domingo, 29 de novembro de 2009

Um pensador. . . . . .



O direito à educação para todos é um princípio que só surgiu há alguns decênios atrás. A idéia nem sempre foi consagrada em todos os lugares, mas elas já eram defendidas no século 17 por um pensador tcheco chamado Comênio, considerado um dos grandes nomes da moderna história da educação.


Sua obra mais importante é Didacta Magna que marca o início da sistematização da pedagogia no Ocidente. A obra, que o autor se dedicou ao longo de sua vida, realiza uma racionalização de todas as ações educacionais , indo da teoria didática às questões do cotidiano da sala de aula.


Por ele, a prática escolar deveria imitar os processos da natureza, nas relações professor-aluno, seriam consideradas as possibilidades e os interesses da criança. o professor passaria a ser visto como um profissional e não como um missionário e seria bem remunerado por isso !!!


Embora profundamente religioso, o autor propôs uma ruptura radical com o modelo de escola da época, voltado apenas para a elite e dedicado aos estudos abstratos.


Comênio foi radical em suas idéias, principalmente porque a escola deveria ser  para todos, e ensinar tudo para todos, inclusive para os portadores de deficiência mental e as meninas, excluídos do modelo vigente.


Defendia o acesso irrestrito à leitura, ao cálculo, para que todos pudessem ler a Bíblia e fazer contas, com essas idéias, ele respondia assim a duas urgências do seu tempo :


- A Burguesia Mercantil nas cidades européias


- E o direito, reivindicado pelos protestantes, à livre interpretação da Bíblia, proibida pela Igreja.


Uma idéia revolucionária de Comênio era " Porque não se aprende brincando?"


Essa sua idéia vinha em oposição ao tratamento brutal que o educador submetia as crianças na época.


Comênio também acreditava que a alma poderia ser salva durante a vida terrena com a ajuda da ciência, já que o homem é dotado de razão, ele poderia entender a si e todas as coisas. Portanto deveria se dedicar a aprender e ensinar.


O autor tcheco conclui que o mais importante na vida não é a contemplação, e sim a ação, o fazer.


Para conhecer mais esse autor, pesquisei alguns títulos para leitura mais aprofundada :


- Comênio : A Emergência da Modernidade na Educação
Ed. Vozes
Autor: João Paulo Gasparin


- Comenius : A Persistência da Utopia na Educação ( Edição Esgotada...somente em sebos)
Ed. Unicamp
Autor : Wjciech A. Kulesza


Marcello Lopes

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Here comes Johnny !!!!!



O escritor Stephen King estava numa sessão de perguntas-e-respostas em Toronto, no Canon Theatre, quando soltou a bomba, registrada pelo Torontoist: está escrevendo uma continuação para O Iluminado (The Shining), seu livro de 1977.

Segundo ele, o novo romance já está em andamento desde a metade do ano. O livro que deu origem ao filme de 1980 de Stanley Kubrick termina com o chef Dick Halloran sobrevivendo à loucura de Jack Torrance e levando Wendy e Danny a um resort no Maine.

King diz que aquele final era otimista, mas lembra que Danny traz muitas cicatrizes de tudo que presenciou no Hotel Overlook.

Os poderes de Danny e os seus traumas podem dar, segundo King, uma boa premissa. O personagem tem agora 40 anos, mora em Nova York e trabalha em um hospital.




Com seus poderes, Danny ajuda doentes terminais a "passar para o outro lado" em paz. Por isso, segundo o escritor, o título pode ser Doctor Sleep.

Fonte: O Omelete

Um conto inesquecível....


Um dos maiores desafios de um escritor é transmitir idéias e emoções através de uma narrativa simples, direta e clara.

Foi isso que Tchekhov fez com o conto A Dama do Cachorrinho, lembrado no último filme de Kate Winslet, O Leitor.

É a história de Dmítri que entediado com o seu casamento busca aventuras amorosas, e de férias em uma cidade chamada Ialta observa uma mulher que passeia diariamente com seu cão branco, seu nome é Ana e ela também está infeliz em seu casamento.

Ana está na cidade com a desculpa de se curar de uma doença inexistente, e ao encontrar Dmítri se deixa levar pela carência e solidão, passam a se ver todos os dias e depois que o marido de Ana a chama de volta ao lar, se separam com a promessa de não mais se verem.

Depois de um tempo, Dmítri larga tudo para se encontrar com Ana em sua cidade, sem se preocupar com a reação dela à sua visita, e para sua surpresa Ana confessa que não parou de pensar nele um só momento.

Á partir daí, se encontram a cada 3 meses, criando uma névoa que divide suas vidas, entre o real e o onírico.

Pode parecer banal essa história nos dias de hoje, talvez até sem graça, mas no fim do século 19 era um assunto delicado diante do conservadorismo da época.

O autor tinha uma facilidade para retratar a vida de pessoas comuns em sua intimidade.

Tchekhov dividiu sua vida entre a medicina e a literatura, dizia ele :

" A Medicina é minha esposa, e a Literatura minha amante, quando uma me aborrece, passo a noite com a outra."




Marcello Lopes

quarta-feira, 25 de novembro de 2009


O violoncelista Yo-Yo Ma, o violinista Itzhak Perlman e a soprano Anna Caterina Antonacci, além das filarmônicas de Dresden (Fhrübeck de Burgos) e da Radio France (Chung), com solos do pianista argentino Sergio Tiempo, serão os destaques da temporada 2010 da Sociedade de Cultura Artística.

Outras atrações incluem o violinista Vadim Repim, o pianista Nelson Goerner e o contratenor David Daniels. Os programas dos recitais de Ma e Perlman ainda não foram divulgados.



A Dresden toca Schumann e Brahms; Antonacci canta Fauré, Reynaldo Hahn, Bachelet, Tosti, Pietro Cimara e Ottorino Respighi; a Sinfonietta de Hong Kong toca Chopin e Schumann.

Abaixo, a temporada completa:

ABRIL: Vadim Repin (violino) e Itamar Golan (piano)

MAIO: Filarmônica de Dresden (Frübeck de Burgos, regência, e J. Moser, violoncelo); Nelson Goerner (piano)

JUNHO: Orquestra de Câmara da Basiléia; Yo-Yo Ma e K. Stott (piano)

JULHO: Anna Caterina Antonacci (soprano)

AGOSTO: Hong Kong Sinfonietta (Yip Wing-Sie)

SETEMBRO: Daniel Taylor (contratenor)

OUTUBRO: Philharmonique de Radio France

M. W. Chung, regência, Sergio Tiempo, piano)

NOVEMBRO: Itzhak Perlman (violino)

Marcello Lopes

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Sequestro estilo camorra



Segue o texto traduzido para português ( Portugal) do relato de Yoani sobre o seu próprio sequestro por soldados cubanos :

Próximo da rua 23 e exatamente no trevo da Avenida de los Presidentes foi que vimos chegar num automóvel preto - de fabricação chinesa - tres robustos desconhecidos: “Yoani, entre no automóvel” me disse um enquanto me continha fortemente pela mão. Os outros dois rodeavam Claudia Cadelo, Orlando Luís Lazo e uma amiga que nos acompanhava para uma marcha contra a violência.

Ironias da vida, foi uma tarde cheia de golpes, gritos e palavrões que deveria transcorrer como uma jornada de paz e concórdia. Os mesmos “agressores” chamaram uma patrulha que levou minhas outras duas acompanhantes, Orlando e eu estávamos condenados ao automóvel de chapa amarela, ao pavoroso terreno da ilegalidade e à impunidade do Armagedón.

Neguei-me a subir no brilhante Geely e exigimos que nos mostrassem uma identificação ou uma ordem judicial para levar-nos. Claro que não mostraram nenhum papel que provasse a legitimidade de nossa prisão. Os curiosos se comprimiam ao redor e eu gritava “Ajuda, estes homens querem nos sequestrar”, porém eles pararam os que queriam intervir com um grito que revelava todo o fundo ideológico da operação: “Não se metam, estes são uns contrarrevolucionários”.

Ante nossa resistência verbal, pegaram o telefone e disseram à alguém que devia ser o chefe: O que fazemos? Não querem entrar no automóvel”. Imagino que do outro lado a resposta foi taxativa, porque depois veio uma explosão de golpes, empurrões, me levaram de cabeça para baixo e tentaram enfiar-me no carro. Resisti na porta…golpes nas juntas…consegui pegar um papel que um deles levava no bolso e o meti na boca. Outra explosão de golpes para que devolvesse o documento.

Orlando estava dentro, imobilizado numa chave de karatê que o mantinha com a cabeça colada no chão. Um pôs seu joelho sobre meu peito e o outro, do assento da frente me batia na região dos rins e me golpeava a cabeça para que eu abrisse a boca e soltasse o papel. Num momento, sentí que nunca sairia daquele automóvel. “Chegaste até aqui Yoani”, “Acabaram tuas palhaçadas” disse o que ia sentado ao lado do chofer e que me puxava o cabelo.

No assento de trás um espetáculo invulgar acontecia: minhas pernas para cima, meu rosto avermelhado pela pressão e o corpo dolorido, do outro lado estava Orlando restringido por um profissional da surra. Só consegui agarrrar este - através das calças - nos testículos, num ato de desespero. Afundei minhas unhas, supondo que ele iria continuar esmagando meu peito até o último suspiro. “Mate-me já” gritei, com o último fôlego que me restava e o que ia na parte da frente advertiu ao mais jovem “Deixe-a respirar”.

Escutava Orlando ofegar e os golpes continuavam caindo sobre nós, pensei em abrir a porta e atirar-me, porém não havia uma maçaneta por dentro. estávamos a mercê deles e escutar a voz de Orlando me dava ânimo. depois ele me disse que o mesmo ocorria com as minhas palavras entrecortadas…elas lhe diziam “Yoani continua viva”. Nos descartaram doloridos numa rua de la Timba, uma mulher acercou-se “O que lhes aconteceu?”… “Um sequestro”, atinei de dizer.

Choramos abraçados no meio da calçada, pensava em Teo, por Deus como vou explicar-lhe todos esses hematomas. Como vou dizer-lhe que vive num país onde isto acontece, como vou olhá-lo e contar-lhe que a sua mãe, por escrever um blog e por suas opiniões em kilobytes, foi agredida em plena rua. Como descrever-lhe a cara despótica dos que nos colocaram a força naquele automóvel, o prazer que se notava ao pegar-nos, ao levantar minha saia e arrastar-me semi-nua até o carro.

Consegui ver, não obstante, o grau de temor de nossos atacantes, o medo ao novo, ao que não podem destruir porque não compreendem, o terror valentão dos que sabem que tem seus dias contados.

Traduzido por Humberto Sisley de Souza Neto

Cuba, Lula e outros conflitos



É amigos, me lembro bem de quando o Chico Buarque no alto da sua militância pseudo-comunista visitou Cuba no dia nacional de corte de cana, um dia em que todos os habitantes da Ilha vão "simbolicamente" cortar alguns acres de cana, inclusive  Fidel Castro, o cantor quando soube disso ainda no aeroporto nem quis passar pela alfândega, voltou pro Brasil onde a vida é leve, livre e solta....

Moral da história : Comunismo é bom para os outros e desde que eu esteja no Brasil, com o chopp e liberdade em dia, então tudo bem.

Muitas pessoas acreditam que Fidel é um herói, inclusive Che Guevara que com o filme foi alçado à estrela de Hollywood, mas infelizmente a história contada difere muito da vivida.

Che foi um iludido que matou muitos inocentes e levou outros tantos a matar e morrer por sonhos de liberdade que nunca se concretizaram.

Se o comunismo fosse a maravilha que muitos alardeam por aí, inúmeros atletas não fugiriam, milhares de habitantes da Ilha não fugiriam em embarcações que fazem água antes mesmo de entrar no oceano.

A USSR não teria entrado em colapso, com sua infra-estrutura em estado lastimável, a descoberta de regalias para os altos executivos, com geladeiras cheias de carne e o povo vivendo o sonho de uma comunidade igualitária, sem classes, e na realidade eram sem classes, sem dignidade e sem liberdade de expressão.

Podem me falar que as pessoas tem educação de qualidade, mas não tem emprego então que adianta isso ?Faz-se uma faculdade de medicina com os melhores professores de cada área, mas quando busca um emprego é para ganhar mínimo, sofre com a inexistência de inúmeros bens de consumo, energia elétrica em escassez, gasolina e outros produtos em falta.

Dizem que o povo cubano ama Fidel, eu duvido muito. Um povo que é privado de opinião, de ir e vir não me parece ser muito real essa afirmação.

Até a irmã de Fidel, Juanita Castro, revelou que colaborou com a agência americana de espionagem CIA contra o governo cubano antes de se exilar em Miami, em 1964. Ela disse que começou a perder entusiasmo com a revolução quando viu pessoas serem presas e executadas.

"Nós costumávamos culpar as pessoas do escalão de baixo, mas as ordens não vinham das pessoas do escalão de baixo. Elas vinham do escalão de cima, de Fidel, de Che, de Raúl".

Desde que eu descobri o blog http://www.desdecuba.com/generaciony/  da cubana Yoni Sanchez, sempre o leio mesmo que o meu domínio em espanhol seja básico I, ficamos sabendo da verdadeira realidade cubana sem o marketing dos artistas idiotas que defendem Fidel ( Desde que não precisem mudar pra lá...) ou das notícias vinculadas pelo governo amigo dos ditadores Lula Comuna da Silva.

Para quem não estava no planeta Terra nas últimas semanas, foi noticiado o sequestro da blogueira quando ela se dirigia à uma manifestação, um evento raro em Cuba, a cubana foi agredida e ameaçada por homens em trajes civis, levada em um veículo sem placas por homens do governo, ela foi agredida nos rins, nas costas, na cabeça, abaixo um parte do texto em seu blog relatando o ocorrido :

- "Estoy superando las lesiones físicas derivadas del secuestro del viernes pasado"

Após o afastamento de Fidel ( vaso ruim não quebra !!!!) seu irmão Raul assumiu o comando e a repressão na Ilha e ...nada mudou!!!

O que me irrita é assistir essa anta do Lula bater palmas para ditadores como Fidel, Hugo Chavez, Evo Morales, e se abstém de condenar o Sudão por violações aos direitos humanos, não toma nenhuma atitude quando os equatorianos expulsaram do país os executivos da Odebrecht .

Foi a mesma anta que revisou o acordo de Itaipu com o Paraguai 15 anos antes do vencimento e agora nós pagamos 3x mais por energia do vizinho, criticou as manifestações contra fraudes no Irã e agora abraça Ahmadinejad e defende seu projeto nuclear....

Com o apoio do Brasil na América Latina, quem não vai suprimir os direitos alheios. . . .????

Dizem que o capitalismo é o inimigo do povo, eu acredito que qualquer regime ou ideologia que venha do homem é podre, algumas menos outras mais, quem leu a Revolução dos Bichos sabe muito bem o que eu quero dizer, apesar das críticas aos regimes na época, no final os animais fazem o que os homens estavam acostumados à fazer, nivelar todos os sem poder e abusar do status no regime.

É o ser humano que não presta, não mataram Jesus por suas idéias revolucionárias ???? Gandhi e seu movimento de não-violência, Martin Luther King, o extermínio dos monges budistas pelos soldados chineses ? As Freiras que eram jogadas no oceano de avião pelos militares argentinos ?

Hitler tinha a idéia de exterminar todos os seres humanos que não fossem exemplos do que ele conhecia como produto ariano, os judeus estão exterminando lentamente os palestinos, os indonésios mataram até pouco tempo atrás os timorenses.

A desintegração de Estados socialistas - principalmente a União Soviética (URSS) e a Iugoslávia - fez renascer rivalidades étnicas e religiosas que haviam sido congeladas por regimes totalitários. Confrontos herdados da Guerra Fria, como a guerra civil em Angola, também resistem à passagem do milênio.

A guerra civil no Afeganistão, por exemplo, opõe fundamentalistas muçulmanos da milícia Taliban (patane) a grupos islâmicos de outras etnias (tadjique, uzbeque e hazará). A origem religiosa distinta é fonte de tensão no Sri Lanka, onde tâmeis (hinduístas) e cingaleses (budistas) estão em luta desde os anos 80.

Em Angola e Serra Leoa, os guerrilheiros da União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita) e da Frente Revolucionária Unida (FRU) intensificam, respectivamente, a luta contra o governo desses países.

O caso da guerrilha separatista ETA (Pátria Basca e Liberdade), partidária da soberania do País Basco, região encravada entre a Espanha e a França.

O IRA em sua batalha pela Independência contra os ingleses.

Enfim, basta uma desculpa para se começar um massacre e por que não a ideologia ????

Marcello Lopes

domingo, 22 de novembro de 2009

Arte...


DAVID, Jacques-Louis
Anne-Marie-Louise Thélusson, Comtesse de Sorcy
1790

O neoclassicismo é um movimento artístico que, a partir do final do século XVIII, reagiu ao barroco e ao rococó, e reviveu os princípios estéticos da antigüidade clássica, atingindo sua máxima expressão por volta de 1830.

Não foi apenas um movimento artístico, mas cultural, refletindo as mudanças que ocorrem no período, marcada pela ascensão da burguesia. Essas mudanças estão relacionadas ao racionalismo de origem iluminista, a formação de uma cultura cosmopolita e profana.

Entre as principais filosofias do período neoclássico temos a pregação da tolerância; da igualdade e fraternidade entre os povos (nada mais nada menos que os ideias revolucionários que motivaram a Revolução Francesa), ou seja, o pensamento iluminista.


David - Morte de Marat - 1793

A arte vai tornar-se eco dos novos ideais da época: subjetivismo, liberalismo, ateísmo e democracia. Esses foram os elementos utilizados para reelaborar a cultura a partir de um modelo idealizado da antigüidade clássica, greco-romana.

No século XVIII, as rápidas e constantes mudanças acabaram por dificultar o surgimento de um novo estilo artístico. O melhor seria recorrer ao que estivesse mais à mão: a equilibrada e democrática antigüidade clássica. E foi assim que, com a ajuda da arqueologia (Pompéia tinha sido descoberta em 1748), arquitetos, pintores e escultores logo encontraram um modelo a seguir.

Surgiram os primeiros edifícios em forma de templos gregos, as estátuas alegóricas e as pinturas de temas históricos. As encomendas já não vinham do clero e da nobreza (lembrem-se da Revolução Francesa que cortou as cabeças destas classes), mas da alta burguesia, mecenas incondicionais da nova estética. A imagem das cidades mudou completamente.

Derrubaram-se edifícios e largas avenidas foram traçadas de acordo com as formas monumentais da arquitetura renovada, civil, estatal, referente às novas instituições burguesas que passariam a existir pós- revolução burguesa – universidades, foros públicos, bancos, etcs.


Napoleon at the St. Bernard Pass
1801


O Neoclassicismo foi marcado pela história, não apenas no que diz respeito à temática das obras de arte, mas também na relação entre sujeito e sociedade. Ou seja, com a ascenção da Burguesia no poder começou a ser necessario a contrução de um passado – antes isso não era necessario pois a nobreza tinha o vínculo com o passado, com a descendência de sangue e de tradição, como algo muito natural – a burguesia por sua vez viu-se obrigada a inventar seu passado, a forjar sua tradição. È o período das grandes coleções, o inicio dos grandes museus como instituições públicas e privadas, da criação da Enciclopédia, etc.

Entre as principais características podemos generalizar da seguite maneira:

1. Retorno ao passado, pela imitação dos modelos antigos greco-latinos;

2. Academicismo nos temas e nas técnicas, isto é, sujeição aos modelos e às regras ensinadas nas escolas ou academias de belas-artes;

3. Arte entendida como imitação da natureza, num verdadeiro culto à teoria de Aristóteles.

4. Vínculo político com os ideais revolucionários promovendo a emancipação temática das grandes pinturas históricas.

Pintura

A pintura desse período foi inspirada principalmente na escultura clássica grega e na pintura renascentista italiana, sobretudo em Rafael, mestre inegável do equilíbrio da composição. De uma forma geral caracterizou-se pela exaltação de elementos mitológicos ou pela celebração dos grandes momentos históricos, Napoleão foi um tema recorrente do período!

As figuras pareciam fazer parte de uma encenação teatral e eram desenhadas numa posição fixa, como que interrompidas no meio de uma solene representação. A função narrativa era interpretada como uma gélida encenação. O fato histórico se subordinava à teatralização, à captação de um momento perpetuado na história.


Napoleon I on the Imperial Throne
1806

As figuras eram muito rígidas, e os rostos muito sérios, quase sem expressão, simulavam máscaras das antigas tragédias gregas. As túnicas e capas caíam em dobras pesadas e angulosas, cobrindo as formas do corpo. A moda da época, chamado estilo Império, é bem identificada nas pinturas da época, era bem mais simples e também fazia eco à cultura grega da antiguidade. A Moda foi ativista e política contra o soberbo e luxuriante estilo rococó (vide Maria Antonieta). Tudo era mais simples, os tecidos, a modelagem, os penteados, o sapatos, etc.

Na pureza das linhas e na simplificação da composição, buscava-se uma beleza deliberadamente estatuária. Os contornos eram claros e bem delineados, as cores, puras e realistas, e a iluminação, límpida. Tal e qual acontecia no Renascimento, porém as técnicas de pintura era mais elaboradas, o que propicia um realismo indescritível às obras neoclássicas.

Características da pintura:

Formalismo na composição, refletindo racionalismo dominante.

Grandes formatos

Exatidão nos contornos

Harmonia do colorido

Temática histórica

Os maiores representantes da pintura neoclássica são, sem dúvida :

 Jacques-Louis David - foi considerado o pintor da Revolução Francesa, mais tarde, tornou-se o pintor oficial do Império Napoleônico. Durante o governo de Napoleão, registrou fatos históricos ligados à vida do imperador. Suas obras geralmente expressam um vibrante realismo, mas algumas delas exprimem fortes emoções.

Jean-Auguste-Dominique Ingres (1780-1867), o pintor foi uma espécie de cronista visual da sociedade de seu tempo. Ingres acreditava qua a tarefa primordial da arte era produzir quadros históricos. Ardoroso defensor da pureza das formas, ele afirmava, por exemplo, que desenhar uma linha perfeita era muito mais importante do que colorir. ” A pincelada deve ser tão fina como a casca de uma cebola”, repetia a seus alunos.

Sua obra abrange, além de composições mitológicas e literárias, nus, retratos e paisagens, mas a crítica moderna vê nos retratos e nus o seu trabalho mais admirável. Ingres soube registrar a fisionomia da classe burguesa do seu tempo, principalmente no gosto pelo poder e na sua confiança na individualidade. Amante declarado da tradição.

A modernidade de Ingres está justamente na visão distanciada que tinha de seus retratados, na recusa a produzir qualquer julgamento moral a respeito deles, numa época em que se consumava o processo de aliança entre a nobreza e a burguesia. O detalhismo também é uma das suas marcas registradas. Seus retratos são invariavelmente enriquecidos com mantos aveludados, rendas, flores e jóias.

Ingres tem também característica muito românticas em suas pinturas presente no colorido muito vivo e no interesse pelo exótico, pelo mundo extra-europeu. Alguns artistas neoclássicos trilharam caminhos próximos à temática romântica, tornando difícil estabelecer um limite claro entre os discursos das duas correntes artísticas.

Escultura:

Os escultores neoclássicos foram marcados pelo rigor e pela passividade e sua produção academicista é considerada fria.

Estátuas de heróis uniformizados, mulheres envoltas em túnicas de Afrodite, ou crianças conversando com filósofos, foram os protagonistas da fase inicial da escultura neoclássica. Mais tarde, na época de Napoleão, essa disciplina artística se restringiria às estátuas eqüestres e bustos focalizados na pessoa do imperador. A referência estética foi encontrada na estatuária da antigüidade clássica, por isso as obras possuíam um naturalismo equilibrado.

Respeitavam-se movimentos e posições reais do corpo, embora a obra nunca estivesse isenta de um certo realismo psicológico, plasmado na expressão pensativa e melancólica dos rostos. A busca do equilíbrio exato entre naturalismo e beleza ideal ficava evidente nos quais os volumes e as variações das posições do corpo eram estudados com cuidado. O escultor neoclássico encontrou o dinamismo na sutileza dos gestos e suavidade das formas.

Quanto aos materiais utilizados, os mais comuns eram o bronze, o mármore e a terracota, embora, a partir de 1800, o mármore branco, que permitia o polimento da superfície até a obtenção do brilho natural da pele, tenha adquirido preponderância sobre os demais. Entre os escultores mais importantes desse período destacam-se o italiano Antonio Canova, escultor exclusivo da família Bonaparte.

Marcello Lopes



Little People” é um projeto que já passou pelas mãos de vários designers e artistas.



O projeto “Little People” ganhou destaque com Akiko Ida (Japão) e Pierre Javelle (França) que, depois de criarem o website "Minimiam" e terem exposto em museus diversas seções fotográficas começaram a ganhar fama internacionalmente e a chamar a atenção de outros artistas.

Hoje, as pequenas figuras de “Little People” são encontradas um pouco por toda a parte nas mais originais interações com o mundo real.




Bousserez e Barnhart são mais dois apaixonados por estes minúsculos bonecos. O primeiro é um diretor de arte que trabalha em uma agência de publicidade em Paris e começou a trabalhar neste projeto há cerca de 3 anos, paralelamente a Slinkachu. Quanto a Barnhart, é um fotógrafo de São Francisco que já fez vários trabalhos que podem ser consultados na sua página oficial.

http://www.barnhartphotography.com/

sábado, 21 de novembro de 2009

Escritores Brasileiros II



O poeta romântico brasileiro Casimiro de Abreu é dono de rimas cantantes, ao gosto do público, e publicou apenas um livro, As Primaveras (1859).

