terça-feira, 2 de agosto de 2011

Alucinações Musicais


A música para algumas pessoas é tão indispensável quanto o alimento ou o próprio ar, e para outras pessoas desprovidas de um equipamento neural para apreciar música ou tons, a música se torna um tormento.

Esse livro conta histórias sobre pessoas que não tinham uma percepção musical acurada e que por algum problema na rede neural causado por lesões cerebrais se tornam verdadeiras juke box, levando a incessantes repetições de músicas que não saem da cabeça.

Em outros casos relatados nesse livro, vemos como a música pode ser usada em doenças como síndromes de lobo frontal, doença de alzheimer e em pacientes com perda das funções da linguagem ou do movimento.

Casos interessantes como o da pesquisadora química Salimah M. que sofreu um ataque de epilepsia causado por um tumor em seu lobo temporal direito, com a cirurgia para a retirada do tumor, houve mudanças de personalidade, inclusive um drástico interesse em música, que antes da cirurgia sempre fora vago, ou seja, adquiriu musicofilia pura após a retirada do tumor.

Um dos casos mais interessantes que eu li no livro é quando Dr. Sacks apresenta os casos de alucinações musicais, como o do violonista australiano Gordon de 79 anos, que rompera o tímpano quando criança e posteriormente sofrera perda progressiva da audição após contrair caxumba já na fase adulta.

Nos anos 80 começou a ouvir zumbidos que se manifestavam como uma nota muito alta, um fá natural. Anos se seguiram com o aumento do zumbido, a perda maior de audição no ouvido direito, até que depois de uma viagem de trem em 2001 o zumbido se transformou em rangidos, dias depois esses rangidos foram substituídos pelo som de música.

Suas alucinações musicais cobrem toda a gama de modos e emoções, os padrões rítmicos dependem muito do estado de ânimo do violonista. Ele também informou a Sacks que ás vezes essas alucinações musicais podem ficar altas, implacáveis e bem violentas.

Outra informação importante é de que quando o violonista ensaiava para uma apresentação, seu cérebro inventava padrões da mesma música que se estendem durante horas em sua cabeça.

Após algum tempo, Gordon descobriu que podia alterar as alucinações pensando em outro tema até que ele predominasse totalmente sobre os outros. Quando suas alucinações musicais o impediram de dormir à noite, foi prescrito quetiapina, e alguns dias com o medicamento o violonista ficou sem música em sua cabeça por quase 3 horas, um descanso em 4 anos de alucinações musicais.

Um ano após o início do tratamento com quetiapina o violonista já conseguia dormir.

Texto: Marcello Lopes

Oliver Sacks


2 comentários:

Edison Junior disse...

Bastante interessante esse assunto. Muitas vezes não nos damos conta de que esse tipo de coisa possa sequer existir. Valeu!

Bípede Falante disse...

Não tenho. Não li. Uma hora dessas, vou atrás!