quinta-feira, 14 de abril de 2011

Platão


Platão se mantém ao lado de seu professor Sócrates e de seu discípulo Aristóteles como um dos três fundadores da tradição filosófica ocidental.Mas, enquanto o próprio Sócrates nunca escreveu nada e o que sobrevive da obra de Aristóteles é pouco mais do que anotações para palestras, temos a sorte de possuir mais de 30 trabalhos filosóficos completos de Platão, obras que prestam testemunho tanto da sua flexibilidade e riqueza de pensamento como também da sua condição de um dos grandes mestres da prosa grega.

Platão cujo verdadeiro nome pode ter sido Aristocles, descendia de famílias notáveis por pai e mãe. Uma tradição informa que o pai de Platão, Ariston, alegava descender de Codro, rei mítico de Atenas. Ariston morreu enquanto Platão ainda era uma criança e sua mãe, Perictione, casou com Pirilampes, amigo do grande estadista democrático Péricles.

Apesar de suas poderosas ligações políticas, Platão desprezou uma carreira política e devotou-se à filosofia. As razões para essa escolha não estão claras, mas a execução do seu amigo e mestre Sócrates pode ter sido decisiva para que Platão rejeitasse não apenas a política democrática de Atenas, mas também a própria democracia como um sistema viável.

Da vida adulta de Platão existem poucos detalhes confiáveis.É provável que tenha feito muitas viagens , possivelmente ao Egito e com toda a certeza ao sul da Itália e à Sicília.Ao voltar para Atenas em 387 a.C, fundou a Academia, um instituto de pesquisa e ensino devotado à filosofia(incluindo a matemática e a teoria política). A maior parte do resto da sua vida foi dedicada ao ensino e à escrita, mas ele realizou mais duas viagens à Sicília em 367 a.C (ou pouco depois) e 361 a.C.

O objetivo seria educar Dionísio II, tirano de Siracusa, e torná-lo um rei-filósofo, iniciativa que fracassou.

A história apócrifa relatada por Diógenes Laércio conta que a primeira composição de Platão foi uma tragédia, mas que ele a teria queimado depois de ouvir Sócrates falar. Os verdadeiros trabalhos de Platão foram todos escritos sob a forma de diálogos em prosa (a única exceção seria Apologia, que tem como objetivo ser o discurso de defesa do julgamento de Sócrates).


O diálogo representa tanto uma escolha estilística quanto filosófica.Do ponto de vista estilístico, permite que Platão apresente uma discussão filosófica de forma eloquente e envolvente, com total comando de suas consideráveis habilidades. O banquete, por exemplo, não é apenas uma discussão da natureza do amor, é também um tour de force dramático.

Do ponto de vista filosófico, o diálogo reforça a crença de Platão de que o conhecimento só é valoroso quando conquistado por meio do esforço individual.Cada diálogo inclui uma gama de perspectivas e objetivos para estimular o questionamento filosófico do leitor.

A importância de Platão para todos os ramos da filosofia é vasta, mas as contribuições mais duradouras foram na epistemologia e na teoria política.Sua epistemologia é construída em torno de uma cosmologia dualista, segundo a qual o mundo cotidiano é uma imitação pálida de um mundo separado de "formas" perfeitas e imutáveis.


O mundo das formas não está aberto à percepção sensorial e só pode ser alcançado mediante contemplação filosófica. A teoria política de Platão é baseada na idéia de que a estrutura do Estado deve refletir a estrutura da alma.A justiça no Estado, como no indivíduo, existe no funcionamento harmonioso de suas partes: a classe dominante, a militar e a econômica.Tais teorias são primorosamente desenvolvidas em A República.

O diálogo rapidamente estabeleceu-se como um gênero filosófico e foi usado por autores desde Aristóteles a David Hume. A concepção dualista da realidade de Platão foi revivida no fim da Antiguidade pelos neoplatonistas e por intermédio deles exerce uma profunda influência na filosofia cristã.

Principais Obras

  • Eutifron
  • Protágoras
  • Apologia
  • Criton
  • Fédon
  • A República
  • O banquete
  • As leis
Texto: 501 Escritores

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