sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

JD Salinger...

A morte de J.D. Salinger marcou o fim de uma das vidas mais misteriosas da literatura, recluso por décadas, não gostava de fotógrafos e reportagens, escreveu um dos maiores clássicos da literatura mundial, O Apanhador no Campo de Centeio.

O livro conta a história de um rapaz adolescente, rebelde e atormentado chamado Holden Caulfield.

Foi lançado em 1951, em plena Guerra Fria, mas fez sucesso por muitas décadas, e vendeu mais de 65 milhões de exemplares, muitas gerações se identificaram com a alienação e inocência do personagem principal do livro.

Todas as juventudes pós-51 foram influenciadas por esta obra.

Foi um dos livros que me apresentou para o mundo da literatura. Li-o na adolescência com voracidade. Fiz uma releitura mais tarde.

Marcello Lopes



A Companhia das Letras divulgou, via Twitter, que deve lançar, em março, "O Caminho para Wigan Pier", obra-prima do escritor George Orwell (1903-1950), autor do romance "1984", livro que descreve um fictício Estado totalitário.

Em "O Caminho de Wigan Pier", em tom de reportagem, Orwell fala sobre a dura e miserável vida dos trabalhadores de mineração nas comunidades britânicas de Lancashire e Yorkshire durante os anos 1930, época de elevado desemprego e de condições humilhantes de trabalho. No texto de Orwell, salta um tom político de denúncia em uma reflexão sobre a exploração econômica e os ideais do socialismo.

Considerado um marco do jornalismo literário moderno, "The Road to Wigan Pier" (título em inglês) foi publicado pela primeira vez em 1937, antes do romance "1984", lançado em 1949. O livro teve origem quando Orwell foi incumbido de documentar, em 1936, o desemprego no norte da Inglaterra para o Left Book Club, um grupo que publicava livros com orientação política de esquerda.

George Orwell é pseudônimo de Eric Arthur Blair, que nasceu em 1903, na Índia, onde seu pai trabalhava para o império britânico, e estudou em colégios tradicionais da Inglaterra. Jornalista, crítico e romancista, é um dos mais influentes escritores do século 20, famoso também pela publicação do romance "A Revolução dos Bichos" (1945). Morreu de tuberculose em 1950.


No ano em que se comemoram 120 anos do nascimento da escritora britânica Agatha Christie, a editora L&PM prepara uma grande surpresa para os fãs da "Rainha do Crime": foram adquiridos os direitos de publicação de 35 romances da autora.

A primeira obra será "Sócios no Crime", o segundo livro que tem como protagonista a dupla Tommy e Tuppence, um casal de ex-detetives que tenta levar uma vida normal. O sossego deles acaba, no entanto, quando o chefe do Serviço de Inteligência Britânica entra em contato propondo-lhes que reativem a agência de detetives internacional.

Prestando uma homenagem a grandes nomes da literatura policial, a dupla resolve seus casos utilizando técnicas de detetives célebres, como Sherlock Holmes, de Arthur Conan Doyle o padre Brown, de Chesterton, e Hercule Poirot, da própria Agatha Christie.

Imperdível !!!!!!!!!!!

Marcello Lopes

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

e.e. cummings, poemas e canções



Um dos meus poetas preferidos é e.e.cummings, e hoje navegando em diversos blogues e páginas encontrei seus poemas musicados !!!!

Foram musicados pela cantora Rebekka Bakken e pela pianista Julia Hulsman, que tiveram a felicidade de traduzir os poemas ricos de ritmos de e.e. cummings, foram escolhidos 8 poemas.

Julia é alemã, e estudou na Universidade de Berlim antes de morar nos EUA onde estudou com Maria Schneider em Nova York. Rebekka Bakken nasceu em Oslo e também mudou-se para Nova York para tentar a sorte como cantora de rock, mas ao invés disso, conseguiu notoriedade como cantora de jazz.

Esse álbum é um jazz poético, suave, com um lirismo comovente. As melodias fluem do piano de Hülsmann para a voz expressiva de Rebekka Bakken as interpretar com requinte.

Participam do cd Marc Muellbauer no contrabaixo, Heinrich Köbberling e Rainer Winch na bateria.

Deixo abaixo o link do youtube onde vocês podem ouvir uma das músicas/poemas mais lindos chamado Love Is More Thicker Than Forget.

http://www.youtube.com/watch?v=DeNOfnzFx6M

Marcello Lopes

FLIP 2010



Autor de "O Outro Lado da Luz" (Record) e "O Bailarino" (A Girafa), o irlandês Colum McCann é o primeiro nome confirmado para a Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), marcada para 4 a 9 de agosto deste ano, em Paraty (litoral do Rio).

McCann foi traduzido para mais de 30 línguas, com textos publicados em publicações como "New Yorker", "New York Times Magazine" e "Paris Review". Ele iniciou sua carreira como jornalista do "Irish Press" e coleciona colaborações para veículos de prestígio como "Guardian", "The Independent", "La Republicca", "Paris Match" e "The New York Times", entre outros.

Seu último livro, "Let the Great Word Spin" ("Deixe o grande mundo girar", título que terá no Brasil), considerado pela revista "Esquire" como "o primeiro grande romance sobre 11 de Setembro", parte da famosa travessia do equilibrista francês Philippe Petit entre as torres do World Trade Center de Nova York, em 1974, para narrar histórias fictícias de anônimos que o observavam no momento.

A travessia de Phillippe Petit sobre uma corda entre as torres é o fato verídico sobre o qual as histórias fictícias dos personagens desse livro giram. Suas vidas, medíocres e inesquecíveis, convergem em uma espiral surpreendente de acontecimentos. Uma visão extraordinariamente criativa dos mistérios, dores, ternura, emoção e promessas da Nova York do início dos anos 70.

O livro garantiu a McCann a vitória do National Book Awards e figurou nas inúmeras listas de melhores de 2009. "Deixe o grande mundo girar", sairá no Brasil pela Record em maio deste ano.

Prêmio Costa goes to....



O poeta britânico Christopher Reid, 60, é o grande vencedor do prêmio Costa de Literatura (antes chamado de Whitbread Book), um dos mais importantes da Inglaterra. Ele venceu com a coletânea de poemas "A Scattering" ("A Dispersão", em tradução livre), escritos durante a fase final da doença de sua mulher e meses depois de sua morte por câncer.

O prêmio soma 30 mil libras (cerca de R$ 90 mil). Ele era um dos cinco finalistas ao prêmio, entregue em Londres.

No começo do mês, já havia sido anunciada a lista dos vencedores em cinco categorias: Reid na poesia, Colm Tóibín no romance, com "Brooklyn", Raphael Selbourne na melhor primeira obra, por "Beauty", Graham Farmelo na biografia, com "The Strangest Man", e Patrick Ness na literatura infantil, por "The Ask and the Answer". Cada vencedor levou 5 mil libras (cerca de R$ 15 mil).

"Estou absolutamente encantado e desconcertado por receber este importante prêmio literário. O livro foi, em si, difícil de escrever, mas tem tido uma época feliz desde que chegou às mãos do meu editor", disse Reid.


Josephine Hart, presidente do júri, descreveu a obra de Reid como "uma obra-prima", cheia de frases inesquecíveis.

Ela comparou o poeta a autores como W.B. Yeats e Thomas Hardy, que se inspiraram em suas tragédias pessoais para escrever.

"De uma forma estranha, [o livro] impele à vida, pois fala do triunfo do amor antes e depois da morte", disse Hart. "Sentimos que se trata de um livro que desejávamos que todos lessem após a adolescência (...) Consideramos este trabalho austero, belo e emocionante."

