terça-feira, 29 de junho de 2010

Menina que roubava livros




A trajetória de uma menina que se chama Liesel e é contada por uma narradora fora do comum e um tanto mórbida, mas que se apresenta para os leitores de maneira simpática.

A Morte sente um misto de simpatia e perplexidade pela menina e segue suas aventuras de 1939 a 1943, que tem traços de uma verdadeira sobrevivente: a mãe foi perseguida pelo nazismo e envia Liesel e o irmão para um subúrbio de uma cidade alemã, onde um casal se dispõe a adotá-los apenas por dinheiro. 

No caminho seu irmão morre e é enterrado por um coveiro que deixa cair um livro na neve. É o primeiro de uma série que a menina vai roubar ao longo da história.

Ao chegar na casa dos pais adotivos, aprende a ler com o padrasto sob vistas grossas da madrasta, os tempos são conturbados na Alemanha, os preparativos pra outra guerra são imensos e cruéis, quem não se filia ao partido nazista sofre com incriminações, falta de empregos, o culto a Hitler leva às cidades uma euforia terrível de que o ditador possa melhorar o país.

Os livros nessa época são queimados, autores presos ou mortos pelas idéias contrárias à Hitler, Liesel inicia uma carreira de ladra dos livros pela cidade e encontra um santuário literário na casa do prefeito da cidade.

Diante de tanta violência, psicológica e física, a garota demonstra um coração puro ao ajudar o padrasto a esconder um judeu que escreve livros para contar sua história nesse período negro da Alemanha.

A Morte narra a história de forma leve apesar do tema pesado da Guerra, seu olhar recai na menina e não nas hediondas ações nazistas, ela reflete principalmente sobre a natureza humana,que a assombra e também na pureza das ações de Liesel, da sua inocência de ter esperanças em um momento desesperador.

Um livro que merece ser lido e guardado para uma posterior reflexão do que o homem é capaz de fazer para dominar e subjulgar os outros, mas também sobre a bondade e a caridade, valores que sobrevivem à tudo e todos.

Marcello Lopes

3 comentários:

Isadora disse...

Marcello li esse livro e é simplesmente maravilhoso. Embora seja uma história triste é contada com leveza pela protagonista.
Um beijo

Luka disse...

Marcello,
Adorei sua resenha.
Eu tenho uma quedinha por esses livros que tem uma guerra no enredo.
rs
Bjs
Luka.

Renata Bezerra disse...

Um dos melhores livros que já li, sem dúvida. A morte finalmente não passa aquela imagem de má, tornando-se na narrativa neutra, quase boa.

Abraço, Marcello.