terça-feira, 12 de abril de 2011

Aristófanes


O primeiro perfil de Aristófanes encontra-se em Simpósio, de Platão, um retrato amistoso de um homem que apreciava os prazeres da vida e era, como suas comédias, ao mesmo tempo divertido e sério. A maior parte do material biográfico sobre ele, porém, não é comprovada e provavelmente se baseia em suas peças.

Os acarnenses, sua obra mais antiga a sobreviver, incorpora preocupações altamente atuais e enredos fantásticos característicos das peças "políticas" da velha comédia na Atenas do século V antes da era cristã: um herói simpático, frustrado com a situação, emprega toda a sua sagacidade maliciosa para superar seus inimigos com meios sobrenaturais.

O pobre fazendeiro Dicaeopolis passa a perna nos demagogos linha-dura de Atenas ao obter, em particular, a paz com os espartanos, garantindo para si, dessa forma, todos os prazeres impedidos pela Guerra do Peloponeso - comida, vinho e sexo.

Acompanhando a obscenidade onipresente e o humor grosseiro, tais interesses genéricos da antiga comédia colocavam a ação no mundo cotidiano, no aqui e agora, em contraste extremo com o passado mitológico, altivo, austero e distante empregado pelo gênero rival, a tragédia grega.

Os acarnenses também prima por conter o trecho indiscutivelmente mais picante da literatura antiga, na qual o herói negocia as filhas de um comerciante recorrendo a uma série de trocadilhos explícitos sobre a vagina.

Aristófanes estilhaçou a ilusão dramática preservada a todo custo pela tragédia graças ao abuso do ad hominem, recurso adotado pela mais antiga tradição de poesia iâmbica. Para provocar riso, o poeta cômico desfazia dos políticos, de cidadãos, de outros poetas e da própria platéia com deboche disperso e persistente. O implacável retrato de Sócrates em As Nuvens, onde aparece como um charlatão excêntrico e representativo do crescente movimento sofista, levou fama de ter contribuído para a execução do filósofo.

Principais Obras: 


  • Os acarnenses
  • Os cavaleiros
  • As nuvens
  • As vespas
  • A paz
  • As aves
  • Lisístrata
  • As tesmoforiantes 
  • As rãs
  • A revolução das mulheres
  • Um deus chamado dinheiro
Texto: 501 Escritores

Nenhum comentário: