sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Dia Nacional do Livro



Hoje é dia nacional do Livro, você já leu hoje ?

O dia 29 de outubro foi escolhido para ser o “Dia Nacional do Livro” por ser a data de aniversário da fundação da Biblioteca Nacional, que nasceu com a transferência da Real Biblioteca portuguesa para o Brasil.

Seu acervo de 60 mil peças, entre livros, manuscritos, mapas, moedas, medalhas, etc., ficava acomodado nas salas do Hospital da Ordem Terceira do Carmo, no Rio de Janeiro.

A biblioteca foi transferida em 29 de outubro de 1810 e essa passou a ser a data oficial de sua fundação.

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, e o presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Muniz Sodré, abrem nesta sexta-feira (29) à tarde, no Rio, exposição comemorativa do bicentenário da instituição, com 200 das mais importantes obras do acervo.

A Biblioteca Nacional do Brasil é uma das dez maiores do mundo. O acervo, com cerca de 9 milhões de obras, tem origem na coleção de dom João VI. A instituição é referência em projetos de restauração e digitalização na América Latina.

Em comemoração à data e ao Dia Nacional do Livro, a Ação da Cidadania lança nesta sexta-feira (29) a 18ª edição da Campanha Natal sem Fome dos Sonhos. Será iniciada em diversos estados a coleta de brinquedos e livros infanto-juvenis para distribuição em comunidades pobres no fim do ano.

No Rio, o lançamento será às 10h, na Praça Floriano, na Cinelândia, em frente às escadarias da Câmara Municipal, onde será montado um palco para apresentações de musicais, narração de histórias e um sarau de poesia, com atores, poetas e crianças da comunidade da Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana.

Os direitos estabelecidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) são o tema desta edição.

Notícia: O Globo

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Criando novos leitores e possíveis escritores


Em uma matéria no jornal Estadão, a repórter Luciana Alvarez mostra o trabalho de alunos e professores em sala de aula que estão se transformando em livros e conquistando as prateleiras das livrarias. 

É o caso dos alunos do colégio Regina Mundi na zona sul de Sp, que lançaram seu livro chamado Matemática nas Profissões na Livraria Cultura, um projeto que nasceu das aulas de matemática e que graças ao esforço e reconhecimento dos professores se transformou um instrumento de cultura para outras pessoas, e exemplo de que educação quando bem direcionada faz a diferença na qualidade de vida e de cidadania.

O Livro da Maria-Fedida, produzido pelos estudantes do 1.° ano do ensino fundamental de 2008 do Colégio São Domingos, surgiu de uma idéia proposta pelos próprios alunos.Foram as 21 crianças que pesquisaram, escolheram que informações entrariam e fizeram os desenhos que ilustram a obra.

Depois dessa experiência, as professoras Eloise Janczur Guazzelli e Wilma de Brito Camargo lançaram um outro livro infantil, o Ponto de Vista, produzido a partir de desenhos dos alunos nas aulas de artes. A obra incentiva o leitor a também ser produtor de arte.

Uma das pioneiras em transformar o trabalho escolar em obra vendida nas livrarias foi a professora Theodora Maria de Almeida, com o Quem Canta Seus Males Espanta, de 1998. O livro já está na 31.ª edição.

Modelo de sucesso. Em alguns colégios, a experiência dá tão certo que a escola resolve repetir o modelo nos anos seguintes. Pela segunda vez neste ano, alunos do 5.° ano do Colégio Santo Américo produziram um livro. O projeto da disciplina de língua portuguesa de 2009 - escrever em formato de cordel a história do clássico Odisseia - fez sucesso e teve tanta qualidade que virou um livro.

Na escola Humboldt, o programa Poemas e Aquarelas vem sendo replicado desde 2004 por alunos do 7.º ano, cada vez com um novo tema. "É um trabalho interdisciplinar, que envolve português e artes, mas também pode incluir geografia, ciências, história", diz a coordenadora Ivani Gatta. 

Seria muito interessante se as escolas da rede pública tivessem incentivo para realizar os mesmos projetos, com a participação do Governo e da CBL, seria algo viável.

Trazer a produção do livro para as crianças e jovens estimula não só a leitura, mas a auto-estima desses alunos, amplia seus conhecimentos de forma concreta e lhes dá o real conhecimento de como fazer, produzir e editar um livro no Brasil é difícil. 

Comentários: Marcello Lopes
Fonte: Estado de Sp - Luciana Alvarez

Quando o futebol ultrapassa as barreiras do entretenimento


Todo mundo que gosta de futebol sabe que a maior emoção é ver seu time ser campeão, ir ao estádio com a camisa do time preferido, vibrar pelos artistas da bola é um passatempo agradável. Mas é sempre bom ver quando o futebol assume uma posição mais humanitária e ultrapassa as fronteiras do esporte e do entretenimento.

No jogo do Ceará x São Paulo, uma cena comoveu muitos torcedores que estavam no estádio para assistir o confronto, o garoto Carlos Roney entrou nos ombros de Rogério Ceni, o garoto que é amputado nas duas pernas por conta de uma meningite quando tinha apenas um ano motivou atletas e diretoria a conseguirem um par de próteses.

Antes do jogo, Carlos conheceu todo o elenco do time e bateu bola com Rogério Ceni durante o aquecimento. A derrota do tricolor pouco importou para Carlos, que agora sonha em poder andar sozinho.

Talvez seja esse o maior exemplo de como o esporte e os times podem ajudar seus torcedores de um modo muito mais humano e pra mim perene.

Marcello Lopes
Foto: Lancenet

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Contagem Regressiva


Tá chegando a hora, não, não, não é a hora do bruxinho boila e nem muito menos do vampiro coberto de glitter, e sim dos mortos-vivos mais alucinantes da tv e do HQ. 

Sim, estou falando de Walking Dead, que chega em Novembro aqui no Brasil, e promete ser uma série bem sanguinolenta, mas muito bem feita.


Na trama, criada pelo quadrinista Robert Kirkman, um grupo de sobreviventes de um holocausto zumbi é conduzido pelo policial Rick Grimes (Andrew Lincoln) em busca de um local seguro para viver. Chandler Riggs(Carl), Steven Yeun (Glenn), Sarah Wayne Callies (Lori Grimes),Jeffrey DeMunn (Dale), Jon Bernthal (Shane),Laurie Holden (Andrea), Michael Rooker(Merle), Linds Edwards (Leon Basset) e Jim Coleman (Lambert "Lam" Kendel) também estão no elenco.



A série estreia nos EUA em 31 de outubro, noite de Halloween, um domingo, com um episódio de 90 minutos, e nos dias seguintes será retransmitida pela Fox ao redor do mundo e no Brasil também.

A primeira temporada terá apenas seis episódios, mas a segunda já está garantida.






Abaixo, assistam o trailer :


Marcello Lopes
Fotos: Judão
Vídeo: Youtube

Selo Médici



Itália, ano de 1502.


Fugindo do perigoso ladrão e assassino Sandino, o menino Matteo é resgatado de um rio pelos companheiros do grande mestre Leonardo da Vinci.


Deste momento em diante, Matteo se torna o pequeno ajudante da comitiva, ficado ao lado de Da Vinci em todos os momentos.


No decorrer de suas viagens pela Itália, assassinatos, mentiras e vinganças seguem o menino, pois ele carrega um segredo que muitos matariam para descobrir.


Na época dos grandes artistas, das obras máximas da pintura e escultura, a autora Theresa Breslin nos brinda com uma história ágil e despretensiosa, acompanhando as viagens do garoto podemos encontrar referências à escritores como Petrarca e Maquiavel, artistas insuperáveis como Michelangelo, Botticelli e Rafael, além do próprio Da Vinci inserido na trama como protetor do garoto.


Recomendo !


Marcello Lopes

William Faulkner





Nasceu em 25 de setembro de 1897, em New Albany, no Mississipi, EUA.


Oriundo de famílias poderosas do sul do país, arruinadas pela Guerra Civil. Seu bisavô, o coronel William Falkner, foi construtor de estradas de ferro. 


Sua obra reflete exatamente isso, a melancólica decadência do sul. Seu contato inicial com as letras se deu como jornalista da revista experimental The Double-Dealer, na qual publicava artigos e poemas ao mesmo tempo que se exercitava como escritor.


Seu primeiro romance – Soldier's pay – é de 1926. Em 1929 se estabeceu como escritor refinado com dois romances: Sartoris, que iniciou o ciclo de Yoknapatawha, e O som e a fúria, sua obra-prima, em que combina técnicas experimentais de narração e violência psicológica. 


Mas ainda não ganhava dinheiro com literatura, e como precisava se sustentar, resolveu escrever Sanctuary (1931). Em seguida, tornou-se roteirista dos estúdios de Hollywood e lá teve algumas de suas obras adaptadas para o cinema. Em 1949 recebeu o Prêmio Nobel de Literatura. 


Ganhou também por duas vezes o National Book Award com A fable (1951) e suas Collected stories (1955). A partir daí, seguiram-se vários romances: Luz de agosto (1932),Absalão, Absalão!(1936), Theunvanquished (1938), Palmeiras selvagens (1939) e The Hamlet(1940).


Conta-se que certa vez perguntaram-lhe se seus romances não tinham começo meio e fim. "Têm, sim, mas não necessariamente nessa ordem", foi a resposta. 


Em agosto de 1954, esteve em São Paulo a serviço do governo norte-americano. Num encontro com intelectuais paulistas, foi apresentado à Lygia Fagundes Telles, uma jovem contista. Faulkner fitou-a olhos nos olhos e, entusiasmado, disparou: “Se seus contos forem tão bonitos quanto seus olhos, a senhora certamente é uma grande escritora”.


Faleceu em 6 de julho de 1962.


Fonte:Google

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

DIA DO POETA


Hoje é dia do poeta.

O poeta é o ser humano que escreve sobre suas dores, suas paixões, é aquele que usa sua sensibilidade para sensibilizar outras pessoas, o mundo dos poetas não é o mesmo das pessoas comuns.

O poeta não é bem remunerado pelas palavras que escreve, nem muito menos fica milionário com a venda dos seus livros, mas ele recebe algo muito maior e perene do que as remunerações físicas, o apreço e a paixão do leitor.

A poesia não é de quem escreve, é de quem lê, já dizia Neruda em seu refúgio chileno, e não se trata de plágio, a poesia é a única forma de arte capaz de ajudar alguém a se apaixonar, ou conquistar o outro.A poesia rompe barreiras de idiomas, de pré-conceitos, de culturas diferentes.As palavras ditas e escritas de um poeta podem atingir centenas de corações carentes de atenção, de uma palavra amiga.

A poesia pode ser revolucionária como Maiakovski e Lorca e até mesmo Neruda, a poesia em forma de composições de Violeta Parra, mas pode escorrer como mel em nossas bocas como Keats, Cecília Meireles e Shakespeare. A poesia pode ser melancólica e triste como a vida de Florbela Espanca, Emily Dickinson e Fagundes Varela. A simplicidade e a vida cotidiana se transformam em poesia com Cora Coralina e Manoel de Barros e até o nosso grande escritor Machado de Assis compôs centenas de poemas sobre os mais diferentes assuntos.


A poesia é a irmã caçula da literatura, e ainda tão desprezada em nosso país, mas por ironia do destino, nossos poetas são grandes exemplos de gênero e de qualidade em todo o mundo :

  • Cecília Meireles
  • Mário Quintana
  • Drummond 
  • Bandeira
  • Ferreira Gullar
  • Hilda Hist
  • Vinícius de Moraes
  • Augusto de Campos
  • Cora Coralina 
  • Guimarães Rosa
  • Carpinejar 
  • Mário de Andrade
  • Paulo Leminski
Isso só para citar aqueles que me são caros, que ao longo dos anos tem me inspirado e ensinado o pouco que eu sei, devo à esses seres humanos fora do comum.

Felilz dia do poeta.

Marcello Lopes

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Nosso Lar


Sábado agora consegui assistir o filme Nosso Lar baseado no livro homônimo de André Luiz, psicografado pelo Chico Xavier.

Pessoalmente eu fiquei muito impressionado com o filme, pelos efeitos especiais sob a direção de Lev Kolobov de Fúria de Titãs, pela fotografia de Ueli Steiger do filme O Dia depois de Amanhã, e pela trilha sonora de Philip Glass. Sobre o conteúdo, acho que o filme ficou devendo muito, não em questões doutrinárias mas sim na explicação de alguns pontos que ficaram soltos, como a recuperação de André, seus medos e suas incontáveis dúvidas, faltou um pouco mais de "massa" nessa receita, pois o personagem chega na colônia espírita debilitado, ignorante de sua condição e ainda muito orgulhoso de sua posição terrestre.

Em minha opinião, o filme deveria retratar mais a recuperação e adaptação do espírito de André Luiz, a resolução e constatação da "vida após a vida".

Outro item importante são alguns erros na trama como a saída de André Luiz para visitar a família sozinho, no livro ele só pode visitá-los acompanhado de um espírito mais esclarecido que o ajuda a se equilibrar perante as novidades que encontra, no livro existe um detalhe que o filme deveria ter mostrado, o 2° marido de Zélia, esposa de André Luiz é amparado e tratado com passes e água fluidificada, pelos espíritos e não pelo André que ainda se encontrava em recuperação.

Lísias, que é um espírito trabalhador que acompanha André Luiz pela colônia é retratado de forma muito irregular, ora equilibrado, ora demasiadamente humano.

Na colônia a entrada e saída de espíritos é muito rigorosa, e no filme é retratado como se fosse um trânsito de fácil acesso por qualquer espírito, já que André Luiz sai sozinho e a prima de Lísias abandona a colônia em busca de seu ex-noivo.

Emmanuel aparece como personagem no filme, no livro não há menção dele, mas acho que foi uma maneira que os produtores tiveram de mostrar como a obra de André Luiz chegou à Chico Xavier, já que Emmanuel comenta sobre um médium que psicografa mensagens dos espíritos desencarnados.

Sim, o filme cumpre aquilo que se propõe, que é emocionar e mostrar de uma forma bem realista que a morte é um simples corredor que temos que atravessar para se chegar à real vida, as cenas no Umbral são bem feitas e chegam a arrepiar quem já leu relatos de espíritos que estiveram em locais parecidos.

O elenco é formado em sua grande maioria por artistas espíritas como Paulo Goulart, Othon Bastos, Renato Prieto e Ana Rosa.

Recomendo ler o livro depois de assistir o filme.

Marcello Lopes

Editora Autêntica


Inicialmente reservada a poucos, a prática da leitura foi gradativamente se popularizando. A expansão da cultura do material impresso na Europa após 1760 é mostrada no livro A leitura e seu público no mundo contemporâneo – Ensaios sobre História Cultural, do francês Jean-Yves Mollier, traduzido para a Língua Portuguesa por Eliza Nazarian.

A obra reúne nove ensaios que tratam da leitura e de seu público, da metade do século XVIII ao início do XX e testemunha o desenvolvimento da história cultural nos últimos dez anos. Mollier mostra os desdobramentos dessa história, principalmente relacionada à leitura e à cultura do material impresso.

A gradativa propagação da leitura e o desenvolvimento do material impresso se transformaram no que hoje chamamos de cultura de massa. Essa transformação se inicia por volta de 1880, primeiramente na França e Grã-Bretanha, e mais tarde por toda Europa. As revoluções escolar e industrial e o aparecimento das mídias modernas foram fundamentais nessa mudança da história cultural, muito bem relatada no livro.

Jean-Yves Mollier afirma que a escrita, impressa ou não, atrai ou repele, mas não deixa ninguém indiferente. Com essa convicção, conseguiu reunir nessa obra informações surpreendentes sobre como no fim do século XIX a Europa escreveu a história da leitura e da escrita, que abrigam em si as transformações e as possibilidades de contexto social e cultural que ainda podem existir e já existiram.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Livro


Bill Cosey era um homem de personalidade forte, dono de um hotel onde, nas décadas de 40 e 50, apresentavam-se os principais músicos de jazz da época, atraindo clientes ricos e poderosos da comunidade negra norte-americana.

Viúvo, morava com a nora, May, e a neta, Christine, que ficam transtornadas quando ele resolve se casar de novo com Heed, uma das jovens amigas de Christine.

Trinta anos depois, o hotel, após uma longa decadência, já não existe, mas as relações, sempre conturbadas, de seis mulheres com aquele homem vão se desenrolando, tendo como pano de fundo a dolorosa história da América negra. 

Centrada na luta encarniçada de Heed e Christine pela herança de Cosey, a narrativa, repleta de sensualidade, paixão e crueldade, reflete sobre as infinitas variedades de amor.

Fonte: Cia das Letras

Renascimento do Harlem foi o movimento cultural afro-americano do final dos anos 1920, início da década de 1930, e que nasceu na área do Harlem, cidade de Nova York. Conhecido por diferentes nomes — Novo Movimento Negro, Novo Renascimento dos Negros e Renascimento dos Negros — o movimento surgiu quase no fim da Primeira Guerra Mundial, em 1918, floresceu na metade final dos anos 1920 e perdeu força na primeira metade dos anos 1930. 

O renascimento do Harlem representou a primeira vez que editores e críticos influentes levaram a sério a literatura afro-americana e que as artes e a literatura afro-americanas atraíram a atenção da nação de forma significativa. Ainda que tenha sido, principalmente, um movimento literário, também ocorreram manifestações na música, no teatro, nas artes em geral e na política afro-americana.

O renascimento do Harlem surgiu em meio à revolta social e intelectual que explodiu na comunidade afro-americana no começo do século XX. Vários fatores contribuíram para criar as bases do movimento. Na virada do século XIX, após a Guerra Civil Norte-americana, desenvolveu-se uma classe média negra, favorecida pelo aumento de oportunidades de educação e de emprego. Durante e depois da Primeira Guerra Mundial, ocorreu um fenômeno conhecido como Grande Migração: centenas de milhares de negros americanos deixaram o Sul dos Estados Unidos, rural e em depressão econômica, para buscar, nas cidades industriais do Norte, melhores opções de trabalho.


À medida que um número cada vez maior de negros com educação acadêmica e socialmente conscientes se estabelecia no Harlem, a área se transformava no centro político e cultural da América negra. Outro fator de igual importância da década de 1910 foi o surgimento de uma nova agenda política na comunidade afro-americana, especialmente entre sua classe média emergente que defendia a igualdade racial.

Esta agenda era defendida pelo historiador e sociólogo negro W. E. B. Du Bois e pela Associação Nacional para o Desenvolvimento do Povo Negro (Naacp), que foi fundada em 1909 para lutar pelos direitos dos negros. Os esforços do nacionalista negro jamaicano Marcus Garvey, cujo movimento Back to Africa inspirou o orgulho racial entre os negros nos Estados Unidos, refletiam essa nova política. A arte e a literatura norte-americana tinham começado a se desenvolver um pouco antes da virada do século XIX. 

Nas artes dramáticas, o teatro musical negro apresentou artistas como os compositores Bob Cole e J. Rosamond Johnson, irmão do escritor James Weldon Johnson. O jazz e o blues foram trazidos pelas populações negras do Sul e do Centro-oeste para os bares e cabarés do Harlem. 

Na literatura, a poesia de Paul Laurence Dunbar e a ficção de Charles W. Chesnutt, no final da década de 1890, foram algumas das primeiras obras de afro-americanos a receber reconhecimento nacional. Ao final da Primeira Guerra Mundial, a ficção de James Weldon Johnson e a poesia de Claude McKay anteciparam a literatura que surgiria nos anos 1920, ao descrever a realidade da vida dos negros nos Estados Unidos e sua luta por uma identidade própria.

No início da década de 1920, três obras marcaram a energia criativa da literatura afro-americana. O livro de poesias de McKay, Harlem Shadows (1922), foi uma das primeiras obras de um escritor negro publicada por uma editora influente e de âmbito nacional (Harcourt, Brace and Company). Seguiu-se Cane (1923), de Jean Toomer, romance experimental que misturava poesia e prosa ao documentar a vida dos negros no Sul rural e no Norte urbano. 

Por fim, There Is Confusion (1924), primeiro romance do escritor e editor Jessie Fauset, descreveu a vida da classe média dos negros a partir de uma perspectiva feminina. Tendo estas obras como base, três fatos entre 1924 e 1926 deram início ao renascimento do Harlem. O primeiro aconteceu no dia 21 de março de 1924, quando Charles S. Johnson, da Liga Urbana Nacional — fundada em 1910 para ajudar os negros a lidar com os problemas econômicos e sociais que encontravam enquanto se restabeleciam na área urbana do Norte dos Estados Unidos — ofereceu um jantar para os novos talentos literários negros e, também, para apresentá-los à comunidade literária branca.

Como conseqüência desse jantar, a The Survey Graphic, uma revista de crítica e análise social interessada em pluralismo cultural, produziu uma edição sobre o Harlem em março de 1925. Com o objetivo de definir a estética da literatura e da arte negras, a edição do Harlem apresentou obras de escritores americanos e foi editada pelo filósofo negro e acadêmico de literatura Alain LeRoy Locke. O segundo acontecimento foi a publicação de Nigger Heaven (1926), do romancista branco Carl van Vechten.

