terça-feira, 22 de junho de 2010

Constantin Brancusi


Pioneiro da escultura abstrata, Brancusi tentou chegar às formas mais despojadas, libertando-se das aparências de superfície para revelar a beleza intrínseca dos próprios materiais utilizados.

Constantin Brancusi nasceu em Hobita, Romênia, em 21 de fevereiro de 1876. Descendente de uma família de camponeses, na infância foi pastor de ovelhas e aprendeu a ler e escrever sozinho. 

Em contato com a arte popular romena do entalhe em madeira, estudou na Escola de Artes e Ofícios de Craiova (1894 a 1898) e, graças a uma bolsa, na Escola de Belas-Artes de Bucareste (1898-1902).

No segundo trimestre de 1904, após breve permanência em Munique, foi a pé para Paris, onde passou a maior parte da vida. 

A princípio trabalhou num restaurante e, como cantor, na Igreja Ortodoxa. 

Até 1907, estudou com Antonin Mercié, escultor acadêmico de tradição florentina. Recusou-se a freqüentar o ateliê de Rodin, por desejar romper com o naturalismo.

A partir daí, graças sobretudo a suas relações com artistas de vanguarda, como Max Jacob, Apollinaire, Picasso, Léger e Modigliani, Brancusi criou estilo próprio, abandonando o nu e toda a temática romântica.



Seu primeiro grande trabalho foi "Le Baiser" (1908; "O beijo"). Na primeira versão de "La Muse endormie" (1908; "A musa adormecida"), em mármore, os traços fisionômicos apenas sugeridos e o tipo do modelado ainda lembram a escola de Rodin.

Já na segunda versão, em pedra (1909), e nas posteriores, em bronze (1910, 1911 e 1912), os volumes já estão reduzidos aos ovóides fundamentais, tornando-se puramente vestigiais as feições remanescentes. 

O ovo, essência das coisas, aparece com freqüência na obra de Brancusi, como em "Prométhée" (1911; "Prometeu") e "Le Nouveau-Né" (1915; "O recém-nascido"). Em 1924 o escultor criou um ovo propriamente dito, de mármore, a que chamou "Le Commencement du monde" ("O começo do mundo"). Era, disse, "escultura para cegos".

A elaboração repetida de um assunto é típica de sua maneira: os "Oiseaux" ("Pássaros") começa com seu "Maiastra", pássaro do folclore romeno, em mármore (1912), hoje no Museu de Arte Moderna de Nova York.

O tema progride até chegar à sua 28a versão (1940), em que o ser mitológico já é apenas "L'Oiseau dans l'espace" ("O pássaro no espaço"), representações em bronze polido daquilo que Brancusi tentava figurar desde o princípio, a "essência do ovo".

Em 1925 o artista enfrentou o governo americano em controvertida disputa judicial, por ter a alfândega dos Estados Unidos procurado impedir a entrada de uma das versões dessa obra.

Ignorantes da arte abstrata, os fiscais criaram uma polêmica inusitada, insistindo que "L'Oiseau dans l'espace" não era obra de arte, mas contrabando de bronze. 

Nesse episódio prevaleceu a lógica e o escultor ganhou a questão, firmando jurisprudência no assunto.

Considerado em sua época um "artista difícil", só na maturidade Brancusi conseguiu sucesso de público. 

Em 1937-1938 compôs um conjunto de esculturas monumentais ao ar livre para a cidade romena de Targu-Jiu, dominado pela "Colonne sans fin" ("Coluna sem fim"), em metal dourado e com mais de trinta metros de altura. 

Abraçando a França como sua segunda pátria, Brancusi morreu em Paris, em 16 de março de 1957.

P.S : Estou lendo o livro História da Beleza de Umberto Eco e terminando de ler o livro Exilados de Montparnasse, com isso tenho aprendido muito sobre artes e conhecendo o trabalho e vida de vários artistas, por isso resolvi compartilhar com todos vocês. 

Espero que apreciem.

Texto: daqui.
Fotos: Google

Um comentário:

Isadora disse...

Marcello, obrigada por compartilhar essa história conosco e tão belas esculturas.
Um beijo