segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Leslie Nielsen


O ator e comediante canadense Leslie Nielsen, astro de uma série de filmes de paródia, incluindo "Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu!" e "Corra que a Polícia Vem Aí", morreu no domingo de complicações ligadas à pneumonia, na Flórida. Ele tinha 84 anos.

Nielson provavelmente é mais conhecido por seu papel como o atrapalhado policial tenente Frank Drebin na série "Corra que a Polícia Vem Aí", mas teve uma ampla carreira de mais de 60 anos no cinema e na televisão.

Segundo seu porta-voz, Nielsen morreu em um hospital perto de sua casa em Fort Lauderdale, na Flórida, ao lado de sua esposa, Barbaree, e amigos às 5h34 (8h34, horário de Brasília).

Nascido em 11 de fevereiro de 1926, em Regina, na província de Saskatchewan, filho de um respeitado policial canadense, Nielsen fez aparições como um atirador da Força Aérea e um DJ de rádio antes de estudar teatro em Toronto e depois na cidade de Nova York.

Seu primeiro grande trabalho foi em 1950 em uma participação na série de TV "Studio One". Ele chegou a Hollywood em 1954 para estrelar no filme "O Rei Vagabundo", do diretor de "Casablanca", Michael Curtiz.

Durante os primeiros 30 anos de carreira, Nielsen trabalhou em séries de TV como "Peyton Place" e "The Virginian", e ficou conhecido por interpretar figuras de autoridade, como o capitão do navio cruzeiro no filme "O Destino do Poseidon", de 1972.


Mas as gerações seguintes conheceram o ator de cabelos brancos em comédias dos anos 1980, como "Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu!" e a trilogia de "Corra que a Polícia Vem Aí".

Nielson também apareceu em 1996 na comédia "Duro de Espiar", como o agente WD-40, e em "O Foragido" (1998), uma paródia de "O Fugitivo". Mais recentemente, o ator interpretou o cômico presidente na paródia de 2003 "Todo Mundo em Pânico" e participou também do segundo filme em 2006.

Fonte: O Globo

Echo Park


Em 1993, Marie Gesto desapareceu depois de sair de um supermercado em Hollywood, o detetive encarregado do caso é Harry Bosch que nunca conseguiu concluir a investigação, durante 13 anos de sua vida Harry nunca desistiu de Marie, se aposentou da polícia, mas anos depois voltou à ativa na unidade de Casos Abertos/Não resolvidos (Igual ao seriado Cold Case).

Um dia Harry recebe uma ligação da promotoria informando-o que um assassino serial está disposto a confessar mais crimes para evitar a pena de morte, e um desses crimes seria a de Marie Gesto.

Depois de tantos anos atrás de um rosto, Harry tem a possibilidade de fechar o caso e dar aos pais de Marie a chance de enterrarem sua filha, mas o assassino só irá falar com o responsável pelo caso, que é Harry.

Segue-se então uma série de embates burocráticos sobre a liderança da investigação e depois de uma entrevista na prisão onde o assassino confessa o crime com minuciosos detalhes, informando até mesmo o conhecimento da cova onde o corpo de Marie está, a promotoria inicia os preparativos para uma excursão com o criminoso ao local onde o corpo se encontra e é nesse momento que o caso se complica quando o assassino consegue fugir e matando vários policiais e ferindo gravemente a parceira de Harry.

Harry lança-se em uma perseguição implacável ao serial killer, sabendo que o tempo está se esgotando para achá-lo, ao mesmo tempo que Harry começa a encontrar falhas e lacunas no caso da promotoria, agora mais do que nunca ele irá precisar de toda sua experiência pra resgatar uma nova vítima que o assassino tomou durante a fuga e resolver o caso.

Um suspense muito bom de Michael Connely, que já foi jornalista policial durante 10 anos antes de se dedicar apenas a literatura.

Echo Park foi eleito, em 2006, o Melhor Livro de Mistério do Ano pelo Los Angeles Times.

Recomendo !

Marcello Lopes

Tudo que Leio

Lendo algumas notícias do fim de semana me deparei com interessantes destaques :

1)  O seriado norte-americano Dexter vai ser exibido em versão dublada pela Rede TV! a partir do dia 6 de dezembro.

Ok. Muito me surpreenderia se exibissem a série no original e legendada ! Aliás, é um dos motivos que eu não ligo mais a tv, os dubladores são horríveis e o filme perde seu encanto, quem assistiu Al Pacino no original não deve suportar uma dublagem pra lá de mandrake.

2) Casseta &Planeta anunciam encerramento do programa humorístico em 2011.

Nossa ! Demorou, desde quando o Bussunda faleceu já deveriam ter terminado o programa, que depois de tanto tempo já estava se tornando repetitivo e chato.

3) As imagens do banheiro da pintora Frida Kahlo (1907-54), realizadas pela fotógrafa mexicana Graciela Iturbide, integram exposição na Pinacoteca do Estado de São Paulo do dia 4/12 até 30/01

Imperdível mostra de fotos que expõe um pouco mais a intimidade de uma das mais polêmicas artistas que o mundo conheceu.

4) Fnac inaugura loja em Belo Horizonte.

Começa finalmente o início do fim do monopólio da rede Leitura, com seu atendimento precário e lojas atulhadas de quinquilharias, a loja da Fnac é espaçosa, bem arrumada e tem 3 mil m² onde se encontram a Apple Shop, a Galeria Fnac, o café, o Fórum com capacidade pra 120 pessoas. É hora dos mineiros conhecerem outros ares livreiros. Eu já trabalhei na Fnac e fui convidado para trabalhar nessa filial mas não aceitei.

Marcello Lopes

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Rock in Rio


Por enquanto foram confirmados os nomes de Red Hot Chili Peppers, Snow Patrol, Capital Inicial, Metallica, Sepultura e Angra.

O Rock in Rio ocorre de 23 de setembro a 2 de outubro de 2011. 

Você pode comprar seu cartão que permite que você escolha o dia de sua preferência depois, no site aqui 

Marcello Lopes

Belvedere


Um filme que deve criar muita discussão é o novo filme do diretor bósnio Ahmed Imamovic, chamado Belvedere sobre o massacre de homens e garotos mulçumanos pelos soldados do exército sérvio. 

Cerca de 8.300 homens, idosos e garotos foram assassinados depois da cidade Srebrenica ser invadida pelos grupos de elite sérvios. 

Essa ação é considerada uma das piores atrocidades desde a 2° Guerra Mundial.


O filme será lançado em 2 de Dezembro em Sarajevo e foca no grupo de mães que ainda procuram os restos mortais de seus filhos, maridos e parentes, o nome Belvedere faz alusão ao campo de refugiados onde os sobreviventes foram confinados.

"Esse filme não é sobre a guerra, mas sobre as consequências da guerra", disse o diretor à imprensa.

Belvedere conta sobre as vidas solitárias dos parentes das vítimas que foram massacradas, na maioria mães e esposas que passam seus dias andando entre covas coletivas e centros de identificação. 

O exército sérvio enterrou os mortos em valas coletivas para dificultar a identificação dos mortos, que estão sendo aos poucos reconhecidos por testes de DNA.

Um filme para poucos, mas muito importante para a história da humanidade.

Marcello Lopes

RUBICON - A série que morreu prematura


Fiquei sabendo hoje pelo site da emissora AMC que a série Rubicon seria cancelada já no fim de sua 1° temporada.

O me deixa triste por que a série é muito superior às outras séries que estão passando na tv hoje em dia, e digo isso em termos de qualidade e produção.

A série mostra Will Travers, um analista de uma empresa sem fins lucrativos na área política, uma firma que faz prognósticos de possíveis crises partindo da análise sócio-política de um país. Com uma inteligência acima do normal Will descobre uma estranha combinação de palavras cruzadas em diversos jornais de grande circulação, todas no mesmo dia, como se fosse um código de comunicação. 

Will leva sua descoberta ao chefe e ex-sogro David que depois de ser informado sobre a possível conspiração morre em um acidente de trem, deixando como herança à Will, sua posição na firma e uma moto.

A série é complexa, obriga o espectador a assistir atentamente por causa dos seus inúmeros detalhes e tem seus personagens muito bem construídos e complexos. 

Will é um homem amargurado pela morte da família no ataque às torres gêmeas, David por sua vez é um homem que tem verdadeira adoração por números e seus significados, tanto que não estaciona seu carro na vaga n° 13. 

A série é repleta de detalhes que aos poucos vamos desvendando, como o jogo de xadrez que Will guarda como recordação de David, a questão dos homens reunidos sempre em escritórios de portas fechadas, o significado de cada palavra cruzada, uma sequência de números encontrados por Will deixa a impressão no espectador de angústia e curiosidade.

Correndo paralelamente ao drama de Will, conhecemos também a personagem de Miranda Richardson, chamada Katherine Rhumor, esposa de um executivo que se mata ao receber um trevo de folhas, que parece ser o símbolo do grupo secreto que arma as conspirações ao longo da temporada. 

