terça-feira, 30 de março de 2010

A arte imaterial como forma de propagação e educação cultural

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Lendo alguns estudos sobre internet percebi o quanto estamos sendo influenciados pelo mundo virtual, e depois de assistir Os Substitutos com Bruce Willis, onde em um futuro não muito distante somos substituídos por clones dirigidos por nós em uma sala de controle virtual, essa percepção aumentou ainda mais.

Hoje em dia vivemos em uma sociedade que os bits são mais importantes que os átomos, não levamos mais dinheiro e sim cartões de crédito/débito, somos identificados hoje pelas redes sociais e não mais pelo n° do R.G.

Trabalho/Arte imaterial é de acordo com os estudiosos, o trabalho que produz um bem que pode ser informação, serviço, produto cultural ou comunicação.

E se divide em duas partes :
  • intelectual ou lingüística, responsável pelas formas lingüísticas, símbolos, imagens, textos, idéias.
  • afetiva, que determina ou manipula os afetos, as sensações.
É imaterial porque a presença física já não é mais uma prioridade e onde os locais de criação podem ser facilmente "transportados" ou " descentralizados".

OK, explicado o que é arte imaterial, acredito que o que fazemos (blogueiros) é, de certa forma, uma arte ou servimos como ferramentas de propagação cultural, somos responsáveis pelo material que publicamos e também pela resposta que o público tem em relação ao nosso material (ação e reação).

Lembro-me do caso de plágio que a tradutora e blogueira Denise Bottmann, do blog Não Gosto de Plágio, é uma das citadas em uma ação judicial aberta pela Editora Landmark. 

O caso se espalhou e se tornou um debate sobre a lei de liberdade de expressão os limites de abuso de uma grande corporação e a falta de ética com o consumidor para se ter uma idéia, a lista do Manifesto de Apoio a Denise já conta com mais de 2600 assinaturas (assine você também).


Esse exemplo de como o mundo virtual pode ser um benéfico propagador de notícias, informações úteis e acima de tudo, um unificador de pessoas em prol de um único objetivo é o que mais me chama a atenção. Se por um lado temos o lado podre da web com a massificação da pornografia, os crimes virtuais e os delitos como invasão de perfis, troca de senhas, enfim as baixarias que estamos acostumados a ver e ser vítimas, a web tem sido ao longo dos anos um instrumento de transmissão de informações culturais que muitos não teriam acesso se não fosse pela web.

Por isso eu estou criando um projeto - já tinha falado sobre isso no post anterior - de criar laços cada vez maiores com os outros blogueiros, através de parcerias, de criação de blogs comunitários, de trabalho voluntário em comunidades sem acesso à educação ou com educação precária (não é a mesma coisa ?) e quem sabe em alguns anos teremos um portal onde encontraremos todas as informações culturais que quisermos e escrita por pessoas que vivem isso no dia a dia ou que amam a ponto de saberem muito.

Compartilhar essa qualidade/inteligência é fundamental para quem não tem um acesso tão claro e livre da web, colocar nas escolas o acesso aos blogs literários, aos de informação como o do Daniel Piza, do Galeno, de vários blogueiros que eu sigo, o blog do professor Filipe ou o blog de informações do jornalista mineiro Wander Veroni o Café com Notícias ou até mesmo o Tudo é História que eu leio sempre....



Uma amiga, a Camila, trabalha na Oficina de Letras na CEPSI e usa a poesia como forma de tratamento aos pacientes em consulta.

Essa oficina fornece campo de leitura, interpretação e construção poética, já que a poesia é capaz de se reinventar e criar uma nova realidade, possibilitando aos pacientes uma interação com as letras e ativa a criatividade fazendo da poesia uma forma de drenar o sofrimento interno.

Esse exemplo de interação me deixa imaginando até onde podemos ir... Poetas e psicólogos trabalhando lado a lado, professores e contadores de história juntos utilizando a ferramenta educacional mais antiga do mundo, a educação oral.

Criando laços de cooperação podemos unir profissionais de todas as disciplinas para ajudar de alguma forma o sistema educacional desse país.

Na minha modesta opinião, somos privilegiados por termos acesso à um mundo de informações e sinto que é nosso dever transmiti-lo para o maior número de pessoas.

Acha que pode ajudar ??? Espalhe essa idéia !!!

Texto: Marcello Lopes
-> Explicação sobre arte imaterial retirada do excelente ensaio de Hanny Saraiva Ferreira (UERJ/FEBF) sobre criatividade como ferramenta imaterial.
Fotos : Google

domingo, 28 de março de 2010

Blogs Literários parte 4


Continuo a saga de apresentar-lhes ótimos espaços e pessoas que amam tanto quanto eu a literatura e a cultura em geral.

Hoje eu vou falar de 6 blogs, alguns eu descobri faz pouco tempo e que já me conquistaram de imediato, são escritos por pessoas simples, que respeitam a opinião alheia e que acima de tudo, respeitam a cultura em um país desvalorizado.

Ainda mantenho meu projeto do encontro de blogueiros mineiros em Belo Horizonte, para trocarmos idéias, criarmos projetos e quem sabe ajudarmos as pessoas menos favorecidas.

Imaginem o pessoal dos blogues ministrando aulas sobre literatura, arte, música ??? Todos podem contribuir e ganhar com isso, é um projeto que levarei muito sério.

Já estou com alguns endereços de organizações assistenciais que precisam de ajuda voluntária, segunda-feira vou ligar e tirar minhas dúvidas, assim que eu souber de mais dados, passo para todos.

  • O blog de Andrea Del Fuego nos apresenta o mundo editorial, com lançamentos de livros, noites de autógrafo, bem como informações e vídeos sobre cultura, música clássica, teatro, tem diversos livros publicados inclusive pela Ed. Scipione.
  • O blog da mineira Bruna foi um achado na web, autora de 6 livros mantém um blog para promover seu novo livro Centúrias. E tem outro blog chamado Feitiço Literário que também é sobre literatura, poesia e que transmite uma paixão pelas letras emocionante.
  • O blog da Editora Gente foi criado há pouco tempo e é supervisionado pelo meu irmão/amigo Sérgio Pinácio com quem eu trabalhei na Fnac e na Livraria Cultura, e na própria Editora Gente, me honra dizer que ele foi contratado pela editora por causa do seu talento e responsabilidade e também pela minha indicação.... Sérgio mantém também um blog onde mostra as diversas fases de um treinamento para equipes de Livraria e também os lançamentos da Editora chamado Momento do Livro .
  • Galeno Amorim hoje é o nome mais respeitado da web na área editorial, jornalista com mais de 20 anos de experiência em jornais como Estado de Sp, Jornal da Tarde, Rádio Eldorado, é dele o projeto Plano Nacional do Livro e Leitura e também o Programa da Desoneração Fiscal do Livro.
  • O Sérgio e a Manoela escrevem em um espaço pra lá de cult, com resenhas muito bem escritas e textos inteligentes que nos fazem pensar sempre que terminamos de ler a última linha, o blog se chama Brás Cubas e sempre me surpreendo com os assuntos debatidos por lá, vale a pena conferir.
  • Todos temos um espaço em casa que gostamos de nos sentar e folhear nossos livros com calma, a Aline tem o Cantinho da Leitura, um blog com resenhas, lançamentos e promoções de livros.
  • O blog do professor Robertson Mayrink é recheado de ótimas dicas de filmes escritas por quem conhece do assunto (ele fez mestrado em cinema na UFMG) e é fã, Criação e Cinema fala sobre livros, documentários e o processo criativo dos filmes que nos encantam e permanecem em nossa memória.
Espero que vocês tenham gostado dessa pequena seleção, e que visitem os blogues mencionados acima, informando o dono de onde vieram para que possamos assim formar um grande círculo cultural na web, com inúmeras ligações entre os blogues.

Marcello Lopes
Foto: Google

sábado, 27 de março de 2010

Chico Xavier - O Filme


Li esse livro em 2 horas hoje (Sábado) na livraria onde eu trabalho.

O livro conta sobre as filmagens do maior médium que já existiu na Terra, e sua vida cercada de sofrimento e ajuda ao próximo

Marcel Souto Maior faz um retrato jornalístico dos bastidores do filme.