O livro foi uma espetacular revelação da vida no Harlem. Apesar de ter ofendido alguns membros da comunidade negra, sua abordagem, que abrangia tanto a elite quanto o lado mais pobre do Harlem, ajudou a criar uma "moda negra". Esta nova concepção trouxe milhares de nova-iorquinos sofisticados para a vida noturna exótica do Harlem, estimulando o mercado para a literatura e a arte afro-americanas. Finalmente, no outono de 1926, um grupo de jovens escritores negros publicou sua própria revista literária, Fire!!, e com ela, uma nova geração de jovens autores e artistas, incluindo Langston Hughes, Wallace Thurman e Zora Neale Hurston, passaram a fazer parte do Renascimento literário.

O renascimento do Harlem não tinha uma ideologia política ou estilo literário comum. O ponto de união dos participantes era a consciência de estar fazendo parte de um movimento que pretendia dar expressão artística à experiência afro-americana. Existiam alguns temas comuns, como interesse pelas raízes africanas e sulistas, um forte sentimento de orgulho racial e o desejo de conseguir igualdade política e social. Mas o aspecto mais característico do renascimento do Harlem foi a diversidade de sua expressão.

Da metade da década de 1920 até a metade dos anos 1930, cerca de 16 escritores negros publicaram mais de 50 obras de poesia e ficção, enquanto dezenas de outros artistas afro-americanos deram contribuições nas áreas da pintura, da música e do teatro. A expressão literária do renascimento do Harlem ia desde a mistura dos ritmos da música afro-americana, existente em The Weary Blues (1926), poemas sobre a vida no gueto de autoria de Langston Hughes, até o uso de sonetos nos apaixonados poemas contra a violência racial que existem em If We Must Die (1919), de Claude McKay, escritor que também apresentou aspectos sofisticados da vida no Harlem em Harlem Shadows.


Countee Cullen usou tanto as imagens européias, quanto as norte-americanas, para explorar as raízes africanas da vida do negro norte-americano. No poema Heritage (1927), por exemplo, Cullen aborda a questão daqueles que são cristãos e africanos, embora não pertençam inteiramente a nenhuma das duas tradições. Quicksand (1928), da romancista Nella Larsen, ofereceu um estudo psicológico da perda de identidade de uma afro-americana, enquanto o romance de Zora Neale Hurston, Their Eyes Were Watching God (1937) usou a vida do negro no Sul rural para criar um estudo brilhante sobre raça e identidade pessoal.

Com o passar do tempo, a diversidade e a experimentação também floresceram nas artes dramáticas e foram refletidas nas composições de blues de Bessie Smith e nas músicas do jazz, gênero musical que ia desde o casamento do blues e do ragtime do pianista Jelly Roll Morton à instrumentação de Louis Armstrong e à orquestração do compositor Duke Ellington

O artista Aaron Douglas adotou um estilo deliberadamente "primitivo" e incorporou imagens africanas às suas pinturas e ilustrações. O renascimento do Harlem atraía uma platéia heterogênea. A literatura agradava à classe média afro-americana e ao consumidor literário branco. Revistas como The Crisis, publicação mensal da Naacp, e Opportunity , uma publicação oficial da Liga Urbana Nacional, empregavam escritores do renascimento do Harlem em suas equipes editoriais, publicavam poesias e contos de escritores negros e promoviam a literatura afro-americana através de artigos, críticas e prêmios literários anuais. 


No entanto, além dessas importantes formas de divulgação, o renascimento dependia, ainda, das editoras e revistas dos brancos. Mesmo que o relacionamento entre os escritores do renascimento, os editores e o público branco tenham gerado controvérsia, o renascimento foi responsável por abrir as portas das principais editoras e revistas dos brancos para os negros. Enquanto a maioria dos críticos afro-americanos apoiava esse relacionamento, Du Bois e outros faziam críticas veementes e acusavam os escritores do renascimento de reforçar negativamente os estereótipos afro-americanos.

Langston Hughes defendeu a maioria dos escritores e artistas em seu ensaio The Negro Artist and the Racial Mountain (1926) ao afirmar que os artistas negros pretendiam se expressar livremente, sem importar o que o público negro ou branco pensava a respeito. Os músicos e outros artistas afro-americanos também se apresentavam para platéias diversificadas. Os cabarés do Harlem atraíam os moradores da vizinhança e os nova-iorquinos brancos que procuravam diversão.

A famosa casa noturna, Cotton Club, levou essa situação ao extremo, oferecendo entretenimento de negros para platéias exclusivamente brancas. Cada vez mais, músicos e artistas de sucesso, que agradavam a platéias influentes, tiravam seus espetáculos da periferia para se apresentarem no centro da cidade.

