sábado, 17 de julho de 2010

A Dama Azul


O escritor espanhol Javier Sierra nos apresenta uma história marcada de mistérios e pautada na fé e evangelização católica.

A narrativa possuí diversas linhas de tempo, e sempre com um personagem importante em cada uma delas, o primeiro a surgir é o padre Baldi, professor de pré-polifonia na Ilha de San Giorgio, e que participa junto com outros padres de um estudo secreto que investigam a frequência musical precisa para viagens no tempo.


O segundo personagem é a freira espanhola Maria de Jesus de Ágreda que possuía o dom de bilocar-se, isto é, aparecer em dois lugares ao mesmo tempo, e sua principal aparição se dá na época da colonização espanhola no México em 1620.

O terceiro personagem é a americana Jenniefer Narody em Los Angeles em 1991.

O quarto e último personagem importante da trama é o espanhol Carlos Albert, repórter de uma revista espanhola que trata sobre assuntos sobrenaturais e que depois de um acidente perdeu sua fé nos ensinamentos da Igreja Católica.

Esses personagens ao longo do livro não se encontram mas desempenham funções importantes para que possamos entender a história, trazendo à luz aos poucos o mistério da Dama de Azul.


O autor nos fala de que não há coincidências na vida, e que existe sincronicidade, quer dizer, o que acontece com uma pessoa tem uma causa oculta.

Em uma conversa do repórter Carlos com seu amigo Martín, ele explica que a sincronicidade e a percepção extrasensorial são bem mais complexas que apenas truques para adivinhar cartas ocultas.

Dito isso, a investigação de todos os personagens do livro em relação à Dama Azul é uma busca da fé em evidências de que o Alto nos assiste todos os dias.

A função da Dama Azul em suas bilocações era transformar os índios em crentes da Nova Fé sem que houvesse violência pelos outros enviados da Santa Fé, a busca do padre Baldi por respostas para ele era a maneira de encontrar a mão dos anjos em nossas vidas, e para o repórter e a americana a solução de inúmeros enigmas que a ciência não pode explicar.

O livro é ao mesmo tempo uma narrativa histórica, já que diversos personagens existiram mesmo, assim como os locais onde se passa a trama, e ficcional, já que em determinado momento os americanos querem usar o dom de bilocação para assuntos militares.

O autor é um seguidor de J.J. Benítez e isso pode ser comprovado em capítulos onde os personagens da trama precisam de explicações sobre viagens no tempo, frequências musicais que induzem estados de êxtase, ou seja, informações técnicas que nos são delineadas com simplicidade e objetividade.

O romance é fascinante, se lermos com atenção podemos nos ver dentro de um mosteiro ou ao lado de inúmeros frades em pleno séc. XVI pregando o evangelho para tribos indígenas.

Recomendo a leitura.

Resenha: Marcello Lopes
Foto1: Freira Maria de Jesus de Ágreda (biografia dela aqui)
Foto2: Vista da Cidade de Ágreda 

Um comentário:

.•*♥*•.¸¸.• Sanzinha •.¸¸.•*♥*•. disse...

Nossa, Marcello, fiquei super interessada pelo livro.
Pela sua resenha, parece mesmo fantástico! Vou procurar.

Beijos!