segunda-feira, 7 de maio de 2012

Biografias de Aleijadinho, Mestre Valentim e Padre José Maurício ganham obra ilustrada


Mesmo com a experiência acumulada ao longo de mais de três décadas como premiado ilustrador e escritor, Rui de Oliveira ainda consegue lançar um olhar de encanto sobre sua obra. Principalmente sobre seu mais novo livro, “Os três anjos mulatos do Brasil” (FTD).

— É um dos trabalhos mais bonitos e importantes que fiz em toda a minha vida — orgulha-se o escritor.

E ele não poderia pensar diferente. A publicação, vencedora hors concours da categoria “Melhor livro informativo” no prêmio da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) de 2012, nasceu não apenas da profunda influência das artes clássica e barroca em sua formação, como da sua própria história de miscigenação: o avô de Rui era português, e a avó era filha de escravos angolanos. 

O livro, que conta aos jovens a vida de três grandes artistas mulatos — Aleijadinho (1730-1814), Mestre Valentim (1745-1813) e Padre José Maurício (1767-1830).

Entre letras e imagens, o autor calcula que este seja o seu 128 trabalho — sem contar as mais de 400 capas de livro. Professor há mais de 27 anos da Escola de Belas Artes da UFRJ, Rui recebeu quatro Jabutis de ilustração e concorreu ao prêmio Hans Christian Andersen — considerado o Oscar da literatura infantil — também na categoria ilustração em 2006 e 2008.

Os “anjos” de Rui formam uma tríade de representantes dos estilos clássico e barroco do Brasil, no início do século XIX. Aleijadinho fez inúmeras obras sacras com pedra sabão em Minas Gerais; Mestre Valentim era entalhador e urbanista, e uma de suas mais famosas obras é o chafariz que pode ser visto na Praça XV, no Rio; e padre José Maurício era um talentoso músico da Corte que tocava piano, compunha e regia.

Ao todo são nove ilustrações, três para cada personagem. E um dos grandes desafios durante a produção do livro, conta Rui, foi imaginar cenas históricas prováveis, como a do padre José Maurício tocando para a Corte e, ao fundo, um D. Pedro I muito atento, segurando uma partitura.

— Esta cena realmente aconteceu. O compositor português Marcos Portugal pediu ao Padre para tocar Haydn. Pensou que ele não saberia executar, o que José Maurício fez muito bem, para espanto do português que queria humilhá-lo. Por isso, faz sentido que a Corte estivesse presente, mas esse retrato nunca existiu — conta Rui, explicando ainda que o preconceito deixou os artistas à margem da efervescência da vida na Corte.

A pesquisa iconográfica para traçar o tipo físico dos negros foi feita com base nos desenhos do alemão Johann Moritz Rugendas (1802-1858), que retratou detalhes da vida do Brasil imperial em suas obras. Para Rui, a produção da iconografia histórica é fundamental para que haja a compreensão de um tempo:

— A História do Brasil foi construída com a junção de talentos ibéricos e africanos. Estes homens mestiços representam o início da formação da identidade cultural brasileira.

Rui de Oliveira
Fonte: Prosa on line

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