sexta-feira, 30 de março de 2012

Sanguessugas do Brasil



O jornalismo investigativo nunca esteve tão em alta no Brasil. Vide a recente queda em cascata de ministros do governo Dilma Rousseff, sem contar os grandes escândalos desmascarados nas últimas duas décadas, entre os quais o chamado mensalão. Já era hora de registrar os principais casos num livro, um suporte mais duradouro, antes que tudo caia no esquecimento total.

Assim surgiu Sanguessugas, publicado pela Geração Editorial.

O jornalista gaúcho Lucio Vaz, 54 anos, sendo 34 de profissão, atualmente no Correio Braziliense, reúne casos notórios de corrupção e alguns de abuso econômico, que redundaram em exploração desenfreada dos nossos recursos naturais por empresas brasileiras e multinacionais. São reportagens próprias, ocorridas nas últimas duas décadas.

A obra começa pelo mensalão e volta ao passado recente para expor as vísceras da Máfia dos Sanguessugas, que dá título ao livro, prosseguindo com uma radiografia dos lobistas em Brasília, desvios de verbas de infraestrutura, fraudes na distribuição de remédios, obras inacabadas, crimes ambientais praticados por indústrias papeleiras, fraudes na Ferrovia Norte-Sul e até – quem diria? – a apropriação escandalosa de bolsas de estudos destinadas aos índígenas.

Mas não se trata de uma denúncia feita a partir das redações dos jornais, no conforto do ar-condicionado. Lucio Vaz deixa o lar e a família para passar dias, semanas, em busca de provas, enfrentando viagens cansativas, comendo poeira, arriscando a vida.

Numa narração envolvente, ele leva o leitor às cidades mais remotas do país, onde passa as noites em hotéis simples, toma um chimarrão (bom gaúcho que é) nos poucos momentos de sossego, um lanche rápido numa birosca qualquer e segue em frente, nos transmitindo a tensão de quem está cada vez mais perto da presa, dos corruptos que não titubeariam em mandá-lo matar.

Não estamos apenas diante de um texto-denúncia, mas na linha de frente de uma batalha, como um detetive atrás das pistas.

Costumamos nos horrorizar com crimes de sangue, esquecendo que os crimes de terno e gravata, sapatos lustrosos, camisas engomadas, perfume discreto, causam, direta ou indiretamente, a morte e o sofrimento de milhares, milhões de pessoas. Sanguessugas mostra como o sangue do brasileiro é chupado, ora de canudinho, ora por transfusão completa.

Por todas as suas reportagens corajosas, Lucio Vaz conquistou a credibilidade de um grande jornalista.

Em seu primeiro livro, A ética da malandragem, também publicado pela Geração Editorial, abordando as maracutaias do Congresso, ele já mostrou a que veio. Muitos devem estar torcendo pela sua aposentadoria precoce. Ele vem fazendo a sua parte e pode fazer muito mais.

quinta-feira, 29 de março de 2012

O Guardião



O Guardião vive na Cidade Baixa, parte infernalmente imunda e corrompida de Rigus, e é um traficante independente, que usa drogas também para suportar seu cotidiano sórdido, e vive em meio a uma fauna criminosa num mundo onde a vida vale pouco e os crimes não são realmente apurados se as vítimas fizerem partes de extratos sociais desprezados. 

Ele foi parte da polícia oficial, da Casa Negra, e só lhe restou o recurso de ser narcotraficante com uma filosofia realista, anti-sentimental e solitária.

Quando uma garotinha é assassinada e estuprada em um beco sem saída, o Guardião inicia uma investigação que o levará à confrontos violentos com gangues e a ser perseguido pelo chefe de polícia da Casa Negra. 

Enquanto isso, conviverá com muitos personagens de uma fauna multi-étnica com nomes fantasiosos como Kirens e Islanders, que evocam diretamente a raça asiática e a raça negra.

Na verdade, embora o livro tenha feiticeiros e outras realidades mágicas, a ficção tem a verossimilhança de uma aventura em Chinatown e a cidade de Rigus parece uma mescla de Londres do final do século XIX com a Los Angeles multi-étnica e violenta dos dias atuais.

Vale a pena !!!!!!

quarta-feira, 28 de março de 2012

Millor Fernandes (1924-2012)



O jornalista, desenhista, escritor, tradutor, autor teatral e apresentador de TV Millôr Fernandes nasceu Milton Viola Fernandes, no Rio de Janeiro, em 27 de maio de 1924, segundo sua certidão --outras fontes apontam a data de 16 de agosto de 1923 ("Há desencontros de opinião na família", escreveu o próprio).

Anos depois, quando viu seu registro de nascimento, admirou-se com a caligrafia do escrivão, que dava ao T de seu nome o aspecto de um L e ao N a aparência de um R.

E assumiu-se Millôr.

