sábado, 9 de abril de 2011

Sófocles


Durante a sua longa vida, Sófocles de Atenas escreveu 123 peças e competiu tanto com Ésquilo quanto Eurípedes. As sete tragédias remanescentes exploram a grandeza e o sofrimento de seres humanos excepcionais, com habilidades quase divinas, que precisam escolher entre um desastre certeiro ou um compromisso que trairia a natureza heróica que os separa dos mais comuns dos mortais.

A habilidade dramatúrgica de Sófocles foi reconhecida desde Aristóteles, que elogiava seu domínio de ritmo narrativo e da tensão dramática , até então sem paralelos.

Quando a loucura enviada pelos deuses faz com que Ajax traga desgraça para si em Troia, Aias, um feroz senso de honra e de vergonha não permite que reste ao mais poderoso guerreiro grego outra opção além do suicídio.

Édipo Rei dramatiza como a própria inteligência que outorga poder ao monarca conduz sua busca implacável pela verdade, levando em seguida à loucura, à cegueira autoprovocada e ao exílio. Esses dilemas trágicos podem ser compreendidos em termos políticos mais amplos como confronto entre os valores de um passado homérico, que privilegiava o indivíduo, e os contemporâneos, da democracia ateniense do século V, que servia aos interesses da comunidade e desencorajava comportamentos extremos.

A intransigência heróica leva a um isolamento total e assustador, até mesmo dos deuses, em um mundo governado por um destino misterioso e cruel. As traquínias nos mostra que Zeus não salvará nem mesmo seu filho Héracles (Hércules, na versão latina), modelo de heroísmo grego, de uma morte torturante que o despe tanto de sua carne como da sua celebrada masculinidade. Porém, a opção livre e autônoma do sofrimento no lugar da aceitação das limitações humanas dota os heróis de Sófocles de assombro e poder num mundo onde o passado não lega qualquer conhecimento, o futuro não reserva esperanças e o presente traz apenas padecimentos.

Antígona

Peças 


  • Aias
  • Antígona
  • As traquinias
  • Édipo Rei
  • Édipo em Colono
  • Electra
  • Filoctetes
" Sófocle pintava os homens como deveriam ser.Eurípedes como eram." - Aristóteles, em Poética.


Antígona ( Ἀντιγόνη) é uma figura da mitologia grega, filha de Édipo e Jocasta.

Esta obra é uma das três que compõe o que ficou conhecido como Trilogia Tebana, da qual também fazem parte Édipo Rei e Édipo em Colono. Essas três peças foram unidas posteriormente, e não faziam parte da mesma trilogia quando Sófocle as escreveu. Na verdade, cada uma era parte de uma trilogia diferente, mas apenas essas três peças chegaram aos dias de hoje.

A peça é feita pelo prólogo, que nesse caso é dialogado, onde as irmãs Antígona e Ismênia conversam e nos dão uma visão geral dos acontecimentos; cinco episódios; cinco estásimos, que são as entradas do coro em cena trazendo informações ao público sobre o assunto da peça; e o êxodo, parte final.

Filha de Édipo e Jocasta, que tinham mais três filhos, Etéocles, Ismênia e Polinice. Foi um exemplo tão belo de amor fraternal quanto Alcestes foi do amor conjugal. Foi a única filha que não abandonou Édipo quando este foi expulso de seu reino, Tebas, pelos seus dois filhos. Seu irmão, Polinice, tentou convencê-la a não partir do reino, enquanto Etéocles ficou indiferente com sua partida. Antígona acompanhou o pai em seu exílio até sua morte. Quando voltou a Tebas, seus irmãos brigavam pelo trono.

Polinice se casa com a filha de Andrastos, rei de Argos, e junto dele arma um ataque contra Tebas, que é chamado de expedição dos "Sete contra Tebas" onde Anfiarau prevê que ninguém sobreviveria, somente o rei de Argos. Como a guerra não levou a lugar nenhum os dois irmãos decidem disputar o trono com um combate singular, onde ambos morrem. Creonte, tio deles, herda o trono, faz uma sepultura com todas as honras para Etéocles, e deixa Polinice onde caiu, proibindo qualquer um de enterrá-lo sob pena de morte. Antígona, indignada, tenta convencer o novo rei a enterrá-lo, pois, quem morresse sem os rituais fúnebres seria condenado a vagar cem anos nas margens do rio que levava ao mundo dos mortos, sem poder ir para o outro lado.

Não se conformando, ela rouba o cadáver insepulto que estava sendo vigiado, e tenta enterrar Polinice com as próprias mãos, mas é presa enquanto o fazia. Creonte manda que ela seja enterrada viva. Sua irmã Ismênia tenta defendê-la e se oferece para morrer em seu lugar, algo que Antígona não aceita, e Hemon, seu noivo e filho de Creonte, não conseguindo salvá-la, comete suicídio. Ao saber que seu filho havia suicidado Eurídice, mulher de Creonte, também se mata.

Texto: 501 Escritores/Google

3 comentários:

Lou James disse...

Salve Marcello!
Tbm sou apreciador do "Teatro Grego".
A peça: "Antígona", precursora do Direito Individual é, para mim, uma das melhores histórias de todos os tempos!
Belo post.
Abrç.

Edison Junior disse...

Uma curiosidade com relação a Sófocles: durante a ditadura militar a peça Electra estava em cartaz em São Paulo. Considerada altamente subversiva e perigosa pelas autoridades, a polícia baixou no teatro para prender o autor. Abraços!

Paula disse...

Too greek for me mf!!

kisses