quinta-feira, 8 de julho de 2010

Lançamento Cosac


Lançado simultaneamente no Brasil – onde terá tiragem única, México, França, Espanha, Alemanha, Estados Unidos, Canadá e outros países da América Latina, o livro revela um acervo inédito que retrata o universo da artista mexicana Frida Kahlo, uma das maiores personalidades latinoamericanas de todos os tempos, e sua relação com a fotografia.

Desde sua morte, em 1954, seus objetos ficaram trancados na mítica Casa Azul, onde ela morou com o pintor Diego Rivera, e somente agora mais de 400 fotos são finalmente reunidas numa publicação.


Frida Kahlo pinta o retrato de seu pai, 1951. Foto Gisele Freund.


As imagens mostram autorretratos de seu pai fotógrafo, Frida quando menina, seu estúdio, o encontro com Rivera e sua convivência com amigos como Breton, Duchamp, Trótski, Henry Ford, Dolores del Río e a brasileira Adalgisa Nery.

A influência da fotografia em sua obra, suas referências políticas e estéticas, o sofrimento do corpo, as inúmeras cirurgias, e sobretudo a construção de sua impactante figura pública são analisadas em textos de grandes estudiosos de todas as partes do mundo.


Diego Rivera, 1933. Foto Esther Born.
 
Ela foi precoce, libertária, conviveu com nomes que marcaram sua época e os conquistou – homens e mulheres –, com os quais dividiu sua vida e foram perpetuados em seus quadros. Além disso ditou moda, fez estandarte de suas dores e morreu antes dos cinquenta. Frida Kahlo tinha tudo para se tornar o mito que é até hoje – e ainda por cima tinha consciência de que o estava construindo.
 
Se os principais pilares dessa construção ficam à mostra em sua obra – que sempre esteve flagrantemente entrelaçada à vida da artista –, outra porção (literalmente escondida entre as paredes de sua casa) vem agora à tona, graças à publicação pela Cosac Naify de Frida Kahlo: suas fotos.


Nieves Orozco, modelo de Diego Rivera
 
Quando, já viúvo de Frida, Diego Rivera deu a Dolores Olmedo instruções expressas de que o acervo pessoal do casal não fosse aberto por quinze anos após sua morte, não esperava que sua amiga e testamenteira fosse ser tão zelosa guardiã de seus segredos. Por mais de 50 anos, documentos e lembranças do casal – entre os quais cerca de 6 mil fotografias – estiveram trancafiados num banheiro da famosa Casa Azul, hoje Museu Frida Kahlo, em Coyoacán, na capital mexicana.
 
Mesmo que muito já tenha sido dito, ao longo dos anos, sobre os sofrimentos físicos e psíquicos de Frida Kahlo – começados com uma poliomielite na infância, agravados por um terrível acidente de bonde na adolescência, e coroados pelos abortos que sofreu devido a sequelas do mesmo acidente –, o conteúdo do livro ilumina muito sua vida, à moda de uma fotobiografia.
 
Acompanhando as imagens – ora por si só eloquentes, ora persistentemente misteriosas – os ensaios que abrem cada uma das partes do livro vêm, como uma lufada de vento, arejar todo esse material congelado no tempo.
 
Os textos introdutórios – do organizador do volume, o fotógrafo, editor e curador mexicano Pablo Ortiz Monastério, e de Hilda Trujillo Soto, diretora do museu Frida Kahlo, que capitaneou a catalogação das descobertas – definem a importância do material publicado. A esses, somam-se ensaios encomendados a pesquisadores de diferentes áreas – Masayo Nonaka, Gaby Franger e Rainer Huhle, Laura González Flores, Mauricio Ortiz, James Oles, Horacio Fernández e Gerardo Estrada – que propõem leituras dos vários aspectos suscitados pelas imagens do livro.
 
Um apoio imprescindível para que o leitor seja conduzido pelo novo caminho aberto pela publicação para dentro do mundo da pintora, os ensaios não somente apresentam o conteúdo iconográfico, mas tecem hipóteses, conjecturam, sublinham, legendam as fotografias desse acervo escondido, abordando a influência da fotografia em sua obra, suas referências políticas e estéticas, e sobretudo a construção de sua impactante figura pública.
 
As fotografias do arquivo pessoal de Frida foram organizadas em sete temas principais: “Origens”, “Papai”, “A Casa Azul”, “O corpo dilacerado”, “Amores”, “A fotografia” e “Luta política” ensejam dar conta dos aspectos que mais marcaram a biografia de Frida.
 
Se seguimos as “Origens”, por exemplo, ficamos sabendo que não se deve à convivência com o nacionalista Diego Rivera o gosto de Frida pelos trajes típicos que, junto com as hirsutas sobrancelhas, fizeram sua imagem tão ou mais famosa do que seus quadros. O gosto pelas vestes de tehuana, típicas de Oaxaca, foi herdado de sua mãe, Matilde Calderón. Já debruçando-nos sobre as informações de “Papai”, aprendemos que, além de o fotógrafo Guillermo Kahlo ter proporcionado à filha o gosto pelo seu ofício, ele também lhe legou o apreço por se autorretratar – o que para ele era uma obsessão de bastidores se tornaria um traço marcante da obra de Frida.
 
Para os que conhecem A Casa Azul como Museu Frida Kahlo, é curioso e enriquecedor vê-la habitada, em suas encarnações anteriores – como casa da família Kahlo, quando sua antiga fachada ainda não ostentava a cor, e mais interessante ainda, quando por ela circularam os grandes personagens que, em algum momento, cruzaram a vida do casal Kahlo-Rivera. As fotos dessa seção povoam um espaço que é hoje uma espécie de altar ao qual visitantes de todo o mundo rendem peregrinação. Elas dão a dimensão humana que, para muitos, parece faltar a esse tipo de museu.
 
“O corpo dilacerado” e “Amores” são, ao mesmo tempo, as seções mais e menos íntimas do livro. Por um lado, retratam o que se tornou mais conhecido sobre a artista: suas tragédias pessoais, suas relações passionais. Por outro, trazem material inesperado, que permite perceber vieses recônditos de frustrações notórias: é o caso, por exemplo, das ilustrações do processo de gestação, que Frida Kahlo nunca pode experimentar até o fim.
 
Por fim, “A fotografia” e a “Luta política” promovem uma troca de lentes: do zoom sobre a vida íntima, passa-se a uma grande angular que enfoca o contexto da pintora. Frida teve a oportunidade de conviver com nomes fundamentais da arte fotográfica de seu tempo: Edward Weston, Tina Modotti, Nickolas Muray, Man Ray, Pierre Verger, entre outros. Nas duas últimas seções do livro, exemplos de seus trabalhos se fundem a fotografias anônimas de jornal, devolvendo Frida Kahlo, sua obra e sua vida, a um contexto mais amplo e tornando-a, assim, finalmente humana.
 
Organização e introdução: Pablo Ortiz Monasterio
Tradução: Gênese Andrade
Apresentação: Carlos Phillips
Textos: Horacio Fernández, Masayo Nonaka , Gaby Franger, Rainer Huhle, Laura Gonzáles Flores, Mauricio Ortiz, James Oles, Gerardo Estrada, Hilda Trujillo Soto

Capa dura e sobrecapa de papel
Dimensões: 170 x 230 mm; Páginas: 524
Ilustrações: 410
Peso: 1,520
ISBN 978-85-7503-705-8

Você pode comprar o livro pelo site da Cosac aqui

Fotos & Texto: Cosac Naify

Um comentário:

.•*♥*•.¸¸.• Sanzinha •.¸¸.•*♥*•. disse...

Oi, Marcello!
Pôxa, já faz tempo que vc visitou meu blog de livros e comentou por lá. Eu não me esqueci, não. A vida anda tão doida, eu andei meio ausente dos blogs... Mas estou voltando devagar. Rapaz, este seu blog aqui é muito bom! Gostei demais! Vou linkar no meu blog e deixar nos favoritos. Aos poucos vou lendo tudo, com calma. Gostei muito mesmo. Aqui eu me senti numa livraria... rs. Amo livros!
Parabéns pelo blog, Marcello!
Fiquei fã e voltarei sempre que puder.

Beijo grande!