quinta-feira, 1 de julho de 2010

Literatura Inglesa - VII


Depois de ler a Luneta Âmbar onde o autor informa que sua obra sofreu influência de John Milton, resolvi escrever sobre esse autor inglês, que nasceu em 1608, e que se dedicou a escrever sobre a diferença entre o Bem e o Mal, e sobre as origens do Mal.

John Milton nasceu em 1608 em Londres, e de 1620 a 1625 frequentou colégios católicos mas não se converteu ao catolicismo e nem se tornou padre, por isso foi morar com seu pai fora de Londres,tendo um período que a leitura de Dante, Petrarca, Tasso e outros clássicos foi de extrema importância para seu crescimento cultural e intelectual.

Escreveu o poema épico O Paraíso Perdido que conta a invasão de Satã e seu exército no mundo recém-criado de Deus, o poema possui diversas discussões teológicas, tanto que muitos críticos o acusaram de ser herege.

São 12 cantos que o poema traz sobre a visão cristã da origem do homem, a rebelião e queda dos anjos, da criação de Adão e Eva, da invasão e tentação por Satã, da expulsão do Paraíso e da promessa da Redenção futura.

Aliás, sua composição para o diabo influenciou uma geração inteira de escritores e desenhistas, já que o diabo no poema é inteligente com um humor negro e perverso e um incrível poder de manipulação.

O Paraíso Perdido é um dos grandes clássicos da literatura.

No Brasil existe uma tradução feita por Antônio José de Lima Leitão que foi publicada pela editora Vila Rica e que está fora de catálogo, mas você pode achá-lo aqui. E outra tradução pela Editora Martin Claret.



" Lança em roda ele então os tristes olhos



Que imensa dor e desalento atestam,


Soberba empedernida, ódio constante:


Eis quando de improviso vê, contempla,


Tão longe como os anjos ver costumam,


A terrível mansão, torva, espantosa,


Prisão de horror que imensa se arredonda


Ardendo como amplíssima fornalha.


Mas luz nenhuma dessas flamas se ergue;


Vertem somente escuridão visível


Que baste a pôr patente o hórrido quadro


Destas regiões de dor, medonhas trevas


Onde o repouso e a paz morar não podem,


Onde a esperança, que preside a tudo,


Nem sequer se lobriga: os desgraçados


Interminável aflição lacera


E de fogo um dilúvio alimentado


De enxofre abrasador, inconsumptível.

A justiça eternal tinha disposto


Para aqueles rebeldes este sítio:


Ali foram nas trevas exteriores


Seu cárcere e recinto colocados,


Longe do excelso Deus, da luz empírea,


Distância tripla da que os homens julgam


Do centro do orbe à abóbada estrelada.


Oh! como esse lugar, onde ora penam,


É diverso do Céu donde caíram!

Logo o monstro descobre a turba vasta


Dos tristes que na queda tem por sócios


Arfando em tempestuosos torvelinos


Do undoso lume que hórrido os flagela.


Próximo dele ali coas vagas luta


O anjo, imediato seu em mando e crimes,


Que foi chamado nas vindouras eras


Belzebu, nome à Palestina grato."

Tradução : Antônio José de Lima Leitão
Texto: Marcello Lopes
Foto: Google

3 comentários:

Hérida Ruyz disse...

Olá!
Já li os dois livros da trilogia...amei. Mas a minha resenha deu polêmica no blog. Algum ignorante achou que "EU" estava criticando a igreja católica, não leu a resenha direito. Quase fui linchada.kkkk Fiquei tão irada que fiz um post como resposta.rsrs
Ainda não tive tempo de ler A luneta âmbar, mas depois de ler sua resenha já sei que vou amar.
Se quiser ler a minha resenha que acharam uma afronta, deixo o link abaixo.
Bjs
http://www.lendonasentrelinhas.com.br/2009/08/bussola-de-ouro-e-o-primeiro-livro-da.html

http://www.lendonasentrelinhas.com.br/2009/10/voce-respeita-diversidade-de-opiniao.html

Lou James disse...

Salve Marcello.
Excelente post.
Me fez lembrar:
"Acaso óh Criador
Pedi que do barro
Me moldasse homem?
Pedi que me erguesse das trevas?"
Épico!

Ju Haghverdian disse...

Nossa Marcello, tiraste esse do fundo do baú... tive que ler esse na faculdade, em ingles!
Confesso que não consegui gostar de John Milton, a linguagem é dificílima, os poemas mais-que-super-longos, cansativos, beirando a chatisse... Não é daqueles escritores que te encantam e prendem a atenção... essa coisa de misturar literatura e religião, mesmo que seja "do-contra" não prende minha atenção haushaushau

Mas é boa lembrada... São poucos os que falam de Milton hoje em dia... a não ser o Leonard, meu professor de Lit. Inglesa. LOL

abraços!