A trilha sonora é uma ferramenta útil para aumentar o grau de mistério que a série possui.

Infelizmente os executivos só vêem números e cifras, pois a série é tão bem estruturada que parece que estamos assistindo um filme, com fotografia competente e personagens sólidos.


Marcello Lopes

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A Pista de Gelo


A pista de gelo foi o primeiro romance publicado por Roberto Bolaño, em 1993.

Nele já estão presentes os elementos fundamentais de seu universo literário, a começar pela narração em primeira pessoa, feita por diversos personagens, que prenuncia as posteriores polifonias alucinantes, como em Os detetives selvagens.

Em A pista de gelo, três personagens se alternam na narração dos estranhos eventos que acontecem em Z, um pequeno balneário da costa catalã - Remo Morán, chileno, pretenso escritor que venceu na vida como dono de bar e loja de bijuterias; Gaspar Heredia, poeta mexicano desgarrado que vive de biscates e no momento é o negligente vigia noturno de um camping; e Enric Rosquelles, zeloso funcionário de confiança da prefeita.

Seus destinos se cruzam em torno de uma bela patinadora, uma pista de gelo clandestina - e um assassinato. O que nos leva a outra matriz da ficção de Bolaño - o romance policial, que lhe empresta a agilidade da narrativa, a capacidade de revelar a trama aos poucos e envolver o leitor como o detetive que analisa as pistas e desvenda o mistério.

Fonte: Cia das Letras

Balada Literária

Organizada pelo escritor Marcelino Freire, a balada literária ocorre no bairro da Vila Madalena e utiliza o espaço de bares para promover o bate papo com o leitores, aproximando com isso o autor do público.

Reúne autores brasileiros e estrangeiros para um papo informal, e a programação começa hoje às 11hs da manhã com a escritora Lygia Fagundes Telles na Livraria da Vila.

Depois desse encontro os dramaturgos Alcides Nogueira e Lauro César Muniz conversam com o público no mesmo local.

De autores estrangeiros o destaque fica por conta de Alberto Manguel, que conversa com o público às 19hs no Sesc Pinheiros, além dele participam da balada, o alemão Ulrich Peltzer, o angolano José Eduardo Agualusa.

Confira toda a programação em baladaliteraria.zip.net.

Marcello Lopes

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Moçambique em poesia



Levou tempo, mas a prosa moçambicana conseguiu sair dos círculos acadêmicos e já conquistou alguns fãs no Brasil. Mia Couto é o melhor exemplo disso. Ele tem 9 livros publicados pela Companhia das Letras e outro infantil pela Língua Geral, e é presença constante nos eventos literários realizados país afora.

Agora, a Editora UFMG quer fazer o mesmo com a poesia, esta sim inédita para a maior parte dos brasileiros. Pensando nisso, acaba de lançar, com organização da portuguesa Ana Mafalda Leite e do brasileiro Wander Melo Miranda, a Coleção Poetas de Moçambique. Os dois primeiros títulos trazem poemas de Rui Knopfli (1932-1997) e de José Craveirinha (1922-2004), e outros dois, com textos de Glória de Sant’anna e Luís Carlos Patraquim, chegam ao mercado no ano que vem. A coleção foi apresentada no Fórum das Letras de Ouro Preto por Roberto Said, vice-diretor da Editora UFMG.

O caminho vai ser árduo, mas isso não desanima a editora. “O leitor de poesia é sempre um clã clandestino e essa coleção é dedicada aos bons leitores de poesia. É uma tentativa de trazer ao país um pouco da poesia feita na terra de romancistas já consagrados, mas de poetas inéditos”, disse Roberto Said, que pretende, com o tempo, ampliar a coleção. “Nossa ideia é trabalhar com a literatura africana em língua portuguesa e há potencial aberto para fazer o mesmo com os poetas de Angola”.

Para Ana Mafalda Leite, professora e pesquisadora de literatura africana de língua portuguesa, a literatura é feita de romance e de poesia e a poesia moçambicana é de uma enorme qualidade. “É um pouco dramático ver que só o romance moçambicano tem um leitor, e o que essa editora está fazendo é um enorme trabalho em prol da literatura africana”, disse.

A ideia dessa coleção nasceu de um encontro com o também professor Wander Melo Miranda, da UFMG, em 2006, e porque era escassa a bibliografia para adoção em sala de aula. “O estudo da literatura africana está crescendo nas universidades brasileiras e ter matéria-prima é primordial”, comentou Ana.

Roberto Said disse que pretende promover lançamentos em Portugal e em Moçambique, que provavelmente serão realizados durante algum seminário preparado especialmente para apresentar as novas obras.

Autores

Rui Knopfli e José Craveirinha (1922-2004) são os fundadores da poesia moderna africana e nada mais justo que a escolha dos dois nomes para o lançamento da coleção. “Craveirinha é mais nativista e Knopfli, mais universal. Eles são os dois maiores marcos da poesia moçambicana”, comentou a Ana Mafalfa Leite.

Gloria de Sant'Anna é, segundo Ana Mafalda Leite, a voz feminina da literatura moçambicana. Ela começou a escrever nos anos 60 e morreu recentemente. “Ela tem uma obra diversificada, sofreu influência de autores brasileiros como Cecília Meireles, e transita entre o bucolismo e a poesia local”.

Já Luís Carlos Patraquim é uma voz representativa e é o único vivo entre os quatro. Querem trazê-lo ao Brasil em abril de 2011.

Fonte: Publishnews

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Edmond Amran El Maleh


O escritor marroquino Edmond Amran El Maleh, que celebrou em sua obra a convivência das culturas árabe, judia e berbere na tradição de seu país, morreu nesta segunda-feira no Hospital Militar de Rabat aos 93 anos.

Nascido em 1917 em uma família judia de Safi (no sudoeste do país), Maleh foi um dos intelectuais mais conhecidos do Marrocos, e um fervoroso militante de diversas causas até seus últimos dias.

Embora não tenha publicado seu primeiro livro até os 63 anos, sua obra, integralmente escrita em francês, lhe valeu em 1996 o Grande Prêmio do Marrocos.

"É um escritor excepcional, o primeiro a ser ao mesmo tempo judeu, marroquino e educado na escola laica francesa. A força de sua obra nasce desta contradição", disse à Agência Efe o escritor espanhol estabelecido em Marrakech Juan Goytisolo, bom conhecedor de seu trabalho.

"Foi uma perda muito importante para todos os amigos", lamentou o autor espanhol, que destacou a qualidade humana de Maleh, e lembrou particularmente seu apoio à causa palestina, que, segundo ele, "lhe fechou muitas portas na França".

Em sua juventude, Maleh militou pela independência de seu país e foi atuante no clandestino Partido Comunista Marroquino. Em 1965, com a chegada de Hassan II, abandonou a atividade política e se exilou na França, onde passou os seguintes 30 anos exercendo os ofícios de professor de filosofia e jornalista.

Em 1980, começou sua carreira de escritor, na qual explorou os gêneros de romance, ensaio e a crítica de arte, com obras como "Aïlen ou la nuit du récit".

"Cada umas de suas obras tem uma colocação literária diferente", disse Goytisolo, ressaltando que "sua originalidade é que não se dirigia ao público francês, mas pensava sempre como destinatário o leitor marroquino, por isso escrevia em um francês próprio no qual transparecia o dialeto marroquino e as expressões judias".

Já de volta ao Marrocos, em fevereiro de 2004, Maleh recebeu do rei Muhammad VI a condecoração do Wisam Al Kafaa.

Seu último livro, "Lettres à moi-même" foi publicado em fevereiro, e nele o autor relata sua época de exílio em Paris, onde viveu, entre outros episódios, os eventos de maio de 1968.

Rachel de Queiroz


Inédito há 82 anos, o livro de poemas Mandacaru, de Rachel de Queiroz, será finalmente lançado na quarta-feira durante a abertura das comemorações do centenário de nascimento da escritora cearense (17/11/1910-4/11/2003) pelo Instituto Moreira Salles (IMS) do Rio, que programou para a data uma série de eventos. Entre as atividades está a exposição Rachel de Queiroz Centenária, que tem curadoria do consultor literário da instituição, o poeta Eucanaã Ferraz.

A edição fac-símile dos dez poemas de Mandacaru (160 págs., R$ 36) é um marco: o livro deveria ter precedido o lançamento de sua obra mais conhecida, O Quinze (1930), com o qual mantém vínculos que não se restringem à temática do romance - a via-crúcis dos retirantes que tentam escapar da seca e da miséria. Mandacaru é uma espécie de carta de intenções de Rachel, que tentou com a poesia se aproximar dos modernistas paulistas em 1928, dois anos antes de o movimento ser declarado oficialmente morto por um de seus criadores, Mario de Andrade.


Organizadora da edição, Elvia Bezerra, do IMS, garante que só sobrou esse inédito entre os documentos do arquivo Rachel de Queiroz confiados à guarda da instituição, que totalizam 5 mil itens entre manuscritos, livros de anotações, fotos, periódicos, cartas e recortes de jornais. Um pequena parte deles estará na mostra do centro cultural carioca do Instituto, que destaca, entre outras peças, as aquarelas do romance O Galo de Ouro, publicado em forma de folhetim pela revista O Cruzeiro, entre setembro de 1950 e junho de 1951. Fazem parte ainda das comemorações a exibição do filme O Cangaceiro (quarta, às 16h), dirigido por Lima Barreto com diálogos de Rachel de Queiroz, uma conferência de Heloísa Buarque de Hollanda sobre a escritora (na mesma data, às 19h) e a leitura de sua peça A Beata Maria do Egito (dia 23, às 20h), com direção de Aderbal Freire-Filho.

Primeira mulher a entrar na Academia Brasileira de Letras, em 1977, a escritora também será homenageada pela instituição, que abre na quarta-feira a mostra Rachel de Queiroz - Atravessando o Século, em seu Centro Cultural. Lá estarão, entre outros livros, os três infantis publicados pela editora Saraiva: Andira, Cafute & Pena-de- Prata e O Menino Mágico. Duas outras obras infantis estão a caminho pela editora José Olympio, casa onde a escritora começou e terminou sua carreira.


Rachel teve a sorte de contar com uma amiga leal que guardou seus manuscritos, Alba Frota, inspiração para a personagem Maria José de As Três Marias. Chefe do Serviço de Documentação da Universidade Federal do Ceará, Alba, morta num acidente de avião em 1967, recebeu de Rachel os manuscritos de Mandacaru. A primeira notícia sobre o livro saiu no Correio do Ceará, em 1928, revelando que estava definido o lançamento, depois suspenso pela autora, que acabou publicando quatro dos dez poemas em revistas e jornais. Um dos manuscritos se perdeu e foi recuperado, o do poema Lampião, que a revista Cipó de Fogo publicou em seu único número, em 1931. Coube ao pesquisador Fábio Frohwein, do IMS, localizar o original que agora integra a edição de Mandacaru.

No prefácio, a autora se apresenta aos "Novos do Sul" como alguém que acredita no messianismo do movimento modernista paulistano e comunga do seu projeto de brasilidade, mostrando-se também disposta a tirar do Brasil a "velha e surrada casaca europeia" e fazê-lo vestir uma "roupa mais nossa, feita do algodão da terra". O título Mandacaru é justificado por ela como o signo da raça, que, isolado e de aparência inútil e agressiva, resiste à tortura da seca. Também a modernista Tarsila usou o mandacaru em sua tela mais famosa, o Abaporu, pintada no mesmo ano em que foi escrito o livro da cearense.


Como observa a coordenadora da edição, em Mandacaru já estão esboçados todos os temas de O Quinze, do êxodo nordestino à ascensão de Lampião. Talvez a escritora tivesse desistido de publicar Mandacaru em 1928 por estar insatisfeita com o gênero. "Ela devia estar tateando o estilo", diz, identificando na "prosa enxuta" de O Quinze uma desenvoltura que Rachel de Queiroz não demonstrava na poesia. "De qualquer modo, ela fala de emoções e de um cenário que conhecia bem", conclui Elvia.

Nesse cenário feudal, retratado pelos regionalistas nordestinos dos anos 1930, predominava a figura masculina do escritor e personagens de um mundo essencialmente viril de senhores de engenho e cangaceiros. Rachel foi a primeira mulher nordestina a penetrar nesse reduto de cabras-machos, elegendo já em seu primeiro livro de poemas personagens femininos fortes como dona Bárbara Pereira de Alencar (1764-1831), matriarca e heroína histórica que participou da Revolução Pernambucana de 1817 - e, nos anos 1990, guerreiras como Maria Moura. (Consta que, ao ler O Quinze, Graciliano Ramos teria desconfiado do nome impresso na capa, acreditando estar diante de um livro escrito por homem).

Segundo a editora Maria Amélia Mello, da José Olympio, Memorial de Maria Moura (1992) é até hoje um dos mais vendidos entre os 12 livros da escritora publicados pela casa, ao lado de O Quinze, sempre nas compras governamentais destinadas às escolas. Rachel esteve ligada à editora desde os anos 1930, tendo traduzido livros de Dostoievski e Balzac. "Ela passou 50 anos sem nenhum contrato assinado, fazendo da José Olympio seu endereço de correspondência quando morava na ilha do Governador", conta Maria Amélia, que acaba de lançar Não Me Deixes, livro com receitas e fotos da fazenda de mesmo nome pertencente à escritora.

Maria Amélia, que também lançou uma nova edição de Tantos Anos, fora de catálogo há muito, prepara um novo livro da autora, O ABC de Rachel de Queiroz - espécie de perfil literário - e seleciona as crônicas da escritora para um próximo volume. Foi esse o gênero que a consagrou e com o qual se despediu dos leitores, no Caderno 2, do Estado, onde assinou um texto por semana entre 1988 e 2003. "Ela era irreverente, engraçada, uma profissional que se dizia preguiçosa, mas que produziu como ninguém", comenta a editora. De fato. Só de crônicas, Rachel de Queiroz deixou 3 mil para comprovar. Tinha um profundo fascínio por escrever em jornal.

Fonte: Estado de Sp

Designs on Film


Um viva aos cineastas que conseguem, por meio do décor, nos fazer viajar no tempo, nos transportar a mundos distantes, nos instigar e nos deleitar com histórias passadas ou projetadas no futuro. É sabido que o cérebro humano processa o visual mais rapidamente do que a informação verbal, daí a importância dos cenários de um filme, independentemente do roteiro.

Se bem construído e imaginado, o ambiente criado pelo cineasta pode servir como lição de estilo, aportar cultura, ensinar história e ainda contextualizar hábitos e costumes de um determinado período. Um ótimo exemplo é A Época da Inocência, filme de 1993, dirigido por Martin Scorsese e baseado no livro homônimo de Edith Wharton.

A opulência dos ambientes criados por Scorsese é uma lição sobre o estilo vitoriano, adotado pela alta burguesia americana de hábitos aristocráticos na Nova York da virada do século 19. Para ser o mais fiel possível ao mundo criado por Wharton - coautora de The Decoration of Houses, de 1898, considerado o primeiro tratado sobre decoração do mundo -, o cineasta contratou a historiadora de arte e decoradora Robin Standefer, que se dedicou por dois anos à tarefa de compor os ambientes em cada mínimo detalhe.

Para Scorsese, a montagem dos cenários é o único elemento puro e original do cinema. Por isso, escolheu como locação das filmagens a pequena cidade de Troy, no Estado de Nova York, onde alguns edifícios permanecem intactos desde o início do século 20.

Outro filme de extasiar os fãs do design de interiores é Violência e Paixão, de Luchino Visconti, autor de filmes fascinantes em matéria de roteiro, costumes e décor - como O Leopardo, Ludwig - A Paixão de um Rei e Morte em Veneza. Em Violência e Paixão, Visconti nos remete a um belo palácio romano, onde um solitário professor vive dedicado à sua coleção de pinturas inglesas do século 18. São as conversation pieces, que mostram cenas idílicas de famílias da aristocracia ou da alta burguesia entre crianças, cachorros e cavalos. De um dia para o outro, o mundo do velho professor é invadido por uma família sem escrúpulos, que aluga o segundo andar do palácio.


A decoração contemporânea escolhida pelos recém-chegados, típica dos anos 70, se contrapõe à preciosa ambientação original, ainda presente no andar de baixo, onde predominam afrescos, paredes marmorizadas, livros e antiguidades. Os cenários, fruto da imaginação de Visconti, compõem um mundo fictício, criado a partir de elementos do barroco romano e da reprodução em estúdio de detalhes verdadeiros, como a fachada da Villa Falconieri, em Frascati, e a decoração do Palazzo Madama, em Roma.

A inspiração teria sido o escritor e colecionador italiano Mario Praz, morto em 1982, também um solitário morador de palácio, apaixonado por móveis e objetos do século 19 e que concebia a vida como um teatro. No entanto, ao contrário do professor no filme ou do próprio Visconti, Praz, autor de livros como A Casa da Vida e Uma História Ilustrada da Decoração, era dono de um estilo mais funéreo, neoclássico e decadente.

Quem se interessa por outros estilos de decoração pode aprender - e se divertir - com filmes em que o decorador é ele mesmo o personagem principal. É o caso de Confidências à Meia-Noite, onde uma Doris Day bem vestida, morando num apartamento supercool, se vinga do namorado infiel ao criar em seu bachelor-flat, um horrendo décor. Ou de Mais uma Vez Adeus, de 1961. Baseado no romance Bom Dia Tristeza, de Françoise Sagan, traz Ingrid Bergman no papel de Paula, a decoradora bem-sucedida que vestia Christian Dior e usava joias Van Cleef & Arpels.

