sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Escritos sobre música erudita

Certa vez, Schumann afirmou ser a música como o xadrez: a Rainha (a melodia) no poder supremo, mas quem decide o jogo é sempre o Rei (a harmonia). No entanto, a afirmação do músico romântico talvez não intuísse a evolução rítmica que aconteceria já durante os primeiros passos do modernismo musical.

Carl Orff (1895-1982), influenciado por Stravinsky, buscou compor suas obras procurando estabelecer ligações com tipos primitivos de comportamento musical que, embora dotados de aspereza incomum pela ausência melódica, acabaram descortinando um novo mundo sonoro, onde a música fica reduzida ao ritmo acentuado de golpes percussivos.

Carmina Burana é o exemplo (do latim Cármen – poesia – e Burana – de Bura, adjetivo latino usado para referir o distrito bávaro de sua origem), resultante do aproveitamento de 24 poemas e canções, originadas em manuscrito latino do Século XVIII existente no Mosteiro de Benedictbeuern, em Baden-Wurtenberg, no vale do Reno, Alemanha. 

É logo nos primeiros movimentos que está a melhor caracterização de Orff: a declamação do texto, embora de extrema pobreza melódica, ganha força por seu caráter repetitivo e opressivo, empregando motivos do folclore bávaro e, como que parodiando, faz sua alusão ao coral gregoriano.

Juntamente com Carmina Burana, Catulli Carmina (sobre a vida obscena de Caius Valprius Catullus e sua paixão proibida por Lésbia) e Il Trionfo de Aphrodite concluem a célebre tríade do autor.




Egmont, de Goethe, foi escrito em 1786, e composta por Beethoven no final de 1809. A obra é um drama clássico sobre liberação política. O conde Egmont, herói de Flandres, século XVI, lidera a revolta do povo flamengo contra a tirania espanhola.

Capturado, encarcerado e, após tentativa fracassada de sua amante Clärchen em resgatá-lo, Egmont toma conhecimento de que Clärchen, desesperada, se envenena. Dentro de sua cela, enquanto aguarda a execução, Egmont tem uma visão transcendental da imagem da liberdade como uma mulher, fisicamente semelhante a Clärchen – que, aproximando-se de Egmont, lhe deposita uma coroa de louros na cabeça.

Uma música militar soa externamente. Egmont é levado para a sua execução, sacrificando-se pelo seu país, sabendo que a liberdade vai prevalecer. O início pesante mostra a profunda opressão sofrida pelo povo flamengo (início até o minuto 2:10).

No allegro o crescente tumulto (a partir do minuto 2:10) a e a revolta, que atinge seu climax na coda refletindo a captura de Egmont e morte por decapitação, representado pelo abrupto corte sonoro (minuto 6:47).

É então que vem a música da vitória (minuto 7:03) iniciando numpianíssimo ao climax em fortíssimo.

Beethoven, ao final, como sempre, vence!

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Mortos entre vivos



Estocolmo, Suécia, 13 de agosto de 2002. Seria mais um dia normal na capital do civilizado e pacato país com um dos melhores IDH do mundo, não fosse uma “epidemia” de cefaleia e o estranho comportamento dos aparelhos eletrônicos: eles simplesmente não desligam, mesmo quando desconectados da tomada. Prenúncio de fenômeno ainda mais extraordinário: os mortos revivem – inclusive os falecidos até alguns meses antes. De repente, eles se movem, andam, deixam as câmaras de refrigeração dos hospitais, falam (ou balbuciam algumas palavras, como crianças) e podem ser ouvidos arranhando a tampa de suas urnas funerárias, nos cemitérios.

Não se trata de zumbis devoradores de cérebros e transmissores de sua condição de “nem vivo, nem morto” por meio de mordidas. Pelo contrário, os “redivivos” – como passam a ser oficialmente chamados pelo governo – são entes queridos (o avô, o marido, a esposa, o filho, o neto) que todos gostariam de ter de volta ou ao menos por mais um tempo para corrigir erros, pedir perdão (ou perdoar), prorrogar a companhia em nome de momentos felizes e de afetos que a morte impediu de repetir ou de cultivar.

São milhares de redivivos, que põem em cheque tanto a ciência quanto a religião, além de instaurar o pânico entre as autoridades – atônitas diante da inusitada situação. Mas o romance se concentra nos familiares de Eva – autora de livros infantis vítima de um acidente fatal naquele mesmo 13 de agosto –, Elias – um menino de seis anos morto um mês antes – e Tore – idoso recém-falecido, mentalmente desfigurado pelo mal de Alzheimer.

Cruzando-se pontualmente, as três histórias se desenvolvem ao longo de 400 páginas repletas de tensão, situações inusitadas e às vezes repulsivas (vários redivivos estavam em avançado estado de putrefação), fenômenos inexplicáveis (como a telepatia entre os vivos, quando próximos dos “zumbis”) e, sobretudo, o desespero dos que tentam trazer os semimortos plenamente à vida, a todo custo – como é o caso do avô de Elias, o jornalista Gustav Mahler (homônimo do compositor), capaz de invadir o cemitério, escavar a sepultura do neto, exumar o cadáver agora com sinais de vida e fugir com ele e a filha para o litoral. David, comediante de stand up e marido de Eva, mobilizado por seu profundo amor pela mulher, descobre que ela foi feita “cobaia” no principal instituto médico legal do país. 

A viúva e a neta de Tore, Elvy e Flora, protagonizam as cenas mais estranhas: Elvy, dotada de sensibilidade incomum, experimenta uma visão em que a Virgem Maria lhe atribui a missão de salvar os descrentes que se recusam a ver a mensagem divina na ressurreição dos mortos; Flora, típica adolescente rebelde, desenvolve extraordinária capacidade de compreensão e comunicação com os mortos-vivos.

O governo acaba por criar uma espécie de “campo de concentração” para os redivivos, foco para o qual a narrativa se volta, no terço final. Este será o palco do apocalíptico desfecho, que é menos importante do que todo o percurso para chegar até ele: os “zumbis” de Lindqvist são uma metáfora para a relação da cultura contemporânea com a morte e com a própria vida.

Traduzido diretamente do sueco, a linguagem ágil, o ritmo cinematográfico (Lindqvist foi roteirista) e sobretudo a matéria do romance faz de Mortos entre vivos uma leitura de entretenimento, que atende aos apreciadores do melhor terror, sem amenizações – e, ao mesmo tempo, uma obra densa, repleta de significados, muito além de técnicas narrativas que provocam desespero e arrepios.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Últimas aquisições


Comprados dia 28/08. 

Já foram lidos O Ano do tigre, Uma noite perfeita para morrer. 

Lendo A Visita cruel do tempo

Resenhas

Olá poucos e bons leitores !

Após um tenebroso inverno, estou de volta às postagens nesse meu espaço tão querido.

Mudanças de emprego, Bienal de São Paulo, e muitas mas muitas leituras depois, estou organizando as resenhas já que foram 8 livros lidos (estou sem computador e tv em casa) !!!!!

E foram muitas as compras e aquisições ao longo desses dias sem postagens. Comprei 3 livros de Jack Higgins, 1 de poesia do Rilke e a Visita Cruel do Tempo que estou lendo nesse momento.

Essa semana publico as resenhas do Ano do tigre de Jack Higgins!!

Marcello Lopes

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Sucateado, Exército não teria como responder a guerra, dizem generais

Assinada em 2008, a Estratégia Nacional de Defesa (END) prevê o reaparelhamento das Forças Armadas do país em busca de desenvolvimento e projeção internacional, mirando a conquista de um assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). No entanto, poucas medidas previstas no decreto tiveram avanços desde então.

O Exército, que possui o maior efetivo entre as três Forças (são 203,4 mil militares), está em situação de sucateamento. Segundo relato de generais, há munição disponível para cerca de uma hora de guerra.

O G1 publica, ao longo da semana, uma série de reportagens sobre a situação do Exército brasileiro quatro anos após o decreto da END, assinado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foram ouvidos oficiais e praças das mais diversas patentes - da ativa e da reserva -, além de historiadores, professores e especialistas em segurança e defesa. O balanço mostra o que está previsto e o que já foi feito em relação a fronteiras, defesa cibernética, artilharia antiaérea, proteção da Amazônia, defesa de estruturas estratégicas, ações de segurança pública, desenvolvimento de mísseis, atuação em missões de paz, ações antiterrorismo, entre outros pontos considerados fundamentais pelos militares.

O Exército usa o mesmo fuzil, o FAL, fabricado pela empresa brasileira Imbel, há mais de 45 anos. Por motivos estratégicos, os militares não divulgam o total de fuzis que possuem em seu estoque, mas mais de 120 mil unidades teriam mais de 30 anos de uso.

Carros, barcos e helicópteros são escassos nas bases militares. O índice de obsolescência dos meios de comunicações ultrapassa 92% - sendo que mais de 87% dos equipamentos nem pode mais ser usado, segundo documento do Exército ao qual o G1teve acesso. Até o início de 2012, as fardas dos soldados recrutas eram importadas da China e desbotavam após poucas lavadas.

A Estratégia Nacional de Defesa elencou entre os pontos-chave a proteção da Amazônia, o controle das fronteiras e o reaparelhamento da tropa, com o objetivo de obter mobilidade e rapidez na resposta a qualquer risco. Defesa cibernética e recuperação da artilharia antiaérea também estão entre os fatores de preocupação.

Um centro de defesa contra ataques virtuais começou a ser instalado pelo Exército em 2010, em Brasília, mas ainda é enxuto e não conseguiu impedir ataques a uma série de páginas do governo durante a Rio+20, em junho deste ano.

O Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), iniciativa que busca vigiar mais de 17 mil quilômetros de divisas com 10 países, começará a ser implantado ainda em 2012, com um teste na fronteira do Mato Grosso do Sul com Paraguai e Bolívia.

Segundo o general Walmir Almada Schneider Filho, do Estado-Maior do Exército, a Força criou 245 projetos para tentar atingir os objetivos da Estratégia Nacional de Defesa. Ele afirma que os recursos, porém, chegam aos poucos.

Nos últimos 10 anos, a percentagem do Produto Interno Bruto (PIB) investido em defesa gira em torno de 1,5%, segundo números do Ministério da Defesa - em 2011, o valor foi de R$ 61,787 bilhões. Durante a crise econômica, entre 2003 e 2004, o índice chegou a 1,43%. O maior percentual foi registrado em 2009, quando 1,62% do PIB foram destinados para o setor.

Em 2012, o Exército receberá cerca de R$ 28,018 bilhões, mas 90% serão destinados ao pagamento de pessoal. Desde 2004, varia entre 9% e 10% o montante disponível para custos operacionais e investimentos.

A ideia do ministro da Defesa, Celso Amorim, é elevar gradativamente os gastos com defesa para a média dos demais países dos Brics (Rússia, Índia e China), que é de 2,4%. Segundo afirmou em audiência no Senado, o objetivo é fazer o Brasil ter maior peso no cenário internacional.

“Nós perdemos nossa capacidade operacional, sabemos dessa defasagem. A obsolescência é grande. Por isso, um dos nossos projetos busca a recuperação da capacidade operacional. Até 2015, devemos receber R$ 10 bilhões só para isso”, afirma o general Schneider Filho, responsável pelos estudos da END no Estado-Maior do Exército.


Falta munição

Dois generais da alta cúpula, que passaram para a reserva recentemente, afirmaram aoG1 que o Brasil não tem condições de reagir a uma guerra. “Posso lhe afirmar que possuímos munição para menos de uma hora de combate”, diz o general Maynard Marques de Santa Rosa, ex-secretário de Política, Estratégia e Assuntos Internacionais do Ministério da Defesa.

“A quantidade de munição que temos sempre foi a mínima. Ela quase não existe, principalmente para pistolas e fuzis. Nossa artilharia, carros de combate e grande parte do armamento foram comprados nas décadas de 70, 80. Existe uma ideia errada de que não há ameaça. Mas se ela surgir, não vai dar tempo de atingir a capacidade para reagir”, alerta o general Carlos Alberto Pinto Silva, ex-chefe do Comando de Operações Terrestres (Coter), que coordena todas as tropas do país.

“Nos últimos anos, o Exército só tem conseguido adquirir o mínimo de munição para a instrução. Os sistemas de guerra eletrônica (rádio, internet e celular), a artilharia e os blindados são de geração tecnológica superada. Mais de 120 mil fuzis têm mais de 30 anos de uso. Não há recursos de custeio suficientes”, diz Santa Rosa. Ele deixou o Exército em fevereiro de 2010, demitido por Lula após chamar a Comissão da Verdade, que investiga casos de desaparecidos políticos na Ditadura, de “comissão da calúnia”.

Segundo o Livro Branco, documento que reúne dados sobre a defesa nacional, o Exército possui 71.791 veículos blindados, a maioria deles comprados há mais de 30 anos. Apenas um é do modelo novo, o Guarani, entregue em 2012 e que ainda está em avaliação. 

Um contrato inicial de R$ 41 milhões foi fechado para a aquisição dos primeiros 16 novos carros de combate. No último dia 7, um novo contrato foi assinado para a aquisição de outras 86 viaturas Guarani, ao custo de R$ 240 milhões.

"Nenhuma nação pode abrir mão de ter um Exército forte, que se prepara intensivamente para algo que espera que nunca ocorra. A população tem que entender que é preciso ter essa capacidade ociosa, sempre, para estar pronto para dar uma resposta se um dia for necessário", defende o general Fernando Vasconcellos Pereira, diretor do Departamento de Educação e Cultura do Exército.

Riscos e ameaças

Para saber quais equipamentos, tecnologias e armas precisam ser compradas e que outras mudanças são necessárias, o Exército criou o Grupo Lins, que reúne uma equipe para prever cenários de conflitos ou crises - internos ou externos - em que a sociedade e os políticos possam exigir a atuação dos militares até 2030.

O objetivo é antever problemas, sejam econômicos, sociais, de segurança pública ou de calamidade, e saber quais treinamentos devem ser dados aos soldados até lá.

Nesses cenários, a Amazônia e as fronteiras estão entre as maiores preocupações. O texto revisado da Estratégia Nacional de Defesa, entregue pelo governo ao Congresso Nacional em 17 de julho, destaca "a ameaça de forças militares muito superiores na região amazônica”.

Para impedir qualquer ataque, o Exército prepara o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), que, através de um conjunto de sensores, radares e câmeras, permitirá a visualização de tudo o que ocorre nas fronteiras em tempo real. Os equipamentos facilitarão a repressão ao tráfico de drogas e armas, ao contrabando e aos crimes ambientais. A previsão é de que o sistema esteja totalmente operando em 2024.

O alto valor que o governo pretende passar para o Sisfron - R$ 12 bilhões até 2030 – movimentou o mercado nacional e fez com que empresas se unissem buscando soluções para vencer a licitação em andamento. Entre as interessadas estão Odebrecht, Andrade Gutierrez e Embraer, que fizeram parcerias com grandes indústrias do setor.

Para o historiador e criador do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Geraldo Cavanhari, o Exército está em transformação e precisa se adequar para os inimigos do futuro. “O inimigo, seja interno ou externo, agora está extremamente bem armado. Por enquanto, não temos ameaças explícitas, mas temos que cuidar da nossa casa e estar preparados para responder, caso seja necessário”.

O general da reserva Carlos Alberto Pinto Silva diz que o problema continua sendo o orçamento. "Um coronel argentino me disse que eles aprenderam na guerra nas Malvinas que, se não existe a capacidade mínima de responder, não dá tempo para adquirir. Não adianta chorar depois”, afirma.

Mudança de percepção

Estudioso da área, o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Ronaldo Fiani entende que a abertura democrática e a criação do Mercosul provocaram mudanças na forma da população conceber a proteção do país, Consequentemente, foram feitos cortes nos investimentos militares. “O fim da ditadura e a união dos países latinos fez com que houvesse enfoque em integração, com diminuição do investimento na área militar", explica.

Burocracia, crises financeiras e déficit fiscal também são entraves para maior disponibilidade de recursos. “A única forma dos militares receberem mais investimentos é se integrando à pesquisa acadêmica e às empresas, como ocorre nos países desenvolvidos", diz Fiani.

O general Walmir Almada Schneider Filho concorda com o professor. “No primeiro mundo, o povo tem a mentalidade de que defesa e desenvolvimento caminham juntos e complementam-se. Um impulsiona o outro. Nós não queremos chegar neste patamar [de país voltado para a guerra], mas criar uma mentalidade de defesa, para que o povo discuta o assunto", diz.

“Eu acho que a redução dos investimentos tem relação com o período militar e a própria mentalidade da população, que vê como melhor alternativa aplicar os recursos em outro setor fundamental, como saúde, educação, etc", acrescenta Schneider Filho.

"Não há um palmo sobre o território brasileiro que não esteja sob a responsabilidade de uma tropa do Exército. Somos a organização mais presente em todo o território e que tem meios de chegar o quanto antes em qualquer situação. Por isso, assumimos cada vez mais responsabilidades e temos que ter capacidade para atuar em situações de emergência”, diz o general José Fernando Yasbech, também do Estado-Maior do Exército.

Yasbech se refere aos múltiplos empregos do Exército em ações civis dentro do país, como as operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), como a Constituição determina o emprego militar em casos graves de segurança pública. Além disso, o militares são convocados para o apoio em caso de enchentes, abertura de estradas, construção de pontes, distribuição de ajuda humanitária, apoio em eleições, combate à dengue e à aftosa, entre outros.

Proteger

Em 2012, mais uma linha de atuação está sendo aberta: os militares serão responsáveis pela defesa e proteção de infraestruturas estratégicas do país, como hidrelétricas, usinas nucleares, indústrias essenciais e centros financeiros e de telecomunicações a partir da criação do projeto Proteger. 

O programa terá recursos na casa dos R$ 9,6 bilhões e reunirá órgãos públicos dos estados e informações necessárias para prevenir, conter ou reprimir ataques ou acidentes nesses locais.

Se o Brasil quiser ocupar o lugar que lhe cabe no mundo, precisará estar preparado para defender-se não somente das agressões, mas também das ameaças"
Trecho da Estratégia Nacional de Defesa

São mais de seis mil infraestruturas estratégicas existentes no país, sendo que 364 estão entre as mais críticas, conforme levantamento do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República.

"O trabalho será tanto no sentido de prevenir acidentes nessas estruturas como também de identificar riscos e, eventualmente, contê-los", diz o general José Fernando Yasbech, que responde pelo projeto.

O trabalho começará no Paraná, com a implementação de um centro de ação conjunta com polícia, Bombeiros e Defesa Civil para defender a Usina de Itaipu.

“O reaparelhamento das Forças Armadas vai além de apenas dizer que um país pacifista está tomando uma atitude de se tornar mais bélico. O emprego dos militares tem sido bem diferente nos últimos anos, seja em ações de defesa civil, de segurança pública, de apoio aos órgãos estaduais.

E isso demanda alterações estruturais profundas na política, na mentalidade da população e em investimentos”, diz Iberê Pinheiro Filho, mestre em Relações Internacionais e estudioso da Estratégia Nacional de Defesa.

Procurado para comentar a atual situação do Exército, o ex-ministro de Assuntos Estratégicos Roberto Mangabeira Unger, que escreveu o texto da Estratégia Nacional de Defesa, disse que se considerava "moralmente impedido de falar" devido à "relação íntima e especial com as ações e tarefas de que tratará a reportagem".

"Direi apenas o que escrevi na dedicatória de um livro que dei à biblioteca do Exército, por mãos do general que a comanda: o Exército brasileiro é a mais importante instituição do Brasil", afirmou Mangabeira Unger ao G1.

Já o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim, que também assinou a END em 2008, disse que não iria comentar a situação, pois não ocupa mais o cargo.


Fonte: O Globo

O PT conseguiu o que queria, que era desabilitar os militares totalmente, hoje até a bosta da Venezuela é melhor preparada para uma guerra do que nós. É lógico que isso iria acontecer, basta falar em militar para que os petistas se arrepiem e fiquem lembrando da ditadura, ou seja, nenhum dinheiro é transferido para as forças militares para que não haja um novo golpe, algo tão idiota quanto fictício de se acontecer nos dias de hoje.

Mas por mais que eu ache uma pena, a culpa é dos militares, que não mataram essa corja nojenta do PT, e agora tem que aguentar essa vergonha, se tivessem feito como na Argentina, nada disso estaria acontecendo. - Marcello Lopes 

As tantas marés de Edu Lobo

Tudo o que diz respeito a Edu Lobo tem sempre pelo menos três marcas vigorosas: qualidade, discrição e rigor. Assim ele se transformou, desde os primeiros trabalhos, num referencial entre os compositores de sua geração. Assim conquistou o respeito de seus pares. E assim está sendo essa etapa de suas apresentações Brasil afora, que começaram há dois anos com o lançamento de seu disco "Tantas Marés". Até agora, na sequência de shows realizados sem grande alarde, mas com público robusto, ele passou por Belém e Porto Alegre, Recife e Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte, Maceió e Salvador, além, claro, do Rio. Em algumas dessas cidades (Rio, São Paulo, Recife) precisou voltar mais de uma vez com o mesmo show. Há uma polpuda lista de espera, e os chamados vão sendo atendidos aos poucos.

Além da temporada que nasceu com "Tantas Marés", vem mais Edu Lobo por aí. Há dois discos previstos para o ano que vem: o relançamento de "Corrupião" e o lançamento de um disco novo, gravado na Holanda em 2011. Outra novidade é que ele, sempre avesso ao que chama de "vida de cantor", está gostando imensamente do palco. E mais: se a vida inteira preferiu enfrentar a plateia em locais menores, de pouco público e ambiente mais intimista, passou a sentir-se à vontade em espaços grandes, como o Palácio das Artes, em Belo Horizonte, com mais de 1.600 lugares e bilheteria esgotada.

Ele concorda e reconhece: "O que mudou é que hoje faço os shows com alegria, com um prazer enorme. O fato de não tocar violão nos shows me aproxima bem mais dos meus músicos e também do público. Tocando violão, me preocupo com o que estou fazendo, deixo os músicos em segundo plano. É que o violão protege, mas também afasta. Agora já não tenho as preocupações de antes, sumiu aquele frio na barriga na hora de entrar no palco. Entendo você usar o verbo 'enfrentar' o público. Mas esse verbo foi demitido, espero que para sempre. Sinto que já não enfrento o público: agora, encontro".

O resultado é um intérprete maduro e seguro, dono de um repertório de canções extremamente elaboradas e refinadas que são sucessos impregnados na memória coletiva, transmitidos gerações afora. Muitas das canções, que nunca foram propriamente sucesso de vendas, são entoadas em coro por milhares de pessoas que souberam guardá-las. Essa permanência de uma obra é o que justifica o título de clássico. E Edu Lobo é autor de vários clássicos.

Nessa espécie de reencontro com o público, além de "Tantas Marés", Edu relançou, há alguns meses, "Meia-Noite", que estava fora de catálogo. Para ele, não existe intervalo algum entre seus discos individuais ("Corrupião" é de 1993, "Meia-Noite", de 1995, "Tantas Marés", de 2010) e o que chama de "discos de projeto" ("O Grande Circo Místico" é de 1983, "Dança da Meia-Lua" e "O Corsário do Rei" são de 1985, e "Álbum de Teatro", que é de 1997, reuniu temas criados para montagens teatrais; "Cambaio", de 2002, foi escrito por ele e Chico Buarque para uma peça de João Falcão).

"Sempre digo que os discos de projeto são tão meus quanto qualquer um dos individuais. Nesses discos eu trabalho com os orquestradores, passo ideias, acompanho todas as gravações, acabo cantando algumas canções. E o fato de não ser o único cantor do disco não me incomoda. Afinal, e também já disse isso muitas vezes, sou fundamentalmente um compositor. Trabalhar em projetos é, para mim, tão importante como fazer um disco só meu", diz.

"Meia-Noite" é um desses discos só dele. Relançado pela gravadora Biscoito Fino, passou, nessa reedição, por uma mudança. "Pra Dizer Adeus", gravada por Edu e Dori Caymmi na edição original, foi posta de lado. Com letra de Torquato Neto, "Pra Dizer Adeus", conta Edu, "é uma música que foi gravada por meio mundo, Sarah Vaughan inclusive, e não achei que tivesse muito sentido mantê-la. Em seu lugar, preferi a gravação que Dori fez do 'Choro Bandido', com letra do Chico Buarque". Com seu rigoroso sentido de exigência, diz que agora "Meia-Noite" ficou do jeito que gostaria que ficasse. Entre as canções estão clássicos como "Beatriz" e "Meia-Noite" (com Chico Buarque), "Candeias" (letra do próprio Edu) e "Canto Triste" (com Vinícius de Moraes).

E para seguir na toada de novidades, Edu está terminando as mixagens do disco, ainda sem nome, gravado na Holanda, durante sua apresentação com a Metropole Orkestra de Amsterdã, uma das bandas de jazz mais reverenciadas da Europa. Ser convidado para se apresentar com ela é sinal de prestígio indiscutível. Já se apresentaram com a Metropole Dizzie Gillespie, Ella Fitzgerald, Bill Evans e Sarah Vaughan, entre outros. Do Brasil, Ivan Lins e Wagner Tiso. Para essa missão, Edu convocou o pianista e orquestrador Gilson Peranzzetta e o saxofonista Mauro Senise.

Sua maior preocupação era como a orquestra se daria com a alma marcadamente brasileira, em especial no aspecto rítmico, de algumas de suas canções. Já nos ensaios, essa preocupação desapareceu. A integração entre os músicos europeus, os arranjos de Peranzzetta, os sopros de Senise e as canções foi total.

O resultado é uma cuidadosa releitura, cheia de vigor, de parte substancial de sua obra. De "Vento Bravo" a "Casa Forte", de "Zanzibar" a "A História de Lily Braun", "Frevo Diabo" e outras canções escritas com Chico Buarque, o "disco holandês" surpreende até quem conhece de perto o trabalho de Edu.

Tudo isso - apresentações no Brasil, relançamento de discos, álbum novo - não significa exatamente uma retomada. Afinal, só se retoma algo que foi interrompido. E ele não abandonou nem interrompeu nada. O que Edu Lobo tem feito, ao longo dos anos, é ficar quieto no seu canto, trabalhando com seu rigor e exigência extrema e volta e meia deixar chegar ao público uma obra que, com justa razão, fez e faz dele motivo de respeito e reverência de seus colegas de ofício. E fez dele um dos autores mais presentes na memória de todos nós.

Fonte: Valor Econômico

Janelas para Bertolucci

Os filmes de Bernardo Bertolucci são, como ele mesmo denomina, "a janela para a alma". "Minha obra sempre refletiu o sentimento que me assolava na época da filmagem. Podia ser inconformismo ou desespero", contou o diretor italiano, de 71 anos, um dos mestres do cinema autoral. Depois de quase uma década sem filmar, desde "Os Sonhadores" (2003), o autor de obras inesquecíveis, como "O Último Tango em Paris" (1972), "1900" (1976) e "O Último Imperador" (1987), retornou ao set de filmagem para rodar a adaptação do livro "Io e Te", do conterrâneo Niccolò Ammaniti. "É a história que melhor resume a minha fase atual, de borboleta saindo do casulo."

O casulo mencionado pelo cineasta nascido em Parma, no norte da Itália, é uma metáfora da depressão enfrentada nos últimos anos. Para tratar de uma hérnia de disco nas costas, ele foi submetido a várias cirurgias malsucedidas que o confinaram para sempre em cadeira de rodas. "Durante muito tempo pensei que eu estava acabado e minha câmera ia enferrujar no sótão da minha casa", afirmou o diretor a um pequeno grupo de jornalistas - que o Valor integrou - na França. Naquele momento, Bertolucci "renascia" como diretor. "O sentimento é de libertação, por eu ainda ser capaz de fazer filmes. Isso significa que a minha vida não acabou."

Uma das atrações da 8ª Semana Pirelli de Cinema Italiano, programada para novembro, "Io e Te" é o primeiro título de Bertolucci falado em sua língua materna - depois de 30 anos rodando em inglês.

Comprado para o Brasil pela Califórnia Filmes (que ainda não definiu a data de estreia), o título segue os passos de um garoto de 14 anos recluso em porão de Roma. Lorenzo (Jacopo Olmo Antinori) prefere se refugiar do mundo a passar as férias escolares com os amigos numa estação de esqui. Só a chegada inesperada de uma garota, a meia-irmã Olivia (Tea Falco), dependente de heroína, pode tirá-lo do isolamento - onde seus únicos companheiros são suas músicas e seus livros favoritos. "Houve um período em que tudo o que eu queria fazer era ficar escondido na minha caverna. Eventualmente, acabei atraído para fora pela luz do amanhecer."

Apontar a câmera para a juventude de certa forma "tira o peso dos anos" do ombro do diretor, que iniciou a carreira como assistente de Pier Paolo Pasolini (em "Accatone", de 1961). Bertolucci já abordou os sonhos, as decepções e os problemas típicos dessa fase em "La Luna" (1979), "Beleza Roubada" (1996) e "Os Sonhadores", entre outros. "O que mais me instiga é a dinâmica do universo dos jovens, a ideia de que há algo em constante transformação diante da câmera. O próprio protagonista cresceu um pouco na minha frente, durante os três meses de filmagem", contou, referindo-se a Antinori, de 15 anos, que faz sua estreia no cinema com "Io e Te". Trabalhar com jovens, na visão do cineasta, proporciona uma abordagem mais espontânea da arte de interpretar. "Diferentemente dos atores mais experientes, eles não têm vícios e têm menos consciência de que estão atuando, o que é uma bênção para quem os dirige."

Embora sua obra seja marcada por títulos engajados, como "Antes da Revolução" (1964), "O Conformista" (1970) e "1900", o diretor não sente falta do cinema político. "Isso está fora de moda. Na minha época, a juventude se interessava verdadeiramente por política. Nos anos 60, fazer amor ou comer espaguete era um gesto político. Os jovens de hoje não estão nem aí para o que está acontecendo." Para Bertolucci, o cinema acaba sempre refletindo a realidade em torno do diretor. "Eu e meus contemporâneos fazíamos filmes políticos porque estávamos rodeados de movimentos do gênero. A realidade de hoje é outra. Acho que estamos cada vez mais escravos do consumismo."

Não há mais tabus ou transgressões para chacoalhar as plateias do cinema, segundo o diretor - também lembrado por "O Céu Que Nos Protege" (1990) e "O Pequeno Buda" (1993). Um dos cineastas atuais que conseguem impactar Bertolucci é o mexicano Carlos Reygadas, conhecido pela crueza na hora de rodar as cenas de sexo, algumas explícitas, como em "Batalha no Céu" (2005). "Antes era muito mais fácil fazer uma provocação. Era o máximo ser transgressor nos anos 60 e 70. Era quase um dos dez mandamentos para se tornar um cineasta de verdade", disse o diretor, que escandalizou o mundo com o seu "O Último Tango em Paris" - censurado em vários países, inclusive no Brasil. "Infelizmente o mundo ficou chato e moralista demais. Para a minha sorte, sempre encontro pelo caminho alguma coisa contra a qual tenho de lutar. Agora é o momento de transcender a minha condição física."

Não é por acaso que "Io e Te" é uma obra mais intimista. Sua abordagem lembra a de "Assédio" (1998), que ele rodou quase inteiramente com apenas dois personagens (vividos por Thandie Newton e David Thewlis) num apartamento de Roma. "Só posso fazer filmes pequenos, pois dirijo de uma nova perspectiva, por estar sentado." Inicialmente a nova produção seria realizada em 3D ("com o intuito de exacerbar as emoções"), mas a ideia foi descartada durante a filmagem. "Era tedioso demais ter de esperar que as duas câmeras ficassem prontas a cada nova tomada", lembrou-se o diretor, referindo-se ao posicionamento específico entre as câmeras, necessário para criar ilusão de ótica de profundidade no formato 3D. "Gosto de filmar de modo espontâneo, deixando um plano nascer da tomada que o antecedeu. Não abro mão do meu ritmo."

A nova realidade de Bertolucci o obrigou a abandonar de vez o projeto da cinebiografia do compositor italiano Gesualdo da Venosa (1566-1613). "Seria uma produção grandiosa, na qual eu reconstituiria a Nápoles do fim do século XVI, algo ambicioso demais para um deficiente físico", disse, lembrando que a Itália é um país "hostil" ao usuário de cadeira de rodas. "A Inglaterra, por exemplo, está muito mais preparada. Na Itália não consigo sequer ir ao cinema, o que fiz a vida inteira."

O problema tem sido contornado com DVDs e downloads no computador, apesar de o diretor geralmente abominar o hábito de ver um filme em tela pequena. "Fui obrigado a mudar de ideia, já que não consigo parar de ver filmes. Faço isso o tempo todo. Já me acostumei e, depois que descobri o fone de ouvido, a experiência não é mais tão terrível assim", contou, rindo. Ver filme na TV ou no computador reduz o impacto da obra, mas "não a desmerece por completo". "É como apreciar uma mini-Capela Sistina. É uma miniatura de arte que não deixa de ser arte."

Fonte: Valor Econômico

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Nem toda a nudez será castigada


A escritora brasileira Vanessa de Oliveira fará um novo protesto contra a pirataria de livros. Desta vez, mostrará seus atributos físicos em território nacional, a começar por fotos para ilustrar a campanha por ela idealizada.

A autora ganhou fama após aparecer nua em frente ao palácio do governo do Peru, em Lima, em julho. Ela descobriu que uma de suas seis obras – “O diário de Marise - A vida real de uma garota de programa” – era vendida em barraquinhas clandestinas nas ruas da cidade.

O novo topless está programado para domingo (12), na livraria Martins Fontes da Avenida Paulista, na Zona Sul de São Paulo, às 15h30. O evento faz parte da nova agenda da escritora. 

A ex-garota de programa, de 37 anos, encabeçou uma campanha contra a cópia e venda ilegal de livros e pretende usar seu corpo para fazer piquetes internacionais.

O protesto em um ambiente privado foi sugestão de Vanessa à editora Martins Fontes, que comercializa seus livros.

De volta ao Brasil, ela aproveitou a repercussão no país vizinho para arrebatar aliados mundiais. "Fiz a oferta de autografar meus livros e falar sobre os danos da pirataria, e eles toparam na hora.


Na próxima semana, deve retornar ao Peru após convite da editora Help. Em dezembro, participará da Feira do Livro de Guadalajara, no México. Antes de embarcar em viagens internacionais, Vanessa recrutou amigos e profissionais interessados na causa e produziu fotos e vídeo para a campanha que elaborou sozinha.

Nas imagens, usou tinta branca, preta e vermelha para colorir o próprio corpo com os dizeres “Pirataria não” em diferentes idiomas. “Amo a cor vermelha. O preto simboliza o mercado negro, e o branco é a cor usada para ilustrar a caveira, no logo da campanha", justifica.

As nacionalidades estão representadas nas pernas, nos braços, na barriga, no colo e no quadril. Para traduzir a expressão, pediu ajuda aos amigos e fãs que residem fora do Brasil via Facebook e Twitter. 

Por fim, checou as grafias nos dicionários e na internet.

O material teve apoio de uma fotógrafa, maquiadora, publicitários e um produtor de vídeos. Todos os profissionais aderiram de forma voluntária. 


Para a sessão de fotos, a escritora dormiu com uma cinta modeladora e amargou mais de 24 horas em jejum. Também suportou as baixas temperaturas do inverno catarinense em prol da revolução literária.

“Queria estar com a barriga bonita no vídeo. Na foto dá pra usar o Photoshop, mas no vídeo não tem como. Dormi com cinta na barriga pra ficar com a cinturinha bem fininha e passei um dia sem comer.”

Vanessa foge de tabus e preconceitos. Para ela, a nudez é uma bandeira coerente com seu estilo de vida. São raras as vezes em que está vestida dentro de sua casa. "Gosto de ficar pelada. A maior parte dos meus livros eu escrevo sem roupa."

Ela não teme que o excesso de exposição renda uma repercussão negativa, tampouco pretende mudar sua estratégia para se fazer ouvir. “Você fica pelada e o povo para, chama atenção.


O que significa se expor demais? Não tenho problema com isso. 

Se tivéssemos um clima bom, e todo mundo ficasse nu, seria bem melhor", convoca.


Enfim, muitos escritores sérios nesse país estão tirando a roupa, dessa vez de raiva ao ver tal publicidade gratuita e fútil. 

Não critico a moça, ela tá certa em fazer esse furor, deu resultado e daqui a pouco seu livro começa a vender, ela sai na capa da Playboy e alguns outros ensaios, BBB e Fazenda devem recrutá-la para seus "reality show". 

O que eu fico triste é ver que a imprensa adora essas demonstrações de excesso, e omite a divulgação de bons escritores. 

Coisas de Brasil.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

São Paulo: De tudo um pouco.

São Paulo não economiza em quantidade, qualidade e variedade de opções culturais e de entretenimento. A cidade onde convivem pessoas de mais de 70 nacionalidades reúne 110 museus, mais de 280 salas de cinema, 180 teatros e mais de 90 centros culturais. Como na gastronomia, há alternativas para todos os bolsos, inclusive gratuitas. São Paulo oferece também passeios agradáveis por rotas históricas ou naturais, como o Parque do Ibirapuera, o Jardim Botânico, o Horto Florestal e o zoológico. E a noite paulistana, com suas inúmeras casas de estilos diversos, não fica a dever às mais destacadas do mundo.

A cidade global dispõe ainda de lugares que nunca fecham. É comum, por exemplo, terminar a noite numa das muitas padarias 24 horas da cidade, ou comprar frutas e flores em bancas que funcionam até de madrugada. “São Paulo tem uma grande capacidade de receber e distrair pessoas que vêm para cá. São três a quatro shows padrão Broadway por semana e freqüentes turnês internacionais”, observa Toni Sando, diretor superintendente do São Paulo Convention & Visitors Bureau, fundação que promove o turismo na cidade. Segundo ele, três anos atrás, de cada dez turnês, três passavam por São Paulo. Hoje, esse número aumentou para sete. “Como opções e público pagante, São Paulo se equipara às grandes cidades do mundo. Não existe um show na cidade que não esteja lotado”, afirma.

Nas artes plásticas, destaca-se o Museu de Arte de São Paulo (Masp), que reúne a coleção mais importante do hemisfério sul. Projetado pela modernista italiana Lina Bo Bardi e inaugurado pelo empresário Assis Chateaubriand em outubro de 1947, a construção é também um monumento arquitetônico. Como o terreno da Avenida Paulista, hoje uma das mais importantes da cidade, havia sido doado com a condição de que a vista para o centro da cidade e para a Serra da Cantareira fosse preservada, a arquiteta desenhou um edifício sustentado por quatro pilares laterais, com um vão livre de 74 metros.

O acervo do Masp é composto por obras como as da escola italiana, incluindo Rafael, Andrea Mantegna, Botticceli e Bellini, e também de pintores flamengos como Rembrandt, Frans Hals, Cranach e Memling, e espanhóis, como Velazquéz e Goya. Mas a maior parte do núcleo de arte européia é de pintura francesa, como os quatro retratos das filhas de Luiz XV, pintados por Nattier, ou as alegorias das quatro estações de Delacroix. Há ainda obras do movimento impressionista, como as de Renoir, Manet, Monet, Cézanne e Degas, e pós-impressionistas, entre as quais, quadros de Van Gogh e de Toulouse-Lautrec. Outro destaque do acervo é a coleção completa de 73 esculturas em bronze de Edgar Degas. O museu possui ainda biblioteca, fototeca, filmoteca, videoteca, cursos de artes e serviço educativo de apoio às exposições, além de exibir filmes e promover concertos musicais. A entrada é gratuita às terças-feiras e também para menores de dez e maiores de 60 anos.

Já o Museu de Arte Moderna, mais conhecido como MAM, tem a função mista de museu e centro cultural. Instalado no Ibirapuera, seu espaço é dividido entre exposições temporárias, cursos ligados à história da arte, fotografia, desenho, pintura, teatro e figurino, além de um restaurante convidativo, com vista para o parque. Na verdade, seu acervo de mais de 4.500 peças concentra-se em obras contemporâneas pós-1945 e não em arte moderna, como diz o nome. A coleção inclui pinturas, esculturas, instalações e fotografias de artistas como José Resende, Volpi, Ligia Clark, Mira Schnedel, Leonilson, Leda Catunda, Dora Longo Bahia e Sandra Cinto. A área ao redor do museu é também uma atração. Uma aranha de bronze de dois metros de altura, de Louise Bourgeois, é exposta atrás de um vidro e a alguns passos da escultura fica o Jardim de Esculturas, com paisagismo de Burle Marx e 25 peças espalhadas por 6 mil metros quadrados de área verde.

Os visitantes que virão para a Copa também poderão conhecer um pouco da história dos móveis brasileiros no Museu da Casa Brasileira, único do país especializado em design e arquitetura. Instalado no cruzamento das avenidas Cidade Jardim e Faria Lima, um dos pólos empresariais da cidade, em uma mansão da década de 1940, ele abriga hoje um acervo permanente de móveis dos séculos XVII, XVIII, XIX e XX e objetos em cobre e esculturas em bronze na exposição “O móvel da Casa Brasileira”. Entre as peças de sua coleção figuram o busto de Renata Crespi, feito por Victor Brecheret, além de telas e litografias que resgatam a história paulistana dos anos 1940 e 1950. Em seu amplo jardim de 6 mil metros quadrados fica o restaurante Quinta do Museu. Aos domingos, a entrada é gratuita.

Entre os cartões postais de São Paulo estão belas construções antigas como o Theatro Municipal, na Praça Ramos de Azevedo, no centro da cidade. Aberto ao público em 1911, passou por reforma recente que restaurou o palco, centenas de pinturas antigas e mais de 14 mil vitrais. Seu projeto arquitetônico seguiu as linhas dos principais teatros do mundo na época para atender à ópera, a forma artística preferida dos italianos, que viviam em grande número na cidade na época. O teatro coordena escolas de música e dança e tem como corpos estáveis a Orquestra Sinfônica Municipal, a Orquestra Experimental de Repertório, o Balé da Cidade, o Quarteto de Cordas, o Coral Lírico e o Coral Paulistano.

Outro marco da cidade é a Catedral da Sé, que começou a ser construída, como a conhecemos hoje, em 1913, pelo alemão Maximilian Emil Hehl, professor de arquitetura da Escola Politécnica, e inaugurada em 1954, ainda sem as duas torres principais, na comemoração do quarto centenário de São Paulo. A primeira versão da igreja data de 1591, erguida em taipa de pilão (parede de barro e palha socados). Em 1745, a velha Sé, como era chamada, tornou-se catedral e teve início nova construção no mesmo local. Ao lado dela, em meados do século XIII, foi erguida a Igreja de São Pedro da Pedra e, em 1911, as duas igrejas foram demolidas para o alargamento da Praça da Sé e a construção de sua versão atual. Em frente à Catedral da Sé fica o Marco Zero da cidade de São Paulo.

Projetado por Oscar Niemeyer em parceria com o paisagista Roberto Burle Marx, o Parque do Ibirapuera reúne diversas atrações e áreas para atividades físicas, ciclovia, quadras e playgrounds. É no Ibirapuera que fica o Museu de Arte Moderna (MAM), o Pavilhão da Bienal e a Oca, além do Pavilhão Japonês e do Planetário. O Pavilhão da Bienal sedia alguns dos eventos mais importantes da cidade, como a Bienal de Artes, nos anos pares, e a de Arquitetura, nos ímpares, e a São Paulo Fashion Week.

Fonte: Valor Econômico

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Caravaggio


Duas telas quase idênticas integram o conjunto de 22 obras da mostra "Caravaggio e Seus Seguidores", que foi aberta no Museu de Arte de São Paulo (Masp). As duas versões de "São Francisco em Meditação" foram recentemente restauradas pela pesquisadora italiana Rossella Vodret, especialista na obra e idealizadora da exposição brasileira.

Uma das telas, datada de 1606, é a obra original de Caravaggio; a segunda, realizada de 1606 a 1618, era considerada uma cópia feita pelo próprio artista. Mas em 2010 Rossella formulou a tese de que a cópia não havia sido executada por ele.

A descoberta da pesquisadora não obteve aceitação unânime. O próprio material de divulgação da mostra se refere aos dois "São Francisco em Meditação" como obras de Caravaggio, ignorando a hipótese de Rossella.


De acordo com Arnaldo Spindel, diretor da Base7, produtora da mostra, a questão da comprovação ainda não está definida. "A apresentação dos dois 'São Francisco em Meditação' e de uma sala dedicada à explicação mais detalhada do processo de análise e autenticação de obras de Caravaggio se inserem na perspectiva da curadoria de colocar como um dos pontos centrais dessa exposição as questões relacionadas às atribuições e confirmações."

Quando se trata da obra de Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571-1610), divergências em relação a autoria são frequentes.

O gênio do "chiaroscuro" é atualmente um dos objetos preferidos de pesquisas que revolvem a história da arte para reescrevê-la ou alimentá-la com novos detalhes. 

Os resultados anulam ou asseguram a autoria de peças, descobertas de obras até então desconhecidas de grandes artistas e até exumações de corpos, como ocorreu no mês passado em Florença, quando um grupo de pesquisadores afirmou ter encontrado a ossada da modelo de "Mona Lisa", quadro de Leonardo da Vinci.


Esse mesmo grupo de arqueólogos encontrou há alguns anos o que seriam os restos mortais de Caravaggio, que foram desenterrados e exibidos ao público em 2010, ano que marcou os 400 anos da morte do artista. Para o historiador de arte Luiz Marques, essas buscam sugerem um processo de "beatificação" dos grandes artistas, como se a procura fosse por relíquias de santos.

Dali em diante, sua obra seria alvo de diversas descobertas, quase sempre polêmicas.

A mais recente delas, divulgada no início deste mês, diz respeito a um conjunto de cem desenhos do artista, que poderiam valer US$ 700 milhões caso a autoria não suscitasse tanta desconfiança - muito já foi escrito sobre o fato de que Caravaggio não desenhava.


A exposição no Masp traz textos e painéis informativos que, a partir das obras reunidas, aprofundam essas questões. "Por isso, essa é uma mostra que discute não só a obra do mestre italiano, mas também a história da arte", afirma Fábio Magalhães, curador brasileiro da exposição.

As inovações tecnológicas têm papel importante para a proliferação de pesquisas no campo da arte. "Até há pouco tempo, essas análises eram todas feitas 'no olho'. Vinha um especialista e, apenas a partir de seu conhecimento e da observação da obra, ditava se ela era ou não autêntica", afirma Magalhães. "Hoje em dia, as análises vão muito além. Há raios infravermelhos que atravessam o pigmento e revelam o processo da pintura e ampliações de 200 vezes para analisar uma pincelada, entre muitas outras estratégias."


Não fossem esses novos recursos, a obra "Medusa Murtola" provavelmente não estaria nessa mostra. Assim como "Retrato do Cardeal", a peça sai da Itália pela primeira vez. As obras chegam a São Paulo pouco depois da conclusão de uma pesquisa que durou 20 anos e desmistificou uma crença de quatro séculos.

Acreditava-se que "Medusa Murtola" era uma cópia feita por um "caravaggesco" (nome dado aos artistas que seguiam o estilo do mestre italiano) de uma das obras mais conhecidas do artista, a "Cabeça de Medusa". O estudo revelou que o próprio Caravaggio concebeu a "Medusa Murtola" e só depois fez a obra que era considerada "a original".

A degola, aliás, é um tema recorrente na obra do mestre italiano, que precisou fugir de Roma depois de ser condenado à decapitação pelo assassinato de Ranuccio Tomassoni. Caravaggio chegou a obter o perdão pelo crime, mas adoeceu e morreu antes de conseguir retornar para Roma. A violência e a morte estão entre os principais temas retratados pelo artista.



Além de "Medusa Murtola" e "São Francisco em Meditação", a mostra na capital paulista apresenta outras quatro obras de Caravaggio, incluindo "São Jerônimo Que Escreve" e "São João Batista Que Alimenta o Cordeiro". Esta última entrou nos últimos três dias da exposição em Belo Horizonte, primeira parada das obras no Brasil. Quase 90 mil pessoas visitaram a mostra, que, depois de São Paulo, vai para Buenos Aires.

Também será incluída agora na exposição uma cópia de autor desconhecido da tela "Os Trapaceiros", de Caravaggio. Completam o conjunto no Masp outras 15 obras de artistas contemporâneos do gênio italiano e influenciados por ele, como Artemisia Gentileschi, Bartolomeo Cavarozzi, Giovanni Baglione e Hendrick van Somer.


São conhecidas apenas cerca de 60 obras de Caravaggio. Muitas são painéis em igrejas e outras nunca saem dos acervos das instituições que as detêm. As que estão no país provêm de coleções particulares e de três prestigiados museus italianos: a Galleria Borghese e o Palazzo Barberini, em Roma, e a Galleria degli Uffizi, em Florença.

Foi o italiano quem primeiro recusou a tradição renascentista da perspectiva. "Caravaggio revolucionou a arte com uma nova concepção de espaço. Em suas telas, é como se a luz esculpisse os corpos", diz o historiador de arte Luiz Marques. E não há polêmica ou pesquisa que mude o impacto de se pôr diante de suas telas.
"Caravaggio e Seus Seguidores"

Masp (av. Paulista, 1.578, São Paulo), tel.: (0xx11) 3251-5644. De terça a domingo, das 11 h às 18 h; quinta, das 11 h às 20 h, R$ 15

Fonte: Valor Econômico

Bienal de São Paulo

Os organizadores da Bienal Internacional do Livro de São Paulo finalmente divulgaram a programação do evento que será realizado entre 9 e 19 de agosto no Pavilhão de Exposições do Anhembi, na capital paulista. Estão confirmados 480 expositores, sendo 346 nacionais e 134 internacionais, entre eles representantes da Alemanha, Suíça, França, Espanha, Bélgica, China, Coreia, Japão, Colômbia, Peru e Canadá. A presença estrangeira dobrou em relação ao evento de 2010.

Entre os escritores estrangeiros convidados estão o filósofo francês Bruno Latour, autor de “Reflexões sobre o Culto Moderno dos Deuses” e “Jamais Fomos Modernos”, o filósofo italiano Mauro Maldonato, autor de “A Subversão do Ser”, o romanista chileno Alejandro Zambra, “Bonsai”, e a americana Cecily von Ziegesar autora de “Gossip Girl.” 

 Entre os autores brasileiros estão Cristovão Tezza “O Filho Eterno” e Milton Hatoun, autor de “Dois Irmãos” e “Cinzas do Norte.”

A bienal homenageará Jorge Amado, Nelson Rodrigues e a Semana de 22. A programação cultural prevê ainda uma série de eventos organizados em sete pilares temáticos. O “Salão de Ideias” apresentará um panorama do mundo do livro e suas conexões com outros campos da cultura. 

O pilar “Deu a Louca nos Livros” será um espaço infantil com cenografia de Emanoel Araújo, curador do Museu Afro Brasileiro. O espaço “# Você + Quem = ? –“, dirigido pelo jornalista Zeca Camargo e curadoria-adjunta de Maria Tereza Arruda Campos, será dedicado aos jovens e promoverá encontros entre leitores e autores. Profissionais de áreas diversas também farão relatos sobre o que fazem de modo apaixonado.

“O Espaço do Professor”, orientado pela educadora Guiomar Namo de Melo, terá atividades que incentivam a formação do professor e o uso do livro em sala de aula. Os livros dedicados à culinária também terão um espaço próprio comandado pelo chef paulistano André Boccato, que comandará uma cozinha experimental no pilar “Cozinhando com Palavras.”

“Telas & Palcos” será um espaço coordenado pelo crítico de cinema Rubens Ewald Filho que terá como objetivo aproximar autores, dramaturgos, cineastas, músicos e artistas. E “Livros & Cia.”, coordenado do jornalista A.P. Quartim de Moraes, terá uma programação de palestras e debates sobre temas de interesse dos profissionais do mercado livreiro.

Fonte: Valor Econômico

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Hobbit - Trilogia



Depois de Peter Jackson dizer, por cima, que gostaria de continuar o seu trabalho na Terra Média por mais um filme — que teria cenas gravadas no início do ano que vem, pra completar a adaptação das anotações de J.R.R Tolkien no que seria um filme “ponte” entre o que acontece em O Hobbite O Senhor dos Aneis — e surgirem as informações de que a Warner e toda a galera teria embarcado na ideia, só faltando mesmo conseguir acordos com os atores, que teriam de passar mais dois meses na Nova Zelândia…

Há pouco, no twitter, Sir Ian McKellen, também conhecido por aí como Magneto ou, muito mais legal, Gandalf, afirmou que “os dois filmes d’O Hobbit se tornarão três”. Logo depois, no Facebook, o próprio Peter Jackson confirmou a informação. “Em nome da New Line Cinema, Warner Bros. Pictures, Metro-Goldwyn-Mayer, Wingnut Films e todo o elenco e equipe dos filmes O Hobbit, eu gostaria de anunciar que os dois filmes se tornarão três”.

" É só no fim das filmagens que você finalmente tem a chance de sentar e olhar para o filme que você fez. Recentemente Fran, Phil e eu fizemos isso quando assistimos pela primeira vez um corte inicial do primeiro filme — e uma boa parte do segundo. Ficamos muito felizes com a maneira que a história estava acontecendo, em particular, a força dos personagens e o elenco que os trouxe à vida. Tudo isso fez surgir uma questão simples: aproveitamos a chance de contar mais da história? E a resposta da nossa perspectiva, como cineastas, e como fans, era um “sim”, sem reservas.

Nós sabemos o quanto da história de Bilbo Bolseiro, Gandalf, os Anões de Erebor, o surgimento do Necromancer, a Batalha de Dol Guldur, não será contada se nós não aproveitarmos essa chance. 

A riqueza da história de O Hobbit, assim como alguns dos materiais nos apêndices de O Senhor dos Anéis, nos permite contar a história completa das aventuras de Bilbo Bolseiro e no papel que ele teve na, algumas vezes perigosas, mas sempre excitante, história da Terra Média.

Então, sem delongas e em nome da New Line Cinema, Warner Bros. Pictures, Metro-Goldwyn-Mayer, Wingnut Films e todo o elenco e equipe dos filmes O Hobbit, eu gostaria de anunciar que os dois filmes se tornarão três.

Foi uma jornada inesperada, realmente, e nas palavras do próprio Professor Tolkien, “uma história que cresceu enquanto foi contada”.

Cheers,

Peter J

Fonte: Judão 


Lou Xiaoying


Uma chinesa de 88 anos ficou conhecida por ter salvado a vida de mais de 30 crianças abandonadas nas ruas de Jinhua, na província de Zhejiang, e de ter criado várias delas com seu trabalho de reciclagem de lixo.

Lou Xiaoying, que sofre de insuficiência renal, recolheu as primeiras quatro crianças quando ainda estava com o marido, que morreu há 17 anos. Desde então, ela recolheu outras dezenas de bebês, que repassou a parentes e amigos para que pudessem adotá-los, segundo o “Daily Mail”.

O filho mais novo, Zhang Qilin, que tem 7 anos, foi achado numa lixeira por Lou quando ela tinha 82 anos.

“Mesmo que eu esteja ficando velha, eu simplesmente não podia ignorar aquele bebê e deixar ele morrer no lixo. Ele olhava tão doce e tão necessitado que tive que leva-lo para casa comigo”, disse ela.

Segundo a chinesa, os fihos mais velhos ajudaram a tomar conta de Qilin, que foi batizado com uma palavra em chinês que significa "algo raro e precioso".

Lou conta que tudo começou quando encontrou o primeiro bebê, uma menina, quando estava coletando lixo em 1972, abandonada na rua. “Vê-la crescer e se tornar forte nos deu tanta alegria que eu percebi que tinha um verdadeiro amor por tomar conta de crianças.”

“Percebi que se tinha força o suficiente para coletar lixo, como não poderia reciclar algo tão importante quanto vidas?”, questiona ela.

Lou, que tem apenas uma filha biológica, de 49 anos, dedicou sua vida desde então a cuidar de bebês abandonados.

O exemplo da chinesa se espalhou pelo país, onde milhares de bebês são abandonados nas ruas por pais atingidos pela pobreza.

Infanticídio de crianças não planejadas ainda é um problema em algumas áreas rurais da China, mas é raro em cidades, onde os pais costumam a abandonar as crianças, mas não matá-las.

Fonte: Globo.com

Apocalipse Z



Em uma pequena cidade espanhola, um jovem advogado leva uma vida tranquila e rotineira. Um dia, porém, começa a ouvir notícias sobre um incidente médico ocorrido em um país remoto do Cáucaso. 

Apesar de aparentemente corriqueiras, as notícias chamam tanto sua atenção que ele resolve registrar suas impressões em um blog. Aos poucos, o que eram apenas acontecimentos incomuns ocorridos em um país distante começam a se espalhar por toda a Europa. 

Em menos tempo do que poderia supor, o terror se instala. Ruas, bairros e cidades inteiras são tomados por criaturas com um comportamento assustador. Sem nunca ter visto nada parecido e completamente vidrado pela notícia, ele mal se dá conta de que, enquanto acompanha o desenrolar dos fatos de sua casa, a cidade onde mora também está sendo invadida por aquelas bizarras criaturas. 

Isolado, apenas com seu gato Lúculo, só lhe resta criar uma estratégia de fuga até conseguir encontrar outros sobreviventes. Entretanto, ao conseguir refúgio, ele logo descobrirá que a guerra está apenas começando.

Escrito em forma de diário, o livro é assustador no começo, ao detalhar a situação de pânico e caos que toma as cidades sem ainda o aparecimento dos walkers, mas cai na mesmice de quase todos os livros e filmes com temática de mortos-vivos ao relatar confrontos e mortes. 

Acredito que seria mais produtivo se ele detalhasse mais o medo e sentimento de vazio que esse tipo de situação deve criar em uma pessoa, no entanto, eu gostei do final do livro, deixando em aberto para que o leitor imagine o que acontece depois.

Em tempos de The Walking Dead, esse livro é apenas um razoável interlúdio de tudo que já vimos na série.

Marcello Lopes 

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Em Busca do tempo perdido

Uma xícara de chá, uma porção de madeleines e o mergulho nas lembranças de uma época já inacessível. Elementos proustianos que, para Jennifer Egan, em seus 20 anos, eram um tédio: quem se importa com esse tipo de assunto? Sentia-se eterna.

Hoje com 49 anos, Jennifer, que venceu o Pulitzer de ficção de 2011 com "A Visita Cruel do Tempo" (Intrínseca, 466 págs., R$ 29,90), percebe uma mudança: até quem tem 20 anos se sente defasado e percebe visceralmente os impactos da passagem do tempo. Efeito dos avanços tecnológicos?

Em um encontro com a reportagem do Valor durante a mais recente Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), onde participou de uma mesa com o britânico Ian McEwan, a escritora americana falou sobre o passado, o presente e o que a preocupa e empolga quando pensa no futuro.

Valor: "A Visita Cruel do Tempo" tem uma estrutura curiosa, com idas e vindas no tempo e várias vozes. Como foi o processo de escrita?

Jennifer Egan: No começo, eu tinha apenas um tempo e um lugar: o momento em que uma mulher vê a carteira de outra e a furta. E isso veio da vida real. Minha mãe estava me visitando em Nova York, e nós fomos almoçar no restaurante do hotel. No banheiro, vi uma carteira e pensei: "Meu Deus, alguém poderia pegar isso". E, em seguida: "Eu poderia pegar essa carteira!" Foi um ponto de vista interessante, e decidi escrever sobre aquele momento, o que se tornou o primeiro capítulo de "A Visita Cruel do Tempo". Meu processo de escrita é guiado por isto: tento acessar algo em meu inconsciente, pois é onde as coisas mais divertidas estão. Terminei esse texto e voltei ao livro em que estava trabalhando na época - e que continuo tentando escrever até hoje, na verdade. Mas me vi pensando no chefe de Sasha [a personagem que furta a carteira], um produtor musical decadente chamado Bennie. "Ok, vou fazer mais uma pausa e escrever sobre esse cara." E fiz o que se tornou o segundo capítulo do livro. O curioso é que a história se passava num momento anterior ao do primeiro capítulo, algo que eu não havia planejado. Aí voltei ao trabalho, mas me peguei pensando: "E a ex-mulher de Bennie?" Decidi escrever só mais um texto, sobre ela, e a história recuou ainda mais no tempo. Aí percebi que não ia fazer o outro livro e sim esse. Foi ótimo que tenha sido assim, porque muitas decisões já haviam sido tomadas: a história seria contada em partes independentes, cada uma diferente das outras e focada em um personagem. Eu só precisava seguir minha curiosidade.

Valor: Tinha a impressão de que a história havia sido construída em torno de Sasha.

Jennifer: Os homens geralmente acham que o livro é sobre Bennie [risos]. Mas eu acho que é sobre os dois. Para mim, são como protagonistas "gêmeos".

Valor: Vi em uma entrevista que a ficção científica não desperta muito seu interesse. Por que escreveu sobre seus personagens no futuro?

Jennifer: Seguindo as regras do livro - que pareciam ser: pegue um personagem periférico e siga-o -, eu era levada a diferentes épocas. Assim que percebi isso, soube que a certa altura teria que escrever sobre Alex, o cara com quem Sasha sai no primeiro capítulo. Ele era perfeito: jovem, ingênuo, meio arrogante... Como ele estaria na meia-idade? Alex tem 20 e poucos anos em 2006, então, para saber como ele seria, tive que "ir" para o futuro. Resisti a isso, mas a outra opção era mover todo o resto do livro para trás, de modo que Alex estivesse na meia-idade agora. Isso não fazia sentido: eu sairia de minha época e, musicalmente, teria que escrever sobre Elvis Presley! Então respirei fundo e fui em frente.

Valor: Em sua visão de futuro, aquecimento global e tecnologia são temas centrais.

Jennifer: Tecnologia é uma escolha óbvia porque muda tão rapidamente... A questão era: como sugerir que as coisas continuaram a mudar sem fazer previsões específicas que, claro, rapidamente se mostrariam erradas? E minhas imagens tecnológicas já estão defasadas. Quando escrevi o livro, o iPhone não havia sido lançado. Eu descrevo um telefone "touchscreen" que crianças amam usar - basicamente, um iPhone. Quanto ao aquecimento global, sempre penso nisso e realmente culpo os americanos. Poderíamos liderar uma mudança, fazendo um sacrifício em prol de um bem maior, mas essa ideia não parece ter nenhuma tração política em meu país. Como eu me preocupo muito com esse tema, isso transpareceu. Não selecionei categorias, só fui imaginando como seria o mundo mais à frente. Se fizesse isso agora, o resultado seria outro, porque alguns anos se passaram e qualquer imagem do futuro é sempre uma projeção do presente.

Valor: O capítulo feito apenas com gráficos de PowerPoint é uma das coisas mais inusitadas no livro. De onde surgiu essa ideia?

Jennifer: Eu sabia que cada capítulo deveria ter uma abordagem técnica diferente e, a certa altura, vi que estava ficando sem opções. Tentei poesia, mas sou uma poeta bem ruim. Tentei teatro, só que a história que queria contar não funcionava naquele formato e ficou ruim em todos os sentidos possíveis. Mas fiquei de olho no PowerPoint. Nos Estados Unidos, ele é usado o tempo todo, até nas escolas, então por que não na ficção? O problema é que o PowerPoint soa meio corporativo... Você se sente no meio de uma reunião de negócios, que não é a sensação que a gente busca quando lê ficção. Desisti da ideia e vendi o livro sem o capítulo do PowerPoint. Porém, na hora de fazer a revisão, tive uma ideia que ainda resolvia um outro problema que eu tinha com a história. Eu não sabia como chegar à vida futura de Sasha e estava insatisfeita com isso, pois tornava Bennie mais importante que ela - nós víamos o futuro dele, mas não o de Sasha. Pensei em gráficos de PowerPoint feitos por uma criança, que não soariam corporativos. E, se essa criança fosse filha de Sasha, eu poderia vê-la no futuro. Além disso, com o PowerPoint, eu poderia descrever o deserto onde Sasha vai morar com a família - sei que isso soa estranho, mas tempo e espaço são importantes para mim e eu me empolguei. Além disso, é uma história que não poderia ser contada de outro jeito: o PowerPoint é descontínuo, o que dificulta narrar uma ação. E, naquele capítulo, muito pouco acontece. É um trecho doce, sobre uma família que se ama. Seria um tédio escrever aquilo de uma maneira convencional. Passei o verão de 2009 possuída com o PowerPoint e, na hora de entregar a revisão, disse: "Ah, adicionei um pedacinho... Um capítulo em 'slide show'". E minha agente: "O quê?!?"

Valor: Quem é seu primeiro leitor?

Jennifer: Tenho um grupo de escrita com outras cinco pessoas. Lembro que mostrei a eles o capítulo sobre Bennie, e estava superlongo, totalmente fora de controle. Eles ficaram um pouco céticos [risos]. Quando li o capítulo do PowerPoint, eles pareciam pensar: "O que ela está fazendo agora?" Mas, só de ler aqueles 'slide shows', percebi que tinham um pequeno poder.

Valor: "A Visita Cruel do Tempo" tem música, gráficos, mudanças temporais... Quais seriam as conexões entre esse livro e "O Torreão" [livro de 2006, lançado recentemente no Brasil]?

Jennifer: A conexão é basicamente temática. Ambos envolvem a colisão entre diferentes mundos. Acho também que o interesse em tecnologia é claro. Em "O Torreão", eu pensei na conexão do gótico com nosso mundo hiperconectado. Nas histórias góticas, alguém sempre é "cortado" da vida que conhecia e entra em uma estrutura na qual coisas estranhas acontecem. Tentei colidir nosso vício em comunicação com a essência do gótico, que é esse corte: vou tornar a comunicação é impossível. Mas descobri que não havia o contraste que eu tinha previsto. O gótico sempre pergunta: isso é real ou não? No livro, vejo que essa questão não faz mais sentido. O que é real hoje? Como o definimos? É o que ocorre diante de nós? Nesse caso, a maioria de nossas experiências não é real. Quis investigar esse tipo de questão, mas de um jeito leve. O gótico deve ser divertido.

Valor: Alguns escritores parecem bem entusiasmados com as possibilidades de novas tecnologias para a literatura, enquanto outros veem essas mudanças com apreensão. Como se sente?

Jennifer: No meio. Fico pensando se as pessoas serão capazes de se concentrar, em como será o futuro dos livros... Mas também fico empolgada, claro. Escrevi um conto usando o Twitter. Trata-se de encontrar novas formas para contar histórias. Se você olhar a história do romance, verá que sempre foi assim. Os livros de Laurence Sterne [1713-1768] trazem uns quadrados pretos no início. Gosto da ideia de usar qualquer coisa que a cultura possa oferecer para a criação ficcional. E acho que cabe aos escritores manter a ficção relevante. Se a única razão para alguém ler for porque dissemos que, caso contrário, você vai se dar mal, estamos acabados! Vai ser como obrigar as pessoas a tomar vitaminas, ir à academia... Elas só lerão alguma coisa se for divertido. Só que o bom entretenimento, claro, sugere um mundo que vai além, permite que vejamos nossa vida de modo diferente.

Valor: Em "A Visita Cruel do Tempo", um dos temas é o envelhecimento e as coisas que se perdem nesse processo. Por que esse assunto a atraiu? Trata-se de algo também relacionado à tecnologia e à sensação que ela pode trazer de que tudo passa mais rapidamente?

Jennifer: Interessante... Eu não acho que o livro seja sobre envelhecimento.

Valor: Talvez porque um dos personagens impressione, o Lou...

Jennifer: Lou tem um fim triste. E é interessante como os fatos relacionados a ele parecem permanecer com os leitores. A maioria dos personagens se dá bem ao longo do livro; ainda assim, as pessoas ficam com a sensação de que é sobre a tristeza do envelhecimento. Mas você disse algo interessante em que eu tenho pensado também. Quando escrevi o livro, achei que ninguém com menos de 40 anos se interessaria por ele. Afinal, é sobre o impacto da passagem do tempo, um tema que não me atraía de jeito nenhum aos 20 anos. Eu achava duro ler Proust, pensava: "Quem se importa?" Quando cheguei perto dos 40, isso mudou. Embora eu não fosse velha, já tinha idade suficiente para ter presenciado as mudanças que o tempo traz. E foi uma surpresa ver a reação dos jovens ao livro. Isso me fez pensar se eles estão mais interessados no tema "tempo" do que eu estava na idade deles. E, caso estejam, se isso tem a ver com a tecnologia. Há alguns anos, dei aulas na NYU, para alunos de 21 anos, e eles me contaram como estavam ansiosos com o fato de os adolescentes serem mais versáteis que eles tecnologicamente. Embora eu tivesse idade para ser mãe de meus alunos, era como se eu e eles estivéssemos de um lado, e os adolescentes de outro. Eles se sentiam defasados aos 21! Talvez exista um tipo de aceleração decorrente da tecnologia que nos faz sentir o tempo de modo mais visceral.

Valor: Como seus filhos [um menino de 11 anos e outro de 9] lidam com a tecnologia?

Jennifer: Eles se sentem brutalmente privados dela [risos]. Realmente têm pouco acesso. Como eles estarão rodeados pela tecnologia no futuro, quero que a imaginação deles possa se desenvolver antes. Mas vamos encarar os fatos: eu sei usar a televisão lá de casa? Não mesmo. Meu iPhone? Esqueça. E eles sabem naturalmente como utilizar esses aparelhos, parece que está no sangue deles. Mas, voltando ao livro e à questão do tempo... Meus filhos são saudáveis, engraçados, e minha vida é muito mais fácil agora que eles cresceram. Ainda assim, sempre que vejo fotos de quando eles eram bebês, fico triste. Há sempre uma sensação de perda quando percebemos a passagem do tempo, mesmo quando nada foi perdido.

Valor: O conto que publicou no Twitter é sobre Lulu, que aparece em "A Visita Cruel do Tempo". Continua ligada aos personagens do livro? Pretende voltar a "encontrá-los"?