Vários fatores contribuíram para que, na metade da década de 1930, começasse o declínio do renascimento do Harlem. A Grande Depressão aumentou os problemas econômicos em todos os setores da vida. Organizações como a Naacp e a Liga Urbana Nacional, que tinham promovido de forma ativa o renascimento em 1920, na década seguinte passaram a dirigir seus interesses para questões econômicas e sociais.

James Weldon Johnson
Muitos escritores e divulgadores literários negros, como Hughes, James Weldon Johnson, Charles S. Johnson e Du Bois, deixaram a cidade de Nova York no começo da década de 1930. Por fim, em 1934 houve um tumulto no Harlem causado pela crescente crise econômica decorrente da Depressão e pela tensão acumulada entre a comunidade negra e os comerciantes brancos.

Esse episódio destruiu a imagem do bairro como a meca do renascimento negro. Apesar destes problemas, o movimento não desapareceu da noite para o dia. Quase um terço dos livros publicados durante esse período foram republicados após 1929.

O renascimento do Harlem acabou quando a maioria dos seus adeptos deixou o Harlem ou parou de escrever, pois os jovens artistas, surgidos nas décadas de 1930 e 1940, não se associaram ao movimento.O renascimento do Harlem transformou, para sempre, a dinâmica das artes e da literatura afro-americana nos Estados Unidos. Os escritores dos anos 1930 e 1940 descobriram que os editores e o público estavam mais receptivos à literatura afro-americana do que tinham estado no início do século. Além disso, a existência da literatura afro-americana do renascimento inspirou escritores como Ralph Ellison e Richard Wright a seguir a carreira literária no final das décadas de 1930 e 1940. 

Toni Morrison
A profusão literária afro-americana dos anos 1980 e 1990, com autores do porte de Alice Walker e Toni Morrison, tem suas raízes nas obras do renascimento do Harlem. A influência do movimento não se limitou aos Estados Unidos. Os escritores McKay, Hughes e Cullen, o ator e músico Paul Robson, a dançarina Joséphine Baker e outros artistas viajaram para a Europa e lá alcançaram uma popularidade igual ou maior que a que tinham nos Estados Unidos.

O escritor sul-africano Peter Abrahams referiu-se à antologia do renascimento do Harlem, The New Negro (1925), como o motivo que o levou a seguir a carreira de escritor. Para milhares de negros no mundo todo, o renascimento do Harlem foi a prova de que a raça branca não detém o monopólio da cultura e da literatura.

Pesquisa: Marcello Lopes
Fonte das Fotos: Google

quinta-feira, 7 de outubro de 2010


O escritor peruano Mario Vargas Llosa foi o vencedor do prêmio Nobel de Literatura de 2010. O prêmio foi anunciado nesta quinta-feira na sede da Academia Sueca, em Estocolmo.

Nascido em 1936, o novelista e ensaista é considerado um dos maiores nomes da literatura em língua espanhola. Entre suas principais obras estão "A Casa Verde", "Lituma nos Andes" e "A Cidade e os Cachorros".

O mais recente trabalho de Vargas Llosa, "Sabres & Utopias" (Editora Objetiva), chegou ao Brasil este mês.

O livro reúne artigos sobre direitos humanos, história, artes plásticas, literatura e traz comentários sobre a política brasileira.

Em novembro, os países de língua espanhola irão receber seu novo romance, "El Sueño del Celta".

O comitê informou em um comunicado que Vargas Llosa recebeu o prêmio "por sua cartografia de estruturas de poder e suas imagens vigorosas sobre a resistência, revolta e derrota individual".

Ele já foi condecorado com o Prémio Cervantes em 1994 e o Prêmio Príncipe das Astúrias de Letras Espanha em 1986, entre outros prêmios, e é membro da Real Academia Española desde 1994.

O Prêmio Nobel vem acompanhado de um prêmio em dinheiro de US$ 1,6 milhão. Em 2009, o prêmio foi dado à escritora alemã Herta Müller, 12ª mulher a vencer o Nobel de Literatura.

