quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Lançamento - Cia das Letras


Orhan Pamuk viu-se há alguns anos enredado numa trama de involuntária inspiração kafkiana. Após abordar, numa entrevista a um jornal suíço, o esquecimento deliberado do genocídio armênio promovido pela Turquia, Pamuk foi denunciado pela promotoria de seu país, acusado de “denegrir a identidade turca”.

O constrangedor processo que se seguiu é contado por Pamuk em Outras cores com o distanciamento irônico que a situação permite, pois o episódio foi felizmente encerrado com sua absolvição. Essa e outras histórias, bem como numerosos fragmentos de natureza ensaística e reflexiva, compõem o vasto mosaico textual do livro.

Resgatando as lembranças da infância em Istambul ou discutindo o atual “choque de civilizações”, de que a Turquia é um posto de observação privilegiado, Pamuk compartilha generosamente com os leitores os bastidores de sua criação literária.

Obcecado pela exatidão na ambientação de seus enredos, o escritor revisita os lugares em que seus personagens transitam em romances como O livro negro e Neve. Posfácios, discursos e pequenos momentos ficcionais que, segundo o próprio Pamuk, não puderam ser aproveitados nos romances, são reunidos em capítulos curtos, por meio de conexões temáticas e cronológicas.

Outras cores sintetiza os interesses multifacetados de seu autor, e ajuda a esclarecer os mecanismos de sua escrita premiada.

Fonte: Cia das Letras

Um comentário:

Kézia Lôbo disse...

Parece que vai ser uma obra bem interessante!!!