Nestas páginas, ilustradas pelas fotos de Ique Esteves, descobrimos histórias e curiosidades do dia a dia da produção, marcada por crises de choro (Cristiane Torloni, Nelson Xavier), coincidências, rodas de oração, distribuição de flores e o aroma de jasmim do perfume preferido de Chico Xavier.

O livro é rico em fotografias e relatos dos acontecimentos que são estranhos à quem não vive no espiritismo, como o odor de rosas que se espalhou no cenário na última cena, como só choveu depois que Daniel terminou de gravar as externas em um dia onde em toda a região caia uma tempestade, esses fato são narrados com muita propriedade e acima de tudo com muita isenção pelo repórter e pelo diretor do filme, ambos ateus, o que dá mais credibilidade aos acontecimentos.

Tive em duas oportunidades que segurar as lágrimas, no primeiro quando Nelson Xavier entra no cenário e sente o perfume de rosas e inicia uma crise de choro, ou a narrativa da primeira cena com Tony Ramos que emocionou até os integrantes da equipe.

Na outra oportunidade, é o relato de Cristiane Torloni que perdeu o filho de 12 anos em um acidente de carro e faz a personagem no filme que também perdeu um filho....

É engraçado fazer uma resenha de um livro que fala por si só, nao há palavras para descrever a beleza de conhecer a obra desse homem que se autodenominava Cisco Xavier ( por não se achar importante) e seu impacto na vida de tantas pessoas, católicas, ateus, espíritas, evangélicos....etc....

O livro vale como retrato de uma vida sem máculas de uma pessoa que transcendeu os limites da religião e se transformou em ícone de bondade e de caridade.

Marcello Lopes

Todos sabem que eu sou espírita kardecista e me orgulho muito de fazer parte dessa religião/ciência que cresce a cada ano.

Estou ansioso pela estréia do filme do maior médium que esse mundo já teve, e que foi o ícone da bondade e da simplicidade em um país repleto de falsidade e corrupção. 

O filme evita cair na pieguice e mescla humor (Chico era extremamente bem humorado) e drama.

Para intercalar infância, vida adulta e velhice, o roteiro usa como fio condutor as três entrevistas que Chico concedeu para o programa “Pinga Fogo” (até hoje uma das maiores audiências da TV), na década de 70, na TV Tupi. Também é explorada uma carta psicografada por ele, que ajudou a livrar da condenação uma pessoa que matou acidentalmente um amigo.

Quer saber mais sobre o filme, acesse o site oficial :





Marcello Lopes

Filmes e séries com temática espírita ganham importância no país.

O cearense Luís Eduardo Girão está convicto de que a verdadeira riqueza brasileira “não é o pré-sal da Petrobrás, mas a vasta literatura espiritualista, cada vez mais procurada”. É ela que, segundo o produtor de Bezerra de Menezes: O diário de um espírito (2008) – a cinebiografia do médico kardecista – está alimentando o que ele vê como nova tendência do cinema nacional: os filmes de temática espírita, que ganharam novo impulso na esteira do centenário de nascimento de Chico Xavier (1910-2002), o mais popular médium do país.

Os livros do (psicólogo e médium Luiz Antônio) Gasparetto são um fenômeno de vendas. Divaldo Pereira Santos é outro recordista, já vendeu mais de 10 milhões de livros. Sem falar no próprio Chico, que psicografou mais de 400 livros que são quase roteiros de cinema prontos. Temos como exportar esse olhar – acredita Girão, que é coprodutor de Chico Xavier, de Daniel Filho, que chega ao circuito na próxima sexta-feira, dia em que o mais célebre espírita brasileiro faria 100 anos.

Com elenco estelar (Nelson Xavier, Ângelo Antônio, Tony Ramos, Christiani Torloni, Letícia Sabatella, Cássia Kiss) e amparado por uma máquina publicitária poderosa, que envolve marcas como Globo Filmes e a Sony Pictures, o longa de Daniel Filho é a mais vistosa encarnação de enredos de fundo espírita. Girão está envolvido em pelo menos outros dois projetos na área.

Dirigido por Sérgio Sanginitto, Área Q, em fase de edição, fala sobre aparições de discos voadores em uma cidade do interior do Ceará. Já As mães de Chico Xavier, de Glauber Filho, Halder Gomes e do mesmo Sanginitto, que começa a ser filmado dia 15 de abril, conta a história de três mães que acham consolo nas mensagens dos filhos mortos, psicografadas por Xavier.

Este último é uma adaptação do livro Por trás do véu de Ísis, investigação sobre o trabalho de psicografia, escrito por Marcel Souto Maior. O jornalista carioca é também autor da biografia que gerou o filme de Daniel Filho. Ele também estranha o fato de um filão tão rentável – os livros psicografados por Chico Xavier já venderam mais de 30 milhões de exemplares no país – ter sido sido tardiamente descoberto pelo cinema.

– O Brasil mágico, sobrenatural, este Brasil da vida depois da morte, nunca foi bem retratado no cinema. É um tema que mobiliza milhões e que agora terá o espaço que merece no cinema. E chega num belo momento: o ano do centenário de Chico – diz Souto Maior, que começou a pesquisar sobre o médium mineiro há 15 anos e já escreveu três livros sobre ele; um quarto, sobre os bastidores das filmagens de Chico Xavier, chega às bancas junto com o filme. – Chico é um mito, um mistério, e o mistério é sempre inesgotável.

Dependendo do resultado desses filmes na bilheteria, o ano promete ser um divisor de águas para o cinema brasileiro. Até então, o número de títulos com temas ligados à religiosidade ainda era incipiente. Mas o poder de doutrinação desse tipo de filme pode ser medido pelo percurso de produções como Maria, mãe do filho de Deus (2003). O filme, dirigido por Moacyr Góes e com participação do padre Marcelo Rossi, foi visto por cerca de 2,3 milhões de espectadores. Góes também dirigiu Irmãos de fé (2004), que conta a conversão de São Paulo de judeu em apóstolo, assistido por 912 mil pessoas.

O marco zero para a redescoberta da espiritualidade do público brasileiro parece ter sido mesmo Bezerra de Menezes, uma produção modesta, protagonizada por Carlos Vereza, assistida por mais de 505 mil pessoas.

Sim, de certa forma Bezerra de Menezes ajudou a alavancar as produções que estão chegando agora ao cinema, como a minha – afirma o ator e diretor Paulo Figueiredo, que finaliza E a vida continua, baseado em um dos livros psicografados por Chico Xavier. – É um assunto que fica meio adormecido. Aí vem a TV Globo e faz uma novela que reaviva o tema, ou vem um filme pequeno como o Bezerra e atrai um monte de iniciados no assunto aos cinemas. Mas há também o interesse de muitos não iniciados, com uma curiosidade muito grande sobre os temas espirituais.

Figueiredo tentou levar E a vida continua aos palcos ainda nos anos 70, mas desistiu da ideia porque o número de personagens da história inviabilizou o projeto financeiramente. No início da década, Figueiredo retornou a ideia, desta vez para o formato televisivo, que evoluiu para os moldes de um longa-metragem quando cruzou o ator conheceu Oceano Vieira, pesquisador e dono da Versátil, distribuidora de DVDs e filmes de arte. Foi aí que a história – um homem (Luiz Baccelli) e uma mulher (Amanda Acosta) que morrem e se reencontram no plano espiritual – desencantou, agora amparada pela repercussão de Bezerra de Menezes.

– Parece que é uma onda mas é um gênero que veio para ficar – corrige Vieira, que já produziu e lançou, pelo selo Vídeo Spirite, três documentários inspirados em Chico Xavier. – As pessoas querem mais filmes com espiritualidade, que as deixem se sentir melhor com o mundo e consigo mesmas. E a obra do Chico é o ponto certo; consegue transmitir paz, amor. Ele é o maior brasileiro do século 20.

Prova da força messiânica do tema é o envolvimento da filial brasileira dos estúdios Fox na produção de Nosso lar, de Wagner de Assis, inspirado no livro narrado por um médico chamado André Luiz a Chico Xavier. Lançado em 1942, o polêmico livro foi o primeiro a abordar a mediunidade de forma aberta. Ganhou adaptação luxuosa, com efeitos especiais produzidos no Canadá e trilha sonora do americano Philip Glass, e chega aos cinemas em setembro.

TV Globo prepara seriado com médico de poderes mediúnicos.

A TV brasileira, que desde a semana passada começou a pôr no ar produtos especiais relacionados à efeméride do centenário de Chico Xavier, pensa no espiritismo como um investimento a longo prazo. Dia 12 estreia Escrito nas estrelas, a nova novela das 18h da Rede Globo, cuja trama questiona os limites entre os planos físico e espiritual. A emissora carioca lança, ainda no segundo semestre deste ano, o seriado A cura, no qual Selton Mello viverá um médico mineiro com habilidades paranormais. A última novela global a trabalhar o campo espiritual com profundidade foi Alma gêmea (2005), de Walcyr Carrasco.

– Acho que há uma busca maior das pessoas, em nível mundial, por algo que transcenda a realidade, às vezes tão brutal, que vivemos atualmente – entende Elizabeth Jhin, autora da trama de Escrito nas estrelas. – No cinema, na literatura e na televisão vemos exemplos disso, o que demonstra que há realmente um movimento nesse sentido. Acima de crenças institucionalizadas existe um desejo comum de redescobrir valores que tornem menos árdua nossa passagem por aqui.

Dirigida por Roberta Richard e Fabio Strazzer, com direção-geral de Pedro Vasconcelos, Escrito nas estrelas pretende promover um debate sobre os avanços da ciência genética em seus aspectos médicos e éticos. A trama é desencadeada pela morte do filho único (Jayme Matarazzo) do dono de uma conceituada clínica de reprodução assistida (Humberto Martins) em um acidente. Este vem a descobrir que uma de suas clientes (Nathália Dill) está grávida de seu filho morto, depositante do banco de esperma da clínica.

Já o seriado A cura acompanha a trajetória de um médico do interior de Minas Gerais acusado de causar a morte de um colega de escola. Anos depois, descobre-se capaz de curar pessoas através de cirurgias espirituais intermediadas pelo espírito de um médico morto. Selton Mello será o protagonista do programa e fará par romântico com Andréia Horta, do seriado Alice.

-> Bom, é sempre importante todo e qualquer filme/série/novela que aproxime as pessoas de Jesus e de sua mensagem de paz e verdade, seja qual for o gênero do filme, Espírita, Evangélico, Católico todos ao meu ver são caminhos para se chegar à perfeição.

Lembro-me de uma frase de Chico Xavier ao ser questionado por uma esposa aflita que dizia que seu marido era bom esposo, bom pai, bom trabalhador, só tinha um defeito (opinião dela) ele não era espírita. Chico respondeu de pronto :
- Se ele é tudo isso, tá bom, não mexe com ele não....

Isso evidencia o caráter ecumênico de sua obra.

Fonte: Jornal do Brasil on line
Comentários : Marcello Lopes

Novas Descobertas sobre Agatha Christie...



O Caso dos Dez Negrinhos e a Morte na Praia, dois dos romances mais famosos de Agatha Christie (1890-1976), poderiam ter um final diferente, como mostra um livro que analisa os 73 cadernos de rascunho da autora.

A complexa simplicidade dos romances de Christie é revelada através das dezenas de cadernos que a autora encheu com suas anotações, objeto de estudo do irlandês John Curran em "Agatha Christie's Secret Notebooks" ("Os cadernos secretos de Agatha Christie", em tradução livre), ainda não publicado em português.

Curran, especialista na obra de Agatha Christie, a escritora que mais vendeu livros no mundo -- 2 bilhões de exemplares em 45 idiomas, segundo seu site oficial --, passou quatro anos analisando os rascunhos.

"Eu sabia da existência dos cadernos, mas nunca, nem em meus melhores sonhos, cheguei a pensar que acabaria lendo eles um dia e publicando um livro sobre eles", explicou Curran em Torquay, cidade natal da escritora. Foi ali perto, na residência de verão dos Christie, que o especialista estudou os 73 cadernos conservados.

As anotações são "completamente caóticas". Às vezes a autora começava tratando de um livro e saltava para outro algumas páginas depois. E em alguns casos, ela retomava ideias inacabadas dez anos depois.

"No meio dos rascunhos, havia, por exemplo, listas de presentes", explica Curran. Segundo ele, Christie era caótica e trabalhava ao mesmo tempo em várias histórias, o que lhe permitiu escrever 80 livros entre romances e relatos e uma dúzia de peças de teatro.

Com exceção de seis livros, todos os romances da escritora são abordados nos cadernos. O trabalho de Curran nos permite saber, por exemplo, que em "O Caso dos Dez Negrinhos" -- o livro policial mais vendido de todos os tempos -- a autora pensou, a princípio, em contar com oito personagens, depois 12 e finalmente os dez da história original.

E, segundo as anotações de Christie, qualquer um deles pode ser o assassino. No caso de "Os Cinco Porquinhos", desde o início a autora teve claro quem seriam os personagens, mas não quem seria a vítima ou o assassino. Já para "Morte na Praia" ela pensou em diversas alternativas para quem eram os assassinos e suas motivações.

O trabalho de Curran traz à tona uma série de detalhes que nos permitem conhecer a fundo o trabalho preparatório de uma escritora de tão grande destaque como Christie.

"A maioria dos leitores acha que ela começava a escrever os livros do começo ao fim e que em um mês já tinha uma romance pronto. Mas meu livro mostra a quantidade de trabalho que há por trás dessas histórias", explica Curran.

Christie "tinha ideias, mudava de opinião, voltava do final ao início, colocava um personagem como assassino e depois colocava outro. E às vezes parava tudo isso e começava de novo com uma ideia anterior, levando em conta cada possibilidade da trama".

Com este livro, o especialista acredita que os fãs de Christie terão uma ideia melhor de como ela realizou suas obras e de como elas são complexas.

"Muitos de seus livros foram construídos sobre premissas muito singelas. Alguém é assassinado, vítimas em ordem alfabética, alguém isola um grupo de pessoas em uma ilha e mata um por um".

Mas, segundo ele, "o fato de que pareçam tão simples para o leitor demonstra que há muito trabalho em sua criação". É a arte de uma autora que para Curran é "a melhor escritora de livros de detetives", um gênero que se caracteriza por um tipo de história na qual o leitor consegue as chaves para resolver o mistério.

"Ninguém nunca fez isso tão bem como Agatha Christie. Não considero que ela seja uma grande romancista de crimes, mas foi a melhor escritora de histórias de detetives da história".

Junto aos milhares de detalhes que encantarão os mais fanáticos, estão dois contos inéditos com Poirot como protagonista.

"A Captura de Cérbero" deveria ter sido publicado em 1947 dentro da série de contos conhecida como "Os trabalhos de Hércules", mas foi desprezado pela revista "The Strand". Segundo Curran, a revista o rejeitou provavelmente por tecer um retrato curioso de Adolph Hitler refletido em um personagem chamado Hertzlein.

É um relato que aborda uma transformação pacífica do ditador, muito diferente do segundo conto, "O Caso da Bola do Cão", um exemplo mais clássico do estilo de Christie, descoberto apenas em 2004.

Fonte: Estado de Sp
Foto: Google

sexta-feira, 26 de março de 2010

Literatura Russa



Além de ser poeta, Maiakóvski escreveu textos críticos, manisfestos, cartazes de propaganda e peças de teatro.

Foi brilhante na combinação de palavras para elaborar seus poemas, renovou a poesia russa no seu tempo e é considerado um dos principais participantes do movimento futurista em seu país.


Com a Revolução Russa fez sucesso como propagandista dos ideais bolcheviques em poemas e peças de teatro, foi porta-voz do Partido Comunista, trabalhou na Agência Telegráfica Russa como criador de cartazes, para os quais fez rimas e slogans, além de livros didáticos com os princípios da Revolução para crianças.

Infelimente após uma decepção amorosa se matou com apenas 37 anos de idade.


Marcello Lopes
Fotos: Google

DE "V INTERNACIONAL"

Eu
à poesia
só permito uma forma:
concisão,
precisão das fórmulas
matemáticas.

Às parlengas poéticas estou acostumado,
eu ainda falo versos e não fatos.

Porém
se eu falo
"A"
este "a"
é uma trombeta-alarma para a Humanidade.

Se eu falo
"B"
é uma nova bomba na batalha do homem.

(tradução: Augusto de Campos)

Todas as quintas, escrevo sobre Jazz, músicas do mundo e minhas parcas memórias musicais no Musicólatras Anônimos, um espaço criado pelo Daniel Argentino para nossas divagações musicais, ou como eu diria Alucinações Musicais.

Não perca a chance de conhecer diversos estilos e músicos desconhecidos mas de muita qualidade.

Visite, nos prestigie....

A música agradece.

Marcello Lopes
Foto: Google

sexta-feira, 19 de março de 2010

Terras Baixas



Joseph O´Neill ficou mundialmente conhecido quando o então candidato à presidência dos EUA, Barack Obama comentou que um de seus livros era livro de cabeceira dele.

À partir de então, houve uma corrida nas livrarias para conhecê-lo, e Joseph não decepciona, pelo menos não nesse livro lançado em 2008, Terras Baixas
conta a história do executivo holandês Broek que rememora sua amizade com o inglês Chuck que foi encontrado morto em um canal em Nova York.

Sua amizade com o inglês ocorreu em um momento difícil em sua vida, a separação, os atentados de 11 de Setembro, a ausência do filho pequeno, o levaram a travar entendimento com um homem enigmático que sobrevivia na cidade de modos desconhecidos.

A ambientação da história é muito boa, visto pelos olhos de um imigrante, mesmo sob um pano de fundo tão estranho à nós brasileiros, o críquete.

Esporte muito cultuado na Inglaterra e em suas ex-colônias, o autor utiliza o jogo para explorar os limites entre americanos e ingleses pela ótica do esporte e da amizade.

O New York Times escolheu Terras Baixas o Livro do Ano.

Marcello Lopes
Foto: Saraiva.com

Blogs Literários - parte 3


 
Não sei quantos posts serão necessários para apresentar os blogues que tratam a literatura e a cultura do modo correto, mas eu vou fazendo na medida que for encontrando espaços dedicados e de qualidade.

 
Com a chegada da Bienal espero encontrar diversos blogueiros mineiros que escrevem sobre cultura e literatura em geral, e usando uma frase de uma blogueira mineira, a Nanda, "é tão difícil encontrar os mineiros livreiros na web".

 
Espero que se alguém que me segue ou que lê esporadicamente meu blog, conheça um blog mineiro de cultura, me passe o link ou peça ao administrador do blog entrar em contato comigo.

Precisamos aos poucos criar uma rede de contatos culturais para formar novos leitores, criar novos debates e afugentar a "ingnorânça" que afoga nosso país...

  • Paula do blog Viajar pela Leitura é do além-mar, lá das terras lusitanas, mas o amor pelos livros é o mesmo que o nosso, no espaço há espaço para informações sobre os últimos lançamentos (fiquei feliz em saber que o Paul Auster lançou mais um livro, ele é meu preferido !) e para resenhas, bem como textos inteligentes e recheados com poemas, pensamentos e promoções.
  • A Carol e a Caroline criaram um blog para mostrar as capas de livros que foram lançados no Brasil, e tem o nome de Capas de Romances, são centenas de capas desde Fevereiro de 2009... É no mínimo um serviço ao mercado livreiro.
  • Descobri recentemente um blog interessante da Ju Haghverdian chamado Ship made of Books, ela é Lincenciada em Letras - Língua Inglesa e Literatura pela Universidade Federal do Amazonas e preparando para Mestrado em Literatura Americana e mora nos Estados Unidos, e em seu espaço tem resenhas, traduções de poemas e postagem de um poema todo o sábado....
  • Quem pensa que meninas de 17 anos não sabem escrever é porque não conhecem o blog da Giu, o Amount of Words, resenhas de livros e de filmes, mas não espere ler sobre Retrato de uma senhora, e sim livros sobre vampiros, Meg Cabot e Marian Keyes, mas para uma garota de 17 anos ela está no caminho certo.
  • O Fantástico Mundo da Arte da Kézia, é um blog bem legal, com resenhas de diversos gêneros literários, informações sobre diversos tipos de arte, como desenho e escultura.
Bem, ainda faltam dezenas de blogs para apresentá-los aqui, semana que vem eu escrevo mais sobre eles...

Marcello Lopes
Foto: Google

quarta-feira, 17 de março de 2010


Acabei de assistir o primeiro episódio da nova série de Spielberg, e é muito boa série, longe de ser ainda uma obra prima....mas.....é Spielberg. 

The Pacific custou quase U$ 200 milhões de dólares, surgindo como a série de tv mais cara da história, Tom Hanks é outro produtor executivo, e a série segue os moldes de Band of Brothers com os veteranos de guerra sendo entrevistados no início de cada episódio com inserções de imagens reais e da série.

O primeiro episódio nos mostra como os americanos entraram na Guerra, ao serem atacados em Pearl Harbor pelos japoneses, a explicação do incidente se mistura à diversas imagens sobre as ilhas próximas do Pacífico sendo conquistadas pelos japoneses, como Ilhas Salomão, Guam, até chegarem próximos da Austrália.

No cinício desse ep. nos é apresentado os 3 fuzileiros que irão contar e participar de toda história da série até seu desfecho final com a rendição japonesa após o bombardeio devastador em Hiroshima e Nagasaki onde 100 mil japoneses morreram segundos após a detonação do projétil.

A série parece que carece de personagens fortes que se identifiquem com o público, como em Band of Brothers que já no começo (eu pelo menos), rezava para o Ten.Winthers matar o David "Ross" Schwimmer logo de cara... rsrsr...Mas isso se deve ao fato da série não ter nenhum ator de renome ou possivelmente o enredo esteja no início.

Eu adoro qualquer série, documentário ou filme sobre a 2° Guerra Mundial, porque na minha opinião foi a época onde foram criados os heróis de verdade, pessoas comuns realizando atos de bravura, de honra acima de tudo.

Os nossos brasileiros não devem ser esquecidos nunca, eles foram o único exército na guerra que dominaram e renderam uma divisão inteira incluindo um general na batalha de Monte Castelo !!

E o que dizer dos aviadores brasileiros, que dominaram os céus italianos derrubando caças inimigos e atacando trens, depósitos de armas, e mostrando aos aliados como somos competentes e corajosos quando queremos !!!!

Senta a puá !!!!!!!!!!!!!

É esperar para ver o que acontece daqui para frente, e também torcer para que a promessa de Spielberg de mostrar o lado japonês se realize.



Marcello Lopes

terça-feira, 16 de março de 2010

Começou os preparativos para a Bienal Minas


Hoje foi dado o start para os expositores e editoras se prepararem oficialmente para a Bienal Minas Gerais, a segunda que ocorre em Belo Horizonte.

Participei da reunião em nome da Livraria Leitura, como um dos responsáveis pelos espaços da livraria na Bienal. A primeira Bienal teve um número de visitantes muito bom apesar de ter caído em uma semana com feriado, 230 mil pessoas em 10 dias, números impressionantes considerando-se que foi a primeira edição.

Fomos apresentados à equipe de Marketing e Apoio que irá ajudar os expositores na montagem e administração dos espaços, bem como as ferramentas de propaganda que teremos à disposição.

Teremos a oportunidade de escrevermos no blog da BIENAL à respeito de lançamentos de livros, programação cultural no café literário e outros eventos, e o Tudo que Vejo também irá participar ativamente junto ao Marketing da Bienal, sempre informando sobre lançamentos, palestras, e noites de autógrafo... Fiquem Ligados.....

Informações interessantes me foram passadas hoje, como todo bibliotecário tem entrada gratuita ( Nanda.. essa é pra você !!!), professores e profissionais do livro também.

A Bienal desse ano promete superar os números da 1° edição, e trazer grandes e importantes autores nacionais para palestras, noites de autógrafos e bate-papo, e também a comemoração dos 40 anos da Câmara e os 100 anos da Academia Mineira de Letras.

Este ano, a Bienal contará com 18 sessões no Café Literário e 16 na Arena Jovem, a grande novidade é o Circo das Letras, área destinada especialmente ao público infanto-juvenil.

Tenho uma batalha pela frente, os livros já começaram a chegar, os materiais de apoio estão sendo produzidos, e o mobiliário está sendo escolhido de acordo com o tamanho do stand.

Mais novidades eu coloco aqui.

Marcello Lopes

domingo, 14 de março de 2010


The Pacific, a série televisiva mais cara da história, com um orçamento de US$ 200 milhões e com a presença de Steven Spielberg e Tom Hanks como produtores executivos, estreia hoje à noite nos Estados Unidos no canal "HBO".

Trata-se de uma minissérie de dez capítulos e cerca de 600 minutos de duração que reconstitui a memória pessoal de três marines americanos (Robert Leckie, John Basilone e Eugene Sledge) durante o conflito entre EUA e Japão no litoral do Pacífico em plena Segunda Guerra Mundial.

Na série, os responsáveis por retratar esses personagens são os atores James Badge Dale, Jon Seda e Joe Mazzello - o menino protagonista de "Jurassic Park" (1993), produção também de Spielberg.

A base do enredo de "The Pacific" é semelhante à já tratada por Spielberg e Hanks, primeiro como diretor e protagonista em "O Resgate do Soldado Ryan" (1998) e depois, novamente como produtores executivos, na minissérie "Band of Brothers" (2001), também transmitida pela "HBO".

No final de fevereiro, foi transmitido o primeiro capítulo de "The Pacific" no Teatro Chinês de Hollywood, em um evento que ambos assistiram.

"Estou orgulhoso de que a "HBO" nos dê a oportunidade de contar algumas das histórias. Não todas, já que há milhões que ocorreram no Pacífico", manifestou Spielberg.

Diferente de filmes como "Pearl Harbor" (2001), onde se glorificava a reação americana diante do ataque do Japão à base naval dos EUA no Havaí, a série pretende homenagear os heróis americanos, mas também abordar a tragédia dos inimigos.

"Queríamos homenagear a coragem dos marines americanos na batalha", disse recentemente Hanks à revista "Time". "Mas também queríamos que as pessoas dissessem: 'não sabíamos que nossas tropas fizeram isso aos japoneses'".

Mais de 100 mil pessoas morreram quase instantaneamente em Hiroshima quando a bomba atômica lançada na manhã de 6 de agosto de 1945 pelo bombardeiro americano Enola Gay explodiu sobre o centro da cidade japonesa.

Ao final de 1945, o número de mortos subia para 140 mil em uma cidade cuja população nessa época não passava de 350 mil pessoas.

Em 9 de agosto de 1945, três dias depois do ataque contra Hiroshima, os EUA lançavam outra bomba atômica na cidade japonesa de Nagasaki. As tragédias acabaram precipitando a rendição incondicional do Japão na Segunda Guerra Mundial.

Após o ataque a Pearl Harbor, os EUA entraram na Segunda Guerra Mundial e, nos três anos e meio seguintes, o país mobilizou mais de 16 milhões de soldados, dos quais mais de 400 mil morreram e 672 mil ficaram feridos em batalhas no mundo todo.

A entrevista de Hanks à "Time" provocou certa polêmica em alguns setores da sociedade americana devido à comparação que o ator faz entre a Segunda Guerra e os atuais conflitos no Iraque e no Afeganistão.

"Na Segunda Guerra Mundial, víamos os japoneses como 'amarelos com olhos puxados' que acreditavam em vários deuses. Eles queriam nos matar porque nosso estilo de vida era diferente. E nós, em resposta, quisemos aniquilá-los porque eles eram diferentes. Soa familiar ao que ocorre hoje em dia?", perguntou-se Hanks.

O presidente americano, Barack Obama, figura entre os poucos privilegiados que já puderam ver uma prévia da série.

Fonte: Uol.com
A idéia é simples, para aumentar as vendas é preciso ter um grande número de leitores, e para aumentar o número de leitores é preciso investir em projetos e políticas públicas.

Galeno Amorim é um dos principais nomes no mercado livreiro e editorial, diretor do Observatório do Livro e da Leitura e criador do PNLL (Plano Nacional do Livro e da Leitura) criou o projeto Você é o escritor!, desenvolvido junto com a Fundação Palavra Mágica. Conheça mais sobre o projeto AQUI.

O objetivo do projeto é estimular a leitura, a reflexão e a escrita. Nesse caso, Galeno propõe que o próprio leitor depois de ler o livro que é disponibilizado gratuitamente na web, escreva um novo final. Visite o blog e conheça mais.

-> Doação de livros

A entidade que precisa de doação de livros: o Clube de Mães Amor Eterno, que arrecada obras para incentivar a leitura em presídios. A instituição fica na rua Luiz Azorías 1.183, bairro Zerão, em Macapá (AP), CEP: 68903-350.

O telefone de contato é (96) 3241-4768 e o e-mail: delmaskibinski@hotmail.com.

Fonte : Galeno Amorim

sexta-feira, 12 de março de 2010

Dia do Bibliotecário


Hoje é dia de comemorar o dia do Bibliotecário, o guardião dos livros, mestre em informação literária e tão subestimado em nosso país.

A data escolhida para este dia é por causa do nascimento do bibliotecário, escritor e poeta Manuel Bastos Tigre.

Manuel Bastos Tigre foi engenheiro e bibliotecário. Nasceu em 1882.

Foi homem de vários talentos, foi jornalista, poeta, compositor, teatrólogo, humorista, publicitário, além de engenheiro e bibliotecário.

E em todas as áreas obteve sucesso, especialmente como publicitário. "É dele, por exemplo, o slogan da Bayer que correu o mundo, garantindo a qualidade dos produtos daquela empresa: "Se é Bayer é bom"

Quando em 1906, resolveu fazer aperfeiçoamento em eletricidade, no Estados Unidos, conheceu o grande bibliotecário Mervil Dewei o qual instituiu o Sistema de Classificação Decimal.

Esse encontro foi decisivo na sua vida, porque, em 1915, aos 33 anos de idade, largou a engenharia para trabalhar com biblioteconomia.

Exerceu a profissão de bibliotecário por 40 anos, é considerado o primeiro bibliotecário por concurso, no Brasil.



Texto e Pesquisa : Marcello Lopes

quarta-feira, 10 de março de 2010

Blogs Literários - parte 2


Em meio ao caos pornográfico e notícias do Bosta Bosta Bosta, ainda é possível encontrar no oceano da web algumas ilhas voltadas à cultura e literatura.

Fico muito feliz em poder divulgar esses blogs e espero que a mensagem encontre eco em muitos outros blogs, precisamos urgentemente colocar esses espaços em evidência, hoje em dia predomina a mediocridade e a futilidade como forma de entretenimento, mas podemos mudar isso aos poucos, e criarmos uma comunidade interligada de áreas culturais na web.

Tenho um plano um pouco ousado aqui em Belo Horizonte, quero fazer uma reunião com os blogueiros da capital, mas somente com aqueles que tem algo à dizer, ainda não tive tempo de colocar em prática por causa do trabalho.

Vamos à lista :

  • O blog da Débora de Botucatu, chama-se Leitura nossa de cada dia gostei das resenhas e do modo viciante que ela demonstra seu amor pelos livros, e lendo seu perfil temos algo em comum, eu também comecei lendo a série Vagalume, mas com o livro Mistério do Cinco Estrelas....
  • O Blog da mineira Mariane chama-se Compartilhando Leituras é um espaço de resenhas, poemas próprios e dicas de filmes com promoções de livros e mais coisas.. Passem por lá....
  • O blog da Alexandra La Sorciere tem poemas, resenhas, dicas de filmes e ela faz parte da maratona de Banca que consiste em ler um livro de banca por mês.
  • A Celsina tem um blog muito legal chamado Uma Janela Secreta (nome provavelmente retirado do conto de Stephen King), com resenhas inteligentes e sempre com bons livros, essa estudante de física que sonha em ser astrofísica ( uauuuuu..) tem apenas 18 anos e escreve muito bem, vale a pena passar por lá e conferir.
Semana que vem eu escrevo sobre outros blogs interessantes que tratam muito bem a cultura e a literatura.

Marcello Lopes


É muito provável que Robert De Niro faça uma sequência do filme Fuga à Meia-Noite, um clássico.

Se você não lembra ou tem menos de 30 anos, assista aqui um trecho no Youtube : FUGA À MEIA-NOITE

Dirigido por Martin Brest, Fuga à Meia-Noite mostrava De Niro como Jack Walsh, caçador de recompensas que precisa levar o contador Jonathan "The Duke" Mardukas (Grodin) de Nova York a Los Angeles.

A tarefa parece fácil, até que ele descobre que o inofensivo Duke embolsou 15 milhões de dólares da Máfia e ficava mandando cartões postais pro chefão da máfia.

Agora o FBI está atrás dele para servir de testemunha, a Máfia quer vingança e nessa confusão um outro caçador de recompensas quer se aproveitar da situação da recompensa.

Marcello Lopes

terça-feira, 9 de março de 2010

Guerra e Paz


Uma epopéia.

Guerra e Paz é um marco na literatura do séc.19 que levou 5 anos para Tolstói terminá-la.

O livro conta a guerra entre os russos contra o exército de Napoleão que durou cerca de 15 anos, o autor nos mostra um amplo painel de personagens reais e fictícios da vida russa no séc.18.

A construção dos cenários e a narrativa que reúne mais de 100 personagens transforma Guerra e Paz em uma obra única que trata não só da guerra, mas nos apresenta a aristocracia fútil, os arrogantes oficiais do exército, a pobreza dos servos.

A sociedade russa na época estava em conflito com ela mesmo, de um lado uma elite que ansiava pelas novidades do mundo exterior e do outro, uma camada da população vivendo ainda em regime de escravidão, os mujiques.

Destaque para a cena da retirada do exército francês, derrotados pelos russos e por seu rigoroso inverno.

É um clássico que contempla questões fundamentais de qualquer sociedade.

Vale a pena.

Texto: Marcello Lopes

domingo, 7 de março de 2010

Literatura Inglesa - III


William Butler Yeats é um dos meus poetas preferidos, primeiro porque ele é um dos poetas que seguiu seu caminho contra a realidade, usava a poesia para entrar em contato com um mundo mais puro e belo.

Segundo por ser um poeta irlandês, Yeats buscou na mitologia celta um mundo de cenários e personagens para seus poemas como no Crepúsculo Celta, sua obra ajudou a consolidar o renascimento literário irlandês.

Seu trabalho é muitas vezes comparado aos pintores pré-rafaelitas voltados exclusivamente para a experiência onírica, sua maior influência foi Shelley.

Atuou muito escrevendo peças drámaticas de teatro a favor do nacionalismo irlandês, travando conhecimento com diversos novos escritores irlandeses, e principalmente com Dougls Hyde, primeiro presidente irlandês, poeta e acadêmico brilhante.

Yeats era muito interessado em misticismo e pelo espiritualismo, criando uma ordem secreta chamada Ordem Hermética do Amanhecer Dourado, influenciado também pelo hinduísmo, traduziu Os dez principais Upanishads.

Em 1913, Yeats conheceu o poeta Ezra Pound que tinha viajado até Londres, em parte com a intenção de conhecer Yeats, que considerava "o único poeta merecedor de um estudo sério".

A partir dessa altura até 1916, os dois passaram os invernos numa casa de campo na Floresta de Ashdown, com Pound a exercer as funções de secretário de Yeats. Pound tinha preparado um publicação de versos de Yeats na revista Poetry, com as suas próprias alterações não autorizadas, refletindo a aversão de Pound pela prosa vitoriana.

No campo da política, Yeats foi nomeado para o Senado em 1922 onde, entre outras coisas, presidiu o comitê encarregado de selecionar os desenhos para a primeira moeda da Irlanda Livre.

Teve um papel de destaque no debate em relação à legislação anti-divórcio, em 1925, da qual era opositor.Saiu do Senado em 1928 devido a problemas de saúde.

Yeats é considerado um dos poetas chave na língua inglesa do século XX.

Texto: Marcello Lopes

POLÍTICA - (Politics)

Como posso eu, com essa moça ali,
fixar a atenção


Na política russa,
Romana, ou de Madrid?


No entanto, há nesta reunião
um homem competente e viajado,
que sabe do que fala.


E temos um político conosco
que já muito tem lido e meditado
pode bem ser que eles se enganem pouco
no que afirmam da guerra e suas ameaças.


Mas ai! se eu voltasse a ser novo
E a tivesse nos braços!
 
Poema : Yeats

sábado, 6 de março de 2010

Blogs Literários - parte 1


Sempre quando eu chego em casa tenho um pequeno ritual, ligo o pc e vou fazer algumas coisas na cozinha, depois me sento confortavelmente e leio pelo menos 20 blogs sobre literatura ou que tenham a ver com cultura.

E já faz tempo que eu quero escrever sobre eles porque quem escreve sobre livros merece um grande respeito, eu trabalho com livros há 14 anos, boa parte deles atendendo em livrarias como Livraria Cultura, Fnac, Saraiva, Haikai e participei ativamente do processo da livraria dentro da Sala Sp.

Para mim, as pessoas que eu vou apresentar aqui são verdadeiros instrumentos de disseminação cultural, e uma coisa que me chamou a atenção, é que 80% dessas pessoas são mulheres.

Ok...faz séculos que o mundo pertence às mulheres, e agora mais do que nunca a ótima influência delas é permanente.

Vamos à apresentação dos blogs :

  1. 9 garotas se juntaram e decidiram tomar um chá com livros, o blog Um Livro no chá das cinco é um blog muito bom, com resenhas bem escritas, entrevistas com autores, matérias da imprensa sobre diversos lançamentos, com twitter e participação ativa dos seguidores, que já passam de 500 !!! Além disso, vale destacar o sistema de busca por autores pela letra ou pela data, isso confere ao site um respeito enorme pelos seguidores que de vez em quando, procuram por um post mais antigo.
  2. Imaginem trocar seus livros com um desconhecido lá de Rondônia, e receber outros vindos do Maceió, impossível ? Não...o site Trocando Livros  te ajuda a concretizar esse verdadeiro escambo literário. Você se cadastra no site criando uma lista de livros que você quer trocar, quando um outro usuário solicitar um livro que esteja na sua lista você o envia pelo correio e confirmando o envio para o site, você ganha um crédito que lhe dá a possibilidade de trocá-lo por um livro. No site você pode encontrar os livros pela editora, pelos tags do site. Vou fazer o meu cadastro e colocar uma lista, e assim que eu enviar um livro vou solicitar outro e ver como funciona e em que estado vem o livro, aguardem !!
  3. Imagine uma bibliotecária escrevendo sobre livros ???? No blog Viagem Literária   você pode não só imaginar como conferir a qualidade das resenhas escritas no espaço. A Nanda escreve de maneira muito clara e objetiva, deixando seus seguidores (quase 500 !!) bem informados sobre os diversos lançamentos e títulos do mundo livreiro.
  4. O blog Sobre Livros do Rafael, tem uma temática de livros voltados ao público infanto-juvenil, e muito me honra fazer parte da equipe desse espaço, o blog é muito bem cuidado, com uma seção chamada Minha Estante, os seguidores são convidados à enviar fotos de suas respectivas estantes abarrotadas de livros. Atualização dos mais vendidos é um atrativo a mais.
  5. O blog Rato de Biblioteca tem de tudo um pouco sobre cultura, resenhas de filmes, informações sobre outros blogs literários e o mercado editorial em si.
  6. A Lia lá de Boitúva/Sp é bióloga, estuda letras e escreve no blog Quero morar numa livraria que aliás é um belo sonho de todo livreiro fanático, morar em uma livraria de 2500 m, acordar e correr entre as estantes... Enfim, o blog é recheado de resenhas bem escritas, de posts unindo literatura + cinema, informações sobre lançamentos de livros e coleções, sobre o mercado livreiro e literatura na web, aliás, foi pelo blog dela que eu conheci o site Trocando Livros.
  7. A Luka escreve no Quem lê faz seu filme um espaço onde resenhas e promoções convivem harmonicamente, e incentiva a participação dos seguidores em escrever resenhas, como eu, que escrevi sobre o livro Cavalo de Tróia 1. Confiram o espaço dessa taurina que é viciada em livros....
A escolha dos blogs nada tem a ver com preferência ou ordem de importância, pra mim todos são muito importantes ou caso contrário nem estariam aqui.

O meu intuito é arrebanhar o maior número de pessoas em "volta" desses espaços de cultura, para que possamos cada vez mais influenciar positivamente outras pessoas, em meu trabalho hoje na Rede Leitura-BH, troco muitas informações com clientes e principalmente com funcionários, esses são raros os que tem interesse em buscar novos nichos de informação sobre o mercado, e isso me entristece muito porque meu trabalho lá exatamente esse, incentivar a absorção de novos conhecimentos para aumentar a qualidade de atendimento e com isso aumentar suas vendas.

Além disso, eu ministro um curso de literatura para os funcionários de livraria onde falo sobre os principais autores de todas as nacionalidades e suas principais obras, quem sabe eu possa despertar o amor pelas letras em alguns deles.

Agradeço muito os amigos que tem lido e comentado, seja pelo próprio blog ou por e-mail, agradeço aos donos dos blogs citados pela paixão e dedicação que eles tem à literatura.

Marcello Lopes

sexta-feira, 5 de março de 2010

Arthur Nestrovski



Três décadas atrás, aos 20 anos, o estudante Arthur Nestrovski cantava a Missa Solene de Beethoven em um coro de York, na Inglaterra, e seus sonhos se dividiam entre música e literatura. Aos 50, pai de duas filhas e com uma vida inteira dividida entre as duas antigas paixões, o escritor, professor, crítico e violonista se vê no comando “de um transatlântico em alta velocidade”. É como ele define o cargo de diretor artístico da Orquestra Sinfônica do Estado, a Osesp.

Recebido com alguma desconfiança, pelos músicos, conseguiu mudar o clima rapidamente. “Estamos vivendo uma lua de mel”, resume. Nesta conversa com a coluna, a três dias do início da temporada 2010 da orquestra, Nestrovski revela os planos de 2011 e o papel que, em sua opinião, a Osesp deve representar na vida cultural do País.

O que você tem em mente, como diretor artístico da Osesp? Ninguém é louco de chegar e sair mudando o que já tem um padrão de excelência. Vim para aprender. Peguei um transatlântico em alta velocidade, mas ainda me sinto livre de questões emocionais. Isso torna mais fácil fazer as escolhas artísticas.

Há um plano, uma estratégia desenhada? Queremos que todos os quadros da Osesp interajam com a cena cultural brasileira e mundial. A orquestra tem que ser também um organismo que produza pensamento musical - desde concertos a atividades educativas, de reflexão, publicações, projetos sociais. Vamos intensificar isso tudo.

De que maneira? Hoje se pensa em música clássica como um escapismo maravilhoso. Mas queremos mais. Dou alguns exemplos. A partir de agora os libretos da temporada terão uma seção chamada Ensaio, com dez páginas para o espectador levar para casa e ler. E vamos lançar, no segundo semestre, o CD A Floresta do Amazonas, de Villa-Lobos. Convidamos o Milton Hatoum para fazer o texto do encarte. Isso é aproximar as produções de música e literatura.

Em que pé está a programação de 2011? Regentes e solistas já estão 90% fechados. Posso adiantar que, em junho, traremos o regente estoniano Arvo Pärt. Há uma turnê, a partir de novembro, pela Europa. Por onde será? A orquestra vai tocar nas principais casas europeias. Em Viena, na Musikverein. Em Frankfurt na Alte Oper. Em Madri no Palácio da Música, em Salzburgo na Grosse Sal. E em 2011, em vez de América Latina, vamos sair por capitais brasileiras.

Você se sente preparado para ser diretor artístico de uma orquestra deste tamanho? Foi a preparação de uma vida inteira. Nos meus 30 anos de carreira tenho graduação em York, doutorado em Iowa, ambos em música. E 17 anos como professor de pós-graduação, 20 anos editando livros. Fiz crítica musical, gravei discos, fiz shows. E tive seis meses de conversa com o conselho da Fundação.

Como se sentiu ao aceitar? A primeira sensação foi um misto de excitação e temor. Acabo de fazer 50 anos e, a esta altura da vida, acho que sei o que serei capaz de fazer. Mas, enfim, não estão me pedindo para ser o presidente dos EUA. Tocar a Osesp está no limite do grau de loucura de aceitar um desafio.

Como a orquestra reagiu à sua escolha? Para muitos foi um pequeno ou um grande susto. Mas, passados dois meses e meio, estamos vivendo uma lua de mel. À medida em que eu vou tendo reuniões com as equipes, sinto que a gente é mais parceiro.

Em suas críticas musicais, você fazia elogios ao diretor anterior, John Neschling. O que achou do modo como ele saiu? Vou ser bem sincero: foi muito infeliz. Não precisava ter sido como foi. Mas os acontecimentos se precipitaram de tal modo que não havia como evitar. Isso é consenso mesmo entre as pessoas que tinham e têm admiração por ele.

Como é sua relação com o regente titular, Yan Tortelier? Quando ele está aqui, a relação é, obviamente, muito próxima. Mas ele não usa e-mail. Para encontrá-lo, tenho de localizar antes a mulher dele... (risos). Nosso tripé funciona muito bem - ele regente, o Marcelo Lopes como diretor executivo e eu na direção artística.

Pretende aumentar a atividade de outros quadros da orquestra? Sim. Queremos a Osesp no calendário cultural do País. Vamos colocar o Coro de Câmara e o Quarteto da Academia para se apresentar na Bienal, na Flip. Planejamos apresentações na Biblioteca de São Paulo. E na Virada Municipal, em maio, programamos um concerto ao ar livre para 30 mil pessoas.

E a formação dos músicos? A prioridade é a Academia da Osesp. Temos nela 20 músicos bolsistas, queremos ampliá-los para 40. Daria para formar uma pequena Orquestra de Câmara da Academia. E a Fundação Osesp vai ampliar os concertos educativos. A ideia é aumentar a participação de 50 mil para 75 mil alunos e professores ao longo deste ano.

Você tem falado muito em aproveitar mais compositores brasileiros. Como será isso? Fechamos com a Biscoito Fino para, a partir de 2012, lançarmos um CD por ano de obras de um compositor brasileiro vivo. O primeiro será Gilberto Mendes. Já encomendamos e vamos executar obras de Almeida Prado, Willy Corrêa de Oliveira.

E como fica sua carreira de violonista? Não pretendo abandoná-la. Acordo todo dia às 7h para estudar violão. Tenho turnê em Portugal e Espanha em junho. Desde que fui nomeado na Osesp, gravei três discos. “Chico e Violão” e “Pra que Chorar”, que saem em abril, e outro duplo com José Miguel Wisnik, que sai no segundo semestre.

Arthur Nestrovski (Porto Alegre, 1959) é o diretor artístico da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), função que ele assume a partir de janeiro de 2010.


Formado em música pela Universidade de York (Inglaterra) e doutor em literatura e música pela Universidade de Iowa (EUA), Nestrovski foi professor titular no programa de pós-graduação em comunicação e semiótica da PUC/SP de 1991 a 2005. Articulista da Folha de S.Paulo (1992 -2009) e editor da PubliFolha (1999-2009), ele é autor de Notas Musicais (Publifolha, 2000), Outras Notas Musicais (Publifolha, 2009) e Palavra e Sombra (Ateliê, 2009), entre outros livros – incluindo alguns premiados títulos de literatura infantil, como Bichos Que Existem e Bichos Que Não Existem (Cosac Naify, 2002, Prêmio Jabuti de Livro do Ano/Ficção).

Voltou à atividade musical como violonista e compositor em 2004, apresentando-se e gravando com Zé Miguel Wisnik, Ná Ozzetti, Zélia Duncan e Tom Zé, entre outros, no Brasil e no exterior.

Seu disco solo Jobim Violão foi lançado em 2007 (Gaia Discos/Instituto Moreira Salles; relançamento em 2009, pela Biscoito Fino). Também em 2007, lançou um cd de composições: Tudo o Que Gira Parece a Felicidade (Gaia Discos) e o DVD Amor Canção, registro de aula-show com Ná Ozzetti (Cultura Marcas). Em 2010, lança novo cd solo e um disco em parceria com o cantor Celso Sim. Nestrovski é o diretor musical do programa infantil Vila Sésamo (TV Cultura).

Palavra e Sombra. Ensaios de Crítica

Arthur Nestrovski - Ateliê 2009

Outras notas musicais


Arthur Nestrovski - PubliFolha 2009

Agora eu era


Arthur Nestrovski, ilustrações: Laerte - Cia das Letrinhas 2009

Viagens para lugares que eu nunca fui


Arthur Nestrovski, ilustrações: Andrés Sandoval - Cia das Letrinhas 2008

Lendo Música


Arthur Nestrovski (org.) - PubliFolha 2008

Cores das cores


Arthur Nestrovski, ilustrações: Marcelo Cipis - Cosac & Naify 2006

Aquela Canção


Arthur Nestrovski (org.) - PubliFolha 2005

Em Branco e Preto


Arthur Nestrovski (org.) - Publifolha 2008

Pesquisa : Marcello Lopes
Fonte: Bibliografia no Google, livros na Livraria Cultura.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Vivaldi...



Antonio Lucio Vivaldi nasceu na carnavalesca Veneza a 4 de março de 1678. Não poderia ser diferente: a cidade italiana - emblematizada por máscaras coloridas, gôndolas românticas e canais melancólicos - influenciou sua obra. Filho de Giovanni Batista, Vivaldi ouviu os primeiros sons de violino em casa. Seu pai, um músico que tocava na basílica de São Marcos, lhe ensinou os principais segredos das quatro cordas do instrumento que o imortalizaria como um dos principais gênios da música.

A sensibilidade de Vivaldi levou-o a preocupar-se com as coisas da alma e a optar pelo sacerdócio, como forma de se realizar. Estudou em seminários, onde também se dedicou à música. Ordenou-se padre em 1703, mas sua arte não estava em rezar missas. Pesou contra o ‘padre ruivo’ a acusação da Igreja de se ter deixado envolver, sentimentalmente, com uma de suas alunas de violino. Enfrentou as autoridades eclesiais o quanto pôde, mas acabou desistindo da carreira. Para afastar-se do ofício, alegou problemas de saúde. Há registros de que sofria com fortes dores no peito, possivelmente provocadas por asma ou angina.

A partir de 1704, longe da batina, Vivaldi foi regente no conservatório de Ospedale della Pietà, um dos quatro grandes orfanatos para meninas, na cidade de Veneza que serviam, também, como escolas de música. Ali conheceu a moça por quem se apaixonou. Era Anna Giraud, inspiradora de suas óperas e tormenta de todos os seus dias, até a morte. Vivaldi passou a compor com intensidade. No conservatório de Ospedale permaneceu durante três anos. Mais tarde, voltou a trabalhar neste mesmo local, no cargo de maestro de concerto.

Seu mestre em composição continuava sendo o notável Giovanni Legrenzi, maestro da Capela Ducale. Os concertos para violino são os mais importantes dentro do magnífico catálogo que reúne suas obras. Mas experimentou escrever também para diferentes e excêntricos instrumentos, incluindo o bandolim, sempre com muita docilidade.

Nunca mais conseguiu se desligar do Pietà. Mesmo estando fora da terra natal, enviava todos os meses, pelo correio, dois novos concertos para ser interpretados pelas meninas. Repetiu tal rotina durante trinta anos. Como sua capacidade de criação não se limitava a cumprir o compromisso assumido com o conservatório, escreveu além da encomenda.

Da sua lista de composições fazem parte 550 concertos, 350 para instrumentos solo (mais de 230 para violino). Há ainda 40 concertos duplos, mais de 30 para solistas múltiplos e perto de 60 para orquestra sem solo, 46 óperas, 23 sinfonias.

A mais popular obra de Vivaldi é, certamente, As quatro estações. Na verdade, elas fazem parte de 12 concertos denominados O diálogo entre a harmonia e a criatividade. Nessa série, se acentua a tendência ao sentido pitoresco que resulta na tentativa de se expressar, musicalmente, fenômenos da natureza ou sentimentos, como a primavera, o verão, o outono e o inverno retratados em As quatro estações.

Vivaldi escreveu também uma grande quantidade de obras sacras, entre elas a célebre Glória, especialmente composto para o casamento do rei Luiz XV. Dedicava-se com extrema paixão tanto à música sacra quanto à profana.

Continuava a escandalizar ao lado de Anna Giraud, cantora e ex-aluna, com quem viajava para as apresentações. Vivaldi acabou abandonando a preconceituosa Veneza, transferindo-se para Roma, Amsterdã e Viena, onde morreu a 28 de julho de 1741, aos 63 anos.

Não se conhece bem a biografia de Vivaldi. Em compensação, correram muitas anedotas. Por causa de seus cabelos ruivos, Vivaldi teria sido apelidado ‘o padre ruivo’. Teria sido suspenso das funções sacerdotais por abandonar o altar durante a missa para notar, na sacristia, uma bela melodia que lhe ocorrera. Essas e outras anedotas são sinais da grande fama que Vivaldi gozava em vida; mas logo depois de sua morte ele e suas obras foram totalmente esquecidos.

Pois Vivaldi foi principalmente compositor instrumental, e em seu tempo a Itália já quis ouvir só óperas.

Esse esquecimento durou cerca de duzentos anos. Sua redescoberta, por volta de 1940, deve-se a alguns musicólogos, sobretudo Marc Pincherle. A divulgação é devida ao conjunto romano I Virtuosi, dirigido por Renato Fasano, e especialmente ao discos. Vivaldi voltou a ser um dos compositores mais tocados, gozando mesmo de popularidade. A ousadia e a originalidade do compositor, ficam para sempre na história da música universal.

Caracterização - Vivaldi foi um dos maiores mestres do concerto grosso. Mas também já escreveu numerosos concertos para um solista com acompanhamento de orquestra de câmara. Em sua época, ainda não se conhecia a forma-sonata.

A estrutura dos seus concertos é a mesma dos Concertos de Brandenburgo, de J.S.Bach, sobre o qual Vivaldi exerceu forte influência. Sua riqueza melódica é inesgotável e sua verve rítmica é irresistível. A estrutura polifônica é menos densa que a de J.S.Bach.

Vivaldi foi, sem dúvida, compositor de primeira categoria, um dos grandes pioneiros da música instrumental do século XVIII. Contudo, não convém compará-lo a J.S.Bach, o maior gênio universal da música.

Concertos - Uma das principais obras publicadas de Vivaldi é o Estro armonico (1712), coleção de 12 concertos grossos. Seis desses concertos foram, por J.S.Bach, transcritos para órgão ou cravo, entre eles o n.º 8 em lá menor, o n.º 10 em si menor e o n.º 11 em ré menor, este último uma das mais famosas composições de Vivaldi.

Dos concertos da coleção O diálogo entre a harmonia e a criatividade (1720), quatro formam o conjunto As quatro estações. Também são muito conhecidos hoje os 12 concertos grossos da coleção A extravagância, título que cabe ao bom número das obras de Vivaldi, caprichosas e altamente pessoais.

Dos concertos para solistas cabe mencionar o Concerto para violino - Per l'Assunta, o Concerto para viola em ré menor, o Concerto para cravo em ré maior - Alla rustica, e muitos concertos para instrumentos de sopro, entre os quais o para oboé em fá maior. Numerosos concertos de Vivaldi ainda não foram publicados. A Biblioteca Nacional de Turim possui grande acervo de obras inéditas do mestre.

Música vocal - Em Turim também se encontram as partituras de 19 óperas, do belo oratório Juditha triumphans (1716) e sobretudo muita música sacra: merecem menção especial um Magnificat, um Stabat Mater e um poderoso Dixit para cinco solistas, duas orquestras e dois órgãos.

Fonte: Coleção Grandes Clássicos da Música.