domingo, 19 de setembro de 2010

Goya


O crítico de arte Robert Hughes escreve sobre uma das figuras mais conturbadas da arte: Francisco José de Goya y Lucientes (1746-1828).


O crítico narra a vida do pintor espanhol, compartilhando biografia com a produção artística utilizando como pano de fundo o contexto histórico em que viveu: a transição do século XVIII para o XIX.


A Espanha ainda era um grande império colonial e resistia, com a ajuda da Inquisição, às idéias iluministas e libertárias vindas de outros países da Europa, sobretudo da França.


A análise de Hughes esclarece ao leitor como Goya conseguia criar suas obras e mesmo assim manter-se livre da repressão eclesiástica.


Dos primeiros trabalhos comissionados pela Igreja, passando pela extensa produção do pintor oficial da Corte, até as obscuras e enigmáticas Pinturas negras, as últimas do artista isolado pela surdez.



Goya foi um artista complexo: o funcionário público servil e dedicado à família real, que apesar disso teve de fugir para o exílio no fim da vida, o mestre dos retratos; o observador meticuloso de costumes, gestos e classes; o pintor satírico e indignado, crítico da guerra, da injustiça e da Inquisição; e o amargo cronista da loucura e da morte violenta. 


Com isso Hughes nos apresenta um pintor que tinha inúmeras facetas e que soube como poucos assimilar as lições de outras épocas como a neoclássica e a romântica e desenvolver à partir disso um estilo único.


Marcello Lopes
Fotos: Google

Nenhum comentário: