sábado, 24 de setembro de 2011

Major Enfermeira



Elza Cansanção Medeiros, ou Major Elza como era mais conhecida, nasceu no dia 21 de outubro de 1921 e era filha do médico sanitarista Tadeu de Araújo Medeiros, amigo de Alberto Santos Dumont e auxiliar direto de Oswaldo Cruz na campanha contra a febre amarela.

Com os pais, alagoanos, aprendeu a atirar, ainda na adolescência. Com as governantas alemãs que serviram a sua família na Copacabana da década de 1930, aprendeu Música e idiomas. 

Foi à primeira brasileira a se apresentar como voluntária, na Diretoria de Saúde do Exército, para lutar na Segunda Guerra Mundial, aos dezenove anos de idade. Embora sonhasse em lutar na linha de frente, teve que se conformar em seguir como uma das setenta e três Enfermeiras no Destacamento Precursor de Saúde da Força Expedicionária Brasileira, uma vez que o Exército Brasileiro, à época, não aceitava mulheres combatentes.

Com a criação do Quadro de Enfermeiras da Reserva do Exército pelo Decreto nº 6097 de 13 de Dezembro de 1943 e dado o pequeno número de enfermeiras profissionais existentes, foram aprovadas as instruções para o Curso de Emergência de Enfermeiras da Reserva do Exército (CEERE), do qual participou, na sua primeira turma, em 1944.

A instrução ministrada pelo CEERE, na cidade do Rio de Janeiro, ocorria em três turnos ao longo do dia: logo cedo pela manhã, no Hospital Central do Exército, havia a prática hospitalar. A partir da 13 horas, instrução teórica no Quartel General do Exército e das 15 horas em diante, ordem unida, no Colégio Militar. Nos outros dias da semana, ocorriam os treinamentos de educação física na fortaleza de São João na Urca e de natação, na Tijuca.



A 25 de Março de 1944, o Boletim Interno nº 70 publicava a relação da classificação intelectual da primeira turma de enfermeiras formadas pelo CEERE. Foram três as primeiras colocadas no curso, todas com o grau de 9,5: Maria do Carmo Correa e Castro, Berta Moraes e Elza Cansanção Medeiros. Elza, por ser a mais nova dentre as três ficou em terceiro lugar na classificação final de curso; coube a Elza, porém, a honra de ser a oradora da turma e mais tarde,quando do envio das tropas brasileiras à Itália, foi ela a primeira convidada para integrar o Destacamento Precursor de Saúde que seguiu para aquele país, em 9 de Julho de 1944.

Concluído o CEERE, as ex-alunas foram nomeadas Enfermeiras de 3º classe. Elza, e mais quatro colegas concluintes do curso foram integradas, em 22 de Abril de 1944, ao Destacamento Precursor de Saúde que tinha por missão embarcar a 8 de julho com destino à Nápoles, e lá chegando – o que ocorreu a 15 de julho – recepcionar os cinco mil brasileiros do 1º Escalão da FEB a bordo do navio General Mann.

Mas na mesma noite de sua chegada à Nápoles, Elza havia sido informada que os alemães estavam cientes da movimentação brasileira e de que “haviam prometido uma festa de boas vindas para a tropa brasileira que deveria chegar no dia seguinte. A noite inteira foi feita uma barragem de artilharia antiaérea. O espetáculo era muito bonito, uma vez que os disparos das antiaéreas eram com balas traçantes verde e vermelho… Depois de apreciar o espetáculo por algum tempo, resolvi ir deitar-me . Para abafar o barulho da artilharia, coloquei sobre a cabeça o travesseiro e dormi.”

Na manhã do dia 16 de julho, deu-se o batismo de fogo da enfermeira Elza. Designada para a seção hospitalar brasileira do 45th Field Hospital, Elza foi incumbida de receber cerca de 300 brasileiros que chegaram baixados do General Mann e que para aquele hospital haviam sido encaminhados. Distribuídos nas várias enfermarias que compunham o 45th Hospital, os pracinhas ficaram também sob os cuidados das enfermeiras e dos médicos norte-americanos. Dado que os brasileiros e os norte-americanos não compreendiam o idioma um do outro, a enfermeira Elza foi também intérprete, tendo seu nome bradado pelos alto-falantes do hospital inúmeras vezes: “Miss Medeiros, please, ward 5th! Miss Medeiros, Ward 9th!”

De volta ao Brasil, passa os dois anos seguintes viajando e, em 1947, ingressa, por concurso público, no serviço médico do Banco do Brasil, cargo que ocupa nos doze anos seguintes, período o qual se gradua Jornalista, recebe sua carta patente de 2º Tenente, além de vários elogios e medalhas pelo seus serviços de campanha, das quais a de Guerra, a de Bronze, a da Cruz Vermelha Brasileira e a de Santos Dumont. Publica também seu primeiro livro sobre a odisséia da FEB nos campos da Itália: Nas barbas do Tedesco (1955).

Por força da lei nº 3160, de 1º de junho de 1957, as enfermeiras voluntárias da FEB que desejassem poderiam requerer sua reversão ao serviço ativo, no Serviço de Saúde do Exército, no posto de 2º Tenente. Elza, por ocasião da lei é convocada e, a 19 de setembro daquele ano, reingressa no Exército, ficando adida à Diretoria Geral de Saúde.



De 1957 a 1962 serve em várias unidades, é condecorada pelo governo do Paraguai com a medalha Abnegacion y Constancia Honor al Merito, apresenta trabalhos em congressos de Medicina Militar e de Enfermagem e profere palestras às turmas de formação da Escola de Saúde do Exército. Em todas as atividades que participa destaca-se pelo profissionalismo e recebe inúmeros elogios. Como resultado, a 21 de Setembro de 1962, o Ministro da Guerra resolve promovê-la ao posto de 1º Tenente Enfermeira, a contar de 25 de agosto daquele ano.

De 1963 a 1965 fica agregada, a fim de reassumir suas funções no Banco do Brasil. Em janeiro de 1965 passa a disposição do Serviço Nacional de Informações lá permanecendo até junho de 1966. Reverte uma vez mais ao serviço ativo do Exército em 22 de novembro de 1965. A 24 de outubro deste ano é agraciada com a Medalha do Pacificador. Serve na Policlínica Central do Exército e na Clínica de Cardiologia. Continua a proferir palestras na Escola de Saúde e a receber elogios de todos que lhe privam da vida profissional.

Por força do agravamento de seu estado de saúde e de um diagnóstico confirmado de espondilo artrose anquilisante – moléstia adquirida em zona de combate – a 12 de abril de 1976, aos 54 anos, a 1º Tenente Enfermeira Elza é reformada dois postos acima na hierarquia militar, como Major. Atualmente, neste posto, foi reconhecida como a Decana das mulheres militares do Brasil.

Além de brilhante carreira militar, formou-se em Jornalismo, História das Américas, Psicologia, Parapsicologia, Turismo e Relações Humanas. Com conhecimentos de mecânica, escultura, pintura e tapeçaria, deu a volta ao mundo duas vezes, esteve na Antártida, aprendeu a pilotar ultraleves aos sessenta anos de idade.

Fundou e dirigiu duas revistas e assinou várias colunas em jornais do Rio de Janeiro e de Recife, tendo escrito três livros sobre a sua participação na Segunda Guerra. Apresentou ainda inúmeros trabalhos em congressos de medicina militar, com especial destaque para as Sugestões para a criação de um Corpo Auxiliar Feminino para as Forças Armadas, base para a abertura das Forças Armadas do Brasil à participação das mulheres.

Membro da Academia Alagoana de Cultura, atualmente, dedicava-se à preservação da memória fotográfica da FEB. Major Elza é detentora de 36 condecorações militares e paramilitares, destacando-se a:

Ordem do Mérito Militar – nos graus de Cavaleiro e Oficial;
Medalha de Campanha da Força Expedicionária Brasileira;
Medalha do Mérito Tamandaré;
Meritorius Service United Plaque (Exército dos Estados Unidos);
Medalha de Guerra;
Medalha do Soldado Polonês Livre;
Medalha Ancien Combatant du Tatre du Operacion du L’Orope – França (única mulher a ser agraciada)

Major Elza, faleceu em Dezembro de 2009, aos 88 anos, vitima de complicações após uma queda em que o fêmur foi fraturado. O corpo da Major Elza foi cremado após o velório.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Histórias de Livros: O Arco do Cego


"Girassol de Todos os Anos" é o nome da prancha, de gravador desconhecido.

Está numa obra de nome compridíssimo: "Alographia dos Alkalis fixos Vegetal ou Potassa, Mineral ou Soda e dos seus Nitratos, segundo as Melhores Memorias Estrangeiras que se Tem Escripto a este Assumpto", de 1798.

Quem a organiza e edita é Frei José Mariano da Conceição Veloso (1741-1811), que lançou quase uma centena de livros pela Tipografia Arco do Cego.

Nos duzentos anos de sua morte, Frei Veloso e seu Arco do Cego são temas do Seminário Mindlin 2011, que começa na quarta, às 19h (vá por aqui). 

Uma exposição é aberta na Pinacoteca no dia 24 (vá por aqui).

Sobre o Frei : 

José Mariano da Conceição Veloso (1741-1811), franciscano e naturalista mineiro, é desconhecido dos leitores. Sua importância pode ser medida pelo peso das duas instituições ligadas ao livro, a Biblioteca Nacional (RJ) e a Brasiliana-USP, que se preparam para realizar ao mesmo tempo – e sem saber uma da outra até agora -- eventos na passagem do bicentenário de sua morte. 

Frei Veloso foi o editor do Arco do Cego, uma casa editorial que publicou uma espécie de enciclopédia portuguesa: quase uma centena de livros, apesar do curto período (1799-1801) de funcionamento.

“Pode-se considerar Veloso como um pioneiro da indústria do livro no Brasil, pois, embora a editora funcionasse em Lisboa, estava voltada especialmente para o desenvolvimento da então colônia”, afirma o historiador Aníbal Bragança, professor na Universidade Federal Fluminense, que participará dos eventos no RJ. 

Em sua tipografia que era bastante moderna para a época, Frei Veloso lançou em língua portuguesa o que havia de mais recente na Europa. Por ela saíram inúmeras traduções de obras francesas e inglesas.

São principalmente livros de história natural aplicada, manuais de ensino de matemática, náutica, gravura, poesia e filosofia. “É quando Portugal assume o papel de incentivador da economia“, diz o historiador Pedro Puntoni, diretor da Brasiliana-USP, constituída a partir da doação do acervo do casal José e Guita Mindlin. 

Dona da mais completa coleção de livros do Arco do Cego, nem mesmo em Portugal há acervo tão numeroso, a Brasiliana-USP coloca todos os volumes on-line até o final do ano.


A Tipografia do Arco do Cego: Frei Veloso enciclopedista

A Tipografia do Arco do Cego pode ser considerada como uma espécie de Encyclopédie em Portugal. Com a proteção de d. Rodrigo de Sousa Coutinho, a casa de edição foi dirigida pelo brasileiro José Mariano da Conceição Veloso (1741-1811), frei franciscano e naturalista.

Veloso foi um dos mais importantes botânicos da época. Suas expedições pelo Rio de Janeiro, realizadas entre 1782 e 1790, foram idealizadas pelo Vice-Rei D. Luís de Vasconcelos e o levaram pela Serra do Mar, em direção a Santos, passando pela Ilha Grande e por Paraty, chegando até a Serra de Paranapiacaba. O naturalista, além de levar consigo alguns escravos, contou com a ajuda de dois religiosos, Frei Francisco Solano, que desenhou as espécies e Frei Anastácio de Santa Inês, encarregado das descrições das plantas. Depois de realizar pesquisas botânicas no Brasil, Veloso mudou-se para Lisboa, em 1790. Em 1809 voltou ao Rio de Janeiro, se estabelecendo no Convento de Santo Antonio, onde faleceu em 1811.

