sexta-feira, 30 de julho de 2010

Literatura Inglesa



A literatura inglesa tem um papel importante na Literatura do Ocidente, devido aos inúmeros estilos e diversas vozes e também pela proximidade de suas fronteiras, recebeu muitas influências de franceses, alemães, etc...

Assim como as fronteiras influenciaram, também trouxeram novos escritores que foram absorvidos pela língua inglesa como o polonês Joséf Korzeniowski ou rebatizado como Joseph Conrad.

Além da adoção de pátria e língua, a fronteira Inglaterra – Irlanda trouxe à literatura a contribuição inestimável de autores como Jonathan Swift, Laurence Sterne, George Bernard Shaw,William Butler Yeats, James Joyce e Samuel Beckett.

A invasão normanda fez com que o inglês arcaico dividisse o espaço com o francês e o latim, suavizando a língua através de influência dos invasores.

É sobre esta mistura de línguas que Chaucer que é contemporâneo da Guerra dos Cem anos com a França, escreve sua obra mais conhecida, Os Contos da Cantuária, uma história sobre um grupo de pessoas viajando juntas em peregrinação e que para passar o tempo, alguns contam histórias pelo caminho para serem julgados pelos demais.

Cada personagem é escrito de uma forma diferente, com dialetos e traços próprios, assim ajudou a construir um painel sobre a Inglaterra e sua língua, de acordo com os mestres em literatura essa obra escrita entre 1387 e 1400, ano da morte do autor, é considerada como marco do início da transição da literatura estritamente medieval para a modalidade que viria a caracterizar a obra literária do Renascimento.



A idéia de Chaucer para o Contos da Cantuária era escrever 50 contos na ida do grupo à peregrinação e 50 contos na volta dessas pessoas, mas infelizmente o autor faleceu antes deixando-nos com apenas 24 contos.


Não há uma edição no Brasil dos contos, achei uma edição da Ed.Nova Alexandria de 1991 com tradução de Paulo Vizioli mas estava esgotada, talvez sendo encontrada em sebos.

Abaixo transcrevo um conto retirado dessa edição :

O Cavaleiro


Havia um cavaleiro, um homem digno,
Que sempre, tendo as armas como signo,
Amou a lealdade e a cortesia,
A honra e a franqueza da cavalaria.

Nas guerras de seu amo lutou bem,
E mais distante não andou ninguém,
Entre os pagãos ou pela cristandade;
E sempre honrado por sua dignidade.

Já vira Alexandria prisioneira
Muitas vezes tomara a cabeceira,
Precedendo às demais nações na Prússia;
A Lituânia visitara, e a Rússia,
Onde cristão tão nobre não se vira.

Em Granada, no cerco de Algecira,
Estivera também, e em Belmaria.

Passou depois por Ayas e Atalia
Quando Caíram, e no Grande Mar
Pôde altos desembarques presenciar
Travou lutas mortais, uma quinzena,
E pela fé bateu-se em Tramassena,
Em três justas, matando ao inimigo,

A este bravo levou então consigo
Certa vez o senhor de Palatia,
Contra um outro pagão lá na Turquia:
Louvores mereceu de todo lábio.

E, além de ser valente, ele era sábio,
Modesto qual donzela na atitude,
Pois jamais dirigiu palavra rude,
Em toda a vida, a estranho ou companheiro.

Era um gentil, perfeito cavaleiro.
Quanto à aparência, era isto que vos falo:
Simples no traje; bom o seu cavalo.

Via-se a grossa túnica manchada
Pela cota de malha enferrujada,
Pois voltava de mais uma missão,
Saindo logo em peregrinação.

Texto: Marcello Lopes
Conto: Extraído do livro Os Contos de Cantuária, traduzido por Paulo Vizioli.
Fotos: Google

2 comentários:

Beli disse...

Eu simplesmente amo a literatura inglesa... vem de lá os livros que mais amo como "Orgulho e Preconceito" de Jane Austen e "O Morro dos Ventos Uivantes", como outros clássicos...

F. Otavio M. Silva disse...

Retribuindo a visita:
adorei o blog, principalmente temática dele.

tô seguindo vc tmbm.

Abraço Forte