terça-feira, 15 de maio de 2012

Carlos Fuentes - Falecimento


Tal como os murais de Diego Rivera, os romances de Carlos Fuentes tratam da identidade mexicana em suas dimensões política, social, psicológica e mítica. Além de escritor, Fuentes foi diplomata e embaixador extraoficial da cultura latino-americana. 

Carlos Fuentes Macías nasceu em 11 de Novembro de 1928. Estudou na Suíça e nos Estados Unidos da América. Foi embaixador no México e na França e lecionou em universidades como a de Harvard, Cambridge e Princeton, entre outras. Também residiu em cidades como Quito, Montevideu, Rio de Janeiro, Washington D. C., Santiago e Buenos Aires.

Seus primeiros romances retratam o México urbano contemporâneo regido pelo determinismo econômico (e mítico), pela amnésia histórica e por uma imagem ossificada de seu passado revolucionário. Seus protagonistas sofrem a estagnação da sociedade que ajudaram a construir como uma morte em vida. 

La Región más Transparente (romance publicado em 1958) retrata isso de um modo panorâmico e caleidoscópico, com múltiplos personagens e pontos de vista representando vários estratos sociais. A Morte de Artemio Cruz (publicado em 1962) é a alucinação do protagonista no leito de morte narrada em três vozes - "eu", "você", "ele", - "eus" conflitantes que só fundem-se na morte.

Após o romance anterior, publicou Cambio de Piel (em 1967), e A Cabeça de Hidra(em 1978). Gringo Velho (publicado em 1985) é menos pessimista: a solteirona americana Harriet Winslow revê longamente seu passado no México revolucionário dando sinais de ter mudado suas atitudes puritanas e crescido como mulher.



Igualmente sombrios, entretanto, lúdicos, são Cristóvão Nonato (publicado em 1987), em que um feto-narrador espera nascer em 12 de Outubro de 1992, e Terra Nostra (publicado em 1975), um vasto épico circular de 1492-1999 que pode ser descrito como a reconquista do Velho Mundo pelo Novo. 

Nos dois romances, o apocalipse enfrenta a utopia e terminam ambos com potencial de um novo Gênese. Também escreveu um ensaio recente, em 2004, intitulado Contra Bush, em que critica intensamente as atitudes governamentais mal-pensadas e incompetentes do ex-presidente norte-americano George W. Bush.

Defensor de Fidel Castro e dos Sandinistas, crítico às vezes feroz dos Estados Unidos da América, Carlos Fuentes teve sua entrada naquele país recusada três vezes, mas tornou-se, em 1987, professor titular de estudos latino-americanos na Universidade de Harvard. 

Com demasiado grau de certeza, pode-se afirmar que Carlos Fuentes é um legítimo e requintado representante da bela e ilustre cultura latino-americana.

Texto: Eliakim Ferreira Oliveira

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