Filho de um engenheiro espanhol emigrante, Francisco Fernandes, e da brasileira Maria Viola Fernandes, nasceu e foi criado no subúrbio carioca do Méier.

Perdeu o pai ainda bebê e a mãe aos 10 anos. Com seus irmãos Judith, Hélio e Ruth, foi morar na casa de um tio, no que chamou de "período dickensiano, vendo o bife ser posto no prato dos primos".

Em 1938, entrou no Liceu de Artes e Ofícios e começou a trabalhar profissionalmente na revista "O Cruzeiro". A partir daí, se tornaria um dos principais nomes do jornalismo e das artes no Brasil, com múltiplas aptidões --para o desenho, a prosa, a poesia, o teatro, a literatura.

A praia era uma de suas predileções. Morador de Ipanema desde 1954, colocou o Posto 9 e o frescobol (esporte que afirmava ter inventado) no mapa. Bom nadador, dizia que sua vocação "sempre foi o esporte" e que era "um atleta frustrado".

Dificilmente se diria frustrado em outras áreas: foi premiado como desenhista (dividiu com seu ídolo Saul Steinberg [1914-1999] o primeiro lugar na Exposição Internacional do Museu da Caricatura de Buenos Aires, em 1955), requisitado como tradutor (de Shakespeare, Molière, Sófocles, Bernard Shaw), autor de peças célebres como "Liberdade, Liberdade" (1965), uma das obras pioneiras do teatro de resistência ao regime militar, feita em parceria com Flávio Rangel e encenada pelo Grupo Opinião, com Paulo Autran e Tereza Rachel.

Publicou mais de 50 livros a partir de 1946, boa parte compilando textos humorísticos e desenhos feitos para a imprensa, dentre eles "Fábulas Fabulosas" (1964) e "A Verdadeira História do Paraíso" (1972).

Este último reunia textos publicados em "O Cruzeiro" satirizando a narrativa bíblica da criação, o que desagradou a representantes católicos e causou sua saída da revista, em 1963, após ter sido atacado em editorial.

Seu humor crítico e inclemente lhe traria problemas também com governantes, desde o presidente Juscelino Kubitschek (que censurou seu programa "Treze Lições de um Ignorante", na TV Tupi Rio, após uma piada com a primeira-dama) até os militares que atacaram "O Pasquim" --jornal que ele ajudou a criar-- durante a ditadura.

A política também causaria o fim de seu primeiro período (1968-1982) na revista "Veja", quando se negou a cessar o apoio público a Leonel Brizola nas eleições para governador do RJ em 1982.

Em setembro de 2004, voltaria à "Veja", mas sairia cinco anos depois --seu contrato não seria renovado após Millôr questionar (a princípio extrajudicialmente) a publicação de suas colunas antigas na edição digital da revista.

Na Folha, Millôr Fernandes assinou uma coluna semanal, no caderno dominical "Mais!", entre julho de 2000 e agosto de 2001.

Foi nesse período que escreveu texto que lhe rendeu processo do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), após dizer que seu projeto de restringir termos estrangeiros na língua portuguesa era "uma idioletice".

Nos últimos anos, Millôr repetia em entrevistas que era "indecentemente feliz".

Dizia viver na melhor época da história, e admirava o desenvolvimento tecnológico --comprou seu primeiro computador em 1986, criou um "saite" em 2000 (www.millor.com.br ) e mantinha uma conta no Twitter (com mais de 335 mil seguidores) desde 2009.

Millôr deixa dois filhos, Ivan e Paula, frutos de seu relacionamento com Wanda Rubino. Dois de seus irmãos são vivos: Ruth, que mora no Equador, e Hélio, proprietário do jornal "Tribuna da Imprensa".

ALGUMAS OBRAS

"Lições de um Ignorante" (1963)
"Esta É a Verdadeira História do Paraíso" (1972)
"Trinta Anos de Mim Mesmo" (1972)
"Diário da Nova República" (1985)
"Millôr Definitivo A Bíblia do Caos" (1994)
"Hai-Kais" (1997)
"Crítica da Razão Impura ou O Primado da Ignorância" (2002)
"100 Fábulas Fabulosas" (2003)
"Novas Fábulas e Contos Fabulosos" (2007)

Fonte: Folha de Sp

quinta-feira, 15 de março de 2012

Séries


O canal americano CBS anunciou a renovação 15 séries que estão em sua programação. Ao todo, 18 shows foram renovados – a emissora já havia divulgado novas temporadas para How I Met Your Mother, The Big Bang Theory e Survivor. 
Confira abaixo quais séries virão para a Fall Season 2012/2013:

Comédia:
2 Broke Girls
The Big Bang Theory
How I Met Your Mother
Mike & Molly

Drama
Blue Bloods
Criminal Minds
CSI
The Good Wife
Hawaii Five-0
The Mentalist
NCIS
NCIS: Los Angeles
Person of Interest

A emissora americana ABC anunciou as datas em que vão ao ar os últimos episódios das séries da Fall Season 2011. 
Todas encerram temporada em maio. Seguem abaixo algumas delas:

Terça, 1º de maio
Last Man Standing

Segunda, 7 de maio
Castle

Domingo, 13 de maio
Once Upon a Time
Desperate Housewives (episódio de duas horas – fim da série)

Terça, 15 de maio
Cougar Town (episódio de uma hora)
Private Practice

Quarta, 16 de maio
Suburgatory

Quinta, 17 de maio
Grey’s Anatomy

Quarta, 23 de maio
The Middle
Modern Family
Revenge

E as temporadas 2011 nem terminaram ainda, mas a Showtime já anunciou a volta de duas séries para a Fall Season 2012: A 7ª temporada de Dexter e a 2ª de Homeland estreiam em 30 de setembro. Coincidentemente, a temporada anterior das duas (6ª e 1ª) estrearam este mês no Brasil, pelo canal FX.
Fonte: O Estado de Sp

quarta-feira, 7 de março de 2012

Fim de Terra Nova


Com apenas uma temporada, a emissora americana Fox decidiu cancelar Terra Nova, produção milionária de Steven Spielberg.

E não foi por falta de audiência. Segundo o site de entretenimento The Hollywood Reporter, a média de expectadores do programa é de um pouco mais de 7 milhões – muitas séries sobreviveram mais tempo com menos que isso (bom, com um orçamento bem menor do que Terra Nova). Para se ter uma ideia, o primeiro episódio de duas horas teve um custo de US$ 20 milhões.

Mas a Fox não pretende abandonar totalmente o seu grande projeto. De acordo com representantes do canal, o apelo internacional da série de ficção que envolve viagem no tempo e pré-história fará com que a Fox tente vender Terra Nova para outras emissoras.

***EM TEMPO: A mídia americana já especula que outras séries da FOX, como Alcatraz e The Finder, poderão ser canceladas. Restar esperar por mais notícias…

Fonte: Estado de Sp

terça-feira, 6 de março de 2012

Livraria Plural - Eslováquia


Com um design bem simples, o espaço da livraria PLURAL na Eslováquia a torna uma das mais bonitas do mundo. 

O espaço é uma livraria com um café no mesmo local para concertos, palestras e projeções.


Os pontos principais da livraria estão localizados em ambas as extremidades da loja. A entrada e o café na extremidade oposta da galeria inicial elevada.


Ambos os níveis são ligados por estágios em cascata. Isto dá origem a preocupações de eventos paralelos, que durante a operação normal da livraria permite que os clientes se sentar, folhear um livro, relaxar e se comunicar.







Os escritórios, banheiros estão escondidos na parte de baixo da loja, acessados pelas escadas.



Os livros estão concentrados em dois espaços ao longo da livraria. Isto só é possível  por conta de uma organização clara e um número considerável de livros criando um efeito monumental sobre toda a área das paredes.

Lançamentos são exibidos em móveis separados.
Construção do espaço



Em fase de montagem 

Reprodução

Início da reforma

Visão mais ampla do espaço






A Livraria ficou pronta em 2010, com 170 m². 

quinta-feira, 1 de março de 2012

Lucio Dalla morre aos 68 anos



Lucio Dalla, um dos mais importantes cantores italianos, morreu na manhã desta quinta-feira em Montreux, na Suíça, onde estava para realizar uma série de shows. Nascido em Bolonha, o músico completaria 69 anos no domingo, 4 de março.

De acordo com a imprensa italiana, o ídolo pop passou mal depois do café da manhã e sofreu um ataque cardíaco. Na noite passada, Dalla fez um show na cidade.

Dalla, que também era clarinetista e pianista, compôs para nomes como Luciano Pavarotti, Mario Monicelli, Carlo Verdone e Michele Placido, e lançou "Caruso", seu maior sucesso, em 1986, como faixa do disco "DallAmeriCaruso". Entre seus outros hits estão "L'anno che verrà" e "4 marzo 1943". O primeiro álbum do italiano foi lançado em 1966 e o último, "Questo è Amore", em 2011.

"Não é possível, ele falou comigo ontem à noite, estava muito bem, feliz, tranquio, divertido e em paz consigo mesmo", disse Roberto Serra, fotógrafo e amigo do cantor, à agência Ansa. "Estava contente com a entrevista que eu fiz com ele e pela turnê europeia que tinha acabado de começar. Falou que estava emocionado de reencontrar lugares de 30 anos atrás e de encontrar, apesar da diversidade das situações, a mesma resposta positiva do público".

A última aparição de Dalla na televisão italiana foi quando cantou no último Festival de Sanremo, em fevereiro.



Fonte: Folha.com