quarta-feira, 16 de junho de 2010

Desafio Literário - parte 6


Continuando o desafio literário hoje no 06° dia não consecutivo onde falo sobre o livro que menos me fez ter a atenção nele.

A falta de atenção não foi pela qualidade do livro ou do autor, talvez tenha sido por causa do momento em que eu vivia.

O livro se chama Abril Despedaçado do autor albanês Ismael Kadaré.

É o mês de abril de algum ano da década de 30. O cenário, os montes Malditos do norte da Albânia. Ali o século XX se manifesta apenas na fugaz passagem de um avião.

Sob os cumes nevados há um reino de bruma, lenda e epopéia, um universo medieval que deita suas raízes nos remotos tempos homéricos. Um código de leis não escritas, o Kanun, implacável, draconiano, rege a vida e a morte dos montanheses. Seu valor supremo é o culto da honra.

Famílias, aldeias inteiras passam gerações a se matar ('recuperar o sangue') em infindáveis vendetas. É à sombra do Kanun, 'a Constituição da morte', que Ismail Kadaré recorta a silhueta de suas personagens, exibe sua sensibilidade para as miudezas do cotidiano e mergulha nos abismos da alma humana até as fronteiras da loucura.

Albânia é uma nação ímpar. Isolada do mundo após a 2.ª Guerra Mundial, ela encontrou no escritor Ismail Kadaré sua grande voz de resistência.


Abril Despedaçado tem como principal mote o kanun, ou seja, um código de direito secular que rege as vinganças de sangue na província de Miredite. É nessa área isolada do resto do país que a justiça é feita de acordo com leis particulares e estritas, que incluem como, quando e onde as vinganças podem e devem ser efetuadas, mostra como leis milenares podem construir um código de ética violento, é verdade, mas rigorosamente respeitado. Isso inclui desde o almoço fúnebre em homenagem ao assassinado, em que o matador comparece, até as regras para que o seu sangue limpe o que ele derramou anteriormente.


O conflito familiar exposto no livro envolve os Berisha e os Kryeqyq. Essa interminável vendeta envolve 45 mortes e rituais. Um dos mais curiosos e significativos é que a camisa de um morto só pode ser lavada quando a vingança for efetuada. Esta só pode ocorrer com arma de fogo, inclui o pagamento de um tributo à família do morto e um aviso antes do tiro, além de virar o morto de frente.

Por ser uma história onde a vingança é glorificada e a morte e insanidade sejam parte da cultura albanesa, talvez em algum momento tenho me cansado de tanta crueldade.

Marcello Lopes

2 comentários:

Vivian disse...

...não tem jeito.

livro tem que entrar na alma
ou não o digerimos só porque
faz sucesso de vendas.

um beijo, querido!

Kézia Lôbo disse...

O titulo é interessante!
Mas tem livros que ão conquistam mesmo!!!