terça-feira, 16 de novembro de 2010

Edmond Amran El Maleh


O escritor marroquino Edmond Amran El Maleh, que celebrou em sua obra a convivência das culturas árabe, judia e berbere na tradição de seu país, morreu nesta segunda-feira no Hospital Militar de Rabat aos 93 anos.

Nascido em 1917 em uma família judia de Safi (no sudoeste do país), Maleh foi um dos intelectuais mais conhecidos do Marrocos, e um fervoroso militante de diversas causas até seus últimos dias.

Embora não tenha publicado seu primeiro livro até os 63 anos, sua obra, integralmente escrita em francês, lhe valeu em 1996 o Grande Prêmio do Marrocos.

"É um escritor excepcional, o primeiro a ser ao mesmo tempo judeu, marroquino e educado na escola laica francesa. A força de sua obra nasce desta contradição", disse à Agência Efe o escritor espanhol estabelecido em Marrakech Juan Goytisolo, bom conhecedor de seu trabalho.

"Foi uma perda muito importante para todos os amigos", lamentou o autor espanhol, que destacou a qualidade humana de Maleh, e lembrou particularmente seu apoio à causa palestina, que, segundo ele, "lhe fechou muitas portas na França".

Em sua juventude, Maleh militou pela independência de seu país e foi atuante no clandestino Partido Comunista Marroquino. Em 1965, com a chegada de Hassan II, abandonou a atividade política e se exilou na França, onde passou os seguintes 30 anos exercendo os ofícios de professor de filosofia e jornalista.

Em 1980, começou sua carreira de escritor, na qual explorou os gêneros de romance, ensaio e a crítica de arte, com obras como "Aïlen ou la nuit du récit".

"Cada umas de suas obras tem uma colocação literária diferente", disse Goytisolo, ressaltando que "sua originalidade é que não se dirigia ao público francês, mas pensava sempre como destinatário o leitor marroquino, por isso escrevia em um francês próprio no qual transparecia o dialeto marroquino e as expressões judias".

Já de volta ao Marrocos, em fevereiro de 2004, Maleh recebeu do rei Muhammad VI a condecoração do Wisam Al Kafaa.

Seu último livro, "Lettres à moi-même" foi publicado em fevereiro, e nele o autor relata sua época de exílio em Paris, onde viveu, entre outros episódios, os eventos de maio de 1968.

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