domingo, 21 de fevereiro de 2010

Obras-primas e suas influências - parte 1



Ontem eu estava atendendo uma cliente na livraria enquanto sua filha não parava de reclamar sobre a imposição dos professores com a leitura de alguns clássicos, perguntei à ela qual seria o livro da vez, e ela me respondeu de forma desleixada, " um tal de Tristão e Isolda".

Bem, como eu amo literatura e suas influências em nossa vida, quis fazê-la entender que esse livro é um clássico romântico, disse è ela que é uma história de cavaleiros e damas, de romances impossíveis pelos contratos sociais da época e é carregado de arquétipos e lendas que permanecem atuais.

A história tem um passado celta, sendo citado em diversos documentos e textos medievais de língua galesa chamados Tríades Galesas.

Disse também enquanto sua mãe escolhia alguns livros, que a história de Tristão remonta a Idade Média, que o cavaleiro foi incorporado à história do Rei Arthur e que sua influência atravessou as fronteiras da literatura, Wagner compôs uma ópera em 3 atos, Messiaen compôs também uma sinfonia inspirada na lenda, e disse com orgulho que um dos meus poetas preferidos Tennyson escreveu um poema chamado Idílio do Rei, até Ridley Scott filmou uma versão da história em 2006 com o ator James Franco ( o amigo do Peter Parker). 

Ao terminar minha exposição sobre o livro, a garota já catatônica com todas as referências, simplesmente sorriu e se foi, provavelmente se perguntando o que eu tinha de errado.... 

Com essa história quero mostrar o quanto a literatura/leitura é importante em nossa vida, uma história atravessa séculos podendo influenciar poetas, artistas, compositores e outros escritores, criando uma ligação profunda entre diversas artes e de diferentes épocas.


E ler esse tipo de livro mesmo que seja imposto pelos professores é importante para a formação clássica da pessoa, sei que isso se tornou tão desvalorizado hoje que ninguém mais fala sobre isso, desde o começo do mundo a formação clássica era o maior tesouro que uma pessoa poderia ter.

Ler os clássicos é importantíssimo, um exemplo é a Ilíada e a Odisséia de Homero que além de lançar as bases da literatura ocidental, teve influências em diversas áreas de nossa vida cultural, HQ´S de Frank Miller à Hollywood...

O que dizer de Shakespeare ? Boa parte de sua obra foi adaptada para o cinema, como :

  • Hamlet, em 1948 com Laurence Olivier.
  • MacBeth em 1948 com Orson Welles.
  • Otelo em 1952 com Orson Welles.
  • Trono manchado de sangue de Akira Kurosawa em 1957 (MacBeth).
  • Romeu e Julieta de Zeffirelli em 1968.
  • Tragédia de Macbeth de Roman Polanski em 1971.
  • Ran de Akira Kurosawa em 1985 baseado em Rei Lear.
  • Hamlet de Kenneth Branagh em 1996.
  • Romeo+ Juliet de Baz Luhrmann em 1996. (Lixo !!!)

Shakespeare influenciou não só o cinema, mas a filosofia de Nietzsche, a poesia de Goethe, a psicanálise de Freud ( confronto com o pai, complexo de Édipo).

Dom Quixote de La Mancha, é considerado o fundador do romance, Dostoievski considerou a história como a peça mais profunda e poderosa da literatura, e após esse romance os cavaleiros substituíram os heróis clássicos na imaginação da época.

Um clássico que influenciou muito, dessa vez toda a forma de pensar européia foi Os Ensaios de Montaigne, uma das obras mais lidas no mundo ocidental. Os primeiros dois livros de Os Ensaios foram publicados em 1580, o terceiro foi publicado oito anos depois.

Eu lembro de pelo menos uns 50 livros que influenciaram gerações de poetas, pintores, diretores e artistas...

Voltarei a escrever sobre eles em outro post.

Por isso leiam os clássicos, sempre.

Ler é um direito de todos e, ao mesmo tempo, um instrumento de combate à alienação e à ignorância.
 
Marcello Lopes

3 comentários:

Vanessa Lee disse...

Eu acho que é importante a inclusão de clássicos da literatura no currículo escolar, mas ainda há muito o que se pensar como isso é feito.
Eu, que sempre amei ler, só de um livro ser "passado" pela escola, já ficava com pé atrás com ele. Aquele clima de obrigação... leituras corridas prá fazer resumo prá constar... Ai, os estudantes começam a achar algo chato! Quando se está na escola, se acha tudo que é obrigatório um "pe-no-saco", né?!

http://lasanhadeabobrinha.blogspot.com/

Laura disse...

Bom post. =D

Acredito que o principal entrave ao gosto pela leitura/literatura é que ela deveria ser parte da vida do aluno desde cedo, quando ele aprendesse a ler e escrever.
É muito difícil convencer uma pessoa de uns 14-15 anos, que passou as tardes jogando algum XBOX360 a gostar de ler de uma hora pra outra, ainda mais um clássico com tantas referências culturais.Outro erro é a falta de motivação pelos professores, que não sabem fazer um bom "teaser" da obra e do autor,como você fez pela garota na Livraria (espero que tenha ajudado). Quanto a ser obrigação, isso seria um detalhe, se houvesse o incentivo que falei.Crianças, jovens, enfim alunos, têm mestres por uma razão: ensiná-los a melhor ver o mundo por caminhos que eles (alunos) não descobririam sós. Ninguém é devidamente instruído fazendo o que dá vontade, apenas.

Josiana P. disse...

Parabéns por esse texto, muito inteligente. Penso que a maior parte dos adolescentes não cria afeição pela literatura clássica justamente por não conhecê-la direito; a grande maioria se apega aos livros famosos do momento, ou nem sequer a eles.
Bom, nós sabemos o quanto é interessante a leitura de Charles Baudelaire, quão profunda é a escrita de Dostoievski, ou como são lindos os romances de Jane Austen. Se os livros obrigatórios não chegassem tão tarde às mãos dos alunos, mas por etapas, acho que todos conseguiriam vê-los com outros olhos, ou quem sabe até vir a amá-los!

Mudando de assunto, peço desculpas pela demora para responder seu comentário, a vida anda meio corrida!
Obrigada pelo carinho, e já estou seguindo seu blog também!