quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Arthur Penn



Morreu, na noite de da última terça-feira, aos 88 anos, em Nova York, o cineasta norte-americano Arthur Penn. O diretor era reverenciado por, entre outros trabalhos, ter dirigido o clássico Bonnie & Clyde– Uma Rajada de Balas. 
O longa-metragem sobre o famoso casal de criminosos, interpretados por Warren Beatty e Faye Dunaway, teria sido a primeira produção hollywoodiana a incorporar elementos estéticos propostos pela nouvelle vague francesa, como os cortes secos e uso da câmera no ombro. 
Lançado em 1967, apesar de contar uma história que se passa durante a depressão econômica nos Estados Unidos (1929-1930), é considerado extremamente moderno para os padrões da época em que realizado.

Nascido em 1922 na Filadélfia e filho de um relojoeiro, Penn começou a estudar Literatura, mas teve de abandonar a faculdade para lutar na Segunda Guerra Mundial. Depois, continuou os estudos na Itália (nas cidades de Perugia e Florença), antes de entrar no famoso Actor’s Studio, escola de atores de Nova York.
O sueco Ingmar Bergman foi seu cineasta mais admirado e, em alguns de seus filmes, Arthur Penn lança mão da precisão psicoanalítica de seu mestre na construção tridimensional e complexa dos personagens, sobretudo de heróis frustrados, um de seus temas favoritos.
Durante a Guerra, Penn montou espetáculos teatrais para entreter os soldados e, antes de fazer cinema, trabalhou para a emissora de televisão NBC. Essas raízes televisivas ficaram impressas em seus três primeiros trabalhos para o cinema.
O primeiro longa-metragem de ficção assinado por Arthur Penn foi Um de Nós Morrerá (1958), western intimista sobre caubóis dedicado ao herói-ladrão Billy The Kid.
Depois veio O Milagre de Anne Sullivan (1962), adaptação de uma peça de teatro de William Gibson sobre a educação de Hellen Leller, uma menina surda e cega. Por sua interpretação no papel de Anna, professora de Helen, Anne Bancroft venceu o Oscar de melhor atriz. Seguiu-se Mickey One (1965), uma parábola anti-macarthista com forte influência europeia.
Profundidade
O cinema de Arthur Penn ganhou profundidade com o longa Caçada Humana (1966), filme encomendado pelo produtor Sam Spiegel, com roteiro da escritora e dramaturga Lillian Hellman, sobre o clima de violência em um povoado do sul dos Estados Unidos.
Mas foi mesmo como Bonnie & Clyde– Uma Rajada de Balas que Penn chegou ao auge de sua carreira. Três anos depois, ele rodou Pequeno Grande Homem, estrelado por Dustin Hoffman e novamente por Faye Dunaway. O filme também teve boa recepção de público e crítica.
Entre vários longas irregulares e fracassados, Penn filmou dois de seus melhores e menos conhecidos títulos: Um Lance no Escuro (1975), um policial de cores eróticas estrelado por Gene Hackman; e Amigos para Sempre (1981), um relato sobre a juventude a partir do roteiro de Steven Tesich com claros componentes autobiográficos.

Fonte: Gazeta do Povo

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