quinta-feira, 28 de abril de 2011

Ovídio



Reconhecido como o último dos grande poetas da era de Augusto, Ovídio superou todos os seus predecessores em inteligência, elegância e charme. Depois de abandonar uma carreira política em favor de uma vida de poesia dentro dos círculos da moda e dos redutos literários de Roma, Ovídio encontrou sucesso imediato com suas primeiras investidas nas elegias de amor.

Embora devotasse a maior parte de sua carreira ao gênero elegíaco, talvez seja mais conhecido pelo grandioso poema mitológico Metamorfoses, sua única obra na tradição épica. Tendo como motivo unificador a mudança de corpos, o tema central do amor e narrativas afins que continuamente se reproduzem, Metamorfoses constitui o ápice de todo o virtuosismo de Ovídio.

O poema é ao mesmo tempo um catálogo de mitologia e um exame erudito da convenção e herança literárias.

No auge do sucesso, em 8 d.C, Ovídio foi exilado em Tomis, uma das paragens mais distantes do império, por razões ainda envoltas em mistério. A suspeita é de que, por trás da acusação formal de imoralidade de sua poesia, tenha sido punido por um escândalo de adultério envolvendo a neta do imperador.

Longe dos holofotes, Ovídio retornou às raízes elegíacas, lamentando a separação da sociedade para a qual escrevera sua poesia e que havia aplaudido sua excelência poética de forma tão ardente.

O exílio marcou uma mudança abrupta no tom e no estilo de seus escritos, que se tornaram taciturnos e introspectivos. A produção do exílio, porém, trai a mesma paixão pela própria fama e pela permanência de sua poesia que já caracterizavam seus trabalhos em Roma.

Foi, de fato, adequado que Ovídio tenha permanecido como uma presença influente no cânone ocidental.


A arte de amar é um título que seduz por sua simplicidade e inquieta por sua ingenuidade. Pode-se perguntar se é necessário, útil ou conveniente ensinar esta arte, que parece evidente, fazendo parte dessas coisas tão compartilhadas e tão comuns a todos sem que seja preciso ensiná-las. 

Mas Ovídio não ensina o sentimento, mas a habilidade; não o amor, mas a sedução. Reconcilia os dois sexos e dá à mulher sua participação e sua iniciativa neste jogo sério e leviano do qual séculos de 'civilização' a excluíram.


A obra retrata uma série de poemas de amor - não apenas o amor de uma jovem por um jovem e vice-versa, mas também o amor do pai pelo filho, da filha pelo pai, do irmão pela irmã, do deus pelo mortal, do mortal pela deus...

Em A luta de Perseu, A batalha dos Centauros e O Rapto de Filomena, o leitor conhecerá um pouco do lado sádico de Ovídio.

Texto: 501 Escritores
Resenhas e capas: Madras/LpM

Nenhum comentário: