quinta-feira, 22 de julho de 2010

Por que ler os clássicos



  • O que é um clássico ?
  • O que existe no livro, na narrativa ou no autor que o transforma em um clássico ?
  • Por que nem todos os críticos concordam em uma lista coesa de títulos para chamá-los de clássicos ?
Essas e outras perguntas são respondidas através de um trabalho rico e objetivo de um dos maiores escritores do nosso século.

O autor inumera o que pode ser um clássico em sua opinião :

  1. Os clássicos são aqueles livros dos quais, em geral, se ouve dizer: "Estou relendo... " e nunca "Estou lendo... ".
  2. Dizem-se clássicos aqueles livros que constituem uma riqueza para quem os tenha lido e amado; mas constituem uma riqueza não menor para quem se reserva a sorte de lê-los pela primeira .vez nas melhores condições para apreciá-los.
  3. Os clássicos são livros que exercem uma influência particular quando se impõem como inesquecfveis e também quando se ocultam nas dobras da memória, mimetizando-se como inconsciente coletivo ou individual.
  4. Toda releitura de um clássico é uma leitura de descoberta como a primeira.
  5. Toda primeira leitura de um clássico é na realidade uma releitura.
  6. Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer.
Entre outras definições que Calvino vai aos poucos delineando para o leitor, com informações sobre "clássicos".

Ele excluí a juventude dessa categoria por causa da imaturidade literária, diz que o jovem não aproveita os livros clássicos de uma forma integral, profunda.

Cito uma parte do livro que ele explica a exclusão :

"[...]Isso confirma que ler pela primeira vez um grande livro na idade madura é um prazer extraordinário: diferente (mas não se pode dizer maior ou menor) se comparado a uma leitura da juventude.

A juventude comunica ao ato de ler como a qualquer outra experiência um sabor e uma importância particulares; ao passo que na maturidade apreciam-se (deveriam ser apreciados) muitos detalhes, níveis e significados a mais.

[..]as leituras da juventude podem ser pouco profícuas pela impaciência, distração, inexperiência das instruções para o uso, inexperiência da vida."

O autor ainda desmistifica a intenção de que se leia todos os livros considerados clássicos pela simples imposibilidade de que lê-los integralmente é uma tarefa homérica.

Recomendo a leitura para conhecer o autor e entender a definição de Clássicos.

Marcello Lopes
Fotos: Google

P.S: Na resenha usei várias partes do livro para ilustrar melhor seu conteúdo aqui.

4 comentários:

Marliborges disse...

Marcello, que post ótimo! Adorei as definições, são perfeitas, bem como as exclusões. Que clareza intelectual, hein! Fico de queixo caído. Obrigada pela dica, com certeza irei ler esse livro. Sua resenha interessou-me.

Edison Junior disse...

Caro Marcello,
Li Machado de Assis pela primeira vez porque fui obrigado (ia cair no vestibular). Reli-o pela primeira vez após alguns anos, por vontade própria e, mais uma vez depois disso por simples deleite. Mas conheço muita gente que ficou traumatizada com o primeiro episódio e se arrepia só de ouvir falar em Machado e outros. Pena, talvez isso devesse ser repensado pelos educadores.

Lia disse...

Oi, Marcello
Quero muito ler esse livro! Concordo plenamente com o autor em relação à maturidade que se deve ter para ler os clássicos...andei relendo Machado de Assis e Eça de Queiroz para a faculdade e realmente pude aproveitar bem mais agora...bjs

Josiana Rezzardi disse...

Oi Marcello!
Concordo totalmente com o autor em relação à juventude. É uma coisa que eu sempre digo, que além de os jovens de hoje lerem pouco, ainda não aproveitam os bons livros que temos por aí!
Fiquei super interessada, adorei a dica! Foi supimpa, hahaha!
Beijo