terça-feira, 12 de abril de 2011

Face oculta do Japão


É inegável que os eventos que ocorreram no Japão nos deixam conscientes de que a natureza não pode ser contida e de que somos meros espectadores dela nesse planeta.

Uma face desconhecida do Japão (para muitos) é a selvageria com que militares japoneses tratavam seus prisioneiros durante a 2° Guerra Mundial.

Após a vitória na primeira guerra entre China e Japão, ocorrida de 1894 a 1895, o Japão se tornou uma grande potência militar, mas não assinou a Convenção de Genebra até o final da 2° Guerra Mundial, apesar da libertação de prisioneiros na Guerra contra a Rússia, e no final da 1° Guerra Mundial.

Mas no fim da década de 30, os militares japoneses se pareciam cada vez mais com os militares nazistas, criando uma força militar secreta muito parecida com a Gestapo chamada Kempeitai. 

Soldados da polícia secreta : Kempeitai
Como em outras ditaduras, brutalidade irracional, ódio e medo tornaram-se corriqueiros. Falhas percebidas ou insuficiente devoção ao imperador atraíam punições, frequentemente do tipo físico. Entre os militares, oficiais atacavam e espancavam homens sob seu comando, os quais tinham de repassar o castigo para os escalões inferiores, até o último. Em campos de prisioneiros, isto significava que os prisioneiros recebiam as piores surras.

Para se ter uma idéia da selvageria nipônica, o historiador Chalmers Johnson explica : 

"Pode não ter sentido tentar estabelecer qual dos dois agressores do Eixo na II Guerra Mundial, Alemanha ou Japão, foi o mais brutal para as pessoas que vitimou. Os alemães mataram 6 milhões de judeus e 20 milhões de russos [isto é, de cidadãos soviéticos]; os japoneses assassinaram algo como 30 milhões de filipinos, malaios, vietnamitas, cambojanos, indonésios e burmeses e pelo menos 23 milhões de chineses étnicos. Ambas as nações saquearam os países conquistados, numa escala monumental, embora os japoneses tenham pilhado mais, por um período mais longo, do que os nazistas. Ambos escravizaram milhões e os exploraram como trabalhadores forçados — e, no caso dos japoneses, como prostitutas [forçadas] para tropas nas linhas de frente. Se você era um prisioneiro de guerra dos nazistas de origem britânica,americana e, australiana, neo-zelandesa ou canadense (mas não russa) tinha 4% de chance de morrer antes do fim da guerra; [comparativamente,] o índice de mortalidade dos prisioneiros de guerra aliados mantidos pelos japoneses era de quase 30%".

A taxa de mortalidade dos prisioneiros de guerra chineses era muito maior porque — sob uma diretriz ratificada em 5 de agosto de 1937 pelo imperador Hirohito — as restrições da lei internacional quanto ao tratamento daqueles prisioneiros foram retiradas. Somente 56 prisioneiros de guerra chineses foram libertados após a rendição do Japão.

Soldados australianos recém libertados
R. J. Rummel, professor de ciência política na Universidade do Havaí, declara que entre 1937 e 1945, os militares japoneses assassinaram de 3 milhões a mais de dez milhões de pessoas, sendo o número mais provável em torno de 6 milhões de chineses, indonésios, coreanos, filipinos e indochineses, entre outros, incluindo prisioneiros de guerra ocidentais. Este democídio deveu-se a uma estratégia moral e politicamente falida, conveniência e costume militar, e cultura nacional."

De acordo com Rummel, apenas na China, no período 1937-45, aproximadamente 3,9 milhões de chineses foram assassinados, principalmente civis, como resultado direto das operações japonesas e 10,2 milhões no curso da guerra.

O incidente mais infame durante este período foi o Massacre de Nanquim de 1937-38, quando, de acordo com as descobertas do Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente, o Exército Imperial Japonês massacrou cerca de 200 mil civis e prisioneiros de guerra, embora existam estimativas ainda maiores, na casa das centenas de milhares.

Crime semelhante foi o Massacre de Changjiao. No Sudeste Asiático, o Massacre de Manila, resultou nas mortes de 100.000 civis nas Filipinas, e no massacre Sook Ching, entre 25 mil e 50 mil chineses étnicos de Cingapura, foram conduzidos para as praias e massacrados.

O historiador Mitsuyoshi Himeta afirma que o "Sanko Sakusen" (Política dos Três Tudos), uma estratégia de terra queimada usada pelas forças japonesas na China entre 1942-45, e sancionada pessoalmente pelo imperador Hirohito, foi sozinha responsável pelas mortes de "mais de 2,7 milhões" de civis chineses.

Unidade 731 - A Auschwitz Nipônica
Unidades militares especiais japonesas realizaram experimentos em civis e prisioneiros de guerra na China. Uma das mais infames foi a Unidade 731. As vítimas foram submetidas a amputações e vivissecção sem anestesia, e foram usados para testar armas biológicas, entre outros experimentos. A anestesia não era usada porque considerava-se que seu uso afetaria os resultados. Em algumas vítimas, sangue de animais foi injetado em seus corpos.

Para determinar o tratamento para queimaduras de frio, prisioneiros eram levados para fora no inverno e tinham um dos braços expostos e molhados periodicamente com água, até que esta congelasse. O braço era então amputado; o médico então repetia o procedimento, do antebraço da vítima até o ombro. Depois que ambos os braços não mais existiam, os médicos repetiam o procedimento nas pernas, até que restasse somente uma cabeça e um torso. A vítima era então usada para experimentos com pestes e patógenos.

De acordo com a GlobalSecurity.org, apenas os experimentos realizados pela Unidade 731 provocaram 3.000 mortes.

Mais informações sobre a unidade 731 aqui no blog Abutre e Costela.


General Shiro Ishii (1892 - 1959), médico e comandante da unidade 731
Além disto, "dezenas de milhares, e talvez cerca de 200.000 chineses, morreram de peste bubônica, cólera, antraz e outras moléstias…", resultantes do emprego da guerra biológica.

Um dos casos mais notórios de experimentação com seres humanos ocorreu no próprio Japão. Ao menos nove dos 12 membros da tripulação sobreviveram à queda de um bombardeiro B-29 da United States Army Air Forces, em Kyushu, em 5 de maio de 1945.

O comandante do bombardeiro foi enviado para interrogatório em Tóquio, enquanto os outros sobreviventes foram levados para o departamento de anatomia da Universidade Kyushu, em Fukuoka, onde foram submetidos à vivissecção e/ou mortos.

Em 11 de março de 1948, 30 pessoas, incluindo vários médicos foram levados a julgamento pelo tribunal de crimes de guerra dos Aliados. Acusações de canibalismo foram descartadas, mas 23 pessoas foram declaradas culpadas de vivissecção e/ou remoção criminosa de partes do corpo. 

Cinco foram condenadas à morte, quatro à prisão perpétua e o resto a penas menores. Em 1950, o governador militar do Japão, general Douglas MacArthur, comutou todas as sentenças de morte e reduziu significativamente a maioria das penas de prisão. Todos os condenados relacionados à vivissecção na universidade foram libertados em 1958.

Em 2006, o ex-oficial do Exército Imperial Japonês Akira Makino declarou que lhe foi ordenado — como parte de seu treinamento — que efetuasse a vivissecção em cerca de 30 prisioneiros civis nas Filipinas, entre dezembro de 1944 e fevereiro de 1945. A cirurgia incluía amputações.

De acordo com os historiadores Yoshiaki Yoshimi e Seiya Matsuno, o imperador Hirohito autorizou através de ordens específicas (rinsanmei) o uso de armas químicas na China.

Por exemplo, durante a Batalha de Wuhan, de agosto a outubro de 1938, o imperador autorizou o uso de gás tóxico em 375 ocasiões diferentes, apesar do artigo 23 do Convenções de Haia (1899 e 1907), do artigo V do Tratado em Relação ao Uso Bélico de Submarinos e Gases Venenosos e de uma resolução adotada pela Sociedade das Nações em 14 de maio, condenando o uso de gás venenoso pelo Japão.

Em 2004, Yoshimi e Yuki Tanaka descobriram documentos nos arquivos nacionais australianos, evidenciando que o gás cianureto havia sido testado em prisioneiros de guerra australianos e holandeses em novembro de 1944, nas ilhas Kai (Indonésia).