Quando chegou a Lisboa, levava consigo os manuscritos de uma obra botânica intitulada Flora Fluminensis, redigida em 1790 e impressa com as pranchas somente em 1831, já após sua morte. Não se sabe ao certo as razões para que a obra não tenha sido imediatamente publicada, já que o autor logo se associou a diversos empreendimentos editoriais. De todo modo, quanto mais passava o tempo, mais desatualizados ficavam os manuscritos, à luz dos saberes botânicos que se renovavam a cada dia. Veloso, apesar de sua longa prática em história natural, não havia seguido estudos formais e ficou à margem da Academia das Ciências de Lisboa. O frei, no entanto, integrou-se à rede de técnicos e naturalistas que gravitavam em torno de d. Rodrigo de Sousa Coutinho e de Domenico Vandelli, no circuito do jardim e do gabinete da Ajuda e de tipografias como a de Simão Thaddeo Ferreira.

Homens como ele, nascidos no Brasil, foram peças-chave na realização da política de modernização de Portugal, iniciada já em meados do século XVIII pelo ministro Marquês de Pombal. Na virada do século XVIII para o XIX, a presença desses brasileiros foi visível em diversos circuitos, notadamente na esfera do ministro d. Rodrigo de Sousa Coutinho e do naturalista paduano Domenico Vandelli, diretor do Jardim Botânico da Ajuda. Dentre os brasileiros do grupo encontravam-se Manuel Arruda da Câmara, José Feliciano Fernandes Pinheiro, João Mando Pereira e Antonio Carlos de Andrada e Silva. Nessa época, uma das principais iniciativas ilustradas foi justamente a criação da Tipografia do Arco do Cego, em Lisboa, dirigida Veloso. Essa casa de edição foi responsável pela publicação de inúmeras obras ligadas às práticas ilustradas européias e coloniais de exploração da natureza e desenvolvimento das ciências e das artes.

A Tipografia do Arco do Cego foi ativa entre 1799 e 1801. Além de ter publicado um número expressivo de livros, a editora funcionou como uma oficina para o aprendizado das artes tipográficas e da gravura. A profusão de imagens veiculadas por ela é até hoje de se admirar. A editora buscou adotar as técnicas mais modernas disponíveis na época. Além da modernização técnica, Veloso buscou divulgar o que havia de mais recente na Europa. Por ela saíram publicadas inúmeras traduções de obras francesas e inglesas, principalmente de história natural aplicada. Além disso, há manuais de ensino de matemática, náutica, gravura, há poesia e obras de caráter mais filosófico. Uma das marcas dos livros publicados por Veloso era o uso intensivo e didático de imagens.

A política editorial do Arco do Cego é característica de um momento de transformação nas práticas portuguesas vigentes até meados do século XVIII. Publicara-se muito pouco sobre a América portuguesa, já que as autoridades censuravam tudo aquilo que pudesse fornecer às potências européias informações sobre os produtos coloniais. Um dos mais marcantes exemplos dessa política de segredo que guiava as autoridades portuguesas foi a destruição do livro Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas, do jesuíta Antonil (Giovanni Antonio Andreoni), publicado em 1711, por conter informações sobre localização de riquezas e métodos de preparo do açúcar. Em 1800, a política com relação à informação impressa se havia transformado: Frei Veloso publicou pelo Arco do Cego trecho do livro de Antonil intitulado Extracto sobre os engenhos de assucar do Brasil, e sobre o methodo já então praticado na factura deste sal essencial.

Muitos títulos publicados pela editora dizem respeito direta ou indiretamente ao Brasil. Na linha temática da divulgação de novas práticas agrícolas, descritas principalmente por autores franceses e ingleses, estavam em mira, além da própria agricultura portuguesa, a modernização da própria economia brasileira. Muitas memórias diziam respeito a métodos de produção de açúcar e outros produtos coloniais. Divulgava-se também o uso de máquinas simples que pudessem tornar mais produtivo o sistema de produção baseado no trabalho escravo.

Deste modo, a Tipografia do Arco Cego abarcou uma larga variedade temática, com ênfase na agricultura e nos conhecimentos que pudessem se revelar úteis para o crescimento de Portugal e seu imenso território americano.

O acervo da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro contém inúmeras obras impressos do Arco Cego. Além disso, possui, desde a morte de Frei Veloso, diversas matrizes originais de cobre gravadas, produzidas pela tipografia. Ao que tudo indica, essas placas haviam sido encaminhadas à Impressão Régia no Brasil e posteriormente ficaram com o religioso.

Texto original desse site aqui
Trabalho de pós-graduação sobre o assunto em PDF aqui
Texto de Josélia Aguiar na Folha de Sp

Apuleio


Apuleio levou uma vida privilegiada. Recebeu uma substancial quantia em dinheiro depois da morte do pai, um magistrado de província, que rapidamente desperdiçou.

Matriculou-se na universidade de Cartago e depois em Atenas, e estudou filosofia platônica. Após sua iniciação nos mistérios de Ísis, estudou oratória latina em Roma e começou uma carreira de sucesso nos tribunais.

Foi esse sucesso que lhe permitiu viajar muito pela Ásia Menor e pelo Egito, estudando filosofia e religião.Porém, nessa época, foi acusado de usar magia e feitiçaria para ganhar o afeto e a fortuna da viúva com quem havia se casado. Ao fazer um discurso em sua própria defesa, tratando, em essência, do uso da magia, ele provavelmente garantiu sua absolvição. Voltou a trabalhar no discurso e publicou uma versão que chamou de Apologia.


Apuleio é renomado principalmente pelo romance episódico e picaresco conhecido como Metamorfoses ou popularmente como O asno de ouro - único romance latino a sobreviver na íntegra. Conta as turbulentas e às vezes libertinas aventuras de Lucius, um grego que fez experiências com magia e tem o azar de ser transformado em asno.

Na pele desse animal, ele vive muitas aventuras, cai nas mãos de ladrões, compartilha suas fantásticas proezas e finalmente volta à forma humana graças à intervenção da deusa Ísis.

Acontecem múltiplas digressões: a mais longa é a famosa fábula do noivo encantado, Cupido e Psiquê, que na Antiguidade tardia e na Idade Média às vezes foi interpretada como uma alegoria da alma (psique) em relação ao amor (cupido).

O asno de ouro foi usado mais tarde por Shakespeare como uma das fontes para a sua famosa comédia Sonho de uma noite de verão.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Os Moedeiros Falsos



Bernard, Olivier e Édouard são os rapazes que formam a tríade central de personagens. Bernard, o filho que deixa o lar em busca de identidade, um bastardo na pele do filho pródigo; Olivier, seu grande amigo, intelectual como ele, mas sempre no limiar entre a vaidade e a insegurança. Tio de Olivier, algo mais velho que os dois, Édouard fecha o núcleo que norteará o leitor em meio ao sistema caleidoscópico e polifônico de 'Os moedeiros falsos'

Autor: André Gide
Editora Estação Liberdade

domingo, 18 de setembro de 2011

Monet

Auto-retrato
Buscar a verdade.

Esse era o principal objetivo do pintor francês, ele não queria a perfeição em seus quadros, mas sim a verdade do que ele enxergava, usando cores puras para mostrar inúmeras tonalidades que a paisagem adquire à luz do sol. A luminosidade do sol era um dos mais importantes estudos em sua arte, tanto que pintou um mesmo retrato cerca de 30 vezes para mostrar as diferenças que ela causava na paisagem.

Foi seu estilo que deu origem ao movimento Impressionismo, um dos mais consagrados na história da Arte.

Monet gostava especialmente de pintar paisagens e os tons do inverno, diferente de outros artistas que pintavam a neve como branco puro com cinza nas sombras, ele usava as cores cintilantes que via na verdade em um dia brilhante de inverno.

Foi o pintor holandês Johan Jongkind que transmitiu ao jovem Monet as muitas idéias sobre como pintar o mesmo tema sob diferentes luzes.

A pega, 1869 Museu d´Orsay

Nesse quadro de 1869, Monet acrescentou dourado, creme, limão e rosa onde a luz do sol penetrava obliquamente através das árvores, e azul, cinza e lilás nas sombras dos arbustos.

Monet era de certa forma, um rebelde, por que achava difícil se ater a regras, pintando como via e não como o mandavam fazer.

Monet encontrou eco de sua rebeldia em outros pintores que frequentavam o mesmo ateliê em Paris, como Renoir, Sisley e Bazille. Esses jovens artistas pintavam seus quadros com pinceladas rápidas, captando a cor e a luz, fazendo com que a forma convencional de se retratar a paisagem fosse totalmente desafiada.

Em 1870, Monet se casa com Camille e quando rompe o conflito entre França e Prússia, Monet abandona o País e a família e foge para a Inglaterra para não ter que se alistar no exército, infelizmente, seu amigo e pintor Frédéric Bazille se oferece como voluntário e morre no início do conflito.

Em Londres, Monet se encontra com os pintores Camille Pissarro e Alfred Sisley que também haviam fugido do conflito, juntos eles visitam galerias e museus estudando as obras de artistas como John Constable e Joseph Mallord William Turner. 


Monet pintou cenas da cidade londrina, parques e monumentos. 

Para Monet e seus amigos, a cor era o aspecto mais importante do trabalho, e até o século XIX os pigmentos que estavam disponíveis na época eram muito limitados, aos poucos foram surgindo novas técnicas químicas e de tingimento que ajudaram o pintor a descobrir novas cores.

Originalmente, as cores precisavam ser misturadas a partir do pó, o que limitava o trânsito dos pintores fora do ateliê, a medida que as tintas começaram a ser vendidas prontas e em embalagens de metal, os artistas começaram a sair para pintar a natureza in loco. 

Monet percebeu que a sombra nunca é só preto ou cinza, mas colorida. Notou também que a cor da luz altera a cor dos objetos, observando um monte de feno amarelo, ele percebeu que sob a luz diferente ele pode parecer dourado, azul ou mesmo vermelho. 

Em 1883, Monet e Renoir viajaram para o sul da França e para a Riviera Italiana em busca de inspiração.



Dessas viagens, podemos destacar Ruen na Normandia em 1892, onde Monet pintou a sua famosa série de telas sobre a catedral de Rouen sob diversas luzes do dia. 

Monet viajou para a Noruega em 1894-1895 para visitar um enteado e pintou algumas paisagens, assim como viagens para Madri, Veneza e breves estadias em Londres. 

Catedral em Rouen em plena luz do sol

Catedral de Rouen em outra condição climática


Paisagem norueguesa

Em 1900 Monet sofreu um acidente em seu jardim, ferindo um dos seus olhos, obrigando-o a parar de trabalhar por algum tempo. Esse incidente marca o início de inúmeras dificuldades com sua visão, em 1908 começou a perder a visão, em 1915 perdeu a habilidade de distinguir as cores, isso durou até 1923 depois de cirurgias e óculos especiais pôde obter certa melhora. 

Monet se preocupava muito com esses problemas de visão, já que dois de seus amigos artistas perderam a visão, Degas e Cassat. 



Monet passou seus últimos anos pintando seu lago, as ninféias e salgueiros, falecendo em 5 de Dezembro de 1926, aos 86 anos. 

Estação de trem em Sain Lazare

Rio Tâmisa perto do Parlamento 


Barco ateliê

Ponte de Argenteuil

Chegada do trem na estação Saint Lazare

Jardim do Artista em Vétheuil

domingo, 4 de setembro de 2011

Elogio da Loucura



Erasmo se tornou um monge beneditino por pressão de seus guardiões legais aos 25 anos de idade, se tornando um crítico da vida monástica e das características negativas da Igreja Católica.

Obteve permissão para viajar através da Europa, e se tornou um escritor independente trabalhando em novas edições comentadas do Novo Testamento, em latim ou grego, que depois se tornaram ponto de partida para as interpretações bíblicas modernas.

Seu livro mais famoso é o Elogio da Loucura, escrito em latim e dedicado ao seu amigo Thomas More, autor da Utopia.

Nesse livro, Erasmo denuncia a hipocrisia, a intolerância e os abusos da Igreja de forma satírica em 68 capítulos, nos diálogos que o autor constrói a Loucura (escrita como uma entidade viva, real) discursa o modo de pensar e a conduta moral, apela para a fuga dos valores morais da época regidos por uma instituição rígida e complicada como a Igreja Católica.

Erasmo sem querer, foi um dos precursores da Reforma Protestante, pois contestou a estrutura e as crenças da Igreja Católica, influenciou todos os pensadores inclusive Lutero que pouco depois desse texto ser publicado rompeu com a Igreja Católica, dando início a Reforma que mudaria o quadro religioso na Europa.

Gravura do exemplar de 1515
Texto: Marcello Lopes
Pesquisa e foto: Google

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Pracinhas de Minas Gerais que tombaram no Teatro de Operações da Itália durante a 2ª Guerra Mundial


Ex-Combatentes Condecorados:
MEDALHA SANGUE DO BRASIL
MEDALHA DE GUERRA
Paulo Lourenço de Freitas
Alfeu Miserani de Carvalho
CRUZ DE COMBATE DE 1ª CLASSE
Mário Inácio Carneiro
Rubens Cândido de Miranda
Mauro Salvador da Fonseca
CRUZ DE COMBATE DE 2ª CLASSE
Antônio Argamim de Freitas
Vicente Martins
Cristovão Colombo S. Sobrinho
José da Fonseca Pereira
Euclides Pequeno
Benedito Vitalino
Geraldo Jacinto Veloso
MEDALHA DE GUERRA
Hélio Moreira de Alvarenga
Vicente Martins
Jordelino Alves
Paulo Lourenço de Freitas
Jorge do Carmo
Vicente de Paula Barcelos
Francisco de Sales Teles
Domiciano Vieira
Oldrado Cezar Laranjeira
Divaldo Medrado
Onozôr Fauto Gomes
Otton Arruda Lopes
Oraldo de Morais Chaves
João Vieira Machado
Otacilio Nogueira Batista
Plauto Soares do Couto
Rubens Ramalho
Vicente de paula e Souza
Salvador Alves
Juscelino Vele de Matos
Argemiro Primo Neves
Rubens Cândido de Miranda
Amadeu Antônio de Araujo


Pracinhas de Minas Gerais que tombaram no Teatro de Operações da Itália durante a 2ª Guerra Mundial.


