sexta-feira, 20 de abril de 2012

Arriscar é viver



Esse livro retrata bem o perigo do extremismo e das ideias cristalizadas. 

Acompanhamos a vida de Felicks, desde o momento em que ele foi despachado com seu irmão para a Suíça pela mãe antes da invasão da Polônia pela Alemanha, em 1939, aos nove anos. Sem dinheiro para três passagens de trem, ela ficou e perdeu o contato com os filhos.

O personagem principal é um conservador, vive sua vida sem emoções e sem mudanças, por muitos anos procurou sua mãe que ficou para trás e seu irmão que o abandonou na casa dos tios na Suíça para se juntar  a Resistência Francesa.

Quando Felicks cresce vai morar em Paris, participando ativamente do partido comunista francês, trabalhando em uma fábrica de veículos, pouco tempo depois trabalha como assistente gráfico em um jornal comunista e é lá que inicia seu próprio negócio, um guia turístico dos países comunistas, viajando e detalhando atrações turísticas desses países isolados pela cortina russa.

Essa rotina de viagens e solidão dura 30 anos, um dia ele recebe uma proposta para vender seu guia e à partir dessa proposta que sua vida irá mudar, numa viagem aos Estados Unidos, sente-se uma “estranha relíquia da velha Europa que tinha saído do quadro entalhado da família”. 

Pouco a pouco todas as suas convicções são abaladas por inúmeros acontecimentos, tanto históricos como pessoais. 

Feliks viaja atrás do sonho, do passado ou futuro, às vezes do impossível, e deixa o leitor inquieto. Ele retorna à sua cidade Lódź, reencontra “as pegadas da infância” e faz um balanço da vida desde que se afastou da mãe e depois do irmão. Há reviravoltas nas suas posições ideológicas e pessoais, o que pensava ser não era mais, era o contrário. 

Percebe que o que imaginava sobre a família era falso, ilusão, da mesma forma que o que sentia em relação ao partido. 

Arriscar é viver é um mergulho num “mundo sujo, de duas caras” – os bastidores da II Guerra, da Guerra Fria, do desmoronamento da União Soviética e do comunismo europeu. Mas não sob o ponto de vista de quem fez a guerra, mas de quem sofreu com ela. O romance discute política e relações familiares. Os grandes e pequenos eventos da História. 

Sobre o autor: 

Nascido em 1949, o escritor inglês Jim Powell fez uma estréia madura e de rápido sucesso mundial. Seu primeiro romance foi publicado no Reino Unido e nos Estados Unidos em 2010 e logo ganhou traduções em cerca de quinze países. No Brasil, The breaking of eggs acaba de ser lançado pela Geração Editorial com o título de Arriscar é viver

Marcello Lopes 

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