terça-feira, 20 de julho de 2010

Homenagem


A semana está repleta de homenagens não ? Primeiro com os combatentes e agora com um piloto que fez história na Itália e no Brasil, e que infelizmente não conheci pessoalmente, ele era pai de uma grande amiga minha.


Luigi Ciai, nasce na Itália, em Roma ,em 18 de outubro de 1922, filho de Remo Ciai e Emma Alegreti. A paixão pelas motos veio no sangue, seu pai em 1919 também corria de moto,com uma PM Panter, 500 cc junto ao seu irmão, Enrico Ciai . Luigi, Luigino, como era chamado pela família, depois de fazer os anos de escola normal, aos 16 anos no Instituto Carlo Grella, se forma em perito mecânico. Começa a trabalhar com o pai na oficina da família, que consertava motos e carros.

Luigi ou Luigino, como era chamado pela família, depois de fazer os anos de escola normal, aos 16 anos no Instituto Carlo Grella, se forma em perito mecânico. Começa a trabalhar com o pai na oficina da família, que consertava motos e carros.



Aos 17 anos, em 1942, serve o exército em plena segunda guerra mundial, destinado para setor da milícia da estrada, departamento que fazia a escolta de motocicletas para o estadista, Benito Mussolini.


Em 1945, depois dos percalços da guerra, Ciai começa a sua vida de corredor de motocicletas. Faz sua estréia com uma benelli de rua, preparada pelo seu pai, Remo, e vence no circuito de Riccione/Adriático/ e Tortoreto de Abruzzo.



Em 1947, vence o 1º prêmio Nacional e Internacional de Motociclismo, na cidade de Torino.


Depois de vários prêmios conquistados , em 1947 , Luigi Ciai, é convidado pela fábrica da Benelli , para competir com uma moto preparada por eles. Aí começa a famosa parceria Benelli – Ciai .


Ciai usava o número de inscrição 63 e este lhe dava muita sorte.


Segue correndo pela Itália e também pela Europa ganhando em vários circuitos.




Em 1949, Ciai muda de equipe e corre com Parilla, outra marca muito conhecida na Itália.


Em 1955, Ciai vence mais uma importante prova, O Giro de Itália, uma prova que acontecia em circuito de rua, rodando por várias cidades italianas.


Essa, subiu as montanhas de Dolomite, no Norte da Itália.


Nesse ano de 1955 , Ciai encerra a sua carreira de corredor na Itália.


Em 1958, Ciai, fascinado pela aventura, decide mudar de vida e vem para o Brasil. Trajando um belo terno italiano , chega ao Rio de janeiro, num vôo da Pan Air do Brasil,. Sem falar nada do nosso português , aprende suas primeiras palavras: Guaraná ( o refrigerante ) e Continental ( antiga marca de cigarros).


No mesmo ano, abre sua primeira oficina na cidade, na rua Paraíba, n° 9.


Lá ele se dedicava ao conserto das Lambretas, a febre do momento.



Com saudades das pistas, em 58, participou com uma Lambreta, da corrida Rio – Belo Horizonte, onde ganhou e recebeu das mãos do então presidente ,Juscelino Kubitschek, a quantia de 100 mil cruzeiros.


Em 1968 , Ciai firma parceria com a Marca de motos Italiana , Iso , modelo 150cc. Começa a fazer modificações no motor e na carenagem dianteira , adaptando a moto para as corridas nas pistas Brasilieras.


Com essa moto, Ciai vence a prova de 6 horas em Interlagos.


Em 1966, Ciai, abre mais uma oficina própria carioca, agora na rua Afonso Pena, na tijuca. Lá ele se dedicava as berlinetas Wiliams .


Como bom apaixonado por carros, Ciai, em 1968, vai além das pistas e cria uma carro, um fórmula V .



Com chassies e carroceria fabricado para as corridas. O piloto era Nilton Alves e vence a prova na pista de Jacarepaguá.


Em 1668, Ciai se transfere para a Lapa, e começa a sua história com a marca italiana Alfa Romeu.


Ciai nessa época fica sendo uma referência na mecânica dessas máquinas, atendendo até ao consul da Itália no Brasil.


Em 1968, Ciai deixa a vida de solteiro e se casa com sua esposa até hoje, a amazonese, Beth, que ele conheceu em uma festa na embaixada da Itália.


Em 1969,nasce sua única filha, Beatrice, hoje com 39 anos.


Voltando aos motores, em 1970, Ciai, agora na firma Vittori , oficina de luxo na época , servia vários artistas com seus carros importados. Dentre eles, Jô Soares, Juca Chaves e seu famoso Jaguar. Ivon Cury , entre outros.


Em 1980, Ciai volta para a adrenalina das pistas , não mais como piloto mas como preparador técnico.


Na frente da equipe Vittori, preparava velozes Fiats 147, para disputar o campeonato brasileiro da categoria. A equipe era formada pelos pilotos, Fábio Crespi, Murillo Piloto e Pedro La Roque .


Nesse campeonato estavam também os pilotos Xande Negrão, Ricardo Paternostro,Átila Sipos e Renato Conil . Eram todos muito competentes e profissionais, eram amigos reunidos pela mesma paixão .


Em 1987 , nasce a Ciai Auto Sport, na Praça da Bandeira, especializada em carros nacionais e importados, e muito procurado também pelos donos de Ferrari da cidade. Tinha para todos os gostos, da modelo Dino dos anos 80 a uma spider moderna do anos 2000.


Ciai era referência em problemas que ninguém podia resolver, afinal sua experiência era bem conhecida no meio. Por lá ficou até 2004 , quando resolver fechar, se não fosse a filha e a mulher estaria até lá hj, Mas elas o fizeram entender que se aposentar faz bem para qualquer um .


Continuava apaixonado pelos motores e pelas corridas.

Acompanhava de perto os motociclistas mais novos, como Valentino Rossi e Max Biaggi, com quem sempre se encontra e bate papo nas pistas. Não perde uma etapa da Stock Car aqui no Rio, quando encontra os amigos e lembra dos velhos tempo de pista. Muita história para lembrar!!


E ainda como bom italiano é ferrarista doente e sente muita falta do brilhante, Michael Schumacher .


Essa é a história de uma italiano amante das motos, ferraris, motores e muita velocidade ..... recentemente foi homenageado por um museu da Benelli.

A moto que ele corria em 1945 está exposta no Museu Morbidelli em Pesaro, na Itália, terra da Benelli.

Luigi Ciai desencarnou no dia 2 de Julho, e agora corre em outras pistas com a mesma paixão que o movimentou aqui.

Texto e Fotos: Bia Ciai

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