Corpos amontoados na Unidade 731
Mortes causadas pelo desvio de recursos para as tropas japonesas em países ocupados, são também consideradas como crimes de guerra por muitos povos. Milhões de civis na Ásia Meridional — especialmente no Vietnã e nas Índias Orientais Neerlandesas (Indonésia), os quais eram grandes produtores de arroz — morreram durante uma fome evitável em 1944–45.

O uso pelos militares japoneses do trabalhado forçado de civis asiáticos e prisioneiros de guerra também causou muitas mortes. De acordo com um estudo conjunto de historiadores, incluindo Zhifen Ju, Mitsuyoshi Himeta, Toru Kubo e Mark Peattie, mais de dez milhões de civis chineses foram mobilizados pelo Koa-in (Comissão de Desenvolvimento Japonês da Ásia) para trabalhos forçados.

Mais de 100.000 civis e prisioneiros de guerra morreram na construção da Ferrovia Birmânia-Siam.

A Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos calcula que, em Java, entre quatro e dez milhões de romusha ("trabalhador braçal"), foram forçados a trabalhar pelos militares japoneses.

Cerca de 270 mil destes trabalhadores javaneses foram enviados para outras regiões de domínio japonês no Sudeste da Ásia. Somente 52 mil foram repatriados para Java, o que significa uma taxa de mortalidade em torno de 80%.

De acordo com o historiador Akira Fujiwara, Hirohito pessoalmente ratificou a decisão de remover as restrições do direito internacional (Convenções de Haia (1899 e 1907)) no tratamento de prisioneiros de guerra chineses pela diretriz de 5 de agosto de 1937. Esta notificação também alertava aos oficiais do estado-maior para que parassem de usar a expressão "prisioneiros de guerra".

A Convenção de Genebra eximiu prisioneiros de guerra do posto de sargento ou acima, de realizarem trabalho manual, e estipulou que os prisioneiros que realizassem trabalhos deveriam ser abastecidos com rações extras e outros itens essenciais. Todavia, o Japão não assinou a Convenção de Genebra na época e as forças japonesas não seguiram a mesma.

As expressões ianpu ("mulheres de conforto") ou jongun-ianpu ("mulheres de conforto militar") são eufemismos para mulheres usadas em bordéis militares em países ocupados, muitas das quais recrutadas à força ou através de fraude, e que consideram-se vítimas de agressão sexual e/ou de escravidão sexual.

Em 1992, o historiador Yoshiaki Yoshimi publicou material baseado em sua pesquisa nos arquivos do Instituto Nacional para Estudos de Defesa japonês. Yoshimi afirmou que havia um vínculo direto entre instituições imperiais como o Kôa-in e os "postos de conforto". Quando as descobertas de Yoshimi foram publicadas na imprensa japonesa em 12 de janeiro de 1993, causaram sensação e forçaram o governo, representado pelo Secretário-Chefe do Gabinete, Koichi Kato, a reconhecer alguns dos fatos no mesmo dia.

Em 17 de janeiro, o primeiro-ministro Kiichi Miyazawa apresentou desculpas formais pelo sofrimento das vítimas, durante uma viagem à Coréia do Sul. Em 6 de julho e 4 de agosto, o governo japonês emitiu duas declarações pelas quais reconheceu que os "postos de conforto eram operados em resposta às exigências militares da época", "militares japoneses estiveram, direta ou indiretamente, envolvidos na instituição e administração dos postos de conforto e na transferência das mulheres de conforto" e que as mulheres eram "recrutadas, em muitos casos, contra sua vontade através de engodo e coação".

Vários historiadores afirmam que o governo imperial e membros das forças militares japonesas envolveram-se em pilhagem sistemática durante o período que foi de 1895 a 1945.

As propriedades roubadas incluíam vários tipos diferentes de bens valiosos, saqueados de bancos, caixas-fortes, templos, igrejas, mesquitas, galerias de arte, escritórios comerciais, bibliotecas (inclusive de mosteiros budistas), museus e residências particulares.

Na Coréia, estima-se que cerca de 100.000 artefatos e bens culturais inestimáveis tenham sido pilhados por autoridades coloniais e colecionadores privados japoneses durante os quase 50 anos de ocupação militar.

Nenhum país que se envolveu em uma guerra pode dizer que não cometeu atrocidades, já que a invasão e a guerra são por si só, atrocidades cometidas em nome de uma falsa e pretensa desculpa.

Fotos e Texto: Google

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