terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Quixote nas Trevas



Você conhece Luiz Martins de Souza Dantas ?

Muitos poucos vão dizer que sim já que nosso país é injusto com os verdadeiros heróis, basta ver o tratamento que o País dá aos que lutaram na 2° Guerra Mundial que foram esquecidos e quem hoje comanda nosso país nada mais é que uma ex-terrorista e assassina.

Outro exemplo de como nossos políticos tratam os heróis desse país, existia uma rua Souza Dantas na Vila Santa Catarina em São Paulo, foi mudada sem explicações, o nome do Embaixador não consta em nenhum livro de história desse país.

O embaixador brasileiro Luiz Martins de Souza Dantas, chefiou a delegação brasileira na França durante 20 anos, alguns dos quais passados durante a Segunda Guerra e o Holocausto, ele desafiou de uma só vez o Terceiro Reich e as orientações de política externa de Getúlio Vargas para ajudar judeus, comunistas e homossexuais vítimas do nazismo que se espalhava pela Europa.

Ajudou aproximadamente oitocentas pessoas, dentre os quais 425 judeus. Arriscando sua posição e a própria vida, ele garantiu vistos de entrada brasileiros a judeus perseguidos pelas tropas de Hitler na Europa, além de conseguir documentos de viagem por meio de amigos em outras representações diplomáticas, como os cônsules de Cádiz, na Espanha, e Casablanca, no Marrocos.

Esse fato, desconhecido até mesmo pela maioria dos conterrâneos de Dantas, foi o tema da tese de mestrado de Koifman e base para o processo de premiação do embaixador pelo Museu do Holocausto, em Israel.

Souza Dantas preenchia as três condições para se tornar um Justo entre as nações, honraria que reconhece não-judeus que salvaram judeus durante a guerra:

  1. Arriscar cargo e posição social
  2. Arriscar a própria vida
  3. Salvar pessoas
Luís Martins de Souza Dantas nasceu no Rio de Janeiro em 1876, com a iminência da invasão alemã no Norte da França, o governo francês se retirou para o Sul, instalando um governo colaboracionista na cidade de Vichy. 


Naturalmente, o corpo diplomático estrangeiro o acompanhou. Registros dessa época mostram que Souza Dantas já vinha intercedendo em favor de refugiados do nazismo desde a sua saída de Paris. É possível comprovar o envolvimento pessoal e direto do embaixador, que começou a emitir os primeiros vistos diplomáticos “irregulares” de próprio punho. A maioria desses documentos foi concedida em Vichy e beneficiava não apenas judeus, mas também homossexuais, comunistas e qualquer pessoa ameaçada pelo nazismo.

No entanto, de acordo com a legislação vigente na época, era raro um embaixador conceder pessoalmente um visto, e isto só costumava ser feito em casos excepcionais. Para um “indesejável” receber um visto – mesmo o que se encaixava nas poucas exceções preestabelecidas –, era necessário apresentar uma série de documentos, como atestados negativos de antecedentes criminais, de “não ser de conduta nociva à ordem pública”, de saúde e prova de profissão lícita, entre outros.

Era muito difícil conseguir estas declarações, principalmente para os refugiados que se encontravam longe de seus países de origem. A autoridade consular brasileira que emitia o visto, por sua vez, tinha a obrigação de informar a “origem étnica” do estrangeiro.

Uma grande quantidade de pessoas que requeriam vistos era apátrida, portadoras de passaportes “Nansen” – fornecidos pela Liga das Nações para indivíduos expatriados por causa de problemas políticos. 

Outras não possuíam qualquer tipo de documento para viajar. Algumas provinham de países que se encontravam tecnicamente extintos naquele momento devido aos conflitos ou cujos governos não os reconheciam mais como cidadãos. A exigência de uma série de documentos e certidões dos imigrantes tinha, na realidade, a função de impedir a entrada de refugiados no Brasil.



No dia em que Souza Dantas deixou Paris rumo a Vichy, já no caminho, ao passar por cidades como Perpignan e Bordeux, começou a assinar passaportes e documentos de viagem de estrangeiros, a maioria refugiados. Não eram pessoas “especiais” ou “importantes”, mas gente comum. Ele não seguiu nenhuma regra do governo brasileiro, não exigiu taxas, transferências bancárias, declarações ou atestados, e tampouco perguntou ou informou a alguém a origem étnica dos pretendentes.

Cerca de 500 vistos diplomáticos foram emitidos entre meados de junho de 1940 e 12 de dezembro do mesmo ano – data em que Souza Dantas foi proibido formalmente de conceder qualquer tipo de visto. Entretanto, de acordo com depoimentos, muitos refugiados estiveram com o embaixador nos primeiros meses de 1941 e receberam vistos com datas anteriores a 12 de dezembro de 1940. Ou seja, ele ainda concedeu alguns vistos, mesmo depois de ter sido repreendido e proibido.

Por causa da presença de soldados brasileiros na guerra, das notícias da resistência de Souza Dantas à invasão da embaixada em Vichy e de seu longo internamento na Alemanha, os jornais brasileiros passaram a tratá-lo como herói. Mas a transformação do diplomata processado pelo governo em herói não agradou ao ditador Vargas.

Ao voltar ao Brasil, em maio de 1944, uma grande festa com desfile em carro aberto pela Avenida Rio Branco e decretação de feriado nas escolas do Rio, foi planejada para homenageá-lo. Assessores do então presidente Getúlio Vargas, porém, desmobilizaram as boas-vindas.

As notícias de homenagens a Souza Dantas sumiram da mídia, então controlada rigidamente pelo Estado. Enquanto durou o Estado Novo, Getúlio tratou de manter o diplomata fora de evidência no Brasil. Com a queda da ditadura em 1945, o velho embaixador saiu do ostracismo graças à influência política de antigos companheiros do Itamaraty.

Já aposentado, Souza Dantas foi convidado pelo Ministério das Relações Exteriores para chefiar a delegação brasileira na Primeira Assembléia Geral das Nações Unidas, em Londres, entre 10 de janeiro e 14 de fevereiro de 1946.

O embaixador foi o primeiro brasileiro a discursar neste órgão precursor da ONU.

Souza Dantas passou seus últimos anos de vida em Paris, falecendo em 1954, mesmo ano da morte de Getúlio.

Existem alguns sites judaicos que mantém a homenagem ao Embaixador como esse aqui.


A revista Veja na época do lançamento do livro publicou uma matéria com algumas informações adicionais aqui.


Marcello Lopes

Um comentário:

Angélica Lins disse...

Adorei as sugestões.

Abraço!