E, aos que lamentam a ausência de um livro sobre o tema, uma notícia animadora: no próximo dia 30, a Harpers Collins lança, nos EUA, Designs on Film - A Century of Hollywood Art Direction. No livro, a autora Cathy Whitlock, depois de muito ver filmes e de pesquisar no Art Directors Guild, narra a evolução da direção de arte no cinema, do século 20 aos dias de hoje.


Cathy, jornalista que é também decoradora, discute desde a portentosa arquitetura de Cleópatra - idealizada pelo produtor de arte John DeCuir - aos efeitos digitais do novíssimo Avatar. Com quase 400 fotos e ilustrações, ela mostra como, nos tempos pré-computador, muitos produtores e diretores de arte eram, de fato, talentosos artistas e artesãos, capazes de pintar ambientes realistas em magníficas aquarelas.

O livro nos apresenta profissionais como William Cameron Menzies, que em 1939, idealizou todos os cenários de ...E O Vento Levou - incluindo o famoso incêndio de Atlanta. Foi dele a ideia de usar veludo vermelho no salão de Belle Watling e também a façanha de colocar, no mesmo ambiente, o retrato de um nu que passou despercebido da censura.

E fala também de Edith Head, a designer cuja enorme habilidade pode ser medida pela adoração que lhe tinha Alfred Hitchcock. O mestre do suspense tinha horror a tudo que fosse eye-catcher, ou seja, a qualquer elemento que desviasse da trama de seus filmes o olhar do espectador.


Fonte: Estado de Sp

Diários



"Quem inventou o casamento era um torturador astuto. É uma instituição destinada a embotar os sentimentos." 

Reflexões agudas como essa, entre a amargura e a ironia, fazem parte da matéria-prima destes Diários, espécie de buraco da fechadura privilegiado por onde se enxerga a intimidade mental e existencial dos anos de juventude de uma das intelectuais mais influentes da América do pós-guerra.

Selecionados por seu filho David Rieff depois de sua morte, os trechos ora publicados exibem um foco temático irrequieto que se desloca num caleidoscópio de assuntos da esfera pessoal e cultural. 

A par do seu vasto itinerário de leituras e experiências de fruição artística, presenciamos aqui, em registro confessional, a descoberta adolescente da sexualidade, as vivências como caloura precoce na Universidade da Califórnia, onde ingressou aos dezesseis anos, o breve casamento aos dezoito com seu professor Philip Rieff e as duas grandes relações amorosas mantidas com mulheres na sua fase de jovem adulta.

Os Diários nos transportam, enfim, para o denso e rico mundo mental de uma jovem Susan Sontag em plena batalha diária para se tornar Susan Sontag.

Fonte: Cia das Letras

Hotéis Bibliotecas


Virar a página dos lugares parecidos em que sempre se hospeda. Entrar em outra história, dormir com elas ao lado, tomar café, andar pelos corredores, ir ao restaurante e eles, os livros, estão lá nas estantes, por todos os cantos. A um esticar de braços tem-se fatos antigos, ficcionais, de idiomas que nem existem mais, ou novos em várias línguas, o português mais escasso. Está-se num hotel-biblioteca, não único, mas em uma série que se repete, plagia-se, por aí, impressos em papel nessa era de exibição dos iPads, em que num toque na tela do aparelho tem-se a página à frente dos olhos. Não se competem, há espaço para os livros encadernados, que pulam daqueles lugares silenciosos, sisudos para os de lazer, turísticos.

A biblioteca pública de Nova Iorque, nos Estados Unidos, foi copiada, transportada em pequenas proporções, e virou o The Library Hotel, na mesma região, em Manhattan. Seus 20,5 milhões de exemplares se reduzem a 6 mil espalhados por todo o prédio de 12 andares. “Ele foi todo inspirado na biblioteca pública”, diz Yogini Patel, diretora de marketing do The Library. Cada andar com seu tema, de ciências, linguagem, tecnologia, literatura, história, filosofia a religião, no último andar, mais próximo do céu. Não se condensa a isto: os 60 quartos têm coleções de livros e obras de arte com o assunto que lhes cabe naquele piso. A sala de leitura fica aberta 24 horas e há o Jardim da Poesia, o estilo mais procurado pelos hóspedes de lá. “São viajantes de todas as partes do mundo, tanto a trabalho como por lazer, que se interessam pelo conceito de hotel-biblioteca.

Essa ideia, que surgiu para atrair hóspedes letrados ou interessados em literatura, ganha continentes, a Europa, Madri, onde está o Hotel de Las Letras, com livros nos quartos, lounge, bar, restaurante, biblioteca. Em suas paredes há textos, poemas, citações, pequenas histórias. “Isso faz com que nossos hóspedes se sintam como se estivessem em suas casas”, argumenta Mariana Lezama, diretora de vendas. Lançam livros lá, leem, doam exemplares que vão parar nas prateleiras, nas mãos da sequência de pessoas que se hospedam dia após dia no de Las Letras.

The Library Hotel - NY

“Durante a semana, nossos clientes são banqueiros, editores, escritores. Nos sábados e domingos, são turistas”, afirma Mariana. Ávidos por guias de viagens e têm à mão também livros em sua maioria em idiomas espanhol, inglês, francês, holandês e alemão, sem os práticos tradutores instantâneos na tela. Até agora, nem um em língua portuguesa. “Infelizmente’, diz a diretora. Só se cruzar mais um continente, chegar ao oceano Pacífico, no litoral sul da Tailândia, na ilha Ko Samui, no The Library. Lá, sim, nas estantes espichadas por paredes brancas, na praia, na piscina vermelha, há livros em português entre os de línguas inglesa, russa, alemã, francesa, espanhola, italiana, holandesa, japonesa, coreana, chinesa, tailandesa.

Biblioteca de babel, em quase todos os idiomas ao saber do hóspede, a maioria jovens casais e pessoas que viajam sozinhas. “Aqui é para se ter férias verdadeiramente simples e relaxante. Cada página responde ao desejo do hóspede”, avisa Thanyaporn Thirawat, gerente de marketing. Pode-se viajar na leitura deitado em colchões brancos em frente à praia ou na piscina vermelha, apontada entre as 10 melhores do mundo por especialistas em turismo. Há tempo dilatado, livros e mais livros para escolher nas prateleiras, ler, viajar nessas ficções e não-ficções, em lugares diferentes do dia a dia e fazer sua própria história. Espalhar livros pelas bibliotecas em hotéis nesse mundo de papel.

Library-Hotel - NY
Library, Nova Iorque (EUA)

  • 6 mil livros espalhados pelos 12 andares do hotel. São de línguas inglesa, árabe,asiática, eslava, germânica e idiomas antigos
  • 60 quartos têm coleções de livros e obras de arte sobre o assunto que pertence o andar em que se encontram
  • Cada andar é referente a um assunto:
  1. 3º andar  Ciências sociais
  2. 4º andar Linguagem
  3. 5º andar Matemática
  4. 6º andar Tecnologia
  5. 7º andar Artes
  6. 8º andar Literatura
  7. 9º andar História
  8. 10º andar Conhecimentos gerais
  9. 11º andar Filosofia
  10. 12º andar Religião
Diárias vão de 245 (417,60 reais) a 769 dólares (1310,75 reais)

The Library Hotel - Thailand
The Library, Koh Samui (Tailândia)

 
Há biblioteca e livros em todos os locais, inclusive na praia. São de vários idiomas, como português, inglês, alemão, francês, espanhol, italiano, holandês, japonês, chinês e tailandês

Os livros mais pedidos são de não-ficção e design

A maioria dos hóspedes dos 26 apartamentos é de casais jovens e pessoas que viajam sozinhas

Diárias variam de 14.957 baths (831,31 reais) a 18.992 baths (1.055,58 reais)

Las Letras - Madrid
De Las Letras, Madri (Espanha)
 
Há livros no quartos, lounge, bar. São de idiomas inglês, espanhol, francês, alemão

Todos os apartamentos e áreas comuns há textos, poemas citações e pequenas histórias

Arquitetura, romance e guias de viagem são os mais procurados

A maioria dos clientes é na faixa etária de 35 a 55 anos

Diárias variam de 130 euros (292 reais) a 258 euros (601 reais)  
 
Site do hotel aqui

Las Letras - Madrid

Fonte: Revista Viver Bh

sábado, 13 de novembro de 2010

Ilha do Tesouro


Jim e seus companheiros navegam em busca do tesouro do lendário capitão Flint. Cheios de confiança, eles nem imaginam que estão à mercê de bandidos sanguinários. Agora, só muita astúcia e coragem conseguirão salvá-los de Long John Silver, o pirata mais esperto que já cruzou os mares.

Suspense e aventura num romance que há mais de cem anos fascina leitores de todas as idades.

Talvez o livro que resgatou o gênero e lançou uma série de outras aventuras marítimas na literatura e cinema.


Foi um dos meus primeiros livros, quando eu já tinha devorado a coleção Vagalume, li em uma tarde e depois fiquei dias imaginando como seria uma aventura no mar, só imaginando por que tenho pavor de água por todos os lados..

