segunda-feira, 21 de maio de 2012

Cabeça Tubarão


Certo dia, Eric Sanderson acorda sem vestígios de memória: não sabe quem é, onde está nem como foi parar ali. Não encontra nenhuma foto ou documento com seu nome estampado. Como se não bastasse, começa a receber cartas de si mesmo.

Guiado por elas, conhece uma psiquiatra, que o recebe no consultório com um diagnóstico tenebroso: amnésia dissociativa, uma forma rara da doença que arrasta suas lembranças de volta à estaca zero toda vez que ele apresenta algum progresso.

Segundo a médica, Eric perdeu a namorada há três anos em um acidente na Grécia, e desde então começou a apresentar lacunas na memória.

A doença só piorou, e a cada recorrência – aquela seria a décima primeira – ele se lembrava menos.

Porém, aos poucos Sanderson descobre que suas memórias não foram perdidas, mas devoradas por um tubarão de idéias que continua em seu encalço. Enquanto foge desse monstro feito literalmente de palavras, vai juntando as pistas de sua identidade perdida, com a ajuda de cartas que enviou para si mesmo do passado.

Entre túneis de palavras, subterrâneos de papel, sociedades secretas de arqueologia, monstros conceituais e amores de carne e osso, Sanderson encontra outro poderoso inimigo de identidades, além de um cientista-samurai afundado em papéis e inúmeras figuras pitorescas que se juntam a ele na caçada final.

Cabeça Tubarão é um verdadeiro jogo entre o mundo conceitual e o real, e sua originalidade se estende aos truques tipográficos, às criaturas de palavras que saltam de suas páginas e à criptografia de textos.

Por todo o livro, há códigos e mistérios a serem decifrados, numa prosa que combina o ritmo frenético de um blockbuster com o refinamento literário de um escritor jovem e promissor.

Ok. Devo dizer que precisei de alguns anos para ler esse livro, esclareço, livro é momento, se você não estiver harmonizado você não consegue ler a obra. E foi esse o caso, enquanto eu trabalhava na Saraiva Morumbi, esse título fazia a cabeça do pessoal de literatura, confesso que tentei ler e não passei das primeiras páginas.


Passado um tempo, retornei ao livro pois não consigo deixar uma obra sem ser lida, mesmo que eu a odeie, mas nesse caso eu adorei, o livro é uma viagem, um estilo Matrix, a cena onde Sanderson encontra o tubarão pela primeira vez é algo alucinógeno, é preciso atenção ao ler, as diversas dicas e frases subliminares para se entender o que acontece com o personagem, sem dúvida esse livro será lembrado pela peculiaridade e originalidade.


Marcello Lopes 

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