Jennifer: Sim, acho que vou voltar a escrever sobre eles. Não sobre Sasha e Bennie - em relação à geração deles, acho que já acabei. Mas estou interessada nos filhos deles. O único problema é que isso me levaria para um futuro ainda mais distante e eu teria que lidar com essa coisa da ficção científica de novo. Também quero ir para trás. Estou interessada nos anos 1960. Mas, se escrever outro livro, tem que ser totalmente diferente de "A Visita Cruel do Tempo". Se não conseguir, acho que vou só publicar ocasionalmente histórias sobre essas pessoas.

terça-feira, 10 de julho de 2012

The Walking Dead - vídeos



Greg Nicotero é o profissional responsável pelo departamento de efeitos visuais e maquiagem de The Walking Dead, série do canal AMC que no Brasil é exibida pela Fox. 


No vídeo, ele mostra algumas de suas ‘criaturas’ zumbis, que serão utilizadas na terceira temporada, em fase de produção. 

Fonte: Temporadas Veja

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Mercenários 2 - Posters

Se você não viveu os anos 80/90 do cinema americano, então nem saberá do que estou falando, Mercenários 2 além de ser um filme de ação é simplesmente a reunião dos mais fodas atores-brucutus de Hollywood em uma mega produção. 

Essa façanha foi idealizada pelo eterno Rambo-Rocky Stallone!!! 

O primeiro filme já trouxe boas surpresas mesclando os atores da velha guarda com os novos e alguns lutadores de MMA e agora no segundo ele traz Chuck Norris e Van Damme juntos no mesmo filme, demais isso não? 

Todos os atores tem em sua carreira grandes sucessos da telona, e muitos deles são meus preferidos para passar uma tarde regada de coca-cola e pipoca, como Chuck Norris em Bradock e Comando Delta, Van Damme em Grande Dragão Branco e O Alvo, Bruce Willis em Duro de Matar e mais uma porrada de filmes bons, Stallone eu gosto de todos os seus filmes, Statham tem alguns bons filmes de ação, Couture era sensacional lutando no UFC, Jet Li tem um ou outro filme legal de lutas marciais, Crews eu o conhecia pela série Todo mundo odeia o Chris, como pai do personagem principal.

Nunca vi nenhum filme do Lundgren, por que eu só lembro dele como Ivan Drago no Rocky IV !!!!! E Schwarzenegger tem uma porrada de filmes fodões, posso citar Exterminador do Futuro, Conan e Vingador do Futuro para ficar breve.

Esse filme é para ser visto no cinema e depois adquirido em dvd.
















Fotos: Google
Texto: Marcello

Faltam 161 dias para a estréia do filme The Hobbit


Baseado no livro de J.R.R Tolkien, o filme conta, em 3D, a trajetória de Bilbo Baggins (outrora conhecido como Bilbo Bolseiro), que enfrenta uma jornada épica para retomar o Reino de Erebor, terra dos anões que foi conquistada há muito tempo pelo dragão Smaug. Levado à empreitada pelo mago Gandalf, o Cinzento, Bilbo viaja ao lado de um grupo de treze anões liderados pelo lendário guerreiro Thorin Oakensheild. 



Embora o objetivo aponte para o Leste e ao árido da Montanha Solitária, eles devem escapar primeiro dos túneis dos goblins, onde Bilbo encontra a criatura que vai mudar sua vida para sempre… Gollum. A sós com ele, nas margens de um lago subterrâneo, o despretensioso Bilbo Baggins não só descobre sua profunda astúcia e coragem, que surpreende até mesmo a ele, mas também ganha a posse do “precioso” anel, que possui qualidades inesperadas e úteis… 

Um simples anel de ouro que está ligado ao destino de toda a Terra-Média, de uma maneira que Bilbo nem pode imaginar.



O Hobbit tem no elenco Ian McKellen, Martin Freeman, Cate Blanchett, Orlando Bloom, Ian Holm, Christopher Lee, Hugo Weaving, Elijah Wood, Andy Serkis, Richard Armitage, Jed Brophy, Adam Brown, John Callen, Stephen Fry, Ryan Gage, Mark Hadlow, Peter Hambleton, Stephen Hunter, William Kircher, Sylvester McCoy, Bret McKenzie, Graham McTavish, Mike Mizrahi, James Nesbitt, Dean O’Gorman, Lee Pace, Mikael Persbrandt, Conan Stevens, Ken Stott, Jeffrey Thomas, Aidan Turner, Luke Evans, Benedict Cumberbatch, Evangeline Lilly e Barry Humphries.







Fotos e informações: Judão

Nova literatura brasileira busca caráter cosmopolita

Ele já foi definido por Luiz Schwarcz, fundador e editor da Companhia das Letras, como "um concorrente agressivo, mas leal". Os sinais de agressividade são nítidos em Roberto Feith, sócio e diretor geral da editora Objetiva, desde 2005 integrada ao grupo espanhol Prisa Santillana. Feith quer abraçar o mundo, mas não sozinho.

Hoje, em coletiva na 10ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), Feith anuncia quais serão os 20 escritores que farão parte da primeira edição da "Granta" - a mais influente revista literária de inglesa - dedicada a autores brasileiros. "Os Melhores Jovens Escritores Brasileiros" será publicada em novembro no Reino Unido e, em 2013, nos países de língua espanhola. O diretor da Objetiva já fala em edições da "Granta" brasileira na China.

Em entrevista ao Valor, Feith comentou as expectativas para a versão brasileira da "Granta"; mostrou-se otimista com a atual fase da literatura brasileira e, como presidente da Distribuidora de Livros Digitais (DLD), marcou até data para a explosão dos e-books no Brasil: dezembro de 2012.

Valor: Qual a expectativa da editora para o lançamento da "Granta" com brasileiros?

Roberto Feith: É muito boa, por dois motivos: após mais de um ano de trabalho, estamos seguros de que a coletânea alcança seu objetivo principal - identificar a maior parte dos jovens escritores que vão definir o mapa da literatura brasileira na próxima década. Além disso, o projeto é fruto de uma singular parceria com as "Grantas" inglesa e espanhola. Já nasce com a certeza de que alcançará cerca de 50 mil assinantes e, portanto, amantes da boa literatura nos EUA, na Inglaterra, Espanha e América Latina. Há discussões em andamento para publicação da "Granta" em chinês e em alemão. Saber que vamos ajudar a levar o trabalho desses escritores brasileiros para leitores através do globo é especialmente gratificante.

Valor: O que mais o surpreendeu nos 20 textos selecionados?

Feith: Os textos foram avaliados e selecionados por um júri independente e altamente qualificado, de sete pessoas. Li muitos dos 240 textos inscritos, inclusive os 20 escolhidos pelo júri. O resultado é uma coletânea potente, diversa e com uma perspectiva cosmopolita, de escritores cidadãos do mundo e plenamente inseridos no seu tempo.

Valor: Qual é a imagem que o estrangeiro tem da literatura brasileira? O Brasil, mesmo revelando bons autores, ainda é o país de Paulo Coelho e Jorge Amado?

Feith: Existe uma grande curiosidade de leitores de todo o mundo sobre a cultura produzida no Brasil moderno, ascendente, ocupando espaço mais amplo no contexto global. Se a vitalidade econômica já é reconhecida, o mesmo ainda não ocorre no âmbito cultural e, particularmente, literário. Há uma defasagem. Por isso, existe o desejo de editores, jornalistas e leitores de conhecer a produção brasileira para além dos autores consagrados e dos estereótipos. O que essas pessoas têm é menos uma imagem, e mais uma grande curiosidade sobre a nossa literatura.

Valor: O Brasil será homenageado em 2013 na Feira de Frankfurt. Qual é a lição de casa que temos de fazer até lá e como a Objetiva está se preparando para o evento?

Feith: A Feira de Frankfurt é uma oportunidade, mas as oportunidades e a demanda pela produção literária brasileira vão além da feira. Temos sentido isso nos encontros com editores estrangeiros nos últimos anos. Um número crescente pede informações, pergunta por novos autores, expressa um interesse concreto em publicar escritores brasileiros. A publicação da "Granta - Os Melhores Jovens Escritores Brasileiros" em diversos países é reflexo desse interesse. Também temos divulgado autores da Alfaguara, como Ronaldo Correia de Brito, Francisco Dantas, Ricardo Lísias, Reinaldo Moraes e outros, elaborando traduções de suas obras e distribuindo essas para editores de todo o mundo.

Valor: O senhor é presidente do conselho da Distribuidora de Livros Digitais (DLD). Há um ano, declarou que os livros digitais estavam se preparando para decolar no fim de 2011 e inicio de 2012 e que até 2015 a venda de livros com esse formato irá superar 8 milhões de exemplares por ano. Pesquisas mostram que a venda de e-books é baixa no Brasil. Continua otimista?

Feith: Eu diria que minha bola de cristal estava defeituosa e as previsões adiantadas em 12 meses. Nesses últimos dois anos as editoras associadas na DLD têm se empenhado em três objetivos: que o mercado do livro digital no Brasil incorpore o que há de melhor de fora, mas também contemple valores brasileiros; que os preços sejam mais baixos do que os destes mesmos livros no formato impresso, mas que permitam remunerar o trabalho de escritores, livrarias virtuais e editoras; e que haja oferta crescente, diversificada e de qualidade de títulos digitais no Brasil.

Valor: O senhor não está, de novo, sendo otimista demais?

Feith: Espero que minha bola de cristal não me deixe na mão, mas creio que o Natal de 2012 será o primeiro no qual o livro digital ocupará um espaço relevante.

Valor: O senhor já foi definido pelo Luiz Schwarcz, da Companhia das Letras, como "um concorrente agressivo, mas leal". Onde estão os sinais de sua agressividade e lealdade na condução da Objetiva?

Feith: Acho que só o Luiz, ou outros colegas, podem responder. Nos últimos anos, o mercado editorial brasileiro vem sendo caracterizado por uma concorrência cada vez mais intensa, que foi o vetor da sua profissionalização e da redução do preço médio do livro de 34% desde 2006, segundo pesquisa feita pela Fipe da Universidade de São Paulo (USP) em 2011. E essa concorrência aumentou ainda mais recentemente, com a entrada de novas e competentes editoras, como a Leya, Intrínseca e Novo Conceito. Aumenta a diversidade e volume da oferta, caem preços e o consumidor ganha. Para editores, os desafios são crescentes, mas isso é o processo natural da evolução de qualquer segmento de mercado.

Por Tom Cardoso para o Valor, de São Paulo