terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Campanha no Afeganistão


Dizem que Alexandre olhou o mapa mundial e chorou, por que não havia mais o que conquistar.

A Campanha no Afeganistão narra pela visão de um soldado macedônio os horrores da guerra e seus efeitos sobre os homens.

Alexandre foi um grande conquistador, aluno de Aristóteles, aos 16 anos já ajudava seu pai, o Imperador Filipe nas tarefas administrativas do império, aos 20 anos assume o trono com a morte de seu pai. 

Conquistou centenas de cidades, entre elas a poderosa Tebas, e partiu para o Oriente conquistando o Império Persa, a Síria e Fenícia. 

Exército macedônio em formação de batalha, utilizando as famosas sarissas, lanças com mais de 4 metros de comprimento.
Seu exército de mais de 30 mil homens altamente treinados e disciplinados dominaram a região de Gaza, Egito, sendo que nesse país não foi uma conquista a base de sangue e sim de acordos políticos, foi lá que Alexandre fundou Alexandria e construiu o Farol de Alexandria. 

Nesse livro, o soldado Matthias é influenciado pela longa história de conquistas e batalhas do Imperador Alexandre e pela tradição de sua família com 2 irmãos servindo o Imperador e de seu pai que foi oficial do Rei Filipe, então se alista na infantaria e segue para o Afeganistão, pouco a pouco ele nos apresenta um relato das suas dificuldades e sofrimentos que os soldados enfrentam ao chegar em um país que tão diferente do seu, com suas próprias leis e regras muitas vezes incompreensíveis para os macedônios.

O Afeganistão mostra-se desde o começo um país estilhaçado em diversas etnias, tribos independentes que habitam as estepes e montanhas, mas que se unem para expulsar o invasor.

Matthias chega com as forças de substituição, 60 mil soldados divididos em 50 navios, logo se junta aos amigos Lucas, Pulga, Trapo, Pendão, Boxer e Ruivo e ao longo dos meses o treinamento dos soldados fica mais duro, o ambiente no quartel quase explode de tanta ansiedade dos soldados de lutarem pelo seu imperador.

A realidade atinge os novatos nas primeiras incursões sobre território inimigo, uma aldeia da etnia é acusada de auxiliar os afegãos e deve ser punida, mulheres e crianças devem ser assassinadas para dar o exemplo, Matthias e seus amigos conhecem pela primeira vez a crueldade que os poetas não contam em suas baladas.

Formação do exército macedônio, no Afeganistão os soldados não conseguiram utilizá-la contra o inimigo

Matthias aprende que no Afeganistão não deve-se preocupar apenas com o soldado inimigo, mas também com o frio cortante que faz os soldados perderem membros e morrerem pelo caminho, ou o calor insuportável do deserto sem nenhum ponto de água potável.

O livro é um retrato exato do que ainda é hoje o Afeganistão, um país que parou no tempo, um país onde uma mula é mais importante e mais valor que as mulheres, tratadas como mercadorias.

Um povo que prefere morrer a entregar seu pedaço de terra, onde homens e mulheres lutam com uma ferocidade que assusta até os mais experientes soldados.

As descrições das batalhas, as estratégias e a resistência afegã são usadas até hoje, primeiro contra Alexandre, depois franceses, russos, americanos e ingleses, a luta entre montanhas, desertos que escondem poços de areia movediça, todos esses obstáculos são narrados de uma forma visceral por Steven Pressfield que já escreveu Portões de Fogo que narra a guerra de Termópilas e também Tempos de Guerra, sobre a guerra de Peloponeso.

Alexandre, O Grande
Na narrativa a importância de Alexandre para o mundo antigo não é mostrada, mas ela foi enorme, principalmente do ponto de vista cultural, ele é o responsável por divulgar a língua e a cultura grega pelas regiões conquistadas. A fusão da cultura oriental com a grega criou no mundo antigo o helenísmo.

E das regiões conquistadas abriu-se uma porta para o Império Romano surgir.

Imperdível !!!

Marcello Lopes

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