segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Nosso Lar


Sábado agora consegui assistir o filme Nosso Lar baseado no livro homônimo de André Luiz, psicografado pelo Chico Xavier.

Pessoalmente eu fiquei muito impressionado com o filme, pelos efeitos especiais sob a direção de Lev Kolobov de Fúria de Titãs, pela fotografia de Ueli Steiger do filme O Dia depois de Amanhã, e pela trilha sonora de Philip Glass. Sobre o conteúdo, acho que o filme ficou devendo muito, não em questões doutrinárias mas sim na explicação de alguns pontos que ficaram soltos, como a recuperação de André, seus medos e suas incontáveis dúvidas, faltou um pouco mais de "massa" nessa receita, pois o personagem chega na colônia espírita debilitado, ignorante de sua condição e ainda muito orgulhoso de sua posição terrestre.

Em minha opinião, o filme deveria retratar mais a recuperação e adaptação do espírito de André Luiz, a resolução e constatação da "vida após a vida".

Outro item importante são alguns erros na trama como a saída de André Luiz para visitar a família sozinho, no livro ele só pode visitá-los acompanhado de um espírito mais esclarecido que o ajuda a se equilibrar perante as novidades que encontra, no livro existe um detalhe que o filme deveria ter mostrado, o 2° marido de Zélia, esposa de André Luiz é amparado e tratado com passes e água fluidificada, pelos espíritos e não pelo André que ainda se encontrava em recuperação.

Lísias, que é um espírito trabalhador que acompanha André Luiz pela colônia é retratado de forma muito irregular, ora equilibrado, ora demasiadamente humano.

Na colônia a entrada e saída de espíritos é muito rigorosa, e no filme é retratado como se fosse um trânsito de fácil acesso por qualquer espírito, já que André Luiz sai sozinho e a prima de Lísias abandona a colônia em busca de seu ex-noivo.

Emmanuel aparece como personagem no filme, no livro não há menção dele, mas acho que foi uma maneira que os produtores tiveram de mostrar como a obra de André Luiz chegou à Chico Xavier, já que Emmanuel comenta sobre um médium que psicografa mensagens dos espíritos desencarnados.

Sim, o filme cumpre aquilo que se propõe, que é emocionar e mostrar de uma forma bem realista que a morte é um simples corredor que temos que atravessar para se chegar à real vida, as cenas no Umbral são bem feitas e chegam a arrepiar quem já leu relatos de espíritos que estiveram em locais parecidos.

O elenco é formado em sua grande maioria por artistas espíritas como Paulo Goulart, Othon Bastos, Renato Prieto e Ana Rosa.

Recomendo ler o livro depois de assistir o filme.

Marcello Lopes

3 comentários:

M!riam disse...

Oi, Marcello,

Não gosto muito de literatura espírita. Li Violetas na Janela e não me identifiquei.

Mas para quem gosta e crê no espiritismo não pode deixar sua dica de lado!

Um beijoo

Chico Cardoso disse...

Não vi o filme, nem vou ver.
Depois da morte tem é "o nada", ou melhor, não tem.
O "espírito" é só uma função complexa do corpo. Só sei que esse tal espírito é altamente dependente de oxigênio. Quando este acaba, em três minutos, não existe mais.

Chico

Curiosa disse...

Marcelo,
deduzo que você seja espírita, pelo conhecimento que você tem do livro Nosso Lar. *.*

esses pontos todos que vc coloca estão certíssimos.

penso que a idéia de quem é o André Luís não foi bem passada no filme, ele foi muito mais humilde e sublime nas experiências narradas. o filme passa um ser grotesco como sendo o A. Luís.

bem .. além disso, a interpretação está péssima. o Lísias é um ator iniciante com certeza, pois parece que interpreta pela primeira vez, de tão artificial que está .. mas achei que o filme todos foi assim, como se para expressar a tranquilidade de um lugar, precisássemos falar de maneira enfadonha .... faltou a vivacidade que o livro deixa claro existir entre os que lá já vivem ... eles trabalham sob a base da alegria coletiva ... no filme pareciam almas penadas ...

bem .. me estendi aqui ...
rsrs ..
há-braços pra vc ...