Se você morou algum tempo em Marte e não leu, por favor leia e depois assista Piratas do Caribe, as semelhanças não são meras coincidências. 

Marcello Lopes

Robert Louis Stevenson


No dia 13 de novembro de 1850, nascia em Edimburgo, na Escócia, Robert Louis Balfour Stevenson,
apesar de ser pressionado pelo pai para ser engenheiro civil, Robert decidiu ser advogado, na faculdade começa a escrever para o jornal universitário e é nesse momento que lhe desperta o gosto e o talento para a literatura.

Concluída a faculdade, Robert muda-se para Londres onde passa a frequentar os salões literários, tempo depois uma nova viagem, agora pela Europa. Em 1876 conhece Fanny Osbourne, uma americana 10 anos mais velha com quem se casa em 1880 nos Estados Unidos.

Em 1886 escreve O Médico e o Monstro um dos seus maiores sucessos literários, em 1887 Robert volta aos Estados Unidos para se tratar da tuberculose, no ano seguinte viaja à bordo de um veleiro por ilhas do Pacífico Sul com a esposa e o enteado, dando ao escritor inspiração para escrever seu livro Ilha do Tesouro assim como uma viagem com seu pai por algumas ilhas, e também a escolher morar em Apia nas Ilhas Samoa em 1889.

Faleceu de hemorragia cerebral.

Pesquisa: Marcello Lopes

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Henryk Mikolaj Górecki


O Compositor polonês Górecki faleceu hoje aos 76 anos de idade.

Seu trabalho mais famoso é a sinfonia n° 3 chamada Sinfonia das lamentações, para soprano e orquestra, composta em 1976. Uma gravação da obra em 1992 vendeu mais de 2 milhões de discos.

Suas primeiras obras foram vanguardistas, mas mais adiante em sua carreira Górecki foi influenciado pela música polaca e temas da história de seu país, refletidos em obras como Lamentações.

No segundo movimento, o compositor transforma em música uma oração escrita por uma prisioneira de apenas 18 anos no muro de sua cela de uma prisão da Gestapo durante a Segunda Guerra Mundial.

Beatus vir (Santo masculino) foi recebida por Karol Wojtyla antes de ser coroado papa João Paulo II, para comemorar os 900 anos da morte do mártir Estanislao, o bispo de Cracóvia, logo canonizado. Se trata de um salmo para barítono, coro e orquestra.

Górecki nasceu em 6 de dezembro de 1933 em Czernica, na região mineira da Silésia no sul da Polônia.


O vídeo abaixo foi retirado do filme Holocausto.



Fonte: Estado de Sp

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Pena Capital


Frank Beachum, condenado pelo assassinato de uma jovem grávida, está no corredor da morte. O tempo que lhe resta antes de receber a injeção letal ele dedica à família que ama, a orações e a uma entrevista a um repórter de vida desregrada que precisa de uma grande matéria para salvar a carreira.

Depois da conversa, o jornalista Steve Everett começa a desconfiar que Frank é vítima de um terrível erro da Justiça americana, e decide arriscar tudo para salvá-lo. O maior inimigo do jornalista é o relógio, faltam apenas 18 horas para que seja cumprida a sentença.

Para Steve é tudo ou nada, tanto para sua carreira como repórter como para Frank, e ele decide quebrar todas as regras para salvá-lo.

Pena Capital é um livro de narrativa fácil e ágil, Steve em sua corrida contra o tempo mostra todas as falhas de um sistema penal que muitas vezes é racista e injusto.


O livro ganhou uma adaptação para o cinema em 1999 com Clint Eastwood  que dirigiu, produziu e estrelou a película chamada aqui no Brasil como Crime Verdadeiro. 

Ambos valem a pena !!!

Marcello Lopes

Fotografia


O livro reúne 500 imagens da capital francesa feitas por Robert Doisneau (1912-1994). O volume mostra Paris e seus personagens em imagens e anotações extraídas de cadernos pessoais do fotógrafo. Doisneau soube compreender a essência do mundo urbano como um organismo vivo, mostando uma interação entre arquitetura, espaço público e seus habitantes. Com belos trabalhos para as revistasVogue, Life e Paris Match, ele viu nas ruas a possibilidade de fazer uma leitura poética e fluída da vida, muitas vezes com toques surreais. Conhecido por suas composições em preto-e-branco, de grande elegância, sensualidade e humor, o artista influencia até hoje gerações de fotógrafos, que se inspiram na sua abordagem lírica e incisiva do cotidiano.

Robert Doisneau (1912-1994), um dos mais proeminentes fotógrafos da escola francesa, conhecida pelo enfoque humanista geralmente captado em flagrantes reveladores nas calçadas das ruas, tem agora parte de seus mais de 400 mil negativos editados na obra Paris Doisneau.

Formado em litografia, Doisneau aprendeu a fotografar de forma autodidata nos anos 1930, momento em que as primeiras câmeras mais leves e velozes permitiam congelar imagens em movimento, gerando cenas com grande naturalidade. A esse fator acrescentou composições em preto-e-branco de grande elegância, sensualidade e humor, que se tornariam sua assinatura. Até hoje gerações de fotógrafos se inspiram na sua abordagem lírica e incisiva do cotidiano.

Doisneau iniciou sua carreira em 1934 na fábrica da Renault, em Billancourt, como fotógrafo industrial e de publicidade. Quando intencionava se tornar repórter fotográfico independente, foi convocado, em 1940, a servir o exército francês. Assim se tornou fotógrafo da Resistência até o fim da II Guerra Mundial.

Em 1949, assinou contrato com a Vogue, onde atuou até 1952. Embora tenha feito belos trabalhos na área da moda, era a rua e a possibilidade de fazer uma leitura poética e fluida da vida, muitas vezes com toques surreais, que lhe atraia. A partir de então dedicou-se a encarnar a figura de um cronista dos mais atentos, construindo sua imensa iconografia nas calçadas, esse grande teatro a céu aberto.

Paris Doisneau, lançado em 2009 na França pela editora Flammarion, mostra a capital francesa e seus personagens ao longo de seis décadas. A obra subdivide suas 400 páginas em cinco capítulos: "Paris por acaso", "Paris se revolta", "Paris dos parisienses", "Paris se diverte" e "Paris concreto".


"Paris por acaso" abre o livro no estilo street photographer, com imagens realizadas no entorno da Torre Eiffel e em diversos outros monumentos e locais clássicos que auxiliaram a fazer de Paris o ícone máximo da cidade romântica. Chama a atenção neste bloco a dança formada pelas múltiplas imagens sob o título “Le Ballet des Passants” (1969) com pedestres atravessando ruas com carros ao fundo. Uma coreografia urbana que revela um fotógrafo astuto e bem humorado. O mesmo olhar astuto se percebe na sequência “La vitrine de Romi” (1948), na qual Doisneau flagra com câmera oculta a expressão das pessoas que observam a pintura de um nu feminino. Integra ainda este capítulo a histórica e controvertida fotografia “Le Baiser de l’ Hôtel de Ville”, símbolo máximo do romantismo parisiense dos anos 1950.

Tempos atrás veio à tona que o apaixonado casal posou para as lentes do fotógrafo. Até hoje a imagem serve para inflamar discussões sobre a legitimidade de fotos encenadas dentro do fotojornalismo. À despeito desta discussão, a imagem se mantém como uma das mais célebres do século XX.

Em "Paris se revolta" o destaque são os históricos cliques da cidade ocupada durante a II Guerra Mundial, com enfoque para os efeitos do conflito sobre o cotidiano dos cidadãos. Dessa forma vemos barricadas, pessoas atentas aos alertas de bombardeio, escondidas em abrigos, e o general Charles de Gaulle comandando as forças da Resistência.

O capítulo "Paris dos parisienses" é dedicado aos mercados populares, aos comerciantes, à região de Les Halles, às cartomantes, à curiosa fotomontagem “La Maison des Locataires” (1962), cenas no rio Sena e de tantos outros locais que temos a impressão que Doisneau nos pega pela mão para acompanhá-lo nesta que foi a maior diversão de sua vida: dobrar à deriva as esquinas parisienses acompanhado de sua câmera.

Cenas de cabarés com lindas garotas nuas disputando vaga no Concert Mayol são o destaque do capítulo "Paris se diverte", bem como as requintadas imagens de moda realizadas por Doisneau durante e após seu período na Vogue.


Gigantescos e insípidos arranha-céus fotografados a partir da segunda metade da década de 1960 surgem em contraponto à arquitetura luxuosa de séculos anteriores nas fotos de "Paris concreto", para encerrar o livro em tom crítico e um tanto desolado em ver as mudanças de uma cidade impactada pela necessidade de se modernizar. “O que mais me incomoda é a perda do meu oásis”, escreveu o artista em um texto de 1984 que serve de introdução ao volume.

