sábado, 27 de março de 2010

Filmes e séries com temática espírita ganham importância no país.

O cearense Luís Eduardo Girão está convicto de que a verdadeira riqueza brasileira “não é o pré-sal da Petrobrás, mas a vasta literatura espiritualista, cada vez mais procurada”. É ela que, segundo o produtor de Bezerra de Menezes: O diário de um espírito (2008) – a cinebiografia do médico kardecista – está alimentando o que ele vê como nova tendência do cinema nacional: os filmes de temática espírita, que ganharam novo impulso na esteira do centenário de nascimento de Chico Xavier (1910-2002), o mais popular médium do país.

Os livros do (psicólogo e médium Luiz Antônio) Gasparetto são um fenômeno de vendas. Divaldo Pereira Santos é outro recordista, já vendeu mais de 10 milhões de livros. Sem falar no próprio Chico, que psicografou mais de 400 livros que são quase roteiros de cinema prontos. Temos como exportar esse olhar – acredita Girão, que é coprodutor de Chico Xavier, de Daniel Filho, que chega ao circuito na próxima sexta-feira, dia em que o mais célebre espírita brasileiro faria 100 anos.

Com elenco estelar (Nelson Xavier, Ângelo Antônio, Tony Ramos, Christiani Torloni, Letícia Sabatella, Cássia Kiss) e amparado por uma máquina publicitária poderosa, que envolve marcas como Globo Filmes e a Sony Pictures, o longa de Daniel Filho é a mais vistosa encarnação de enredos de fundo espírita. Girão está envolvido em pelo menos outros dois projetos na área.

Dirigido por Sérgio Sanginitto, Área Q, em fase de edição, fala sobre aparições de discos voadores em uma cidade do interior do Ceará. Já As mães de Chico Xavier, de Glauber Filho, Halder Gomes e do mesmo Sanginitto, que começa a ser filmado dia 15 de abril, conta a história de três mães que acham consolo nas mensagens dos filhos mortos, psicografadas por Xavier.

Este último é uma adaptação do livro Por trás do véu de Ísis, investigação sobre o trabalho de psicografia, escrito por Marcel Souto Maior. O jornalista carioca é também autor da biografia que gerou o filme de Daniel Filho. Ele também estranha o fato de um filão tão rentável – os livros psicografados por Chico Xavier já venderam mais de 30 milhões de exemplares no país – ter sido sido tardiamente descoberto pelo cinema.

– O Brasil mágico, sobrenatural, este Brasil da vida depois da morte, nunca foi bem retratado no cinema. É um tema que mobiliza milhões e que agora terá o espaço que merece no cinema. E chega num belo momento: o ano do centenário de Chico – diz Souto Maior, que começou a pesquisar sobre o médium mineiro há 15 anos e já escreveu três livros sobre ele; um quarto, sobre os bastidores das filmagens de Chico Xavier, chega às bancas junto com o filme. – Chico é um mito, um mistério, e o mistério é sempre inesgotável.

Dependendo do resultado desses filmes na bilheteria, o ano promete ser um divisor de águas para o cinema brasileiro. Até então, o número de títulos com temas ligados à religiosidade ainda era incipiente. Mas o poder de doutrinação desse tipo de filme pode ser medido pelo percurso de produções como Maria, mãe do filho de Deus (2003). O filme, dirigido por Moacyr Góes e com participação do padre Marcelo Rossi, foi visto por cerca de 2,3 milhões de espectadores. Góes também dirigiu Irmãos de fé (2004), que conta a conversão de São Paulo de judeu em apóstolo, assistido por 912 mil pessoas.

O marco zero para a redescoberta da espiritualidade do público brasileiro parece ter sido mesmo Bezerra de Menezes, uma produção modesta, protagonizada por Carlos Vereza, assistida por mais de 505 mil pessoas.

Sim, de certa forma Bezerra de Menezes ajudou a alavancar as produções que estão chegando agora ao cinema, como a minha – afirma o ator e diretor Paulo Figueiredo, que finaliza E a vida continua, baseado em um dos livros psicografados por Chico Xavier. – É um assunto que fica meio adormecido. Aí vem a TV Globo e faz uma novela que reaviva o tema, ou vem um filme pequeno como o Bezerra e atrai um monte de iniciados no assunto aos cinemas. Mas há também o interesse de muitos não iniciados, com uma curiosidade muito grande sobre os temas espirituais.

Figueiredo tentou levar E a vida continua aos palcos ainda nos anos 70, mas desistiu da ideia porque o número de personagens da história inviabilizou o projeto financeiramente. No início da década, Figueiredo retornou a ideia, desta vez para o formato televisivo, que evoluiu para os moldes de um longa-metragem quando cruzou o ator conheceu Oceano Vieira, pesquisador e dono da Versátil, distribuidora de DVDs e filmes de arte. Foi aí que a história – um homem (Luiz Baccelli) e uma mulher (Amanda Acosta) que morrem e se reencontram no plano espiritual – desencantou, agora amparada pela repercussão de Bezerra de Menezes.

– Parece que é uma onda mas é um gênero que veio para ficar – corrige Vieira, que já produziu e lançou, pelo selo Vídeo Spirite, três documentários inspirados em Chico Xavier. – As pessoas querem mais filmes com espiritualidade, que as deixem se sentir melhor com o mundo e consigo mesmas. E a obra do Chico é o ponto certo; consegue transmitir paz, amor. Ele é o maior brasileiro do século 20.

Prova da força messiânica do tema é o envolvimento da filial brasileira dos estúdios Fox na produção de Nosso lar, de Wagner de Assis, inspirado no livro narrado por um médico chamado André Luiz a Chico Xavier. Lançado em 1942, o polêmico livro foi o primeiro a abordar a mediunidade de forma aberta. Ganhou adaptação luxuosa, com efeitos especiais produzidos no Canadá e trilha sonora do americano Philip Glass, e chega aos cinemas em setembro.

TV Globo prepara seriado com médico de poderes mediúnicos.

A TV brasileira, que desde a semana passada começou a pôr no ar produtos especiais relacionados à efeméride do centenário de Chico Xavier, pensa no espiritismo como um investimento a longo prazo. Dia 12 estreia Escrito nas estrelas, a nova novela das 18h da Rede Globo, cuja trama questiona os limites entre os planos físico e espiritual. A emissora carioca lança, ainda no segundo semestre deste ano, o seriado A cura, no qual Selton Mello viverá um médico mineiro com habilidades paranormais. A última novela global a trabalhar o campo espiritual com profundidade foi Alma gêmea (2005), de Walcyr Carrasco.

– Acho que há uma busca maior das pessoas, em nível mundial, por algo que transcenda a realidade, às vezes tão brutal, que vivemos atualmente – entende Elizabeth Jhin, autora da trama de Escrito nas estrelas. – No cinema, na literatura e na televisão vemos exemplos disso, o que demonstra que há realmente um movimento nesse sentido. Acima de crenças institucionalizadas existe um desejo comum de redescobrir valores que tornem menos árdua nossa passagem por aqui.

Dirigida por Roberta Richard e Fabio Strazzer, com direção-geral de Pedro Vasconcelos, Escrito nas estrelas pretende promover um debate sobre os avanços da ciência genética em seus aspectos médicos e éticos. A trama é desencadeada pela morte do filho único (Jayme Matarazzo) do dono de uma conceituada clínica de reprodução assistida (Humberto Martins) em um acidente. Este vem a descobrir que uma de suas clientes (Nathália Dill) está grávida de seu filho morto, depositante do banco de esperma da clínica.

Já o seriado A cura acompanha a trajetória de um médico do interior de Minas Gerais acusado de causar a morte de um colega de escola. Anos depois, descobre-se capaz de curar pessoas através de cirurgias espirituais intermediadas pelo espírito de um médico morto. Selton Mello será o protagonista do programa e fará par romântico com Andréia Horta, do seriado Alice.

-> Bom, é sempre importante todo e qualquer filme/série/novela que aproxime as pessoas de Jesus e de sua mensagem de paz e verdade, seja qual for o gênero do filme, Espírita, Evangélico, Católico todos ao meu ver são caminhos para se chegar à perfeição.

Lembro-me de uma frase de Chico Xavier ao ser questionado por uma esposa aflita que dizia que seu marido era bom esposo, bom pai, bom trabalhador, só tinha um defeito (opinião dela) ele não era espírita. Chico respondeu de pronto :
- Se ele é tudo isso, tá bom, não mexe com ele não....

Isso evidencia o caráter ecumênico de sua obra.

Fonte: Jornal do Brasil on line
Comentários : Marcello Lopes

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