Bibliografia : 

Os Chefes (1959)
A cidade e os cachorros ("La ciudad y los perros") (1963)
A casa verde (1966) (Premio Rómulo Gallegos)
Conversa na catedral (1969)
Pantaleão e as visitadoras (1973)
Tia Júlia e o escrevinhador (1977)
A Guerra do Fim do Mundo (1981)
Historia de Mayta (1984)
Quem matou Palomino Molero? (1986)
O falador (1987)
Elogio da madrasta (1988)
Lituma nos Andes (1993). Premio Planeta
Os cadernos de Dom Rigoberto (1997)
A festa do bode (2000) - novela sobre a ditadura do general da República Dominicana, Rafael Leónidas Trujillo
O Paraíso na Outra Esquina (2003) - novela histórica sobre Paul Gauguin y Flora Tristán.
Travessuras da Menina Má (2006)

Fonte: Folha de Sp

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Afterwards


O filme Afterwards ou E depois, é uma produção conjunta de Canadá-França-EUA com a direção do francês Gilles Bourdos do filme Inquietudes e elenco formado por John Malkovich, Evangeline Lily e o francês Romain Duris.




O filme é uma adaptação do livro Et Après de Guillaume Musso que o escreveu após sofrer um grave acidente e ficar entre a vida e a morte, a história conta sobre Nathan (Roman Duris), um advogado que passou por uma situação de quase-morte na infância e que hoje vive infeliz em seu trabalho, separado da mulher e da filha por uma outra tragédia.


Certo dia em seu escritório, ele conhece o Dr.Kay (Malkovich) que parece saber tudo sobre sua vida, e o informa que ele tem pouco tempo de vida, mas Nathan não acredita e o expulsa do escritório, mas antes de Kay sair, ele conta sobre uma velha amiga de Nathan que irá morrer em breve.

Ainda sem acreditar no médico, Nathan decide ir atrás de sua amiga, e após estranhos acontecimentos o advogado resolve aceitar as instruções do misterioso médico e retorna à cidade onde estão sua ex-esposa e filha para reconquistar seu carinho antes de seja tarde demais.

O filme é catalogado como sobrenatural, mas é pura bobagem, o personagem de Malkovich tem uma mediunidade de visão, onde pela aura das pessoas ele sabe que a pessoa irá desencarnar em breve.

No filme, o doutor diz à Nathan que ninguém tem o poder sobre a vida e a morte e que sua missão ali resume-se em ajudar quem vai morrer a resolver seus conflitos para que possa fazer a travessia em paz.

A história nos ensina o quanto nossa existência é tão frágil, e quanto ainda precisamos aprender a desfrutá-la com as pessoas que amamos.

O filme possui uma fotografia lindíssima, trilha sonora de altíssimo nível sob os cuidados de Alexandre Desplat.

Abaixo segue o trailer com legendas em francês e áudio em inglês.


Espero que gostem do filme, recomendo.

E quem não for espírita ou não acredita em nada disso, aí a catalogação do filme está correta, é sobrenatural...

Texto: Marcello Lopes

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Anno Dracula


O Conde Drácula não foi derrotado por Van Helsing e seus companheiros.

Os venceu e casou com a Rainha Vitória, nomeou discípulos para funções importantes do Império e livre de ameaças espalhou seus filhos por toda a Inglaterra.

Mas em Londres, um assassino de nome Jack, o estripador está mutilando jovens vampiras e ameaçando a estabilidade do novo regime, 

O livro traz não só uma releitura do clássico de Bram Stocker, mas como a inserção de novos personagens e também referências a vários outros vampiros famosos.

O livro mistura suspense com terror e tem sua leitura muito fácil.

Recomendado.

Marcello Lopes

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Gatos


Muitos poetas escreveram para crianças, e T.S. Eliot escreveu apenas um título, no entanto, foi um tremendo sucesso quando foi adaptado para a Broadway com o título de "Cats" ficando 18 anos em cartaz nos EUA e 21 anos na Inglaterra. 

Seu livro é uma coletânea de poemas soltos sobre gatos com inúmeras referências culturais inglesas.

Entre as histórias a criança descobrirá por que um gato deve ter três nomes diferentes, ou acompanhará o mistério das tigelas de leite roubadas, dos gatos que desaparecem misteriosamente, conhecerá os gatos atores, gatos pobres, ricos e de todas as espécies.

A tradução do livro ficou a cargo de Ivo Barroso que traduziu os poemas de Eliot com personalidade sem se esquecer de que seu público são crianças, substituindo as referências inglesas pelas nossas. 

Para crianças de todas as idades.

Marcello Lopes
Foto: Divulgação Cia das Letras