Em diversas entrevistas, Doisneau disse ter perdido o interesse em fotografar quando percebeu que a ingenuidade havia se tornado um aspecto raro no mundo. Para quem observa em retrospectiva suas fotografias, reunidas neste livro, fica claro que para um artista que constrói uma obra humanista de extremo apreço pelas relações sociais, a ingenuidade e a crença no próximo foram de fato sua principal matéria prima.



Fonte: CosacNaify

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Serial Killer argentino morre


Emílio Massera, famoso pela sua crueldade, maquiavelismo e personalidade esquizofrênica. Quando em 1985 sentou no banco dos réus, o sorridente – e sempre bronzeado – militar foi acusado de 83 homicídios, 632 sequestros, 267 torturas, 102 roubos, 201 falsificações de documentos, 23 casos de pessoas reduzidas à escravidão, além de 11 sequestros de bebês e uma extorsão. Dono desse peculiarcurriculum vitae, Massera morreu nesta segunda-feira no final da tarde em Buenos Aires de um AVC.

Massera – constantemente preocupado em ostentar impecáveis uniformes – foi o responsável pela criação do centro clandestino de torturas da Escola de Mecânica da Armada (ESMA), onde foram torturados 4.500 civis. Destes, apenas 150 sobreviveram.

Casanova (assassinou os maridos de algumas amantes) e vaidoso, tentava desesperadamente dissimular o tom citrino de sua pele (mal-vista pela elistista e europeizada Marinha). Para isso, bronzeava-se constantemente. Desta forma, quem o visse, pensaria que era um homem branco intensamente bronzeado. Para destacar mais ainda que estava “bronzeado” – e que não era um “morocho” (palavra usada para “moreno”, ocasionalmente usada em tom despectivo), vestia uniformes brancos (mesmo no inverno).

Logo após o golpe militar de 1976, Massera conseguiu que a presidente derrubada, Maria Estela “Isabelita” de Perón, ficasse prisioneira em instalações da Marinha. Ele esperava arrancar de Isabelita um respaldo político para suas ambições presidenciais.

O almirante nunca escondeu que queria ser presidente. Para isso, contava com o respaldo da loggia maçônica P2, comandada desde a Itália por Licio Gelli, envolvido também no escândalo do banco Ambrosiano, vinculado ao Vaticano.

Ambicioso de protagonismo internacional, Massera, apoiado pelos EUA, pressionou pela criação de uma “OTAN do Atlântico Sul”, que seria composta pela Argentina, Uruguai, Brasil e a África do Sul. O projeto só naufragou porque o governo brasileiro não apoiava o regime do apartheid sul-africano.

No fim da Ditadura, insistiu com seu sonho de ocupar o comando na Casa Rosada. De olho na transição democrática, tentou organizar-se politicamente com o Partido Democrata Social para lançar sua candidatura, e até publicou um jornal para respaldar suas ambições.

Os historiadores indicam que ele queria ser uma espécie de “sucessor de Perón” e mobilizar as massas, algo que nenhum almirante jamais havia conseguido na Argentina (a Marinha era considerada a arma aristocrática).

Massera considerava que seria possível armar um governo com eleições limitadas – eleição de prefeitos, senadores e deputados – tal como era o governo do presidente e general Ernesto Geisel e de seu sucessor João Batista Figueiredo no Brasil.

Para isso, tentou qualquer tipo de aliança, por mais bizarra que fosse: além de tentar convencer setores do partido Socialista a respaldar seu partido, também tentou seduzir os ex-integrantes da guerrilha Montoneros. No entanto, fracassou de forma retumbante.

Fora do poder, nunca perdeu a chance de mostrar sua capacidade de chocar: em uma ocasião, conversando com uma jornalista em sua casa, Massera mostrou-lhe a lista de desaparecidos políticos em seu computador. Semanas depois, quando a polícia vasculhou seu aparelho, nada foi encontrado.

TRIBUNAIS 

Com a volta da democracia, em 1983, os líderes militares foram levados ao banco dos réus, uma medida inédita na América Latina sobre crimes cometidos durante uma ditadura.

Em 1985, durante o julgamento das juntas militares, foi condenado à prisão perpétua. Mas, em vez de passar o resto da vida na cadeia, o ex-almirante permaneceu apenas cinco anos preso. Ele obteve a liberdade ao ser anistiado pelo presidente Carlos Menem em 1990.

No entanto, foi detido novamente em 1998, quando as organizações de defesa dos Direitos Humanos driblaram o indulto presidencial com a abertura de processos pelo sequestro de crianças que haviam nascido no cativeiro das mães prisioneiras na ESMA. Massera, por seu lado, driblou os parentes das vítimas da ditadura ao conseguir o privilégio da prisão domiciliária graças à habilidade de seu advogado, Pedro Bianchi, que também foi advogado do criminoso de guerra nazista Erich Priebke.

Com frequencia ele esquivava o esquema de vigilância e passeava pelas ruas ou ia pegar um bronzeado.

Essa vida de passeios furtivos e muitos banhos de sol começou a acabar no no ano 2000, quando foi internado por graves problemas de saúde.

Em 2002 sofreu um ACV que o deixou em estado semi-vegetal até esta segunda-feira à tarde, quando teve um novo derrame cerebral.

Segundo me disse ontem à noite um capitão de navio crítico com Massera, o ex-almirante “partiu a tempo de tomar o chá das cinco com Adolf Hitler, Stálin e Francisco Franco”.

Os organismos de defesa dos Direitos Humanos não celebraram a morte de Massera, já que o ex-militar levou consigo os segredos do paradeiro de milhares de desaparecidos e da identidade dos bebês sequestrados.

FATOS, NÚMEROS E EXPRESSÕES RELATIVAS AO MODUS OPERANDI DE MASSERA :

  • SMA (Escola de Mecânica da Armada): O feudo de Massera, onde tinha o poder de decisão sobre a vida e morte dos prisioneiros. Localizada na esquina da Avenida Libertador e a rua Santiago Calzadilla, foi durante cinco décadas a sede do liceu naval, a escola de guerra naval e o departamento de educação naval, entre outros organismos de ensino da Marinha. Mas em 1976 transformou-se no maior centro de torturas da ditadura. Paradoxalmente, estava em pleno bairro residencial de Núñez, sobre uma das mais movimentadas avenidas do país (e a dez quarteirões do estádio do River Plate). Atualmente é o “Espaço para a Memória e Estímulo e Defesa dos Direitos Humanos”
  • SEQUESTROS: Do total de sequestros realizados pelos oficiais e suboficiais da Marinha que operavam na ESMA:
- 66% ocorriam durante a noite, para que outros civis não vissem o que ocorria

- 70% dos sequestros eram realizados nas residências das vítimas, já que a maioria não estava em estado de clandestinidade.

  • PRISIONEIROS - Os prisioneiros da ESMA eram militantes de esquerda, peronistas e integrantes de outros partidos, pessoas sem interesse algum em política, velhos, adolescentes, vizinhos e parentes dos supostos “subversivos”, paraplégicos, rabinos, padres católicos, freiras, garotas bonitas que ao passar na rua despertavam os instintos dos oficiais, universitários e operários.
Grande parte dos prisioneiros, seminus mesmo no inverno, ficavam encapuzados até seis meses ininterruptos, acumulando piolhos e infecções. Ninguém podia conversar, sob o risco de ser espancado. Esta era uma forma dos carcereiros eliminarem qualquer noção de tempo e espaço dos detidos.

  • BEBÊS: De 500 crianças que teriam sido sequestradas pela ditadura, umas 200 teriam nascido na ESMA. A maioria das crianças foi entregue a famílias de militares estéreis e colaboradores civis.
  • MÃES DOS BEBÊS: Todas as mulheres que deram à luz ali dentro foram assassinadas. Massera era conhecido por seus toques de humor negro: no natal de 1977, passou pela sala onde diversas mulheres eram torturadas, desejando “feliz Natal”. 
  • T: Letra colocada antes dos nomes dos prisioneiros, que indicava que a pessoa seria “transferida”, isto é, morta.
  • L: Letra colocada antes dos nomes dos prisioneiros que ficariam livres, já que eram “perdoados” por Massera e seus assessores.
  • AQUÁRIO: Lugar onde – como escravos – trabalhavam os prisioneiros da ESMA para a falsificação de documentos, preparação de resumos de imprensa e traduções, entre outros serviços. Eram a mão de obra gratuita de Massera.
  • AVENIDA DE LA FELICIDAD: O corredor que ligava as celas à sala de torturas da ESMA era chamado de “Avenida da Felicidade” pelos militares que ali operavam.
  • TABIQUE, TABICAR: Capuz, colocar um capuz no prisioneiro. Com frequencia os prisioneiros passavam semanas ou meses com capuzes.
  • PICANA ELÉTRICA: Criada nos anos 30 na Argentina por Leopoldo Lugones Hijo, filho do escritor Leopoldo Lugones. Era o instrumento para assustar o gado com choques elétricos. Aplicado a seres humanos, tornou-se o instrumento preferido de tortura na Argentina. Coincidentemente, a filha do criador da picana elétrica, a intelectual Piri Lugones, foi torturada com esse instrumento e assassinada pelos militares.
  • SUBMARINO: Não se referia às belonaves submersas da Marinha, mas sim à modalidade de colocar a cabeça do prisioneiro dentro de um balde d’água ou de urina com fezes. O procedimento consistia em deixar o prisioneiro à beira da asfixia e assim forçá-lo a confessar qualquer coisa.
  • QUADROS – O Führer Adolf Hitler estava presente na ESMA por meio de fotos penduradas nas paredes da sala de torturas, onde estava pintada em letras garrafais a frase “Viva Hitler”.
  • MANDAR LÁ PRA CIMA: Matar.
  • VÔOS DA MORTE: Modalidade para eliminar ao máximo possível vestígios de prisioneiros. Eles eram levados a aviões que sobrevoavam o rio da Prata ou o mar. Durante o voo, os prisioneiros eram jogados ainda vivos nas águas. As estimativas indicam que nesta modalidade morreram de 1.200 a 1.500 pessoas. O dia dos voos da morte eram todas as quartas-feiras
MORTOS (VÍTIMAS DA GUERRILHAS)