O Costa de Literatura era, até 2006, conhecido como Whitbread Book, criado em 1971. O nome mudou após a troca de patrocinador. Saiu o grupo Whitbread, que começou como uma cervejaria e hoje tem negócios nos setores de hotelaria e lazer. Entrou a rede Costa, de cafeterias. Só podem participar do prêmio autores nascidos na Irlanda ou Grã-Bretanha.

Além do Costa, a literatura inglesa também é celebrada com o cobiçado Booker Prize, considerado o prêmio literário britânico de maior prestígio, cujo resultado só sai no segundo semestre do ano.

Bienal do Livro em Sp.....EU VOU !!!!!!!!!!

Mais de 80% dos espaços para os expositores da 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo já foram vendidos, divulgou a CBL (Câmara Brasileira do Livro), nesta segunda-feira (11).

A Bienal 2010 terá uma área de exposições de 20 mil metros quadrados. A feira será de 12 a 22 de agosto, no pavilhão de exposições do Anhembi (zona norte), com previsão de reunir 800 mil visitantes. Serão 350 expositores nacionais e estrangeiros, totalizando mais de 900 selos.

Segundo relatório da CBL, mais de R$ 5,8 milhões foram aprovados pela Leia Rouanet para captação de patrocínios do evento que o município de São Paulo nomeou, no ano passado, como um acontecimento de interesse estratégico para a cidade.

A Reed Exhibitions Alcântara Machado é parceiro responsável pela organização do evento. A novidade é a reforma do pavilhão (pisos, banheiros, área de alimentação), cujo teto recebeu uma manta importada da Suécia para dar isolamento térmico e mais proteção ao espaço em dias de chuva.

O site do evento é http://www.bienaldolivrosp.com.br/

Editoras canadenses visitam o Brasil....




Editores do Canadá vão visitar o Brasil, em fevereiro, com o objetivo de fechar negócios com empresas brasileiras.

A instituição vai receber uma delegação de representantes das editoras McGill-Queen's University Press, especializada em obras acadêmicas da área de Humanas e Ciências Sociais; Second Story Press, do segmento de ficção e não-ficção e livros infantis; e Les Éditions Fides Inc., da área de livros religiosos, ficção e não-ficção, poesia, história e pesquisa.

Todas elas têm o mesmo objetivo: fazer negócios com editoras e distribuidoras brasileiras.

A visita é mais um passo do maior intercâmbio do mercado editorial brasileiro com o exterior. Em novembro do ano passado, a instituição recebeu uma comitiva de empresários indianos. Na última feira de Frankfurt, a CBL detectou maior interesse de estrangeiros por títulos brasileiros.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Caridade, estrelas adotando crianças, minha opinião....




Pensamos que no mundo só acontece desgraças e catástrofes, não é bem assim, infelizmente a mídia e as pessoas consomem mais notícias negativas do que as positivas, mas ainda existem pessoas que fazem o bem e usam seus nomes para angariar fundos para amenizar o sofrimento de outros irmãos.

O Teleton feito em prol das vítimas do Haiti arrecadoou mais de U$$ 61 milhões de dólares, com apoio de George Clooney e o rapper nascido no Haiti Wyclef Jean.

Alicia Keys cantou "Prelude to a kiss", o rapper norte-americano Jay-Z estreou uma canção com Bono e The Edge, do U2, e Beyoncé cantou "Halo" acompanhada por Chirs Martin do Coldplay, ao piano.


Atores como Leonardo DiCaprio, Denzel Washington e Nicole Kidman contaram histórias dos haitianos que sobreviveram ao terremoto.


Vale lembrar que o Charity Navigator, um avaliador independente de projetos de caridade, lembrou do teleton para as vítimas dos ataques de 11 de setembro de 2001, Tributo aos heróis, que arrecadou US$ 150 milhões, e do evento para os afetados pelo furacão Katrina, "Abrigo da tempestade", que angariou US$ 40 milhões em doações.


O programa American idol realizou dois programas de caridade "Idol retribui", em 2007 e 2008. O primeiro arrecadou US$ 76 milhões e o segundo cerca de US$ 60 milhões para uma série de entidades principalmente dedicadas a crianças e aos menos privilegiados.


Na minha modesta opinião, não fizeram mais nada que a obrigação, os cantores e atores ganham milhões e milhões de dólares, esse dinheiro precisa ser movimentado, fazer com que as pessoas menos favorecidas recebam nem que seja a migalha desses dólares.



Acho essa história de adotar muito estranha, me parece mais que alguns poderosos da mídia ( Madonna e Angelina) estao brincando com as crianças como as pessoas brincam com bichos de estimação...


A Madonna tem um negro, uma amarela, um azul, em verde....Para mim, isso é muito estranho.




E eu acho sim, que os países ricos são culpados pela miséria no mundo, todos, sem exceção, inclusive o Brasil. Na época da colonização, os países sugaram toda a essência de riqueza dos países africanos, usaram e abusaram dos recursos naturais e dos humanos como ferramentas e depois, se livraram da incômoda situação de potentado de alguns países e se mandaram.


O Brasil quando atacou o Paraguai, o país era uma potência em desenvolvimento e hoje é apenas uma sombra do que era.


França, Bélgica, Holanda, Inglaterra, Dinamarca, todos esses e mais alguns deveriam ser obrigados a pagar uma espécie de pensão à todas as suas ex-colônias pelo resto da existência, e sei que nem assim iriam recuperar o orgulho e a dignidade desses irmãos que foram humilhados e usados como ferramentas para enriquecimento alheio.


Mas tudo bem, isso nunca vai acontecer, por isso a providência divina é justa, tarda mas não falha.


Marcello Lopes

domingo, 24 de janeiro de 2010

Quem disse que Coca-Cola não serve pra nada ????



O haitiano de 25 anos resgatado neste sábado em Porto Príncipe, depois de passar 11 dias sob os escombros da loja onde trabalhava, contou à AFP que sobreviveu à base de Coca-Cola e doces. "Sobrevivi bebendo Coca-Cola.

Bebia Coca-Cola todos os dias e comi algumas coisinhas doces", explicou o jovem, levado para o hospital após ter sido resgatado por uma equipe de socorristas franceses, gregos e americanos.

Ele ficou preso nas ruínas da loja Napolitain, onde trabalhava no momento do terremoto. "Senti o tremor e perdi a consciência.

-> Existem momentos em que perdemos todas as esperanças e quando menos esperamos, surge um milagre desses pra nos ensinar sobre nossa pequena fé.

São quase 150 mil mortos apenas em Porto Príncipe, se você puder ajudar se informe em um posto de informação em sua cidade.

Marcello Lopes

"House" lança livro

O ator Hugh Laurie que interpreta o médico House, lançou um livro em 1998, mas só agora a Editora Planeta lança seu livro aqui no Brasil, devido a popularidade do seriado.

O livro se chama O vendedor de Armas, e conta a história de Thomas Lang, um ex-militar que é recebe uma proposta para matar um empresário norte-americano, mas decide alertar a vítima.

Em poucas horas, Lang acaba se envolvendo em uma grande conspiração com traficantes de armamentos, terroristas, mulheres perigosas e sensuais, a CIA e o Ministério da Defesa do Reino Unido. Tudo isso recheado com o sarcástico humor britânico.

Atualmente, Laurie trabalha para que uma adaptação do livro seja lançada no cinema. No fim de 2009, o ator lançou seu segundo livro nos Estados Unidos, The Paper Soldiers, ainda sem previsão de chegar ao Brasil.

Marcello Lopes

Novos Lançamentos

Boas notícias para os amantes de literatura, e para os fãs de Bolaño, Paul Auster e Leonard Cohen, os dois primeiros meus favoritos ganham edições em português ao longo de 2010.

Bolaño chega com seu novo livro em Maio, chamado 2666 lançado pela Cia das Letras a narrativa trata de quatro pesquisadores de literatura --um espanhol, um italiano, um francês e uma inglesa-- que se dedicam ao obscuro autor alemão Brenno von Archimboldi.

Esses críticos começam a construir relações mais pessoais do que impessoais, dentro e fora dos seminários que participam. Um triângulo amoroso é iniciado. Ao mesmo tempo, Archimboldi torna-se mais conhecido, a tal ponto de surgirem rumores de que ele possa ganhar o prêmio Nobel...

Paul Auster lança o livro chamado Invisible, o livro inicia-se na primavera de 1967, em Nova York, quando o jovem Adam Walker, de 20 anos conhece o enigmático francês Rudolf Born e sua sedutora namorada Margot. Walker envolve-se em um triângulo amoroso perverso, no qual um ato de violência mudará o curso de sua vida. Também será lançado pela Cia das Letras em Junho.

E o livro de Leonard Cohen se chama The Favourite Game, conta a história de Lawrence Breavman que é filho único de uma tradicional família judia que reside em Montreal. Breavman encontrará o amor em Shell. Com ela, perceberá que a totalidade do sentimento exige certos sacrifícios.Esse livro será lançado pela Cosac Naify.

Já vou reservar o meu do Paul Auster e do Bolaño.

Marcello Lopes

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Uma mulher que fez a minha cabeça....




Faz muito tempo em uma danceteria que nem existe mais em sampa, fui abordado por uma menina que não parava de me olhar do outro lado da pista, ela foi mais rápida e criou uma situação para me abordar. 

Esse é o início da minha história com uma das mulheres mais apaixonantes que eu já conheci, seu nome é Eliane. Na época eu tinha 21 anos de idade, hoje eu tenho 36, então faça as contas !!!!!

Conversamos a noite inteira, falamos sobre tudo e de todos que estavam na mesa conosco, trocamos telefone, e ao longo do tempo fomos nos encontrando sempre em eventos culturais, festas e shows.

Foi a Eliane que me apresentou à Loreena Mckennitt, e me lembro como se fosse hoje, na Av.Paulista, a Eli chegou sorrindo e me dizendo o quanto eu tinha que ouvir o cd, e na época ela fez uma cópia que guardo até hoje, mais pela lembrança do que pela qualidade de som.

Me apaixonei, pelas duas.



Além de Loreenna, fui apresentado á Oswaldo Montenegro, Elis Regina, Rachel Ferrel, e mais uma porrada de músicos e cantoras que ou conhecia muito pouco ou não conhecia nada.

Fui apresentado também á literatura de Leo Buscaglia, que me salvou de alguns enganos e que eu guardo com muito carinho todos os livros dele.

Na época, a Eli estava fazendo Musicoterapia no Marcelo Tupinambá, perto do metrô Vila Mariana e sempre que possível eu fazia uma visitinha em meio as aulas. Um grande amigo meu dava aulas de História da Música lá também.

Em um sábado á noite, ela me visitou em casa, abri uma garrafa de vinho e ficamos conversando e eu lendo meus poemas, alguns especialmente para ela,
e de repente, sem mais nem menos, ela me beijou.

Ficamos juntos e devo dizer sem medo que foi a melhor e mais profunda sensação que eu tive em muitos anos, e nenhuma ex até hoje me deixa tão desarticulado quanto ela.

Foi a minha melhor época, na verdade eu quero acreditar que ela foi a única que me deixou marcas profundas, foi a única que misturou música + poemas + amor, sempre que alguém me perguntava quem foi a melhor ou a mais marcante ex-namorada, eu dizia sem respirar, Eliane.

Infelizmente eu não soube aproveitar a oportunidade e nos separamos, mas por uma graça divina após 4 anos afastados, voltamos a nos falar, a conversar, falar das nossas escolhas amorosas erradas, para saber o que cada um estava ouvindo, e lembrar isso me traz um sorriso no rosto e esses momentos são para poucas pessoas.

A minha trilha sonora para lembrar da Eli é Chet Baker, cantando My Funny Valentine, e lembro-me dela tocando Clair de Lune de Debussy, uma das cenas que não me saem mais da cabeça, lembro dela ouvindo Loreenna, Tom Jobim instrumental, Elis Regina, Oswaldo Montenegro, e me lembro também dela me visitando na Fnac Pinheiros enquanto eu trabalhava lá pra ouvir e conversar de Jazz, sempre correndo com seus compromissos.

Eliane é uma pessoa muito especial na minha vida, além de qualquer rótulo, etiqueta, uma mulher que me incentivou a sempre ser melhor e que se ela me chamar eu vou...pra onde for, quando ela quiser.

Sempre torci para a sua felicidade em todos as esferas de sua vida, me dói muito ficar longe dela.

A Eli tem uma vida tão atribulada como a minha, pessoalmente, emocionalmente e profissionalmente falando, mas a diferença é que seu talento sobrepõe todos esses problemas.

Pianista de primeira, comecei a vê-la tocar no Brooklyn, uma casa em Sp onde os garçons além de servirem as mesas, fazem performances de musicais da Broadway e outros clássicos. Temos amigos em comum, como a Andrezza Massei, outra mulher talentosa que eu tive a rara oportunidade de conhecer.

Depois a vi tocando na Bar Avenida, perto da Fnac, na sala de espera do aeroporto.

Além disso, Eliane tem uma firma de eventos, que trata diretamente com empresas para shows e apresentações específicas, e com seus contatos com cantores e outros instrumentistas e até iluminadores, ela faz um verdadeiro show.

Com esses eventos, ela já se apresentou na Casa das Caldeiras em São Paulo para um evento da FGV, viajou para outros estados do Brasil, entre outros eventos ....




Suas apresentações aqui no Youtube, aprecie :

http://www.youtube.com/watch?v=89z2kop10Rk

http://www.youtube.com/watch?v=uzHQzN4wXeU


Há muitos e muitos anos atrás, estava em uma crise terrível, com pensamentos e emoções desconexas, foi quando uma namorada, hoje uma grande amiga minha e excelente pianista Eliane Pellegrini, me deu um livro chamado VIVENDO, AMANDO E APRENDENDO e que me deixou pasmo com seus ensinamentos e suas histórias.

Não, não é auto-ajuda, apesar de que o preconceito contra esse gênero é uma idiotice sem tamanho, qualquer livro que você leia e que te faça absorver algum ensinamento ou lição é ou não é uma ajuda ? Logo, você auto-ajuda com os livros, gostou dessa ?

O livro fala sobre amor, pelos outros, próprio e pela vida, em seus ensinamentos como esse :

" O que é normal?
O que é certo?
O que é errado?
Contanto que você seja livre, tem a liberdade de selecionar e escolher as alternativas, desde que esteja disposto a aceitar a responsabilidade de ser livre.
E depois que estiver experimentado suas alternativas, e elas não funcionarem como você desejaria, não me culpe.
Culpe a sua escolha.
Experimente outra alternativa.
Você toma a decisão, pega o seu pincel, escolhe suas cores, pinta o seu paraíso e depois vive nele.
Ou pinta o inferno, se quiser, mas não me culpe por isso.
Só você pode ser responsável por não crer.
Esqueça o que passou.
Ligue-se no que é!
O momento se encarrega disso”.

