaba por criar uma espécie de “campo de concentração” para os redivivos, foco para o qual a narrativa se volta, no terço final. Este será o palco do apocalíptico desfecho, que é menos importante do que todo o percurso para chegar até ele: os “zumbis” de Lindqvist são uma metáfora para a relação da cultura contemporânea com a morte e com a própria vida.

Traduzido diretamente do sueco, a linguagem ágil, o ritmo cinematográfico (Lindqvist foi roteirista) e sobretudo a matéria do romance faz de Mortos entre vivos uma leitura de entretenimento, que atende aos apreciadores do melhor terror, sem amenizações – e, ao mesmo tempo, uma obra densa, repleta de significados, muito além de técnicas narrativas que provocam desespero e arrepios.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Últimas aquisições


Comprados dia 28/08. 

Já foram lidos O Ano do tigre, Uma noite perfeita para morrer. 

Lendo A Visita cruel do tempo

Resenhas

Olá poucos e bons leitores !

Após um tenebroso inverno, estou de volta às postagens nesse meu espaço tão querido.

Mudanças de emprego, Bienal de São Paulo, e muitas mas muitas leituras depois, estou organizando as resenhas já que foram 8 livros lidos (estou sem computador e tv em casa) !!!!!

E foram muitas as compras e aquisições ao longo desses dias sem postagens. Comprei 3 livros de Jack Higgins, 1 de poesia do Rilke e a Visita Cruel do Tempo que estou lendo nesse momento.

Essa semana publico as resenhas do Ano do tigre de Jack Higgins!!

Marcello Lopes