segunda-feira, 2 de maio de 2011

Dos meus olhos saem rosas

Foto: Vitor Muniz
Sábado tive a rara oportunidade de assistir uma apresentação de dança contemporânea aqui em Belo Horizonte, a bailarina Marise Dinis se apresentou o seu novo espetáculo de dança solo, com um nome bastante poético "Dos meus olhos saem rosas", criado à partir de um workshop com deficientes visuais a bailarina oferece uma apresentação que mistura dança, música, projeções de imagens e uma rara experiência sensorial aos expectadores.

Com o texto assinado por Grace Passo (Grupo Espanca!), a trilha sonora original de Kiko Klaus, a cenografia digital de Tatu e Gabi Guerra e a iluminação de Leonardo Pavanello.

Dos meus olhos saem rosas” é um espetáculo realizado através do Fundo Municipal de Cultura 2009.

O espetáculo é resultado de um processo iniciado em 2005, quando a bailarina dedicou-se à pesquisa "Sobre o não ver", que investigou a mudança de perspectivas do corpo e do espaço entre as possibilidades do ver e do não ver. Como desdobramento, a artista lançou-se ao desafio de aproximar a dança contemporânea – manifestação artística extremamente apoiada na visão – desse universo. 

Ao longo de seis meses de pesquisa junto a um grupo de deficientes visuais, a artista conseguiu desenvolver, através de aulas de dança contemporânea e consciência corporal, uma experiência artística que envolveu noções técnicas de dança, de percepção corporal e de criação. Paralelamente a isso, Marise passou pela experiência de ficar vendada durante 72 horas, na tentativa de experimentar uma mudança de padrão que pudesse lhe dar novas pistas de como se mover e se orientar, aproximando-se do universo que estudava.

A conclusão da pesquisa lhe trouxe a convicção de que a dança pode ser vivenciada por aqueles que não enxergam. Com isso, Marise decidiu criar um espetáculo sobre o tema e que oferecesse recursos para tal vivência.  Isso acontece através da leitura de um texto, que naturalmente desperta em cada indivíduo memórias e imagens próprias de seu repertório, através da música e dos sons, que transportam o indivíduo para um diferente estado de atenção físico e mental e do improviso das imagens abstratas, projetadas ora como cenário, ora como extensão do próprio corpo. 

“Dos meus olhos saem rosas” é uma obra onde o corpo, o som, a luz, a imagem e o espaço se entrelaçam, de modo a proporcionar diferentes acessos sensoriais ao espectador. 


Marise Dinis é bailarina formada pelo Ballet Nahra Azevedo e pela Escola de Dança 1º Ato. De 1990 a 1993 atuou nos grupos Camaleão (dir. Marjorie Quast e Bettina Bellomo) e Meia Ponta (dir. Marisa Monadjemi). Em 1993, integrou o Grupo de Dança 1º Ato (dir. Suely Machado), onde atuou até 2001. Recebeu o Prêmio SESC/SATED – MG de melhor bailarina, em 1996, por Desiderium, e foi indicada na mesma categoria aos prêmios Amparc/Bonsucesso, em 1996 e 1999, e SESC/SATED, em 1999. 

Atuou no filme "Cinzas de Deus", primeiro longa metragem de dança do Brasil, produzido pela Zikzira Physical Theatre. Entre 2002 e 2004, viveu na Europa desenvolvendo sua própria pesquisa e participou de workshops e cursos ministrados por artistas expoentes da dança contemporânea do continente: Katie Duck, Fin Walker, Pierre Droulers, Hisako Horikawa e Felix Ruckert. De volta ao Brasil, em 2005 foi contemplada com a Bolsa Vitae de Artes para desenvolver o projeto de pesquisa "Sobre o Não Ver", cujo objeto de estudo é o corpo cego. 

Atualmente, trabalha como professora de dança contemporânea, improvisação e composição gráfica da Meia Ponta Cia de Dança e do Centro de Formação Artística da Fundação Clóvis Salgado (Cefar). Atua também como bailarina, em colaboração com o Grupo Espanca! e o Coletivo Movasse, e assistente de direção e de coreografia junto a diferentes grupos e artistas independentes.

Texto: Marcello Lopes
Biografia e fotos: Google

Um comentário:

Tatiana disse...

Imagino que tenha sido um espetáculo maravilhoso!
Desejo que a sua semana seja rica em dádivas.
Um beijo carinhoso