Filho de um rico comerciante, Casimiro nasceu em Barra de São João (Rio de Janeiro) e cresceu no Rio, então capital do Império e centro cultural do país. Entre 1853 e 1857, estudou em Portugal.

A vocação literária, porém, suplantou a vida acadêmica. Em Lisboa, iniciou-se como poeta e dramaturgo.

A peça Camões e Jaú estreou no teatro D. Fernando e, nela, o autor proclama sua brasilidade, as saudades dos trópicos e refere-se a Portugal como "velho e caduco". De volta ao Brasil, dedicou-se à atividade comercial, com o apoio paterno.

Mas definia este trabalho como uma "vida prosaica…que enfraquece e mata a inteligência". Morreu aos 21 anos, de tuberculose, em Nova Friburgo, estado do Rio de Janeiro. Seu poema mais famoso é Meus Oito Anos. Da segunda geração romântica brasileira, Casimiro de Abreu cultivava um lirismo de expressão simples e ingênua. Seus temas dominantes foram o amor e a saudade.

Embora criticado por deslizes de linguagem e falta de embasamento filosófico, Casimiro de Abreu é admirado, justamente, pela simplicidade. Alguns versos acabaram se incorporando à linguagem corrente como, por exemplo, simpatia é quase amor, hoje nome de um famoso bloco do carnaval carioca.

É pequena a obra poética de Casimiro de Abreu. Porém, deixou-nos de forma marcante, a poesia da saudade: "Canção do exílio" ("Meu lar") em que partia da aceitação premonitória, "Se eu tenho de morrer na flor dos anos", para a formulação de um desejo que se realizou plenamente: "Quero morrer cercado dos perfumes / Dum clima tropical.”. Meus Oito Anos, Minha Terra - poemas escritos em Portugal, onde adquiriu sua educação literária.

MEUS OITO ANOS

Oh! que saudades que tenho

Da aurora da minha vida,

Da minha infância querida

Que os anos não trazem mais!

Que amor, que sonhos, que flores,

Naquelas tardes fagueiras

À sombra das bananeiras,

Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias

Do despontar da existência!

— Respira a alma inocência

Como perfumes a flor;

O mar é — lago sereno,

O céu — um manto azulado,

O mundo — um sonho dourado,

A vida — um hino d'amor!

Que aurora, que sol, que vida,

Que noites de melodia

Naquela doce alegria,

Naquele ingênuo folgar!

O céu bordado d'estrelas,

A terra de aromas cheia

As ondas beijando a areia

E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!

Oh! meu céu de primavera!

Que doce a vida não era

Nessa risonha manhã!

Em vez das mágoas de agora,

Eu tinha nessas delícias

De minha mãe as carícias

E beijos de minha irmã!

Livre filho das montanhas,

Eu ia bem satisfeito,

Da camisa aberta o peito,

— Pés descalços, braços nus

— Correndo pelas campinas

A roda das cachoeiras,

Atrás das asas ligeiras

Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos

Ia colher as pitangas,

Trepava a tirar as mangas,

Brincava à beira do mar;

Rezava às Ave-Marias,

Achava o céu sempre lindo.

Adormecia sorrindo

E despertava a cantar!

................................

Oh! que saudades que tenho

Da aurora da minha vida,

Da minha infância querida

Que os anos não trazem mais!

— Que amor, que sonhos, que flores,

Naquelas tardes fagueiras

À sombra das bananeiras

Debaixo dos laranjais!

Marcello Lopes

quinta-feira, 19 de novembro de 2009


Nunca fui muito de ler obras nacionais, mas ultimamente tenho estudado o assunto por conta de um curso que estou bolando para ministrar aos funcionários da rede de Livrarias que eu trabalho.

Aos poucos estou descobrindo escritores que em minha ignorância nunca ouvi falar, mas que foram importantes para a história da literatura brasileira.

Autores como Alberto de Oliveira, nascido no Rio de Janeiro, em abril de 1857.

Seus primeiros estudos foram realizados em escola pública. Formou-se em Farmácia em 1884, freqüentou o curso de Medicina, no qual conheceu Olavo Bilac, porém, ambos abandonaram a faculdade. Alberto de Oliveira seguiu sua carreira de farmacêutico e casou-se, em 1889, com Maria da Glória Moreira, com quem teve um filho.

Seu primeiro livro “Canções Românticas” é um compilado de poesias, publicado em 1878, com propriedades ainda românticas, porém, com indícios de temática parnasiana. O Parnasianismo esteve intrínseco em suas obras a partir das novas publicações, o que o levou a ser considerado o mestre desta estética literária. O estilo parnasiano regozijava-se na estrutura descritiva e na exaltação da forma rígida oriunda da Antiguidade Clássica no culto da “arte pela arte”.

Exerceu cargos públicos e é um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Tinha amizade com Raimundo Correia e Olavo Bilac e forma com eles a tríade brasileira do Parnasianismo. Foi colaborador de diversos jornais no Rio de Janeiro: A Semana, Correio da Manhã, Tribuna de Petrópolis, Diário do Rio de Janeiro.

O marco do reflexo das características parnasianas na obra de Alberto de Oliveira está no seu segundo livro “Meridionais”, publicado em 1884. A partir dessa obra a temática parnasiana está cada vez mais nítida em seus outros livros, como “Sonetos e Poemas” (1885).

O autor faleceu aos 19 de janeiro de 1937, em Niterói (RJ).

Abaixo um trecho do soneto “Vaso grego” em que há a nítida exaltação da forma e da métrica rígida.

“Depois... Mas o lavor da taça admira,


Toca-a, e, do ouvido aproximando-a às bordas


Finas hás de lhe ouvir, canora e doce,

Ignota voz, qual se da antiga lira


Fosse a encantada música das cordas,


Qual se essa a voz de Anacreonte fosse.”

Obras: Poesia: Canções românticas (1878), Meridionais (1884), Sonetos e poemas (1885), Versos e rimas (1895).

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A Leitura



Lê-se muito mal e os que desejam se instruir, a maioria lê muito mal. - Voltaire

Desde que aprendi a ler, e fui descobrindo o prazer de desvendar pequenos símbolos em sentimentos e percepções, nunca mais consegui largar um livro tornando-me parte de uma grande família, a dos livreiros.

Sempre estamos sozinhos em quase todas as experiências de vida, menos no ato de ler.

Na Alemanha alguém pode se emocionar com a Menina que roubava Livros da mesma forma como eu no Brasil fiquei comovido com a história de uma menina corajosa narrada pela morte.

Ou exemplos mais específicos, como um tecelão lendo os desenhos em seu tapete, o psiquiatra lendo os sonhos pertubadores de seus pacientes e assim ajudando-os.

Então a pergunta que é por que lemos ? É para nos instruir?

É para julgar uma obra ? É para desfrutar dela ?

Se for para nos instruir devemos ler bem devagar, com uma caneta ao lado para anotarmos tudo o que o livro nos ensina e em seguida, reler bem devagar tudo o que escrevemos.

Assim formamos uma idéia geral do autor e de sua obra, assimilamos suas idéias comparando com as nossas, analisamos o momento em que a obra foi escrita, entendendo a história de uma geração.

Como livreiro ensinamos o cliente a ler a obra sob um diferente ponto de vista, fazendo uma introdução útil à obra convidando o cliente a ler ou reler, ou repensar de acordo com seu ponto de vista, a sua abordagem.

No caso do cliente não ter lido, a pergunta que puxará toda a curiosidade é Pense Nisso.

No outro caso, para a releitura, seria Você já pensou nisso ?

Bonald, político e filósofo francês, um grande opositor da Revolução Francesa via tudo em grupos de três, sendo assim podemos à partir de suas idéias criar uma nova tríade formada pelo autor, leitor e o livreiro, que é o mediador.
 
Se saber ler é uma arte, e vender um livro é apoteose sem igual, na minha opinião o livreiro se iguala ao crítico literário, sendo que os dois sabem ler e ensinam os outros a ler.
 
Ler é associar a história descrita no livro com a sua própria, é concentrar as preferências literárias em uma identificação absolutamente pessoal e apaixonada, é acima de tudo, criar um universo paralelo onde tomamos o autor como amigo íntimo que detalhadamente nos confidencia seus maiores segredos.
 
Parafraseando uma teoria de Italo Calvino ( Um dos meus autores preferidos) sobre os clássicos :  
 
E não se preocupe ou se envergonhe de não ter lido os chamados clássicos, ler pela primeira vez um grande livro com mais idade, seja ele Odisséia de Homero ou Kafka, é um grande prazer, maior até do que descobrir um grande livro na juventude, já que na idade madura podemos apreciar e degustar os mínimos detalhes, com todos os níveis que possa existir.
 
Crie seu clássico, aquele livro que não o deixa indiferente à história e é só nas leituras desinteressadas que pode acontecer de se deparar com aquele que se torna seu clássico.
 
Leia, absorva e acima de tudo, compartilhe esse vício inebriante com todos.
 
Marcello Lopes

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Para começar a semana bem....



Efêmera Vida

Se pudéssemos ter consciência do quanto nossa vida é efêmera, talvez pensássemos duas vezes antes de jogar fora as oportunidades que temos de ser e de fazer os outros felizes.

Cuidamos muito pouco de nós mesmos e do outros. Nos entristecemos por coisas pequenas perdendo minutos e horas preciosas, às vezes anos. Nos calamos quando deveríamos falar, falamos demais quando deveríamos ficar em silêncio.

Não damos o abraço que tanto nossa alma pede, porque temos medo da aproximação, da intimidade, não damos um beijo carinhoso porque não estamos acostumados com isso e não dizemos que gostamos de alguém porque achamos que essa pessoa automaticamente sabe o que sentimos.

E assim passam-se os dias, as noites e continuamos os mesmos, fechados em nós, reclamamos do que não temos, achamos que não temos o suficiente, cobramos dos outros, da vida.

Costumamos comparar nossa vida com aqueles que tem muito, e não com aqueles que não tem nada. E se comparássemos com eles, a diferença seria enorme, não ? O tempo passa, passamos pela vida e não vivemos, apenas sobrevivemos.

Até que inesperadamente, acordamos e olhamos para trás, e nos perguntamos o que foi feito de nossa vida ?

E agora ? Agora, hoje é tempo de reconstruir alguma coisa, de dar aquele beijo, um abraço, de dizer uma palavra amigável, nunca se é velho demais, nem jovem demais para se amar, para se dizer uma palavra gentil ou fazer um gesto carinhoso.

Não olhemos para trás, o que passou...passou ! Se perdemos algo, paciência. . .

Ainda é tempo de apreciar as flores, de voltar-se para Deus, para essa vida mesmo que efêmera, mas que ainda está em nós.

Autoria Desconhecida.

sábado, 14 de novembro de 2009

Rapidinhas do Mercado Livreiro

1) A queda nas vendas da Feira do Livro de Porto Alegre pode estar relacionada ao sumiço da tradicional lista de mais vendidos. Ou de mais comprados. No ano passado, por falta de verbas, a Câmara Rio-Grandense do Livro não realizou a pesquisa para levantar as obras. A atitude gerou um sinal: neste ano, a pesquisa está sendo feita, mas só será divulgada após o final do encontro literário. “Foi um efeito colateral positivo. Recebi informação de vários expositores de que os leitores voltaram a buscar o livreiro como agente de leitura.

Vimos a possibilidade de diminuir a pressão pelos livros das listas, aumentando a diversificação de exposição e diminuindo a homogeneização das vitrinas”, comenta João Carneiro, presidente da Câmara. Ele desconversa quando se tenta vincular a lista à queda nas vendas. “A comercialização não é nosso único objetivo.

Queremos estimular novos leitores e manter uma bibliodiversidade”. Ivan Pinheiro Machado, da L&PM Editores, sente falta da lista. Lembra que a principal característica da Feira é cultuar seus heróis, e a lista confirmaria isso. Heróis é como ele chama os autores locais.

2) Principal reclamação dos habituais frequentadores da Feira do Livro de Porto Alegre, a falta de variedades nas bancas da Praça da Alfândega é reflexo de um dos pontos internos mais controversos da própria organização da Feira: a surda disputa interna entre livreiros de um lado e distribuidoras e editoras de outro.

Pelo mesmo motivo, algumas livrarias tradicionais da cidade já debandaram da Praça. “Quem fica de porta aberta com chuva, sol, inverno e verão são as livrarias, mas chega a Feira do Livro todo mundo quer ter banca na Praça, inclusive o distribuidor, que aí coloca só o que ele considera “filé”: o best-seller.

Por isso, as bancas são tão iguais, e, se um outro tipo de livro estoura, já teve distribuidor que segurou para ele sem repassar às livrarias”, comenta Lu Vilella, da Bamboletras, que há três anos decidiu não participar mais da Feira e manter a livraria, no Centro Comercial Nova Olaria, com os mesmos descontos da Praça.

3) Na semana passada, a Fnac abriu em Ribeirão Preto a sua segunda loja no interior de São Paulo. Neste ano, essa será a única inauguração da varejista francesa de aparelhos eletrônicos, livros, CDs e DVDs no País, na qual foram investidos R$ 15 milhões.

A vinda da Fnac ao Brasil, no fim dos anos 90, causou frisson e a rede era vista na época como uma das grandes promessas transformadoras do varejo brasileiro. No entanto, a rede avançou a passos bem mais lentos do que se previa inicialmente: nesses 11 anos, a Fnac só chegou agora a nove lojas. E o Brasil continua sendo o único mercado fora da Europa e a única economia emergente onde a varejista fincou sua bandeira.

A partir de 2010, a varejista quer, finalmente, acelerar o ritmo de expansão no Brasil. "O objetivo é abrir duas ou três lojas por ano", diz Pierre Courty, executivo francês que preside a Fnac desde que a companhia desembarcou no Brasil. A Zona Sul do Rio de Janeiro e Belo Horizonte são dois locais onde a Fnac está à procura de endereços e, possivelmente, onde a rede abrirá unidades no ano que vem.

Fonte: Publishnews

quinta-feira, 12 de novembro de 2009



O escritor Stephen King atrasou o lançamento de seu novo romance "Under the Dome" (ainda sem versão nacional) em formato digital, pois quer ajudar as livrarias pequenas. O livro começou a ser vendido no último dia 10 nas livrarias norte-americanas, mas só será lançado em formato digital a partir de 24 de dezembro.

O autor não é contrário aos e-books, tendo lançado diversos volumes como "Riding the Bullet" e "Ur" digitalmente antes de no formato impresso e sendo um fiel dono de um leitor digital "Kindle", mas afirmou em uma entrevista ao "The Wall Street Journal" que queria ajudar livrarias menores a vender seu livro e ganhar algum dinheiro. Ele afirmou que os vendedores de e-books, por possuírem custos de produção e distribuição muito reduzidos, acabam tendo uma vantagem competitiva sobre as livrarias convencionais.

De fato, grandes best-sellers como o de King acabam sendo colocados em pré-venda por menos de 10 dólares, preço impossível para as livrarias menores, especialmente com uma guerra de preços entre gigantes como Wallmart, Target e Amazon.
Outros autores norte-americanos estão adotando a mesma estratégia para capitalizar as vendas de fim de ano. As memórias de Ted Kennedy e Sarah Palin também tiveram o seu lançamento digital atrasado para aquecer a venda dos livros impressos.