quinta-feira, 15 de julho de 2010

Literatura Alemã


Rainer Maria Rilke nasceu em Praga, na época do império austro-húngaro em 1875, estudou história da arte e da literatura e filosofia em Berlim e Munique.

Por muito tempo, Rilke mostrou domínio na rima e no ritmo de seus escritos, principalmente em seus poemas, talvez cultivado pela profissão de crítico literário onde o autor tentou com isso se inserir no mercado literário da época, e óbvio, como fonte de renda já que os problemas financeiros seriam sempre um motivo de preocupações.

Uma de suas críticas literárias mais conhecidas é sobre o livro de Thomas Mann o recém-publicado Buddenbrooks.

Rilke teve uma vida fantástica em minha opinião, casou-se com a escultora Clara Westhoff com quem teve uma filha, tendo um casamento pouco convencional para a época onde o casal morava em cidades e países diferentes.



Conheceu Lou Andreas-Salomé, amiga de Nietzsche e de Freud, mais velha do que ele, viajando com ela para Rússia onde o autor pôde se aprofundar de suas raízes eslavas, após a separação dos dois amantes, Rilke foi para o Norte da Alemanha, onde ele se reuniu com diversos artistas plásticos que passaram a ter uma importante influência em sua obra e na sua vida.

Um dos trabalhos mais conhecidos é o seu ensaio sobre Cézanne, além de alguns poemas que remetem às telas dos mestres pintores. Depois desse período de artes na Alemanha, Rilke partiu para Paris com o objetivo de escrever uma monografia sobre Rodin, acabou trabalhando para o escultor entre 1905 e 1906, período esse que foi decisivo em sua vida intelectual e pessoal.

Os anos de vivência na França, com viagens para Itália, Suécia e retornos a Alemanha foram importantes na criação literária do poeta, narrados em seu único romance chamado Os Cadernos de Malte Laurids Brigge onde descreve o choque da chegada a uma grande cidade e dificuldades em se viver nela, na narrativa em forma de diário supostamente escrito por um jovem poeta dinamarquês que vive em Paris, com características autobiográficas e que, na forma, reflete a crise existencial e da sociedade do final do século XIX.

Essas viagens também estão presentes nos dois volumes dos Novos Poemas de 1907-1908 através de um texto objetivo e substancioso.

A influência de Rilke no Brasil é sentida em todos os âmbitos da literatura, até mesmo nas traduções feitas por grandes nomes do mundo literário como Cecília Meireles, Lya Luft, José Paulo Paes e Paulo Rónai, Manuel Bandeira traduziu com perfeição o poema Torso de Apolo.

De 1910 a 1912, Rilke viveu no castelo de Duíno, na região de Trieste, como convidado da princesa Maria Von Thurn und Taxis. Lá escreveu os poemas que formam "A Vida de Maria" (1913). Lá também começou a escrever "Elegias de Duíno", que foram publicadas em 1923.

Uma importante parte dos escritos de Rilke são suas cartas (para Marina Tsvetarva, Auguste Rodin, André Gide, H.v.Hofmannstahl, Boris Pasternak, Stefan Zweig, e outros), que foram publicadas postumamente.



Em 1926, Rilke falece de leucemia em um sanatório em Moutreux.

Hora severa (Das Buch der Bilder)



Quem neste instante chora em algum lugar do mundo,


sem motivo chora no mundo,


me chora.


Quem neste instante ri em algum lugar na noite,


sem motivo ri na noite,


se ri de mim.


Quem neste instante caminha em algum lugar no mundo,


sem motivo caminha no mundo,


caminha até mim.


Quem neste instante morre em algum lugar no mundo,


sem motivo morre no mundo,


me observa.



Obras

Leben und Lieder (Vida e Canções) - 1894



Das Buch der Bilder (O Livro das Imagens) - 1902


Stundenbuch (O Livro das Horas) - 1905


Neue Gedichte (Novos Poemas) - 1907-1908. Neles figuram os Ding-Gedichte (Poemas objetivos), e entre eles o “Archaischer Torso Apollos” (Torso Arcaico de Apolo), traduzido no Brasil por Manuel Bandeira.


Das Merien Leben (A Vida de Maria) - 1913


Die Aufzeichnungen des Malte Laurids Brigge (Os Cadernos de Malte Laurids Brigge) - 1910


Duineser Elegien (Elegias de Outono) - 1923


Sonette an Orpheus (Sonetos a Orfeu) - 1923


Briefe an einen jungen Dichter (Cartas a um Jovem Poeta) - 1929 – publicação póstuma.

Marcello Lopes

Um comentário:

Giuliano Proença disse...

Legal o post. De quem é a tradução da "Hora Severa"?