- Segundo um relatório das próprias forças armadas argentinas a guerrilha e grupos terroristas de esquerda e cristãos nacionalistas teriam assassinado 900 pessoas (diversos historiadores afirmaram ao longo dos anos que esse número está ligeiramente inflacionado, já que diversos dos mortos da lista militar teriam sido assassinados pelos próprios militares, na miríade de brigas internas, e, convenientemente, teriam colocado a culpa nos terroristas) entre 1974 e 1983.

- Segundo o coronel Eusebio González Breard, ativa figura nas atividades de repressão nos anos 70, o número de militares mortos em confrontos com guerrilheiros entre 1976 e 1983 foi de 515 pessoas.

MORTOS (VÍTIMAS DA DITADURA)

- Segundo os dados de organizações de defesa dos Direitos Humanos e a Anistia Internacional, entre outros, a ditadura assassinou um total de 30 mil civis, entre os quais crianças, adolescentes e idosos.

- Segundo o próprio ex-ditador e general Reynaldo Bignone o número de desaparecidos é de 8 mil. Essa declaração foi realizada em abril passado, quando ele falou durante seu julgamento no município de San Martín, na Grande Buenos Aires. Ele havia indicado um número similar durante uma entrevista com uma jornalista da TV francesa na virada do século. Nunca antes um ex-integrante da ditadura havia revelado um número (eles costumavam negar a existência de centros de torturas e dos assassinatos).

“Falam nesse tal número de 30 mil desaparecidos…mas nunca demonstraram que foram mais de 8 mil”, disse Bignone, antes de ouvir a sentença.

- Segundo Emilio Mignone, ex-presidente do Centro de Estudos Legais e Sociais, do total de desaparecidos, somente entre 5% e 10% eram guerrilheiros. Os restantes 90% ou 95% dos desaparecidos eram civis sem participação em atividades armadas.

ESTUPROS

Massera contava com o almirante Rubén Chamorro como “gerente” da Esma. Chamorro era descrito como “baixinho e feio…um homem insignificante”. Seus colegas afirmavam que tinha “extrema habilidade para colocar no ponto mais alto do crânio o quepe, que por sua vez era esticado na parte superior. Com isso e mais uma grossa sola extra nas botas, aumentava a altura em cinco centímetros”.

Chamorro era conhecido por estimular seus homens a violar as prisioneiras, grande parte delas garotas universitárias, de famílias de classe média, com alto nível cultural, muitas das quais eram filhas de imigrantes europeus, que haviam escolhido a Argentina para fugir dos horrores da Segunda Guerra Mundial. As loiras eram as preferidas dos oficiais da Esma.

Teresa, uma das prisioneiras que morreu na Esma, e cujo sobrenome é desconhecido, era violada cada vez que ia ao banheiro. “Se ela ia uma vez, a estupravam nessa ocasião. Mas, se, horas depois, ia de novo ao banheiro, era novamente violada. Todas as vezes que ia ao banheiro, era impreterivelmente estuprada. Todas”, relata Enrique Fuckman, ex-detido das masmorras da Esma.

SAQUES À PROPRIEDADE PRIVADA

Comandos militares e policiais se encarregavam de saquear as propriedades dos desaparecidos durante a ditadura. Desta forma, jóias, dinheiro, quadros, lustres, geladeiras e automóveis eram retiradas das casas pelos militares me caminhões das forças armadas, como se fosse uma mudança. A proporção do saque era tão grande que foram montados galpões especiais para armazenar os bens.

A Marinha tinha na ESMA um salão especial para acumular os bens roubados. Além disso, Massera e seus assessores montaram uma imobiliária que vendeu as casas e apartamentos dos desaparecidos. Diversas fábricas e fazendas também foram apropriadas, muitas vezes, com documentos legais: os sequestrados eram obrigados através de torturas a assinar os certificados de transferência de propriedade.

-> Espero que o sr.Massera esteja bem acomodado em sua tina de óleo fervendo no inferno.

Texto: Ariel Palacios
Comentário: Marcello Lopes
Fonte: Estado de Sp

Livro de Bernard Cornwell ganhará adaptação para o cinema



A adaptação de Azincourt, best-seller de Bernard Cornwell, para virar filme já está em andamento. Michael Hirst, roteirista do filme Elizabeth e criador do seriado The Tudors, é o responsável pelo roteiro desde o ano passado.

Michael Mann, que dirigiu Inimigos Públicos e O Último dos Moicanos, é o diretor mais cotado para levar a trama de Cornwell às telonas. Caso Mann aceite o projeto, as filmagens começarão já no segundo trimestre de 2011.

Inspirado na batalha travada entre ingleses e franceses em 1415, Azincourt acompanha o exército britânico.

O autor revela o episódio do ponto de vista de nobres, camponeses, arqueiros e cavaleiros, as horas de luta e o desespero de um exército mutilado pela doença. Pelos olhos do arqueiro Nick Hook, Bernard Cornwell faz um relato sobre a batalha.

Fonte: Omelete
Resenha: Ed.Record

Thriller de Thomas Harris é eleito melhor livro de suspense de todos os tempos


Em sua terceira edição pela editora BestBolso, o thriller O silêncio dos inocentes, do escritor norte-americano Thomas Harris, emplacou a primeira posição na lista dos 100 livros de suspense mais eletrizantes já escritos.

A votação foi realizada pelos ouvintes da NPR (National Public Radio ou Rádio Nacional Pública, em tradução livre), organização midiática sem fins lucrativos que também serve como uma espécie de sindicato para os profissionais que trabalham nas rádios públicas dos Estados Unidos. 

A pedido da equipe da NPR, os ouvintes sugeriram cerca de 600 títulos para concorrerem a uma vaga na lista dos 100 melhores thrillers de todos os tempos. Uma equipe composta por cinco escritores e críticos literários refinou a seleção e reduziu o número de títulos para 182. Os ouvintes entraram em ação novamente e elegeram os livros que mais lhes agradavam. No total, cada um podia votar dez vezes.

Sinopse: Cinco mulheres são brutalmente assassinadas em diferentes localidades dos Estados Unidos. Para chegar até o sanguinário assassino, a jovem agente do FBI, Clarice Starling, entrevista o ardiloso psiquiatra Hannibal Lecter, cuja mente psicopata está perigosamente voltada para o crime. Ao seguir as pistas apontadas pelo dr. Lecter, Clarice envolve-se em uma teia mortífera surpreendente.

Hello Clarice.


Imperdível ler e assistir ao filme. Recomendo.

Marcello Lopes 
Fonte: Editora Record

Ritual da Sombra


Em maio de 2005, uma jovem que pesquisava documentos maçônicos espoliados pelos russos durante a Segunda Guerra é assassinada durante uma recepção da embaixada francesa em Roma. As circunstâncias do assassinato, semelhantes ao de Hiram, o personagem bíblico que teria fundado a maçonaria, chamam atenção. Mais estranho ainda é o fato de que um arqueólogo, que acabara de fazer uma descoberta de grande importância, ter sido morto simultaneamente em Jerusalém da mesma forma.

Membro e historiador da maçonaria, o comissário Antoine Marcas é convocado para comandar a investigação. Ajudado por Jane Zewinski, agente de segurança da embaixada, Marcas descobrirá pistas sobre o envolvimento de uma outra sociedade secreta nos dois crimes que investigam – sessenta anos após a queda do III Reich, os arquivos dos franco-maçons, roubados pelo alemães, parecem ser o motivo do derramamento de sangue.

Juntos, Marcas e Jane – que ao contrário de seu parceiro maçon, é bastante hostil em relação à maçonaria por acreditar que a sociedade secreta seja a responsável pela morte de seu pai – terão que enfrentar os Thulé, adversários históricos dos maçons. Fanáticos, seus membros querem ressuscitar a ideologia nazista e estão dispostos a eliminar todos aqueles que tentarem atrapalhar seus planos obscuros.

Primeiro de uma série de livros protagonizados pelo comissário Antoine Marcas, O Ritual da Sombra, escrito pelo jornalista Eric Giacometti e pelo mestre maçon Jacques Ravenne, traz um enredo sombrio sobre os mistérios do grupo lendário Thulé. Desde 2005, os autores já lançaram outros três romances policiais com o personagem Marcas e usando a maçonaria como pano de fundo: La Croix des assassins, Le Frère de Sang e Conjuration Casanova, ainda inéditos no Brasil.

Meridiano de Sangue


Em 'Meridiano de sangue' McCarthy reinventa a mitologia do oeste americano criando uma obra sobre uma terra sem lei, em que o absurdo e a alucinação se sobrepõem à realidade. Neste livro o leitor acompanha um rapaz sem nome e sem família, abandonado à própria sorte num mundo brutal em que, para sobreviver, precisa ser tão ou mais violento que seus inimigos. Recrutado por uma companhia de mercenários a serviço de governantes locais, atravessa regiões desérticas entre o México e o Texas com a missão de matar o maior número possível de índios e trazer de volta seus escalpos.

McCarthy parte de fatos reais — a caçada aos índios, o destacamento de assassinos liderado pelo sanguinário John Joel Glanton — para compor uma obra que transcende a mera ficção histórica. Conduzidos por Glanton e o juiz Holden — uma figura quase sobrenatural, e um dos grandes personagens da literatura americana no século XX —, esses homens, que julgam já terem visto todos os horrores possíveis, irão aos poucos se aprofundar no verdadeiro inferno.

Considerado uma obra-prima, o livro descreve o mundo brutal na fronteira entre o Texas e o México na metade do século XIX e recria um Oeste americano violento e imprevisível, em que o real e o imaginado se fundem em uma história de sobrevivência com dimensões apocalípticas.

Imperdível

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Notícias do mundo livreiro

1) Fundador da editora de self-publishing comenta sobre sua visita a esses três países, atrasados com relação ao livro digital, mas com grande potencial de crescimento. 
Em seu blog, Mark Coker, fundador da Smashwords e colunista do PublishNews, comentou sobre sua vinda ao Brasil há algumas semanas e também sobre sua ida à Austrália e à Nova Zelândia. Ele disse que ao contrário dos Estados Unidos, onde os e-books já são responsáveis por 10% do mercado total de livros, nesses três países essa conta ainda fica em menos de 1%. “Esses mercados estão no mesmo lugar em que os Estados Unidos estavam há dois anos, mas estão prontos para ter crescimento similar ou ainda mais rápido”, escreve. Ele destacou que a chegada dos e-books na Austrália pode ser ainda melhor, já que o preço de capa de um livro impresso lá é 50% mais caro do que nos Estados Unidos.
2) Nos dias 24, 25 e 26 de janeiro, Nova York vai receber editores do mundo inteiro para a Digital Book World 2011 Conference + Expo, um excelente fórum de discussão e atualização sobre as mais recentes novidades do mercado mundial do livro digital. 
3) Em 2011, a LeYa não será mais a única presença lusitana no mercado editorial brasileiro. A Babel, dona de nove editoras e três livrarias em Portugal, acaba de anunciar que está abrindo uma editora no país com ambiciosa meta de lançar, já no primeiro ano, 100 títulos entre livros infantis, de culinária e de arte. Outra meta: vender não apenas em livrarias, mas também em bancas de jornal. Para isso, conta com a experiência do grupo Ongoing, proprietário, aqui, do Brasil Econômico, e seu parceiro neste novo negócio.

Outra empresa parceira é a Mobbit, deste mesmo grupo mas especializada em tecnologia e em desenvolvimento de produtos multimídia, que vai viabilizar a edição digital dos livros. A Mobbit já tem desenvolvido e-books para a editora e a ajudou, inclusive, a montar sua livraria hi-tech – a Babel São Sebastião, em Lisboa.

A Babel já tem dois executivos no escritório da Avenida Nações Unidas, em São Paulo – Rui Gomes Araújo e Nuno Barros. Em dezembro, deve chegar o diretor comercial, importado também de Portugal, e até o final do ano que vem entre 15 e 20 brasileiros vão integrar a equipe. São Paulo foi escolhida como sede, mas logo no segundo semestre o escritório carioca já deve estar operando.

“Não queremos cometer os mesmos erros das outras editoras portuguesas que tentaram vir ao Brasil; por isso seremos uma editora brasileira operando no Brasil”, disse Rui Gomes Araújo. Mesmo assim, o capital e o conselho editorial são portugueses. “Nosso objetivo não é simplesmente trazer o catálogo da Babel. Queremos produzir livros do Brasil para o Brasil”, disse Araújo. Isso sem perder de vista a experiência que tem na edição de livros infantis, de culinária e de arte. Portanto, esses serão os primeiros títulos a serem lançados e a diretoria já está cuidando da aquisição de direitos autorais. Depois, vai começar a pensar nos autores brasileiros.

Em fevereiro ou março, os livros devem começar a chegar às livrarias brasileiras. Por enquanto, a Babel funcionará em conjunto com a Ongoing e com a Mobbit, mas nada impede que empresas brasileiras entrem na dança. “Fomos procurados por operadores do mercado brasileiro, mas nesta primeira fase trabalharemos sobretudo com essas duas empresas”, disse. “Mas não vamos colocar de lado a ideia de eventualmente pensar no assunto”, completou. O executivo não fala em valores de investimento, mas garante que “a aposta foi bastante pesada”.

Fonte:Publishnews

Cidade de Ladrões


David Benioff é escritor e roteirista, seu livro mais famoso é o The 25th Hour que foi adaptado para o cinema por Spike Lee, com Edward Norton no papel principal.

David recebeu um convite para escrever um ensaio autobiográfico para uma revista de cinema mas começou a escrever sobre Leningrado, a cidade de seus avós. Para isso viaja até a Flórida para encontrá-los e pede ao avô que conte sua experiência na cidade sitiada pelos nazistas.

A história conta sobre a guerra a partir dos olhos de Lev, um garoto russo-judeu de 16 anos que se recusa a sair da cidade com sua mãe e irmã para se refugiar de Vyazma. Ele quer ficar para defender a cidade dos facistas.

Em uma noite escura após sua família ter fugido do cerco, um paraquedista alemão cai próximo ao posto de vigilância, o que leva Lev e seus amigos à correrem até o corpo e saqueá-lo, enquanto retiram os pertences do soldado morto uma patrulha chega e só consegue prender Lev por pilhagem e por violar o toque de recolher, cuja pena é a execução sumária.

Levado à uma prisão, o garoto divide a cela com Kolya, um soldado acusado de deserção e que insiste em ensiná-lo sobre literatura. Os dois são levados à presença de um coronel da polícia secreta russa (NKVD) que faz uma proposta para salvá-los da execução, eles precisam encontrar 1 dúzia de ovos para que sua esposa faça um bolo para o casamento da filha.

À partir daí os dois saem em busca desse tesouro raro em uma cidade sitiada, onde a situação é tão desesperadora que homens, mulheres e crianças perseguiram e sacrificaram todos os animais da cidade: cavalos, cachorros, gatos e ratos para se alimentarem, e quando os animais sumiram, a população encontrou outras formas de se alimentar mesmo que precariamente com azeite de castor, glicerina, vaselina e as loções capilares, tudo virou alimento, sendo preparados como sopa com cola de carpinteiro, obtida raspando-se os móveis depois de desmanchá-los, ou raspando-se as paredes, depois de arrancados os papéis que as cobriam.


Juntos enfrentam perigos e desafios em uma cidade à beira da extinção, já que o plano de Hitler não era somente invadir a cidade, mas apagá-la do mapa, durante a narrativa é possível perceber a densidade da situação pelos olhos de um garoto que encontra pessoas mortas pela rua, enfrentam a fome comendo pão feito de celulose, lutando contra canibais e homens desesperados por um prato de comida.

À medida que vão se aproximando dos limites da cidade, a amizade entre os dois cresce a cada obstáculo superado, até que encontram um casarão atrás das linhas inimigas habitado por algumas garotas que foram escravizadas por uma guarnição alemã, nesse momento Lev descobre o terror e o ínicio de uma paixão que mudará sua vida.


O livro é muito bem escrito, a narrativa é ágil, os personagens são realistas e o pano de fundo é uma das histórias mais tristes da 2° Guerra Mundial, o cerco de Leningrado.

Por 900 dias, os alemães bombardearam prédios, monumentos e fábricas impedindo os habitantes de saírem dos limites da cidade, mesmo assim as fábricas de munição e de construção de veículos funcionavam 24hs por dia, sendo construídos por mulheres e jovens adolescentes já que os homens estavam na frente de batalha.

O resultado desse cerco foi a morte de mais de 1.5 milhão de pessoas devido à falta de comida, bombas, frio. Do lado alemão morreram 1 milhão de soldados, vítimas do frio russo e das guerrilhas soviéticas.


Texto: Marcello Lopes
Fotos: Google