POSTO

N O M E
NATURALIDADE
Cap.
Capelão Antônio Alvares da Silva (Frei Orlando) 
Morada Nova de Minas
2° Ten
Amaro Felicíssimo da Silveira
Belo Horizonte
2° Ten
José Belfort de Arantes Filho
Pequeri
2° Ten
Ruy Lopes Ribeiro
Curvelo
1° Sgt
Osmar Cortês Claro
Juiz de Fora
2° Sgt
José da Costa Valério
Pitangui
2° Sgt
Orlando Randi
São João del-Rei
3° Sgt
Clerio Bortolo
Juiz de Fora
3° Sgt
Euber Queiroz Júnior
Belo Horizonte
3° Sgt
Francisco de Paula Lopes
Ouro Preto
3° Sgt
Geraldo Sant'Anna
Piranga
3° Sgt
João Gonçalves dos Santos
Uberaba
3° Sgt
João Lopes de Assunção
Viçosa
3° Sgt
José Carlos da Silva
Ubá
3° Sgt
José Manoel de Oliveira
Juiz de Fora
3° Sgt
José Martins Dias
Conselheiro Lafaiete
3° Sgt
Lourival Alves de Souza
Pará de Minas
3° Sgt
Nilo Morais Pinheiro
Ipanema
3° Sgt
Noraldino Rosa dos Santos
Araçuai
3° Sgt
Wilson Abel de Oliveira
Juiz de Fora
3° Sgt
Wilson Ramos
São João del-Rei
Cb
Benedito Alves
Três Corações
Cb
Clower Bastos Cortês
Além Paraíba
Cb
Geraldo Martins Santana
Montes Claros
Cb
Hélio Thomaz
Juiz de Fora
Cb
Joaquim Severino
Lavras
Cb
Otávio Carlos da Silva
Prados
Cb
Sansão Alves dos Santos
Claudio
Cb
Vicente José de Almeida
Bias Fortes
Sd
Alcides Maia Rosa
Dores de Campos
Sd
Alicio Clara Simeão
Aymorés
Sd
Américo Fernandes
Paraopeba
Sd
André Ermelindo Ribeiro
Jequeri
Sd
Antônio Agostinho Martins
Piranga
Sd
Antônio Coelho da Silveira
São João del-Rei
Sd
Antônio Vicente de Paula
Piranga
Sd
Aristides José da Silva
Leopoldina
Sd
Arlindo Lucio da Silva
São João del-Rei
Sd
Ayres Quaresma 
Rio Piracicaba
Sd
Carlos Coco
Além Paraíba
Sd
Claudovino Madalena dos Santos
Sete Lagoas
Sd
Dirceu de Almeida
Belo Horizonte
Sd
Djalma Corrêa
Eugenópolis
Sd
Elias Vitorino de Souza
Piranga
Sd
Eugênio Martins Pereira
Conselheiro Lafaiete
Sd
Felisbino dos Santos
Conselheiro Lafaiete
Sd
Francisco Batista Rios
São João del-Rei
Sd
Francisco de Paula Lopes
Ouro Preto
Sd
Francisco de Paula Moura Neto
Rio Paranaíba
Sd
Frederico Antônio Bressan
São João Nepomuceno
Sd
Geraldo Baeta da Cruz
João Pinheiro
Sd
Geraldo Elias
Ponte Nova
Sd
Geraldo Ribeiro de Rezende 
Santo Ant. do Monte
Sd
Geraldo Rodrigues de Souza
Rio Preto
Sd
Hereny da Costa
Belo Horizonte
Sd
Jair da Silva Tavares
Rio Novo
Sd
João Batista dos Reis
Itaguara
Sd
João Batista Rotelo
Belo Vale
Sd
João Moreira
Belo Horizonte
Sd
Joaquim Onilio Borges
Lavras
Sd
Jorge Alvarenga da Silva
Candeias
Sd
José de Andrade
Ponte Nova
Sd
José Antônio dos Santos 
Ribeirão Vermelho
Sd
José Assunção dos Anjos
Diamantina
Sd
José Baldino
Ubá
Sd
José Furtado Leite
Barbacena
Sd
José Garcia Lopes Filho
São João Nepomuceno
Sd
José Januário da Costa 
Santos Dumont
Sd
Julio Nicolau
Rio Piracicaba
Sd
Lazaro Moncefe
Candeias
Sd
Manoel de Souza
Além Paraíba
Sd
Michel Jacob Cheib
Belo Horizonte
Sd
Miguel Francisco Dias
Piranga
Sd
Omar Bento do Nascimento
Oliveira
Sd
Rubem de Souza
Conselheiro Lafaiete
Sd
Saulo Lima de Vasconcelos
São João Nepomuceno
Sd
Vasco Teixeira da Silva
São João del-Rei
Sd
Waldemar Adelino da Silva
Rio Novo
Sd
Waldemar Rodrigues
Ponte Nova
Sd
Walter Pereira de Souza
Miraí


Fonte: Ministério da Guerra Brasil