Muito bom, não ? Não é o resumo fiel da vida ???

Vivemos para amar, amamos para aprender e aprendemos para viver melhor.
E assim por diante, numa sucessão de tentativas, enganos, dores, alegrias, perdas, ganhos e, procurando a evolução!

Seu amor pela vida é contagiante e se você ler esse livro de alma aberta, com o coração transbordando de felicidade por estar vivo(a), então creio que irá se apaixonar pelas idéias desse professor ítalo-americano.

Esse livro mudou muitas coisas em mim, e eu tenho ainda 2 exemplares do mesmo livro, um quando terminei de ler em 1998 bem no ano que Leo Buscaglia falecia, cheio de pensamentos meus e anotações, e outro que eu encontrei na rua (nunca tinha encontrado um livro antes e foi justamente esse !!!). Guardo-os com muito carinho porque são parte de um passado conturbado, mas feliz.





Marcello Lopes

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Moda...e eu com isso ??




Hoje recebi um e-mail falando sobre modelos anoréxicas, que é um absurdo isso acontecer, que onde já se viu, blá, blá, blá....


Para mim, isso não tem a menor importância, em um país como o nosso com mais de 10 milhões de famintos e outros milhares à beira da fome essa notícia beira a piada de mau gosto. 


Primeiro que moda hoje em dia para mim virou um conceito tão idiota e tão fora da realidade que não me importa que as modelos passam, não é relevante para sociedade, e antes fosse se nos preocupássemos com a magreza das nossas crianças,com a fome dos africanos, com os 80 mil mortos no Haiti, e não com um bando de meninas idiotas que ficam andando em cima de uma passarela e ganhando mais do que um médico ou engenheiro em um mês.


A moda é importante como ferramenta sócio-cultural, ela definia o pensamento de uma época, era uma forma de se rebelar contra os dogmas da sociedade, veja o caso de CoCo Chanel, ela alterou para sempre a forma como as mulheres se vestiam na França e depois no mundo.


Isso sim é importante, mas elevar os padrões como se a moda fosse a única forma de expressão de usos, hábitos e costumes de um país, pra mim isso é ridículo.


Hoje em dia, a moda assim como a sociedade em geral, ficou fútil. 


Veja o filme Diabo veste Prada, a vida que a personagem da Meryl Streep é absurdamente idiota, que vida é aquela ?? E acredito que haja centenas iguais à ela, que só dão valor para as pessoas mediante a sua vestimenta. Para mim isso é tão medíocre quanto medir o valor da pessoa pela sua conta bancária.


Mas esse "drama" das modelos que motivou esse post, me faz pensar se elas não tem pai ou mãe, e se esses pais não estão vendo a filha definhar apenas para desfilar, será que uma boa surra ou trancá-la em casa à base de farinha láctea não iria resolver isso ????


Até que ponto devemos sacrificar nossa saúde por algo como trabalho ou um relacionamento ? Mas não há respostas certas ou erradas nessa pergunta, cada um faz o que acha que é certo. A vida de uma modelo é mais importante que a roupa em que ela desfila, então isso não é moda mais, é big brother !!! Enfim, talvez eu seja muito chato ou perdido no tempo em que as coisas tinham mais valor.


Marcello Lopes

terça-feira, 19 de janeiro de 2010


Wayman Lawrence Tisdale foi um jogador de basquete, guitarrista de jazz e membro do Hall da Fama de Basquete Universitário, do qual foi eleito no ano de sua morte.


Tisdale, de apenas 44 anos morreu em um hospital de Tulsa, Oklahoma, onde sua esposa levou-o quando ele tinha dificuldade para respirar. 
A morte de Tisdale foi um choque completo e veio enquanto ele se preparava para voltar ao estúdio de gravação para trabalhar em um projeto com o guitarrista de jazz Norman Brown.


Os médicos descobriram o câncer em seu joelho depois que ele quebrou a perna ao cair de um lance de escadas.
Em agosto de 2008 teve parte de sua perna direita amputada devido ao câncer, dizendo que era a melhor opção para ele não retornar. Pouco tempo depois o médico Scott Sabolich montou uma prótese para ele, segundo ele a maior em 21 anos de carreira. Tisdale se adaptou rapidamente, já que a média era de 3 a 6 meses e ele se adaptou em apenas 1.


Tisdale tinha média de 15 pontos e seis rebotes por jogo ao longo de 12 anos de carreira da NBA, ele jogou no Indiana Pacers, Sacramento Kings e Phoenix Suns, foi considerado uma estrela durante seu período na Universidade de Oklahoma, tanto que ele foi o único jogador universitário a ter a camisa aposentada após sua profissionalização.





Resultados de carreira : 

  • 12.878 Pontos
  • 5.117 Rebotes
  • 1.077 Assistências
Sua melhor temporada foi a 1989-1990 com média 22,3 pontos,e 7,5 rebotes por jogo.

Sua carreira no jazz começou em 1995, dois anos antes de sua aposentadoria da NBA de 1997, com um CD de estréia, foi direto para o 4 º lugar na Billboard's Jazz.
Posteriormente gravou canções - incluindo "Ain't No Stopping Us Now", "Can't Hide Love" e "Don't Take Your Love Away" - foram sucessos de rádio.





O cantor e ator Jamie Fox elogiou a carreira do astro do basquete na música, dizendo a revista Rolling Stone, em 2005, que a sua banda dos sonhos seria : Sheila E, Herbie Hancock, Earth,Wind and Fire, Slash, Randy Jackson; Wayman Tisdale no baixo, Kenny G no sax com Branford Marsalis e Wynton Marsalis no trompete.








Um dos pioneiros da arte barroca, juntamente com seu rival Francesco Borromini, Bernini é autor de inúmeras obras célebres, entre as quais se destaca o baldaquino da basílica de São Pedro em Roma.


Escultor, arquiteto e pintor italiano, Gian Lorenzo Bernini nasceu em Nápoles em 7 de dezembro de 1598. Estudou em Roma com o pai, também escultor, e em 1616 já dava mostras de seu talento no grupo "Enéias, Anquises e Ascânio fugindo de Tróia".
As primeiras esculturas de Bernini já eram altamente revolucionárias pelo movimento, os valores tácteis e a expressão dos rostos.


Por encomenda do cardeal Borghese, realizou várias obras num estilo independente que representava uma reação contra os conceitos da estatuária renascentista então em voga.
Entre esses trabalhos destacam-se "David lançando a pedra" (1619), "O rapto de Prosérpina" (1621) e "Apolo e Dafne" (1623), hoje na Galleria Borghese, em Roma.


Seu "David", no mesmo museu, retratado no ato de lançar a pedra, tem o mérito de envolver o espectador na ação, característica que lhe marcou outras obras.


Matteo Barberini, eleito papa em 1623 com o nome de Urbano VIII, foi o maior patrono de Bernini. Durante seu pontificado, o artista criou o baldaquino de São Pedro (1624), as fachadas da igreja de Santa Bibiana e do palácio Propaganda Fide (1627), o projeto dos campanários da basílica de São Pedro.


Essa estrutura simbólica, montada em bronze sobre o túmulo do apóstolo Pedro, constitui uma nova fusão de escultura e arquitetura e, pela perfeição de suas proporções, serve de mediador entre o visitante e as dimensões gigantescas da basílica.







Da mesma época datam inúmeros túmulos e fontes, como a da Barcaccia, na Piazza di Spagna, em Roma. Além disso, pintou, fez gravuras e escreveu para o teatro.


Em 1644 morreu Urbano VIII, que foi sucedido por Inocêncio X. Bernini perdeu seu privilegiado lugar no Vaticano para o rival Borromini. Estava então trabalhando no grupo "A verdade descoberta pelo tempo", em alusão à injustiça das perseguições que lhe foram movidas, mas que ficou inacabado.


Em 1647 Bernini completou, na capela Cornaro da igreja de Santa Maria della Vittoria, em Roma, o "Êxtase de santa Teresa", um dos pontos altos da escultura barroca.


Pouco depois reconciliou-se com o novo papa, que lhe encomendou a "Fonte dos quatro rios" (1648-1651), peça central da Piazza Navona, também em Roma. Em 1656, já no pontificado de Alexandre VII, projetou a colunata da praça de San Pietro, a igreja de Sant'Andrea al Quirinale e a escada régia do Vaticano.







Na basílica de São Pedro há outras obras notáveis de sua autoria, como o túmulo de Urbano VIII (1628-1647), que mostra o papa sentado, o braço alçado em gesto de comando. Abaixo, ladeando o sarcófago de bronze, encontram-se duas virtudes em mármore branco, a Caridade e a Justiça. Por cima do sarcófago a figura da Morte parece escrever o nome de Urbano numa folha.


Outro famoso túmulo é o de Alexandre VII (1671-1678), executado porém, em grande parte, por seus discípulos. A fama do escultor e arquiteto ultrapassou as fronteiras da Itália. A convite de Luís XIV, Bernini passou algum tempo em Paris. Seus projetos para a fachada do Louvre não chegaram, no entanto, a ser executados. De sua estada na França só ficaram um busto de Luís XIV, vários desenhos e a estátua eqüestre do rei francês.





Em seus últimos anos Bernini restaurou a ponte do castelo de Sant'Angelo (1667-1669), para a qual criou uma série de anjos amargos e dolentes.


Bernini foi durante mais de dois séculos desprezado pelos acadêmicos e classicistas e considerado o melhor exemplo do mau gosto e da monstruosidade artística. Com a reabilitação do estilo barroco no século XX, voltou a ser reconhecido como um dos maiores escultores e arquitetos de todos os tempos.


De suas pinturas, conservam-se o "Martírio de são Maurício" (c. 1630), no Studio del Musaico, do Vaticano, e o auto-retrato na Galleria degli Uffizi em Florença. Vitimado por uma apoplexia, Bernini morreu em Roma em 28 de novembro de 1680.


Enéas, Anquises e Ascânio (1619 a 1° foto do post) Lorenzo descreve as três idades do Homem por três pontos de vista, baseada numa figura de um afresco de Rafael, e talvez refletindo o momento em que o filho consegue o papel do pai.


Marcello Lopes

domingo, 17 de janeiro de 2010




Geoffrey Chaucer (1343 - 25 de outubro, 1400) foi escritor, filósofo e diplomata inglês. É comum ser-lhe atribuído o título de Pai da Literatura Inglesa. Sua principal obra, Os Contos da Cantuária ("The Canterbury Tales" em inglês), é uma das mais importantes da literatura inglesa medieval.

Considerado um dos grandes poetas da língua inglesa, tendo antecedido William Shakespeare no refinamento poético e no hábil trabalho com a língua, Chaucer viveu como uma espécie de agregado da corte, o que lhe garantiu excelente educação e também a possibilidade de dedicar-se às letras.

Durante a Guerra dos Cem Anos, em que participou como combatente, foi feito prisioneiro na França, o que lhe rendeu o contato com a poesia francesa e aguçou seu ouvido de poeta para a musicalidade. Seu interesse pela poesia da corte foi crescente e acabou por gerar uma tradução do famoso Roman de la Rose.

Possivelmente no ano de 1343, filho de um próspero mercador de vinhos, Geoffrey Chaucer conseguiu sobreviver na infância à peste negra. Quando jovem, teve excelente formação ao se tornar pajem da corte do rei Eduardo III, consagrando-se como um renomado tradutor do francês e do latim. Daí ele incorporar nos seus Contos da Cantuária, iniciados em 1386, passagens inteiras de obras como Roman de la Rose de Guillaume de Lorris e da Consolatione philosophiae do filósofo Boécio. 

Mais ainda o mundo se lhe ampliou com suas missões diplomáticas cumpridas entre 1370-1378. Homem educado na corte, afeito aos tratados, enviaram-no ao Flandres, à Navarra, à França, e à Itália, onde entrou em contato direto com a obras de Dante, de Boccaccio e de Petrarca (a quem consta ter conhecido pessoalmente).

A riqueza filológica que o cercava foi incorporada à sua obra, dotando a língua Inglesa, desde aqueles tempos, da abertura e plasticidade que a fez um idioma universal por excelência, sempre pronto a acolher as contribuições estrangeiras vindas das mais diversas precedências.

Chaucer morreu em 25 de outubro de 1400. Abalado pela deposição de Ricardo II, ocorrida em 1399, o novo monarca, Henrique Bolingbroke (ambos os reis futuros personagens de Shakespeare), no entanto, restaurou-lhe a pensão que lhe havia sido retirada, impedindo que outras desgraças o perturbassem, mas foi tarde. Ele foi o primeiro homem de letras a ser enterrado em Westminster, a abadia que abrigava as sepulturas reais da Inglaterra.

Fonte : Wikipédia


Imagine que ao ler em voz alta um livro, você tenha a capacidade de trazer os personagens para a vida real, no primeiro livro Coração de Tinta, Mo e sua filha Meggie fogem do criminoso Capricórnio que queria usar os poderes de Mo para trazer à vida um monstro que acabaria com o mundo, nesse volume Meggie dá um jeito de entrar ela no mundo fictício de Coração de Tinta, onde tem o prazer de encontrar fadas, príncipes e saltimbancos que dançam com o fogo; e o sofrimento de acompanhar as artimanhas de vilões.

Marcello Lopes

Garotas que fazem a minha cabeça



Ontem ouvi o cd dessa cantora fabulosa chamada Katherine Jenkins, inglesa nascida em 1980, cantora de ópera e músicas mais tradicionais mas sempre com sua inconfundível voz.

Com apenas 17 anos ganhou bolsa para estudar na prestigiosa Royal Academy of Music de Londres, onde ela também estudou italiano, alemão, francês e russo, graduando-se com honras, recebendo o diploma de professora de música.

Após um período como professora de canto, trabalhou como modelo e foi escolhida como miss Wales 2000, enviou uma fita demo para a Universal, e em sua entrevista com os diretores cantou a ária de Rossini "Un voce poco fa", ao término da apresentação foi lhe oferecido um contrato para 6 álbuns no valor e 1 milhão de libras, o mais lucrativo da história da música clássica no Reino Unido.

6 dos 7 álbuns de Jenkins ficaram entre os mais vendidos entre 2004 e 2008, vendendo um total de 4 milhões de cópias.Além disso, ela se tornou a primeira mezzo-soprano com 2 músicas nas primeiras posições.

Ela já se apresentou com Plácido Domingos, Andrea Boccelli e outros.




Simplesmente linda e com uma voz fantástica, não deixem de conhecê-la no youtube :



Boa audição.

Marcello Lopes

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

25 ANOS DE ROCK

A iluminação de todos os shows era a mesma, emprestada pelo Queen. O cenário do show dos Paralamas do Sucesso era composto de apenas um vaso de plantas. O local era um terreno emprestado. Erasmo Carlos foi mal escalado e tocou hostilizado por milhares de metaleiros. O grupo Whitesnake foi convidado de última hora para substituir o Def Leppard, cujo baterista tinha sofrido um acidente e amputado um dos braços.

Apesar dos percalços, o primeiro Rock in Rio, cuja realização completa 25 anos hoje (ocorreu entre 11 e 20 de janeiro de 1985), reuniu 1.380 milhão de pessoas (quase três vezes o público do festival de Woodstock) em Jacarepaguá, colocando o Brasil definitivamente no mapa geopolítico do rock-n"-roll. Tornou-se um grande (e único) caso de franchising de rock, inspirando outros aventureiros - já se fala em trazer o festival americano Lolapalloza ao Brasil.

"Não era um projeto megalômano. Ele nasceu megalomaníaco porque se você não botasse 1 milhão de pessoas na plateia o festival não se pagava", disse ao Estado na semana passada o publicitário Roberto Medina, criador do festival, que tinha 35 anos na época. Ele lembra que quando procurou o agente da banda inglesa Queen, Jean Beach, foi inicialmente visto como uma piada. "Ele me disse que, se nem os americanos tinham como fazer o que eu pretendia, muito menos um rapaz brasileiro. E me deu uma champanhe como prêmio de consolação."

Mas quando a coisa pegou, o Queen veio. E muito mais: Iron Maiden, AC/DC, Ozzy Osbourne, B-52"s, Scorpions, Nina Hagen, George Benson, James Taylor, Al Jarreau, Gilberto Gil, entre outros. De lá para cá, ele realizou três edições no Brasil (1985, 1991 e 2001), três em Portugal (Lisboa) e uma na Espanha (Madri). Em 1985, naquele ano pioneiro, foram dez dias, 90 horas e 5.400 minutos de música, doideira, lama e excitação. Veio gente do mundo todo.

Hoje, em 25 anos de existência, a mostra já colocou 650 bandas em seus palcos. E deve voltar ao Brasil em 2011. "Tá na hora de trazer de volta", diz Medina, falando por telefone do Rio de Janeiro. O publicitário vive há dois anos em um tranquilo bairro madrilenho, Las Rozas, e só contava trazer o Rock in Rio de volta em 2014, mas resolveu antecipar.

Ele estava havia 20 dias em negociações com a prefeitura do Rio de Janeiro, que espera estabelecer uma grande agenda de eventos na cidade preparando-a para a Copa de 2014 e a Olimpíada. E conta que já tem propostas de quatro patrocinadores de um mesmo setor para bancar o retorno da mostra ao Brasil.

Após três edições em Portugal e uma na Espanha, o festival vai instalar-se também em Poznan, na Polônia, no ano que vem. Em Lisboa, já é um item da agenda nacional, tão aguardado quanto a Eurocopa e a Expo.

Em Madri, o primeiro Rock in Rio, em 2008, cerca de 300 mil pessoas compareceram a Arganda del Rey, a cidadezinha nas imediações da capital espanhola, para ver Bob Dylan, Franz Ferdinand, Lenny Kravitz, The Police, Shakira e Amy Winehouse.

Ao longo de sua história, o Rock in Rio enfrentou adesões insólitas (Axl Rose veio em 2001 após anos recluso, e ele mesmo pediu para voltar) e deserções em massa (em 2001, cinco bandas, incluindo o Jota Quest, saíram protestando contra a organização).


A primeira edição do festival foi corajosa também em escalar (e ajudar a construir) as bandas do incipiente rock nacional, que dava seus primeiros passos naqueles tempos pós-Raulzito e Mutantes. Barão Vermelho, Blitz, Kid Abelha, Lulu Santos, Paralamas do Sucesso e até os veteranos Rita Lee e Erasmo Carlos estavam presentes, ao lado de medalhões da MPB, como Alceu Valença, Elba Ramalho, Ney Matogrosso, Moraes Moreira e Gilberto Gil.


O segundo Rock in Rio não é o que Roberto Medina mais gosta de lembrar. Transferido para o Maracanã, foi transmitido pela Rede Globo ao vivo para 55 países e, patrocinado pela Coca-Cola, levou 700 mil pessoas ao Maracanã nos seus nove dias de duração.

Num estádio, virou campo de guerra e o saldo foram três mortes e brigas no gramado, que resultaram em prisões e inquéritos.

Foi um festival predominantemente pop, com artistas e grupos como A-Ha (um dos maiores públicos de rock da história), Dee-Lite, Information Society, INXS, Lisa Stanfield, George Michael, Billy Idol e New Kids on the Block. Do rock, estiveram lá (entre outros) o velho Santana, Joe Cocker, Judas Priest, Megadeth, Faith No More, Happy Monday, Run DMC e uma banda que faria história, o Guns N" Roses.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Empresas brasileiras correm para se adaptar aos livros digitais

Foi como um futuro inevitável, porém distante, que editores e livreiros falaram ao longo de todo o ano sobre chegada da revolução digital de livros ao Brasil. Mas os últimos avanços atropelaram todas as expectativas, e agora as empresas do país correm para tentar se adaptar. 

Neste mês, começa a funcionar a primeira e-bookstore brasileira a oferecer o seu próprio leitor eletrônico de livros. A Ediouro promete, em janeiro, passar a lançar todos os seus títulos nos formatos papel e digital. 

Em março, a livraria Saraiva deve pôr no ar um ambicioso sistema de download de títulos, um tipo de iTunes dos livros. 

São ao menos três iniciativas tupiniquins que tentam espaço num mercado em que os primeiros passos foram dados pelas americanas Google (com o plano de expansão da digitalização de livros pelo Google Books) e Amazon (com a venda do leitor Kindle no Brasil). 

E são ações que, é claro, ainda encontram barreiras. O primeiro lançamento da Ediouro em e-book --"O Seminarista", de Rubem Fonseca, há um mês-- deixou usuários desorientados com atrasos de dias na chegada do livro eletrônico após a compra. Ela deveria ser imediata. 

O livro ainda não pode ser comprado pela Amazon, por pendências no contrato. Pode ser baixado pela loja virtual da editora (www.lojasingular.com.br), pelo www.smashwords.com e pelo iTunes. 

Newton Neto, diretor de tecnologia e mídias digitais da Ediouro, diz que vende de 10 a 15 exemplares do formato eletrônico por dia --número expressivo, mas "muitíssimo inferior" à venda em papel. 

Caso passe mesmo a lançar todos os livros nos dois formatos em janeiro, a Ediouro será a editora nacional mais avançada nesse quesito. "Não fazemos tudo no nosso quintal, temos parcerias com empresas estrangeiras", diz Neto. 

Parceria 

Anunciada como a primeira e-bookstore brasileira, com estreia marcada para 15/12, a Gato Sabido também tem parceria com uma empresa de outro país, a britânica Cool-er. Foi de lá que o economista carioca Carlos Eduardo Ernanny trouxe o leitor eletrônico que será usado pela loja. Há um ano envolvido no projeto, diz já ter investido R$ 800 mil nele. 

O leitor Cool-er é mais simples que o Kindle --o aparelho britânico não tem conexão sem fio, como o americano--, mas custa menos: R$ 750, contra os mais de R$ 1.000 com que o Kindle chega ao Brasil, incluídas as taxas. 

O desafio da loja será conseguir conteúdo com as editoras. Ernanny diz que já tem o aval de "três grandes escritores brasileiros" e está em conversas com a Companhia das Letras, a Objetiva e outras. A única grande confirmada é a Zahar. 

No dia 15, quando a loja iniciar as vendas, terá da editora apenas três títulos: "Shakespeare e a Economia", de Gustavo Franco e Henry Farnam, "Freud e o Inconsciente", de Luiz Alfredo Garcia-Roza, e "Morreu na Contramão", de Arthur Dapieve. 

Mariana Zahar, diretora-executiva da editora, diz que a meta é que até março 300 títulos estejam disponíveis para venda digital. Não só na Gato Sabido. "Estamos conversando com a Amazon e outras empresas. É zero exclusividade. Livrarias brasileiras também devem lançar logo suas próprias e-bookstores", diz Mariana. 

O maior projeto nesse sentido é o da Saraiva. O diretor presidente da livraria, Marcílio Pousada, diz só que vai "entrar no mercado de livro digital de uma maneira muito boa, como fizemos com o sistema de download de vídeos, em maio". 

A Folha apurou que o sistema foi apresentado a ao menos seis editoras, incluindo a Objetiva, a Companhia das Letras e a Record, e que o lançamento deve ocorrer em março, data que Pousada não confirma. Trata-se de um programa que o usuário instalará no computador e que permitirá o download para Kindle, iPhone e outros. 

Para as editoras, a maior dificuldade é atualizar os contratos com autores para incluir os direitos digitais. Sorte de editoras como a Intrínseca, que tem só 50 títulos no catálogo; azar de outras como a Record, com mais de 5.000 --para quem a conversão para o mundo digital será bem mais trabalhosa.

Fonte: Folha de Sp

Uma lâmina afiada separa os mundos inventados por Lewis Carroll em "Alice no País das Maravilhas". No livro de 1865, o escritor britânico arquitetou um universo de duplos sentidos e reentrâncias semânticas que oscila entre fantasia infantil e um dos mais elegantes registros em inglês vitoriano.

Foi esse o tom encontrado por Carroll na história que começou contando à pequena --e real-- Alice Pleasance Liddell num passeio de barco em Oxford. Acabou virando um dos livros mais traduzidos na história da literatura: a fantasia da garotinha que entra na toca de um coelho e se depara com uma lagarta que fuma, um gato sorridente, um mar de lágrimas, uma rainha louca e afins.

Nessa avalanche polifônica, o historiador Nicolau Sevcenko e o artista Luiz Zerbini tentaram cravar significados para traduzir em imagens --e para o português-- o clássico de Carroll, reeditado agora no Brasil.

"Meu drama foi manter a tradução nesse gume afiado em que Carroll construiu o texto dele", diz Sevcenko, 57. "Esse equilíbrio entre sofisticação e ressonância infanto-juvenil."

Sevcenko refez a tradução de "Alice" que já tinha feito nos anos 90. Revisitou trechos, traduziu os poemas que na edição anterior não teve tempo de mexer e tentou agora fixar os registros específicos de cada personagem, buscando equivalentes em português para as diferentes classes sociais e variantes do inglês vitoriano que desfilam pelo original -- usadas nas paródias políticas de Carroll.

No caso das imagens, Zerbini pensou duas vezes antes de aceitar o desafio de ilustrar "Alice". Disse não aos editores e depois voltou atrás. "Há tantas sugestões de imagens que é impossível competir com a velocidade do texto", diz Zerbini, 50. "Dá para fazer 50 desenhos com uma frase, é muita coisa."

Castelo de cartas

Zerbini então respondeu ao mundo hiperbólico de Alice com um universo particular, feito de cartas de baralho. Em vez de ilustrações literais, que dessem corpo aos pontos fantásticos do enredo, fez um castelo de cartas metafórico.

Juntou jogos de baralho com figuras de plantas, pessoas e animais, recortou as formas e inventou portas e janelas de um mundo transitório, de não lugares que correspondem aos mundos habitados pela personagem principal de Carroll. "Construí uma história paralela à do livro", conta Zerbini. "Pensei em fazer meu próprio país das maravilhas, e os desenhos foram virando cenários."

Sem exagero, já que o artista teve de arquitetar esses ambientes com as cartas e fotografar sucessões deles para ilustrar as passagens da história. Não deixa de ser um reflexo indireto da natureza dupla, ou múltipla, da língua em Carroll.

A seus animais falantes, estruturas matemáticas e redemoinhos sintáticos, Zerbini opõe a carta de baralho, a imagem sobre um corte de papel articulada dentro de um jogo de possibilidades infinitas, a lógica dos mesmos signos esfacelada entre universos distintos - do truco ao pôquer multicolorido.

Nessa história que já foi vista como ode lisérgica às drogas alucinógenas, manual de explicação da teoria dos jogos e até insinuações veladas de pedofilia, o castelo de cartas de Zerbini e a tradução "polifônica" de Sevcenko acabam virando um novo capítulo da trama.

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS


Autor: Lewis Carroll


Tradução: Nicolau Sevcenko


Editora: Cosac Naify


Quanto: R$ 45 (168 págs.)

A Criança Roubada


O livro é sobre um tipo específico de fadas que "rouba" a identidade da criança e passa a viver sua vida enquanto a criança se transforma em uma fada e vive eternamente sem crescer até que chegue sua vez de roubar uma nova identidade.

No livro o autor nos apresenta duas histórias, a de Henry Day, um garoto de 7 anos que foi roubado pelas fadas e agora vive na floresta e da fada que tomou seu lugar e que pouco depois de voltar pra casa, a fada desenvolve uma extraordinária capacidade de tocar piano, coisa que antes não existia em Henry original, fazendo com o que seu pai suspeite de sua verdadeira identidade.

Mais tarde essa capacidade será desvendada pela própria fada ao descobrir a vida de um outro garoto roubado na Tchecoslováquia.

A história é cheia de lirismo e poesia, as fadas são descritas como crianças que nunca crescem e que vivem à margem da sociedade.

Eu gostei bastante desse livro, tanto que o li em 4 dias.

Marcello Lopes

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Crítica

O que seria da poesia de Rimbaud, que abandonou a literatura aos 20 anos, se ele continuasse a escrever? 


Ele realizaria o que Saint-John Perse alcançou.


Essa crença leva em conta a língua como resultado de seus habitantes, a evolução de um poeta a outro, a reencarnação de livros e temas. Perse é um Rimbaud adulto; Rimbaud é um Perse jovem. O mesmo destemor oracular, as mesmas fagulhadas precisas, incisivas, simbólicas. Ambos chegaram tão próximo da verdade que ultrapassaram a loucura. O primeiro retratou o inferno; o segundo, o paraíso. Rimbaud denuncia; Perse celebra. Somando os dois, tem-se uma nova Divina Comédia.

Natural da ilha de Guadalupe, Prêmio Nobel de Literatura de 1960, Saint-John Perse (1887-1975) foi uma das expressões mais puras da língua francesa. Sua importância pode ser avaliada pela qualidade de seus tradutores: T.S Eliot em inglês (que confessou que seu conhecimento de inglês e de francês não abarcava o potencial do estilo), Ungaretti em italiano, Lezama Lima em espanhol, Walter Benjamin em alemão.

O nome do poeta, na verdade, é Alexis Léger. O pseudônimo foi escolhido ao acaso e às pressas para sua estréia e gerou a independência de visão de mundo, diferenciando o escritor do diplomata.

Ninguém é capaz de repetir as miragens de Perse. O autor queima consigo as possibilidades de sua fórmula. Percebia a poesia como o território mais próximo do real absoluto, um real mítico, escapando de qualquer demarcação histórica, pessoal e geográfica.

Não imita a realidade, mas a transfigura, recenseando as dimensões do sonho e do inconsciente. A manifestação lírica emerge avulsa, autônoma, como nascimento de um corpo, contra a abstração e tratando a métrica ora como movimento marítimo, ora como as dunas dos deserto. Sua fala se derrama em mágica oralidade e se desdobra em imagens alucinantes. A claridade disputa espaço com a clareza, como lâmpadas acesas durante o dia.

O escritor Bruno Palma devotou três décadas para traduzir Amers, obra central de Perse, com a experiência de ter trazido a lume Anábase, em 1979, pela Nova Fronteira, Prêmio Jabuti na época.

Em 1971, pela editora Grifo, verteu excertos do livro em antologia do poeta francês com o título Marimarcas. Repensou a opção e escolheu para a edição o nome de Marcas Marinhas, favorecendo a leitura do sentido original em detrimento do neologismo. O trabalho é monumental, vencendo adversidades como a sucessão interminável de elipses, as orações intercaladas e a pontuação sistêmica do universo persiano.

O resultado recompensa. Palma ressuscitou arcaísmos e se valeu do Glossário de Terminologia Marítima Internacional para preencher lacunas. Houaiss e Merquior ovacionaram os achados. "La Mer errante prise au piège de son aberration" passa a ser "o Mar errante apanhado na armadilha da sua aberração", mantendo a gravidade das aliterações e a fluência das vogais.

Assim como a limpidez de "roueries d' ailes rétives" continua potável em português, "ardis de asas arredias", reforçando o recuo dos "erres". Há momentos em que a versão supera a matriz: "les vieux flocons d' écume jaunissante" vira "os velhos flocos de espuma amarelescente".


O escritor Saint-John Perse empreendeu Marcas Marinhas (Ateliê, 333 páginas) em oito anos, de 1948 a 1956, cinco longos poemas publicados separados que se juntaram com a febre. Apesar de escritos em épocas diferentes, possuem uma unidade ímpar, dando a impressão de que foram compostos ininterruptamente em um único dia.

A obra é um poema dramático, girando em torno de três figuras: o mar, o poeta e a multidão, com nove vozes que aparecem de vez em quando e pontuam a narrativa das águas, expressas nos discursos dos oficiais e os trabalhadores do porto, do mestre de astros e de navegação, das Trágicas, das Patrícias, da Poetisa, das Profetisas, das jovens e dos Amantes.

Seguindo o formato circular das tragédias gregas, o coro resume a história poética, avaliando e pesando as profecias. Trata-se de um livro em que a autoria é do Mar. "É o mar em nós que sonhará." O segredo da poética é incorporar o duelo entre homem e imensidão.

Com inveja da extensão marinha, o homem não suporta permanecer na estreiteza do barco e do leito, assim como acaba esmagado na falta de limites. O que começa como desafio do amante frente às forças subterrâneas marinhas se encerra com seu despojamento humilde em Dedicação.

Diante do mar, não adianta sussurrar, cochichar, falar baixo. O mar pede o grito, a empostação da voz, a enxada do pulmão. "Há que gritar? Há que criar? - Quem pois nos cria neste instante? E contra a morte mesma não há senão criar?" Nesse sentido, o "oceano severo" exige o teatro proposto por Saint-John Perse, uma arena multifacetada que envolve tematicamente suas relações com o comércio, os amores, o alfabeto dos astros e com a religiosidade. "Há que gritar? Há que rezar?..."

O mar é a seara escolhida entre o mundo físico e imaginário, capaz de revelar "o gosto de viver o homem, em toda a sua medida". Depois da Odisséia de Homero e antes de Omeros do caribenho Derek Walcott, Saint-John Perse é o que melhor explorou o arquétipo como epicentro de façanhas e dos desastres humanos, caos disciplinado, elemento que vai integrar o seu repertório simbólico preferido, ao lado do vento e do deserto (Anábase).

Sua linhagem é do poeta criador, inventor fora de si. Não descreve as coisas ou a paisagem, funda o mundo verbal. Estranha o viver, rompendo os costumes. Acredita que a missão do poeta é ser a "má consciência do seu tempo", o que contesta a inércia visual.

Nem que para isso custe sobrepassar o entendimento e conviver com as coisas ilícitas. Porque o mar que se abre à beleza é ainda o mar do transe e do delito. Perse não é maniqueísta, mostra a verdade sem apagar a crueldade e o mistério de sua busca, provando que o útil não é o verdadeiro.

Em sua cosmogonia, o poema é maior do que o escritor. Ao mesmo tempo em que apresenta uma liberdade metafórica excessiva, não abdica da construção formal rigorosa e exata. Instaura uma sensualidade líquida entre as palavras, canção derramada, marcha das marés, reproduzindo o fervilhar das correntes com a repetição das consoantes.

Radicaliza o texto em vibrações, provocando uma leitura pela intensidade dos sismos. O poeta caminha em direção ao absoluto com a simplicidade de quem levanta a âncora.

Barqueiro ébrio das metáforas, suas composições são desconcertantes, com uma solidez pictórica que materializa o fantasmagórico e o sobrenatural. "O relâmpago no mar busca a bainha do navio..." ou "até seus fins de vespas amarelas,/ O verão que perde memória nos roseirais brancos" são alguns exemplos de hiperatividade sensorial.

O que para a maioria dos escritores seria gordura e excesso, em Perse é essencial como uma vértebra. A atmosfera suntuosa dosa ternura com ferocidade. A dificuldade de interpretação estimula a polissemia.

O escritor transforma o verso em versículo, em altissonante timbre profético. Exulta o mar como uma pátria autêntica. Uma monarquia onírica. Não é uma poesia que se define, mas que se multiplica na dúvida, no escoamento de hipóteses.

Segundo ele, a poesia é filha da interrogação mais do que a filosofia. Perguntar para Saint-John Perse é se maravilhar. Desloca vogais, migra sílabas, acumulando anáforas, denotações e conotações. Em Marcas Marinhas, o mar é apanhado em frenética metamorfose. A toda hora, "muda de dialeto". Para acompanhar, o poeta habita a mutação, o fulgor.

Do lento artesanato das ondas, o mar aparece em diversas roupagens, como "uma pele de búfalo", "cor de pedra de estábulo', "carne de romã, figo da África e fruto da Ásia". Fixa-se ao mudar, revirando as vagas, captando o insondável, das sandálias deixadas nas areias pelos afogados até as naus encalhadas das estrelas. Perse acorda as lendas, atravessando as águas e suas efêmeras vidas.

Seu tema de meditação é a água salgada, selvagem, de início longínquo. Se a água doce é reflexo, a matéria viva persiana não permite a cristalização, espelhamento, cresce proporcional às distorções produzidas.

O mar trabalha no descanso. Surge como um ente incorruptível, cruel e generoso no julgamento, fazendo o homem sangrar como um galo ou se reencontrar na alga da mulher. Converte o medo em aventura, o receio em excitação. "Do mar também, sabias tu? Nos vem às vezes esse grande pavor de viver."

O homem louva o mar, como um cego. Não existe uma condição de impotência humana, mas de respeito e reverência ao que não se entende o suficiente para opinar.

Quem vive perto do mar, demonstra Perse, absorve o seu cheiro e a fome de eternidade. Torna-se para sempre cúmplice de seus crimes e desejos. "E de um odor de mar em nossa roupa e em nossos leitos, no mais íntimo da noite."

Repassar Saint-John Perse para o português é comparável a traduzir o cubano José Lezama Lima e o neobarroco Paradiso (missão cumprida pela poeta Josely Vianna Batista). Se a poesia é "fotografia da respiração" (Lezama Lima), respira-se com Perse o oxigênio letal da profundeza.

Especial para o Tudo que Vejo : Fabrício Carpinejar