terça-feira, 30 de junho de 2009

Ataque mata 27 durante saída americana do Iraque

Pelo menos 27 pessoas morreram e mais de 40 ficaram feridas nesta terça-feira, 30, na explosão de um carro-bomba em Kirkuk, no norte do Iraque, informaram autoridades locais.

A explosão ocorre em um dia no qual os iraquianos celebram a retirada das tropas americanas das zonas urbanas das principais cidades do país árabe.

No ataque, um carro repleto de explosivos foi estacionado perto de um movimentado mercado de Kirkuk, cidade onde há tensão étnica, disse o general de polícia Sarhat Qadir.

De acordo com ele, pelo menos 40 pessoas ficaram feridas no ataque. O atentado causou grande destruição em lojas e em postos de vendedores ambulantes. Após a explosão, as forças de segurança cercaram a área para facilitar a transferência das vítimas aos hospitais.

O atentado coincide com a finalização da retirada das tropas dos EUA dos centros urbanos iraquianos, que, a partir de agora, passarão para controle iraquiano, segundo o acordo de segurança assinado em dezembro do ano passado entre Washington e Bagdá.

A retirada está sendo comemorada pelos iraquianos e primeiro-ministro, Nouri Al-Maliki, declarou esta terça-feira um feriado, o Dia Nacional da Soberania. Na capital, Bagdá, foi organizada uma grande festa para marcar a véspera da retirada, na segunda-feira.

Autoridades americanas e iraquianas afirmam que a atual onda de violência - que deixou mais de 250 mortos na última semana - busca sabotar o progresso obtido pelo governo do Iraque no último ano, e acusam a rede terrorista Al-Qaeda de estar por trás dos atentados.

Hoje, os insurgentes contam com bem menos apoio do que durante o início da ocupação americana, em 2003, por causa do enorme número de iraquianos mortos em ataques de grupo rebeldes.

A remoção das forças americanas das cidades iraquianas faz parte de um plano mais amplo que culminará na total retirada das tropas dos EUA do Iraque até 2011.

Apesar da retirada das tropas americanas das cidades e centros urbanos, soldados americanos continuarão atuando junto às forças iraquianas, fora dos limites das cidades e prontos para intervir se forem chamados pelas forças iraquianas.

Comandantes das forças americanas afirmam que a segurança e a estabilidade estão melhorando no país, e que as forças iraquianas estão prontas para assumir as tarefas de segurança.

Porém, horas antes do início da retirada, à meia-noite, quatro soldados americanos foram mortos em combate. Segundo a BBC, os militares americanos informaram que os quatro soldados serviam em Bagdá, mas não deram mais detalhes. Eles morreram devido a "ferimentos relacionados a combate", de acordo com declaração oficial.

Cerca de 131 mil militares americanos estão no Iraque e a previsão é de que pelo menos 128 mil deles permaneçam no país até as eleições nacionais iraquianas, previstas para janeiro do ano que vem.

A retirada das cidades acontece dois anos após o grande aumento no número de tropas no país entre fevereiro e junho de 2007, quando o total de soldados americanos no Iraque chegou a 168 mil. Apesar da diminuição na violência, nos últimos meses houve novos ataques.

-> Essa é a herança que os americanos deixam nos países que invadem.

A política americana de distribuir a "democracia" para países que eles acreditam ser não-democráticos levam milhares de civis à uma situação desesperadora, a invasão do Iraque com a
desculpa de procurar bombas de destruição em massa, que nunca existiram e que os americanos já sabiam antes mesmo de desembarcar no país.

Os contratos com empresas petrolíferas estavam prontos antes mesmo de serem disparados os primeiros mísseis, e Deus sabe o quanto foi roubado daquele país.

Além do petróleo roubado, inúmeros manuscritos e livros de valor incalculável foram destruídos ou saqueados das bibliotecas públicas, bem como moedas, pinturas dos museus.

E agora com a mudança de comando, a herança do maldito Bush ( que ele queime no inferno) obrigou Obama e seus assessores a simplesmente deixar o problema nas mãos dos despreparados iraquianos com um problema imenso que não é só a reconstrução do país, mas como lidar com a rivalidade étnica de séculos entre diversas tribos no país.

Infelizmente o Iraque não tem um futuro muito promissor, já que assim que os americanos embarcarem rumo à América, o conflito irá apenas mudar de protagonistas.

E nenhum país aliado irá ter a decência de intervir.

Marcello Lopes

Human Rights Watch acusa Israel por ataques teleguiados a Gaza

Aviões israelenses não-tripulados, equipados com mísseis, mataram ilegalmente pelo menos 29 civis palestinos durante a guerra na Faixa de Gaza, afirmou nesta quinta-feira a entidade Human Rights Watch.

Apesar de possuírem dispositivos avançados de vigilância, os operadores dessas aeronaves não tiveram a cautela apropriada, "como determinam as leis de guerra", para verificar se seus alvos eram combatentes, disse a entidade, que monitora os direitos humanos e tem sua sede em Nova York.

A Human Rights Watch divulgou um relatório de 39 páginas que aponta seis supostos ataques por esses aparelhos, operados por controle remoto.

Israel tem uma frota de aviões teleguiados de espionagem, também conhecidos como Veículos Aéreos Não-Tripulados (UAVs, na sigla em inglês), mas se recusa a confirmar ou negar que alguns desses aparelhos também carreguem armas, como se supõe.

Os militares israelenses questionaram os métodos de pesquisa da Human Rights Watch -- crítica endossada por alguns peritos independentes -- e afirmaram em um comunicado que as ações de Israel "estão em conformidade com a lei internacional, bem como as armas e munições que o país utiliza."

Israel lançou em dezembro e janeiro uma ofensiva para conter o lançamento de foguetes por militantes da Faixa de Gaza, território governado pelo grupo Hamas, e vem enfrentando críticas do exterior pela matança de cerca de 1.400 palestinos, durante os combates.

A Human Rights Watch fundamentou sua descoberta principalmente no exame dos destroços de ataques com os mísseis israelenses Spike, que são disparados pelos teleguiados, segundo a entidade.

O relatório também pede a Israel que publique fotos das imagens de observações feitas pelos aparelhos não tripulados, para mostras como os alvos são identificados.

O fabricante estatal do Spike, a Rafael Advanced Defense Systems Ltd., diz que o míssil, exportado amplamente, pode ser disparado de helicópteros e unidades navais e de infantaria.

Ao lhe perguntarem como é possível saber que os Spikes tinham sido lançados por aviões teleguiados, o analista militar sênior da Human Rights Watch, Marc Garlasco, citou depoimentos de palestinos que disseram ter visto ou ouvido o barulho dos aparelhos não tripulados.

PROVAS QUESTIONADAS
O valor dessas provas foi questionado por Robert Hewson, editor da Jane's Air-Launched Weapons, publicação especializada em armamentos.

Hewson disse que embora aviões teleguiados voando a baixa altitude sejam vistos com frequência, o aparelho pode alcançar alturas operacionais de 4.000 metros, que dificultariam sua visibilidade.

O lançamento de um míssil nessa altitude provavelmente não seria perceptível a olho nu.

Garlasco disse não saber a qual altitude estavam os aviões descritos no relatório da Human Rights Watch.

Ele também afirmou que dois dos incidentes mencionados no relatório ocorreram no fim da tarde ou à noite -- um obstáculo a mais para o testemunho ocular.

"A Human Rights Watch faz uma porção de alegações ou suposições sobre armas e aviões teleguiados, das quais todas são bastante especulativas porque temos muito poucas provas", disse Hewson.

Segundo Garlasco, moradores ouviram o ruído dos instrumentos propulsores dos aviões teleguiados durante os supostos ataques aéreos em vez dos rotores que poderiam indicar que os mísseis foram disparados de helicópteros.

O coronel reformado do Exército britânico Richard Kemp, veterano do Iraque e Afeganistão, pôs em dúvida a possibilidade se serem feitas essas distinções, considerando entre outros fatores que o alcance do Spike é de oito quilômetros -- suficiente para deixar navios ou helicópteros fora do alcance auditivo.

-> O que a organização deve provar ou não já não é tão importante.

A comunidade internacional TEM QUE se mobilizar e confrontar Israel na questão do genocídio palestino, pois um ataque palestino é condenável sob todas as formas, inclusive prefiro o ataque à militares que podem se defender ( uma briga justa, acredito) e não à crianças e mulheres civis.

Mas o que Israel faz é um absurdo e acredito que se não fosse um país aliado e financiado pelos EUA, provavelmente estaria na mesma posição que o Irã ou pior.

As retaliações são incrivelmente desproporcionais, um ataque israelense geralmente mata dezenas e fere centenas de pessoas, além do prejuízo material.

E a pergunta que fica sempre repetindo é :

- Até quando isso ?????

Coreógrafa alemã Pina Bausch morre aos 68 anos


A coreógrafa alemã Pina Bausch, considerada uma das artistas mais famosas e revolucionária da dança moderna, morreu nesta terça-feira, 30, aos 68 anos, informou o Tanztheater Wuppertal, onde construiu boa parte de sua carreira. Recentemente, foi diagnosticado um câncer na coreógrafa.


"Pina Bausch morreu na manhã desta terça-feira, 30, no hospital, de uma morte repentina e rápida, cinco dias após receber o diagnóstico de um câncer", disse a porta-voz do teatro Wuppertal, Ursula Popp, em um comunicado.

Segundo Popp, Pina foi internada no hospital para fazer exames, devido a um estado de fatiga intensa.


No domingo, ela esteve em cena com sua companhia, fundada por ela em 1973, e que influenciou dançarinos do mundo inteiro. Quando saiu pela última vez para receber a grande ovação do público que a aplaudiu de pé, ninguém sabia que se tratava de sua despedida definitiva. Ela viria ao Brasil novamente em setembro, na programação da Temporada de Dança do Teatro Alfa.


Estilo


Nascida em Solingen, no oeste da Alemanha, em 27 de julho de 1940, Pina foi a criadora de novas formas e estilos no teatro de dança, nos anos 70, que dez anos depois chegou a ter a mesma importância que o teatro dramático na Alemanha.

Iniciou sua formação como bailarina em 1955 na recém fundada Folkwangschule de Essen, criada e dirigida por Kurt Joos. Em 1959, se mudou para os EUA, onde ficou três anos estudando e passou pela conceituada escola de dança norte-americana Juilliard. Ao voltar para a Alemanha, em 1962, começou uma carreira brilhante que supunha uma revolução no teatro de dança.

Pina Bausch esteve no Brasil cinco vezes, e uma de suas coreografias que marcou e comoveu a plateia foi Cravos, apresentada no Teatro Municipal do Rio, quando o teatro foi coberto por mais de 7 mil cravos, em 1997. Dez anos depois, voltou ao Teatro Alfa, para apresentar a coreografia Água, inspirada no Brasil, e que contava com duas brasileiras participando da companhia, Regina Advento e Ruth Amarante.

Sua última produção havia estreado apenas duas semanas atrás no Wuppertal e buscava uma introspecção no passado do Chile através de uma dança lenta e uma música melancólica. A obra é uma produção de Pina com o Teatro Santiago a Mil e o Instituto Goethe. Pina era casada com um chileno, Ronald Kay.

A peça foi muito bem recebida pela crítica alemã, que viu ressurgir a potencia criativa da coreógrafa, a quem acusaram nos últimos anos de cair na mesmice.

Entre as obras mais conhecidas de Pina estão Adágio - cinco canções de Gustav Mahler (1974); Os Sete Pecados Capitais (1976), uma coreografia baseada em músicas de Kurt Weil e textos de Bertold Brecht; Vem, Dançar Comigo (1977) e Danzón (1995).

Planos

Pina Bauch disse recentemente que tinha muitos planos, entre eles, o de realizar um filme sobre seu trabalho junto com seu amigo e diretor de cinema Wim Wenders.

"Estou desconsolado, porque havíamos decidido realizar nosso velho plano tarde demais", disse Wenders após saber da sua morte. O cineasta destacou que o trabalho artístico de Pina Baush era algo "único" que "enriqueceu e refletiu o nosso tempo como poucos outros."

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Ferdinand Hodler







Honduras e a deposição de presidente



Independente da Espanha desde 1821, Honduras é uma das pequenas repúblicas da parte continental da América Central. Depois de duas décadas e meia de governo militar, o país se redemocratizou em 1982. Nos anos 80, serviu de base para os contras - guerrilheiros que se opunham ao governo sandinista de esquerda na vizinha Nicarágua. Honduras é a segunda nação mais pobre da região.

Com 7,79 milhões de habitantes, tem sua economia é baseada na agricultura, principalmente na exportação de café e banana. O principal parceiro comercial é os EUA, que respondem por 67% das exportações e 52% das importações do país.

O presidente Manuel Zelaya foi eleito em 2005, por uma coalizão de centro-direita. Durante o mandato se aproximou politicamente do presidente venezuelano, Hugo Chávez, o que lhe rendeu perda de apoio político dentro do país .

Dados:
Área: 112,090 (um pouco maior que Pernambuco)
População: 7, 79 milhões de habitantes
IDH: 0,700 (115º no mundo)
PIB: US$ 13.78 bilhões (crescimento de 4% em 2008)


Fonte: CIA World Factbook




-> A pergunta que fica martelando na minha cabeça é :


- Qual a importância de Honduras no mundo ?????


Provável resposta : Nenhuma !!!!!!!!!!!!


Grande coisa, manda os EUA invadir essa ilhota e transformar em shopping.


Marcello Lopes

sábado, 27 de junho de 2009

Evento beneficente reúne chefs em torno do sukiyaki


Acontece, em 4 de julho, a edição 2009 Sukiyaki do Bem, um jantar beneficente que é realizado pelo terceiro ano consecutivo pelo ceramista Hideko Honma, pelo hotel Grand Hyatt São Paulo e pelo chef Adriano Kanashiro.


Neste ano participam com releituras do tradicional prato japonês os chefs Tsuyoshi Murakami (Kinoshita), Alex Atala (D.O.M. e Dalva & Dito) e Adriano Kanashiro (Kinu).


A receita de origem camponesa é preparada em uma panela de ferro própria com legumes, carnes, molhos e outros ingredientes.


No evento, para 350 pessoas, serão expostas 350 assinadas por Hideko Honma e outras 350 pelos artesãos da sua equipe. Ao final do jantar, o convidado levará as duas peças em embalagem especial.


No local estará exposta também a obra "Cardume Iluminado", do artista plástico Lucas Isawa. Uma performance com números de ilusionismo ficará a cargo de Célio Amino e as ikebanas (arranjos florais japoneses) sob a coordenação de Tamako Yoshimoto.


Todo valor arrecadado no evento será revertido para a Assistência Social Dom José Gaspar, mantenedora do "Ikoi no Sono", instituição que cuida de idosos japoneses, e também para a Associação Travessia, responsável por oferecer educação regular às crianças que necessitam de cuidados especiais.

EUA cancelam reunião com premiê israelense em Paris

O governo de Israel anunciou o cancelamento de uma reunião marcada para esta quinta-feira em Paris entre o premiê Binyamin Netanyahu e o enviado especial do governo dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell.

De acordo com o jornal israelense "Yediot Aharonot", os EUA cancelaram a reunião em resposta à recusa de Netanyahu em paralisar a construção de assentamentos israelenses na Cisjordânia.
Mas assessores do premiê afirmam que foi ele quem cancelou a reunião, pois quer que o ministro da Defesa, Ehud Barak, discuta questões importantes com Mitchell antes.

A tensão entre os dois governos aumentou nos últimos meses devido à recusa de Israel em congelar completamente a expansão destes assentamentos.

De acordo com a correspondente da BBC em Jerusalém Katya Adler, o governo americano disse a Israel que os acordos internacionais já fechados obrigam os israelenses a paralisar a construção de assentamentos.

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, já disse várias vezes, inclusive em um encontro com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, em Washington na semana passada, que Israel deve manter o que chama de "crescimento natural" dos assentamentos.

O governo israelense afirma que crianças têm direito a novas escolas e casais recém casados têm direito de comprar suas casas.

Grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que a construção nos assentamentos israelenses vai além disso e acrescentam que o aumento da população de colonos é consideravelmente maior do que a taxa de natalidade nestes locais.

Já os palestinos, segundo Adler, afirmam que Israel estaria "trapaceando".

Adler acrescenta que Netanyahu e Mitchell aparentemente chegaram a um impasse e a tentativa de Israel de conseguir acordo será feita na segunda-feira (30), quando o ministro da Defesa, Ehud Barak, vai a Washington.

-> É realmente incrível o quanto Israel não deseja fazer um esforço para conseguir paz no conflito, além de impedir ações humanitárias na faixa de Gaza ( reconstrução das casas, reforma sanitária), insiste em aumentar os assentamentos em uma clara provocação ao povo palestino.

Para quem não conhece a faixa de Gaza e a situação humilhante que os palestinos vivem, imaginem duas ruas paralelas, muito próximas uma da outra.

De um lado a rua é asfaltada, com água encanada, luz elétrica e todos os confortos possíveis, esse é o lado israelense, do outro lado a rua não tem asfalto, água somente nas cisternas, luz elétrica nem pensar.

E lembrem-se que essa terra NÃO é só dos israelenses !!!!

Até os americanos começam a se irritar com a teimosia judaica em não oferecer medidas e sugestões para apaziguar o conflito.

Eu espero e rezo para que os dirigentes israelenses larguem a lei mosaica e comecem a pensar em Jesus.

A guerra atinge os dois lados de uma maneira ou outra, importante é pensar o que os dirigentes dos dois lados esperam para o futuro.

Marcello Lopes

sexta-feira, 26 de junho de 2009

As obras capitais do pensamento de Lévi-Strauss


As Estruturas Elementares do Parentesco (1949) - Marco fundador da antropologia estrutural, o livro foi escrito durante o exílio nos EUA e sob a direta influência de seus contatos intelectuais e amizade com o lingüista Roman Jakobson.


O conceito que dá título ao livro refere-se aos sistemas de parentesco que prescrevem o casamento com um certo tipo de parentes, ou seja, que classificam os parentes em cônjuges possíveis e proibidos.


A obra é um clássico também por ter substituído, como eixo de análise etnológica, o fato natural da consangüinidade pelo fato cultural da aliança.


Lévi-Strauss, em diálogo com Sigmund Freud, repensa o problema universal da proibição do incesto --fenômeno já não mais interpretado pela óptica da proibição moral, e sim como fator lógico de constituição da sociedade, ao permitir a "transação" de mulheres entre os grupos exogâmicos.


Introdução à obra de Marcel Mauss (1950) - Este ensaio, encomendado pelo sociólogo Georges Gurvitch --mais tarde, bastante hostil às teses de Lévi-Strauss--, vai bem além de sua finalidade imediata, uma apresentação protocolar da coletânea "Sociologia e Antropologia", de Marcel Mauss (ed. Cosac Naify), um dos mais importantes cientistas sociais do século 20.


Lévi-Strauss comenta o vanguardismo de Mauss em aspectos como a correlação entre etnologia e psicanálise, mas também, com ousadia, designa o sobrinho de Durkheim como um Moisés que conduziu o povo à Terra Prometida sem ter tido a oportunidade de entrar nela.


Com essa metáfora bíblica, quis dizer que Mauss, com a teoria da reciprocidade desenvolvida em "O Ensaio sobre a Dádiva" (1925), intuiu descobertas a que a antropologia só pôde chegar mais tarde, com o próprio Lévi-Strauss, graças aos aportes da lingüística estrutural.


Exemplo disso seria o conceito lévi-straussiano de "pensamento simbólico" como lógica inconsciente do espírito humano e matriz universal de possibilidades combinatórias das quais cada sistema cultural faz usos peculiares.


Tristes Trópicos (1955) - Considerada por muitos sua obra-prima, esta autobiografia intelectual relata, entre outros episódios, a vinda de Lévi-Strauss ao Brasil nos anos 1930, juntamente com outros professores franceses, para trabalhar na fundação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo.


Ele comenta o sentido de sua vocação de antropólogo, no contexto de suas decepções com a filosofia "metafísica" dominante nos meios universitários franceses da época.


Menciona a geologia, o marxismo e a psicanálise como as "três mestras" inspiradoras de sua obra, pela percepção que compartilham de que "compreender consiste em reduzir um tipo de realidade a outro".


E tece observações etnográficas que atestam como seu contato com povos indígenas brasileiros foi decisivo na gestação de sua futura teoria estruturalista.


O livro é marcante também pelas digressões sombrias a respeito das perspectivas da civilização mundial, marcada, segundo ele, pelo inchaço demográfico e pela homogeneização cultural.


Antropologia Estrutural (1958) - Coletânea com alguns dos principais escritos de Lévi-Strauss no período entre 1944 e 1956.


São exemplos o programático "A Análise Estrutural em Lingüística e em Antropologia", além de "O Feiticeiro e Sua Magia" e "A Eficácia Simbólica" --textos nos quais apresenta surpreendentes paralelos estruturais entre as figuras do xamã e do psicanalista.


Muitas vezes acusado pelos marxistas de negar a dimensão histórica, dada sua ênfase tanto na sincronia dos fenômenos sociais quanto nas constantes universais da humanidade, o autor francês irá abordar tal problema em "História e Etnologia".


Já em "A Estrutura dos Mitos", o antropólogo relê o mito de Édipo --mencionando a interpretação freudiana como a mais recente "versão" mítica do relato-- e lança as bases teóricas e metodológicas do que, após o parentesco, veio a ser o outro grande campo de aplicação do estruturalismo etnológico: a mitologia.


O Pensamento Selvagem (1962) - Lançado no mesmo ano que "O Totemismo Hoje" --que lhe serve, no dizer do autor, como uma "introdução histórica e crítica", ao analisar uma categoria então fundamental na explicação dos povos ditos primitivos--, é uma espécie de prelúdio às "Mitológicas".


Descartando preconceitos evolucionistas, tais como a noção de "pensamento pré-lógico" (de Lévy-Bruhl), Lévi-Strauss diz ser o pensamento mítico uma "forma intelectual de bricolagem", que recupera num processo contínuo os resíduos de eventos empíricos, e uma "ciência do concreto", tão estruturada, lógica e rigorosa quanto o pensamento científico moderno, e igualmente capaz de formular analogias e generalizações.


Dedicado à memória do filósofo Maurice Merleau-Ponty, se encerra porém com uma célebre ofensiva contra outro expoente do pensamento fenomenológico-existencial: Jean-Paul Sartre.


Na visão dialética da história na obra de Sartre, Lévi-Strauss vê uma outra forma de projeção eurocêntrica e um valioso documento etnográfico acerca da "mitologia de nosso tempo".


Mitológicas (1964-71) - Com base na análise de cerca de 800 mitos ameríndios e inspirado nos moldes da música --que considera semelhantes aos do mito--, essa colossal tetralogia é composta por "O Cru e o Cozido", "Do Mel às Cinzas", "A Origem dos Modos à Mesa" e "O Homem Nu".


Seu objetivo é mostrar "de que modo categorias empíricas, como, por exemplo, as de cru e cozido, de fresco e de podre, de molhado e de queimado etc., definíveis com precisão pela mera observação etnográfica, (...) podem servir como ferramentas conceituais para isolar noções abstratas e encadeá-las em proposições".


Desse modo, seria possível chegar a níveis cada vez mais amplos de generalização e, em última instância, desbravar os fundamentos universais do espírito humano.


O meio para isso, segundo o antropólogo, seria o rastreamento das múltiplas recombinações, permutações e oposições --e não, como na teoria simbolista, significados ocultos de símbolos abstraídos do contexto-- por meio das quais os "mitos se pensam entre si".


Antropologia Estrutural 2 (1973) - Nesta nova coletânea, tem destaque o clássico "Raça e História" (1952) --libelo, escrito a pedido da Unesco, contra o racismo, no qual o antropólogo sintetiza sua visão da história mundial e sua defesa da diversidade cultural.


Cabe mencionar também "A Gesta de Asdiwal", estudo de um mito indígena da costa canadense do Pacífico; "O Campo da Antropologia", aula inaugural do autor no Collège de France, em 1960; e "Jean-Jacques Rousseau, fundador das Ciências do Homem" (1962).


Neste último, o filósofo genebrino é evocado como precursor da etnologia por ter formulado o preceito de que, se para estudar "os homens" é preciso olhar perto de si, para estudar "o homem" é preciso aprender a dirigir para longe o olhar e descobrir semelhanças depois de observar as diferenças.


Dez anos mais tarde, Lévi-Strauss lançaria um novo conjunto de artigos que, segundo suas próprias palavras, poderia ser considerado o terceiro volume da "Antropologia Estrutural", porém batizado de "O Olhar Distanciado".


A Via das Máscaras (1975) -Tomando como referência a arte dos índios da costa noroeste dos EUA, Lévi-Strauss retoma questões fundamentais da estética e da história da arte.


Ele argumenta que o grafismo, a plástica e a cor podem ser entendidos como instrumentos de que um povo, escola doutrinal ou período se utilizam para se distinguir dos seus vizinhos, rivais ou predecessores.


Minhas Palavras (1984) - Lições ministradas por Claude Lévi-Strauss entre 1959 e 1982 no Collège de France e na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais.


Foi nesta escola onde, disse, "minhas idéias sobre a mitologia ganharam forma", o que é testemunhado em especial pelo curso, no ano letivo de 1951-52, dedicado à "Visita das Almas", cujo resumo consta desta coletânea.


Por meio das aulas e conferências aqui publicadas --que versam também sobre parentesco e organização social, entre outros temas--, o leitor pode entrar em contato, portanto, com os movimentos da reflexão lévi-straussiana ao longo do tempo e também com a gênese e esboço de algumas das principais obras do autor --como "O Pensamento Selvagem" e "Mitológicas".


A Oleira Ciumenta (1985) - Nesta nova incursão pelo vasto território dos mitos ameríndios, Lévi-Strauss analisa, em suas analogias nos povos mais diversos, a figura da ceramista (oleira) e as relações desse ofício com o sentimento do ciúme.


No capítulo final, "'Totem e Tabu' Versão Jivaro", o antropólogo francês retoma uma vez mais o diálogo do estruturalismo com a psicanálise. Ele combate, em Freud, a suposta afinidade descoberta entre crianças, neuróticos e primitivos, assim como o monopólio dado ao "código sexual" de decifração dos símbolos míticos e oníricos.


De Perto e de Longe (1988) - Esses diálogos com o jornalista Didier Eribon, juntamente com as entrevistas a Georges Charbonnier, em 1961, estão entre as mais acessíveis introduções a toda a complexidade de um dos maiores antropólogos de todos os tempos.


Lévi-Strauss comenta seu percurso, suas idéias e obras, confessa que gostaria de ter sido autor dramático e constrói um auto-retrato muito revelador.


Por exemplo, em passagens como a que se identifica subjetivamente com o "primitivismo" que lhe fornece boa parte de seus objetos de estudo: "Tenho a inteligência neolítica; não sou alguém que capitaliza, que faz frutificar seu conhecimento; sou antes alguém que se desloca a uma fronteira sempre instável".


História de Lince (1991) - Num esforço de "síntese de reflexões dispersas ao longo dos anos", o autor investiga as fontes filosóficas e éticas do dualismo ameríndio.


Estuda como as lendas da América resistem a fazer com que uma situação inicialmente dual seja reduzida a uma identidade perfeita, sustentando, antes, um dualismo dinâmico e em permanente desequilíbrio.


Nisso o antropólogo desvela uma atitude de "abertura ao outro" que pautou os nativos quando dos primeiros contatos com o branco colonizador, e que é uma conduta oposta à de nossa sociedade --voltada a reduzir o diferente a uma imagem especular de si mesma.


Olhar, Escutar, Ler (1993) - Num dos livros em que mais diretamente se dedica a questões relativas à arte --que, não obstante, sempre teve grande importância em suas investigações etnológicas--, Lévi-Strauss evoca, como matéria-prima de análise, algumas de suas grandes experiências estéticas pessoais --do romance de Proust à música de Rameau e Wagner, passando pela pintura de Poussin.


Reflete sobre um soneto de Rimbaud à luz dos modernos estudos de poética de Roman Jakobson, além de investigar as variações e a possível estrutura comum aos três procedimentos estéticos básicos --olhar, escutar, ler.


Saudades do Brasil (1994) - Lévi-Strauss dizia ser o escopo da sua antropologia um "super-racionalismo" capaz de integrar os níveis do sensível e do inteligível.


Neste álbum fotográfico, que remonta às raízes de sua aventura antropológica, ele dá prova da extrema sensibilidade com que vivenciou e registrou as experiências em terras brasileiras durante os anos 1930.


Seja pelas imagens de uma São Paulo a caminho de se converter em metrópole industrial e financeira, seja pelas cenas da vida cotidiana de tribos do Centro-Oeste, o livro é testemunho precioso e elegíaco de uma época (pessoal e coletiva) soterrada pelo tempo e pelo processo histórico hegemônico.


Em 1995, o autor lançaria um segundo livro do gênero, "Saudades de São Paulo".


CAIO LIUDVIK

Soldado israelense capturado será levado ao Egito


O soldado israelense Gilad Shalit, capturado por militantes palestinos na Faixa de Gaza há três anos, será transferido para o Egito nas próximas horas ou dias, disseram fontes diplomáticas da Europa ao jornal Haaretz nesta quinta-feira, 25.


foi capturado no dia 25 de junho de 2006, quando participava de uma patrulha perto da fronteira de Israel com a Faixa de Gaza. Três organizações palestinas assumiram a responsabilidade pela captura de Shalit â€" o Hamas, o Comitê de Resistência Popular e o Exército do Islã â€" porém, poucos meses depois, o braço armado do Hamas assumiu as negociações relacionadas à libertação do soldado.

Durante os três anos de negociações intermediadas pelo Egito, o Hamas não concordou em alterar as suas exigências, que incluem a libertação de cerca de mil prisioneiros palestinos em troca de Shalit. Entre esses mil prisioneiros estão 450 descritos por Israel como "prisioneiros com as mãos manchadas de sangue", como, por exemplo, responsáveis por atentados que mataram centenas de civis israelenses.


A pressão sobre o governo foi reforçada com os resultados de uma pesquisa de opinião divulgada pelo maior site de noticias do país, o Ynet, que disse que 69% dos cidadãos judeus israelenses apoiam a libertação de prisioneiros palestinos, inclusive prisioneiros que estiveram envolvidos na morte de israelenses, em troca do soldado.


O governo israelense respondeu à captura de Shalit com incursões na Faixa de Gaza que resultaram na morte de mais de 2,5 mil palestinos.


Pelo menos 10 mil palestinos ficaram feridos, milhares perderam as suas casas, e Israel endureceu o bloqueio à Faixa de Gaza, levando a região a uma profunda crise econômica e social.

O governo israelense anunciou que não vai suspender o bloqueio enquanto Gilad Shalit não for libertado e que não permite a entrada de cimento e ferro na Faixa de Gaza , impedindo a reconstrução da região, que foi gravemente danificada pela última ofensiva israelense, em janeiro deste ano.


-> Fico me perguntando quem é o verdadeiro terrorista dessa história ????


Os grupos de resistência erram ao meu ver em atacar a população civil israelense, deveriam atacar apenas alvos militares, assim seriam poupados as crianças e mulheres civis de mortes estúpidas.


E o povo palestino seria poupado do massacre que os judeus promovem com a justificativa de responder á altura os ataques.


Veja apenas os números dados nessa reportagem :


- 2.500 mortos por causa de 1 soldado sequestrado !!!!!


- 10.000 feridos por causa de 1 soldado sequestrado !!!


- Uma cidade inteira destruída por causa de 1 soldado sequestrado !!!


O embargo de areia e cimento para que não se reconstrua a cidade é de uma maldade excepcional !!!


Isso é proporcional ?????


Acredito que seja apenas uma desculpa para o plano de limpeza étnica que Israel promove desde que se estabeleceu na Palestina.


E a lei de Moisés ainda prevalece em Israel, infelizmente eles não aprenderam nada com o sofrimento imposto pelos alemães, de vítimas se tornaram algozes.


Marcello Lopes

Coreia do Norte adverte para risco de guerra nuclear

A Coreia do Norte alertou nesta quinta-feira, 25, que "nuvens negras de guerra nuclear" pairam sobre a península coreana e prometeu reforçar seu arsenal atômico para marcar o aniversário da Guerra da Coreia (1950-1953).

O jornal Rodong Sinmun, do partido comunista, afirma ainda que uma nova guerra pode irromper a qualquer momento e que o norte continuará a reforçar seu arsenal nuclear. "Enquanto a política hostil dos EUA continuar, jamais suspenderemos nossa defesa nuclear e vamos até reforçá-la".

O jornal acusou os EUA e sua aliada Coreia do Sul de tentarem provocar uma nova guerra com uma ampliação do "guarda-chuva" nuclear sobre o sul. "Uma situação perigosa foi criada na península coreana...

Com nuvens negras de uma guerra nuclear pairando à medida que as horas avançam", diz o jornal num longo editorial publicado a propósito do aniversário da Guerra. O país comunista diz ainda considerar que a oferta de proteção nuclear dos Estados Unidos à Coreia do Sul é motivo suficiente para que o regime norte-coreano deseje obter armas atômicas.

Desta forma, a Coreia do Norte responde a um dos principais acordos da cúpula que aconteceu na semana passada em Washington entre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e seu colega sul-coreano, Lee Myung-bak, na qual adotaram uma postura unificada contra Pyongyang.

Na reunião, os EUA se comprometeram pela primeira vez a proteger a Coreia do Sul com seu "guarda-chuva nuclear" e armas estratégicas em caso de um ataque atômico norte-coreano, depois que o país comunista fez seu segundo teste nuclear em 25 de maio.

"Não pretendemos nem queremos obter de ninguém o estatuto da potência nuclear. O poder de dissuasão nuclear é para enfrentar a ameaça dos EUA e é um direito soberano para salvaguardar nosso regime e o povo", ressaltou o jornal norte-coreano.

No entanto, a publicação oficial norte-coreana disse que a Coreia do Norte utilizará sua capacidade atômica para responder a uma agressão.

O jornal qualificou a cúpula entre Obama e Lee de um "beijo asqueroso entre amo e servo", e lembrou que a data da realização da reunião coincidiu com o aniversário da primeira cúpula intercoreana realizada em 2000 em Pyongyang, que iniciou um processo de reconciliação das duas Coreias.

Sobre a recente proposta do presidente sul-coreano de realizar o diálogo nuclear de cinco lados sem contar com a Coreia do Norte, Pyongyang acrescentou que a reunião de seis lados para o desmantelamento nuclear do país já é algo que não faz sentido.

A Coreia do Norte abandonou este diálogo, do qual participavam EUA, China, Japão, Rússia e as duas Coreias, quando o Conselho de Segurança da ONU condenou o lançamento de um foguete de longo alcance norte-coreano, em abril.

A Guerra da Coréia começou em 25 de junho de 1950, quando a Coreia do Norte invadiu o sul. O conflito terminou com um cessar-fogo, e não com um acordo de paz, o que ainda deixa o norte comunista e o sul capitalista tecnicamente em guerra.

As autoridades acreditam que o norte vai disparar mísseis de curto ou médio alcance a partir de sua costa leste nas próximas duas semanas, após avisar os barcos estrangeiros para que se afastem de uma área específica durante o período.

-> Para se ver o disparate no mundo, todos podem ter ogivas nucleares menos a Coréia do Norte, até os judeus tem ( 200 ogivas) e ninguém reclama !!!!

Aliás, é bom que se diga que os americanos não ganharam a Guerra da Coréia e que hoje em dia os norte-coreanos são muito mais bem equipados e preparados do que os soldados iraquianos.

Por isso que os americanos não fizeram nada até agora.

Marcello Lopes

Michael Jackson morre


O cantor Michael Jackson morreu após sofrer uma parada cardíaca e ser levado às pressas Centro Médico UCLA em Los Angeles nesta quinta-feira, 25, segundo fontes da agência Associated Press.


Segundo o jornal Los Angeles Times, o Corpo de Bombeiros recebeu uma ligação por volta das 12h26 (no horário local), mas o astro pop não estava respirando quando os paramédicos chegaram à sua mansão em Holmby Hills.


Recebeu uma massagem cardiorrespiratória antes ser levado ao hospital, disse o capitão Steve Ruda.


Lá, um time de médicos tentou novamente ressuscitá-lo por mais de uma hora.


Considerado o rei do pop que mudou o mundo com seu ritmo e danças exuberantes, autor de Thriller, música que dá título a um dos discos mais vendidos da história - 100 milhões de cópias -, tinha 50 anos.


O cantor vendeu mais de 750 milhões de discos e recebeu 13 prêmios Grammys.


-> Para mim, Michael Jackson morreu há muitos anos, quando infelizmente começou a renegar sua condição de negro, infelizmente não se pode negar o talento artístico e o poder de arrebanhar multidões para seus shows.


Diferente de Madonna que usa o polêmico para vender, ele nunca precisou usar a mídia dessa forma.


É uma pena ver no que se transformou um jovem talentoso que teve a infância negada pela ambição de um pai abusivo e controlador, o desequilíbrio de Michael vem dessa época.


Só nos resta lamentar e fazer uma prece para que ele encontre no plano espiritual consolo e amparo.


Marcello Lopes

Morre a atriz Farrah Fawcett


Atriz Farrah Fawcett, que ficou famosa por seu papel na série As Panteras, e que nos últimos três anos lutava contra um câncer, morreu na quinta, 25, aos 62 anos de idade, segundo informou o canal de televisão CNN.


Farrah morreu em Santa Mônica, em Los Angeles, onde foi internada na segunda-feira passada vítima de um câncer anal descoberto há três anos e que tinha se espalhado para o fígado.


Foi transferida para uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) na manhã da quinta, por causa do agravamento de seu quadro clínico, segundo divulgaram os jornais de Los Angeles.


-> Os ícones dos anos 70/80 estão nos abandonando....

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Ismail Kadaré vence Príncipe de Astúrias de Literatura

O albanês Ismail Kadaré, 73, um dos escritores europeus de maior destaque no século 20, venceu nesta quarta-feira (24) o Prêmio Príncipe de Astúrias de Literatura 2009, divulgado na cidade espanhola de Oviedo, pela "beleza e pelo compromisso" de sua criação literária.

Concorriam com Kadaré na fase final do prêmio o holandês Cees Nooteboom, o italiano Antonio Tabucchi, o britânico Ian McEwan e o tcheco Milan Kundera.

O júri destacou que o autor albanês "narra com linguagem cotidiana, mas repleta de lirismo, a tragédia de sua terra, campo de contínuas batalhas".

"É um prêmio de grande valor, que alegraria qualquer escritor que o recebesse", declarou Kadaré por telefone a partir de sua casa em Tirana.

"Dedico o prêmio à literatura e língua albanesas, desconhecidas no mundo", acrescentou o autor.

Kadaré escreveu "Abril Despedaçado", que serviu de inspiração para o filme de mesmo nome dirigido pelo diretor Walter Salles em 2001 e estrelado pelo ator Rodrigo Santoro.

Na versão cinematográfica, a história se passa no Nordeste brasileiro.

Mais de 30 candidaturas procedentes de 25 países concorreram ao Prêmio Príncipe de Astúrias de Literatura 2009. No ano passado, a vencedora foi a canadense Margaret Atwood.

Autores como Mario Vargas Llosa, Günter Grass, Doris Lessing, Susan Sontag e Amós Oz já foram agraciados com a premiação, que concede 50 mil euros e uma estatueta desenhada pelo artista espanhol Joan Miró ao vencedor.

Os nomes dos ganhadores de seis Prêmios Príncipe de Astúrias 2009 já foram anunciados.

Os prêmios serão entregues no final de outubro pelo príncipe Felipe de Borbón, herdeiro da coroa espanhola, em uma cerimônia em Oviedo.

O Penguin Group colocou no ar na última terça, dia 16, uma rede virtual chamada “From the Publishers Office”, numa tentativa de dar mais visibilidade a alguns livros e autores que muitas vezes acabam passando despercebidos pela grande mídia, além, de é claro, se aproximar mais dos leitores.


A rede terá três “canais”: um de vídeo (The Screening Room) com séries, um de audio (Radio Room) e um de leitura (Reading Room).


Dá pra ficar horas navegando.


E é claro, os links para venda dos livros da editora estão por todo site.


Alejo Carpentier


Filho de um arquiteto francês, trocou os estudos de música e arquitetura pelo jornalismo foi preso por criticar a ditadura governista cubana e começou a escrever na cadeia o seu primeiro romance Ecué-Yamba-Ó (1931) cujo o tema é a vida e a cultura das comunidades negras de Cuba.


De 1928 a 1939 esteve exilado na França onde conheceu o movimento surrealista, apoiou os republicanos e visitou a Espanha durante a Guerra Civil.


Mais tarde, redicou-se na Venezuela, sendo nomeado em 1970 adido cultural cubano em Paris..


Autor de vocação realista e histórica, foi poeta, autor e crítico que abordou ao longo de sua obra o tema da busca da identidade americana, aproximando-se em tempo e espaço da rica realidade do continente.


Considerado o precursor do real maravilhoso ou da realidade maravilhosa americana, como um novo projeto de leitura da realidade controlada pela razão e ao mesmo tempo pela fé, Carpentier descreve e recria a realidade latino-americana, entrelaçando a realidade e o sonho, a razão e a imaginação, história e fábula, vida e morte para conformar uma espécie de tapete mágico e alegórico.


Em sua narrativa, faz uso de uma linguagem eloquente, rica, repleta de matizes erudita.


O percurso intelectual e a formação acadêmica do autor cubano ( jornalista, músico, escritor e diplomata) se fazem presentes em seu pensamento interdisciplinar.


Carpentier trabalha em sua narrativa com manifestações artísticas como a música, pintura, a arquitetura, a dança e o teatro como também com discursos filosóficos, históricos, geográficos, sociológicos e antropológicos, entre outros.


Principais obras :


- O Reino deste mundo


- A Guerra do tempo


- O Século das luzes


- O Recurso do método


- A Harpa e a sombra


Música

A era do rococó clássico, galante, chegaria ao fim com a Revolução Francesa.

Depois dela a vida do artista nunca mais foi a mesma, porque no Classicismo o músico era um empregado da corte que sobrevivia graças aos nobres e era obrigado a escrever músicas para eventos e encontros.

Com a revolução tudo mudou, o músico se transforma em um indivíduo da sociedade, autônomo tendo que lutar para sobreviver, já que o nobre que o pagava não existe mais.

No entanto, ele ganha a liberdade de criar quando e o que quiser, esse é o início do movimento romântico.

Os ideais da Revolução Francesa, "Igualdade, Liberdade e Fraternidade", farão o artista retratar mais a vida do homem comum.

Se os pintores do Classicismo retratavam a realeza e os pintor romântico o homem simples, os compositores românticos se preocuparão mais com eles mesmos, sendo mais individualista como uma maneira de se impor na sociedade.

Muitas vezes o artista que conseguia obter sucesso material com sua arte não era bem visto, sendo considerado um burguês e mercenário, mesmo que sua obra fosse genial como a de Wagner.

O Romantismo direcionou a arte para o sofrimento humano, mesmo tendo surgido do sentimento da alegria e liberdade dos ideais da revolução. Foi como se o artista durante o séc 18 se sentisse tão aprisionado que extravasou isso, liberando sentimentos líricos e heróicos.

Mas a morte e as tragédias humanas também são exploradas numa tentativa de exaltar esses sentimentos.

Os compositores criam novas formas de harmonias musicais como fantasia, rapsódia, balada e poema sinfônico.

As óperas dramáticas são mais exploradas nesse momento, e além disso, destaca-se a sinfonia.

A importância da sinfonia começa com Beethoven, em um mesmo período Haydn compôs 100 sinfonias enquanto que Beethoven apenas 9, porque ele levava quase 2 anos para completar cada sinfonia com um trabalho minucioso e complexo, geralmente sem datas e sem pressões como ocorria no Classicismo.

Esse culto a sinfonia influenciará todos os compositores do séc 19 até chegar nas sinfonias gigantescas e complexas de Bruckner e Mahler.

Praticamente o período romântico é todo germânico, com raras exceções a países como Inglaterra, França e Itália.

Ouçam :

Berlioz - Sinfonia Fantástica

Richard Strauss - Assim falou Zaratustra

Mahler - Sinfonia nº 8

Beethoven - Sinfonia nº 9

terça-feira, 23 de junho de 2009

Andrew Wyeth

Ao morrer, numa sexta-feira, em janeiro desse ano, aos 91 anos, em sua casa de Chadds Ford, Pennsylvania (EUA), após breve enfermidade, o pintor Andrew Wyeth já era uma espécie de monumento nacional americano.

Tão popular era o realista Wyeth, autor de paisagens rurais de sua região, que Snoopy, o cãozinho criado por Charles M. Schulz, não teve dúvida em substituir uma tela de Van Gogh, queimada num incêndio, por uma do mais popular pintor figurativo de seu país numa de suas tirinhas.

Popular, mas visto com maus olhos pelos críticos e historiadores, aliás. Eles não hesitam em compará-lo ao ilustrador Norman Rockwell toda vez que se referem ao artista, quando não dizem simplesmente que sua ingenuidade foi tão gritante quanto a de Grandma Moses (1860-1961), pintora popular que vendia suas telas por dois dólares antes de ficar famosa.

Andrew Wyeth não foi Edward Hopper, mas mereceu análises sérias de pintores como Rothko e exerceu forte influência no imaginário de cineastas como M. Night Shyamalan (especialmente no filme A Vila) e Philip Ridley.

Rothko, por exemplo, observou que Wyeth esteve à beira de um certo estranhamento que poderia ter mudado o rumo da pintura realista americana, não fosse sua resistência em assumir a solidão urbana como o fez Hopper e confrontar a angústia provocada pela desolada paisagem rural americana.

Wyeth sempre deu um jeito de encaixar um elemento nessa paisagem, fosse uma casa ou uma garota, que acenasse com certa esperança no fundo da tela, enquanto Hopper preferiu ser o pintor da solidão da urbe.

À medida que crescia a celebridade de Andrew Wyeth, menos ele pensava em desafiar o olhar do público, acomodado às suas paisagens bucólicas da Pennsylvania e do Maine, inicialmente feitas em aquarela e têmpera.

Seu único ato de ousadia foi o de criar a série de aquarelas e pinturas conhecida como Helga, em homenagem à vizinha europeia Helga Testorf.

Pintada em segredo entre 1971 e 1985, a série de 247 pinturas foi comprada em 1986 pelo milionário americano Leonard E. B. Andrews.

Sem o conhecimento do marido da modelo ou da mulher do pintor, ela foi crescendo até que a enfermeira Helga concordasse em tirar a roupa para Wyeth.

De qualquer forma, não há nada de erótico nessas pinturas. Helga foi só um pretexto para estudos sobre luz, como foram as garrafas para Morandi.

Prova disso são as alterações que fez em seu corpo (numa aquarela, ele a pinta de cabelos escuros para preservar sua identidade), contrariando sua vocação realista. Wyeth começou a pintar cedo por influência do pai ilustrador.

Não frequentou a escola por ser uma criança doente, mas o pai se encarregou de sua formação, colocando em suas mãos poemas de Frost e ensaios de Thoreau sobre a natureza.

A música e o cinema fizeram o resto - e as paisagens de Wyeth revelam muito a influência dos filmes de John Ford.

Wyeth, que expôs pela primeira vez em 1937, passou ao largo das discussões intelectuais que revolucionaram a arte americana e levaram ao advento do expressionismo abstrato nos anos 1950.
Seu olhar denuncia certa nostalgia do mundo rural, incorporando o imaginário pastoral como se fosse um pintor do século 19, um Constable de cores claras e certa inclinação para o transcendentalismo.

Nada disso diminui seu valor. Wyeth foi um bom pintor. E bons pintores são difíceis de achar.

Mais virtual....


A Simon & Schuster fechou um novo acordo com a Scribd, que recentemente lançou a ferramenta de compras on-line.


Os leitores já podem acessar uma vitrine da Simon & Schuster na Scribd Store.


Para começar, cerca de 5 mil títulos de e-books da editora já estão disponíveis no Scribd, nos formatos PDF e em outros formatos ePub, que podem ser lidos no próprio Scribd, em desktops e e-readers.


Diferente dos preços para o Kindle da Amazon, criticados por editores, na Scribd Store, os preços são flexíveis e podem ser fixados pelo vendedor.


O acordo é uma demonstração de que o mercado editorial começa a responder aos avanços digitais sem medo. Além disso, a Publishers Lunch informou, em uma nota, que a editora passa a investir também no público adolescente conectado.


O site Pulse It é uma comunidade virtual voltada para o público na faixa entre 14 e 18 anos, em que os membros podem ler um livro online por mês sem pagar nada.


Os títulos serão uma mistura de lançamentos ou pré-lançamentos, informou o porta-voz da S&S. Quem participar, ganha pontos por resenhas, posts e outras ações nos site, que podem se reverter em livros de graça e outros prêmios.

Nos EUA, a ordem é caçar os leitores em casa !!


As quatorze maiores editoras americanas participam esta semana em Nova York da BookExpo America, a maior exposição de livros do mercado, sem muita confiança no público presente.


É que todas estão apostando firme nas vendas pela internet e querem fazer da mostra uma plataforma para atingir o público que fica em casa.


As editoras amargam fortes quedas de venda causadas pela recessão, mas os números revelam que a divulgação em sites, blogs, vídeos, no Twitter e até em canais de webtv podem amenizar as perdas e acelerar a recuperação.


As vendas de livros em pontos como livrarias e bancas caíram 75% em janeiro e em fevereiro — os meses considerados mais críticos, de acordo com o Nielsen BookScan —, mas no caso de audiobooks ou de ebooks a queda foi de 20%.


Por isto, a palavra de ordem no mercado é “caçar os leitores em casa”.


“Estamos tentando acender a chama da internet e da venda de conteúdo digital porque a retração dos consumidores exige que as editoras busquem leitores em casa”, conta Lance Fensterman, organizador da BookExpo

Netanyahu saúda protestos e critica violência no Irã

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, elogiou na terça-feira os iranianos que protestam nas ruas contra o resultado das eleições presidenciais e disse que o comportamento "agressivo e violento" do governo do Irã tornou o país a maior ameaça à paz mundial.

Eu acho que nós temos que reconhecer que a maior ameaça é o tipo de comportamento agressivo e violento que nós vemos vindo do Irã", disse Netanyahu em uma coletiva de imprensa em Roma. "

O Irã não somente está apoiando seus representantes terroristas que se opõem à paz -- Hezbollah e Hamas --, como também está reprimindo seu próprio povo", disse.

"Eu acredito que a coragem demonstrada pelo povo do Irã de enfrentar as balas nas ruas em nome da liberdade é algo que merece uma saudação dos homens e mulheres livre de toda parte", disse o primeiro-ministro israelense.

Manifestantes se reúnem quase diariamente em Teerã desde que as autoridades afirmaram que o atual presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, havia derrotado facilmente seu principal opositor na eleição, Mirhossein Mousavi.

Mousavi diz que a votação foi fraudada, acusação negada pelas autoridades.

A TV estatal iraniana informou que 10 pessoas foram mortas em confrontos no sábado e a Guarda Revolucionária prometeu na segunda-feira enfrentar a resistência dos "agitadores".

-> Meu Deus !!! Olha quem fala....

Realmente esse judeu não tem vergonha na cara mesmo, o comportamento violento e repressivo do Irã não pode ser julgado pelo seu país que bombardeou um hospital cheio de crianças e velhos, que rouba terreno dos palestinos a cada mês, que por ser aliado dos americanos escapa ileso de qualquer punição da ONU pelos massacres ocorridos no passado, na tentativa FRACASSADA de invadir o Líbano onde matou centenas e destruiu um país inteiro.

Outra coisa, porque você não saúda os palestinos(as) que enfrentam seu exército todos os dias com pedras e paus, enquanto vocês ( covardes !!) os enfrentam de tanque ????

O que esse judeu quer, é apenas uma desculpa pra um possível ataque ao Irã.

Berlusconi não sabia que mulheres em festa eram pagas

A jovem Patrizia D'Addario, que afirmou ter cobrado para passar a noite com o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, entregou às autoridades seis novas gravações com provas do envolvimento com o premiê.

O jornal "La Repubblica" afirma que segundo o apurado em algumas das escutas telefônicas, Berlusconi não sabia que as mulheres cobravam dinheiro para participar de suas festas.

As gravações são de conversas de D'Addario com o empresário Gianpaolo Tarantini, responsável por recrutar mulheres para as festas do primeiro-ministro, e de ligações de Barbara Montereale, uma jovem modelo que participou com ela de alguns dos encontros.

O escândalo explodiu por causa das escutas ordenadas pela Procuradoria de Bari dos telefonemas de Tarantini, investigado por um suposto caso de fraude em seu negócio hospitalar no sul da Itália.

O jornal "La Repubblica" cita ainda um amigo íntimo de Tarantini, Nicola D., conhecido simplesmente como "Nic", que é a pista dos investigadores para provar crimes relacionados com o consumo de cocaína nas festas do premiê.

O diário assegura que "Nic" era o fornecedor de cocaína para as festas de Berlusconi, e que também frequentava os encontros, embora ele tenha confirmado que foi somente uma vez a uma residência do primeiro-ministro.

Segundo fontes da Promotora de Bari citadas pelo diário "Corriere della Sera", Berlusconi falou muitas vezes por telefone com Tarantini.

-> Bem, esse caso é como o do Ronaldo no caso dos travestis. . . . é impossível não saber !!!!

O cara sai com mulheres lindas que fazem todas as suas vontades, e ele pensa que é seu poder de sedução ?????

hahahahahahahahaha

Eu também acredito em Papai Noel, elfos e ninfas !!!

E outra coisa, se você quer ser estrela de tv, político, jogador de futebol, ser aclamado pela mídia, faça suas merdas no conforto e privacidade do seu quarto, não dê a cara pra bater.

sábado, 20 de junho de 2009

Minha leitura



Em seu leito de morte, o grande crítico gastronômico Pierre Arthens é tomado pela última obsessão: lembrar-se do sabor que mais o enfeitiçara.


A viagem aos meandros do paladar começa na infância do protagonista, quando as artes culinárias da avó desabrocharam seu talento, e termina na consagração do profissional que celebrava deliciando uma simples sardinha frita ou um inesquecível sorbet de laranja.


No caminho, ele descreve a descoberta dos sashimis; a sensualidade dos tomates amorosamente colhidos na horta da casa de sua tia; o primeiro gole de uísque; o aveludado erótico da ostra.


Sabores e odores misturam-se na memória do agonizante.


Em contraponto às suas recordações surgem as vozes das vítimas de seu cinismo e egoísmo: a mulher e os filhos, a amante, o aluno, o gato de estimação e até mesmo a concierge Renée, que os leitores de Muriel Barbery conheceram em A elegância do ouriço.


Para idealizar certos cardápios e receitas de A morte do gourmet, romance traduzido em doze línguas, a autora contou com a colaboração de Pierre Gagnaire, um dos mais conceituados chefs da França, agraciado com três estrelas no Guia Michelin.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Amílcar de Castro

Foi gravador, desenhista, diagramador e professor.

Mas foi graças à escultura concreta que fez seu nome. Em Belo Horizonte estudou na Faculdade de Direito da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), de 1941 a 1945, porém não exerceu a profissão por muito tempo.

A partir de 1944, freqüentou curso livre de desenho e pintura com Guignard, na Escola de Belas Artes de Belo Horizonte, e estudou escultura figurativa com Franz Weissmann.

Em 1952, mudou-se para o Rio de Janeiro e trabalhou como diagramador em diversos jornais e revistas. Influenciado pelo artista Max Bill, realizou suas primeiras esculturas concretas, expostas na 2ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1953.

Participou de exposições do grupo concretista, no Rio de Janeiro e em São Paulo, em 1956, e assinou o "Manifesto Neoconcreto" em 1959.

No ano seguinte, participou em Zurique (Suíça) da Mostra Internacional de Arte Concreta, organizada por Max Bill.



Foi para os Estados Unidos em 1968 com uma bolsa de estudo da Guggenheim Memorial Foundation e com o prêmio de viagem ao exterior obtido na edição de 1967 do Salão Nacional de Arte Moderna.


De volta ao Brasil, em 1971, fixou residência em Belo Horizonte.


Tornou-se professor de composição e escultura da Escola Guignard, onde trabalhou até 1977.


Deu aula na Faculdade de Belas Artes da UFMG, entre as décadas de 1970 e 1980. Em 1990, aposentou-se da docência e passou a dedicar-se exclusivamente à atividade artística.



Igor Fiodorvitch Stravinsky nasceu em Oraniembaum (Rússia), perto de São Petersburgo, a 17 (5 pelo antigo calendário) de junho de 1882.


Filho de um conhecido cantor da ópera imperial de São Petersburgo, educou-se em excelente meio artístico e cultural.


Apesar da precoce vocação para a música, foi encaminhado para o curso de direito. Conheceu então o filho de Rimski-Korsakov, passando a estudar com esse último.


Em 1905 abandonou a universidade, ouvinte entusiasmado de suas primeiras obras, Diaghliev convidou-o a colaborar nos balés russos, para os quais compôs O pássaro de fogo, cuja apresentação em Paris (1910) lhe abriu o caminho da celebridade.


Alcançando outro sucesso com Petrouchka (1911), causou escândalo em maio de 1913 com A Sagração da primavera.


A I Guerra Mundial levou-o a mudar-se para a Suíça, voltando à França em 1919. Nessa época, apresentou-se freqüentemente como pianista e regente, enquanto como compositor se voltava para a pesquisa da tradição clássica européia.


Em 1939 perdia a mãe e a primeira mulher, ao mesmo tempo que o início da II Guerra Mundial o fazia trocar a França pelos Estados Unidos.


Nesse país casou-se (1940) com Vera de Bosset e trabalhou durante mais de trinta anos. No começo da década de 1950, encontrou um amigo dedicado na pessoa do jovem regente Robert Craft, que lhe despertou o interesse pela música serial.


Em 1963, após quase meio século de afastamento, Stravinsky visitou a então União Soviética, recebendo carinhosa acolhida do povo russo. Stravinsky morreu em Nova Iorque, a 6 de abril de 1971.


Afirmando-se, ao lado de Bartók e Schönberg, como um dos compositores de maior significação na primeira metade do séc. XX, Stravinsky distingui-se entre seus contemporâneos pelo caráter multiforme, tanto de sua produção, quanto de suas diretrizes estéticas, que refletem as mudanças de meio e vivência sócio-cultural do seu cosmopolitismo.


À medida que se 'desenraíza', que se diversifica em variadas fontes de matéria-prima, cada vez mais seu interesse se concentra no valor da forma, da arquitetura musical, a que traz contribuições vigorosamente renovadoras.


Passando, no mínimo, por três fases bem demarcáveis - a da música de fundo russo, ligada à cooperação teatral com Diaghilev; a do chamado estilo neo-clássico, norteada pela revalorização criativa de princípios e autores da música européia do séc. XVIII; e da adesão do serialismo weberniano.


Stravinsky sustenta e desenvolve em todas elas, como em seus muitos trabalhos de transição, a mesma preocupação de reordenar a arte musical e enriquecê-la com novas técnicas e perspectivas.


Sua imaginação é tão forte quanto sua racionalidade. Propõe-se, antes de tudo, dominar, num processo de depuração e de síntese, os elementos contrastantes de sua experiência, ao mesmo tempo eslava e ocidental.


Stravinsky consegue concretizar esse projeto. De um lado, na atitude anti-romântica, mas rebelde, em que promove a fusão do bárbaro e do moderno, do exótico e do universal; de outro lado, principalmente do Édipo rei (1927) e da Sinfonia dos salmos (1930) em diante, pela solene dualidade greco-romana de seu caminho para a religião, o catolicismo.


Entre uma e outra orientação, tornam-se mais inteligíveis as razões do período em que se volta para a polifonia pré-clássica e, em particular para Pergolesi.


Recuará ainda mais, até a música do séc. XIV, para estruturar a sua surpreendente missa de 1948.


Defendendo a completa funcionalidade da técnica que requer um novo tratamento para cada obra, Stravinsky alcança admirável domínio artesanal, implanta novas combinações instrumentais, conduz um fluxo melódico que incorpora tudo, desde o folclore russo à liturgia da Igreja romana, alarga o espectro de possibilidades da harmonia tonal e confere ao ritmo um relevo extraordinariamente fértil para o desenvolvimento da música contemporânea.


Com sua pluralidade, sua força de tantos entrechoques e contradições, Stravinsky encarna em sua música uma súmula viva das crises e transformações que sacodem o mundo até hoje.


Nenhuma obra de Stravinsky é mais conhecida do que A sagração da primavera.


Compreende-se a perplexidade dos primeiros ouvintes desses quadros da Rússia pagã: a aparente violação de toda a sintaxe musical, a aspereza politonal e do intenso cromatismo das dissonâncias, a poliritmia, o selvagem acento percussivo, a energia vulcânica do colorido orquestral, pareciam desmantelar tudo o que se consagrara de teoria e harmonia musical.


Mas o fascínio da obra, que permanece, acentua-se na identificação aparentemente paradoxal do que sugere o tumulto da vida moderna, com suas máquinas e explosões; nesse sentido, é a recriação sonora do encontro de dois extremos, o primitivo e o contemporâneo.


Na ópera alegórica O rouxinol (1914), Stravinsky satiriza a mecanização da vida moderna. Inscrevem-se na mesma fase a ópera cômica Maura (1921) e o bailado As núpcias (1923), que explora o folclore dos camponeses russos.


Diferente, e de difícil classificação, é A história do soldado (1918), inspirada no teatro ambulante e popular da Rússia.


Concebida como uma espécie de pantomima fantástica, com narrador e orquestra no palco, reitera a crítica do compositor à era das máquinas.


A fase neo-clássica já se manifesta em Pulcinella (1919), bailado baseado em melodias de Pergolesi.


Mais característico ainda é o Octeto para instrumentos de sopro (1923).


Mas é a partir do modelo de Händel que Stravinsky realiza seu Édipo rei, oratório de grandiosa beleza trágica, com texto em latim, de Cocteau.


Em Apollon Musagete (1928), a expressão neo-barroca, de frieza clássica, parte das formas puras da dança.


Trabalho culminante dessa segunda trilha stravinskyana, A carreira do devasso (1951) reúne motivos de Händel, de Mozart, e do canto italiano.


A ópera inspira-se em quadros de Hogarth e dá a medida da relação entre as incursões históricas do autor e sua virtuosidade de estilo.


Até a religiosidade sincera da Sinfonia dos salmos, Stravinsky compôs diversas obras importantes, como o Rag Time (1918) para 11 instrumentos, sob a influência do jazz; a Sinfonia para instrumentos de sopro (1920); a ópera O beijo da fada (1928).


Vem depois o sereno melodrama Perséfone (1934), com texto de André Gide; o Concerto para orquestra de câmara em mi bemol maior (1938), em que Stravinsky integra o estilo de J.S.Bach, prestando-lhe homenagem; a Sinfonia em dó maior (1940) e a Sinfonia em três movimentos (1945); o bailado Orfeo (1947).


A religião vai confluir, pouco a pouco, para o dodecafonismo, através do Canto sacro em honra do nome de São Marcos (1956), Threni (1959), Um sermão, uma narrativa e uma prece (1961), etc.


De influência decisiva nas diversas correntes da música atual, Stravinsky escreveu uma auto-biografia (até 1934), Crônica de minha vida (1935), Poesia musical (1946) e vários livros em colaboração com Robert Craft.

Simmel e a sociedade. . . .

Segundo Georg Simmel, a sociedade é produto das interações entre os indivíduos (concebidos como atores sociais).

Dentro dessa perspectiva, o conceito de sociedade também muda, pois, na concepção corrente, uma sociedade é uma unidade que está limitada a um determinado território ou localidade.

Mas, para Simmel, uma sociedade toma forma a partir do momento em que os "atores sociais" criam relações de interdependência ou estabelecem contatos e interações sociais de reciprocidade.

Desse modo, as fronteiras e limites de uma sociedade são difusos e extremamente transitórios.

Neste ponto, é possível identificar alguma aproximação ou concordância de Simmel com as abordagens sociológicas de Norbert Elias (1897-1990).

Concebendo a sociedade como produto das interações individuais, Simmel formula o conceito de "sociação" para designar mais apropriadamente as formas ou modos pelos quais os atores sociais se relacionam.

É importante destacar que as interações sociais e as relações de interdependência não representam, necessariamente, a convergência de interesses entre os atores sociais envolvidos.

Em seus estudos microsociológicos, Simmel demonstra que as interações sociais podem prefigurar relações conflitivas, relações de interesse mútuo e relações de subordinação (ou dominação).

O conflito, porém, é concebido por Simmel como algo benéfico porque é um momento que sinaliza o desenvolvimento da tomada de consciência individual, que teria uma função positiva para sociedade como um todo, principalmente à medida que o conflito fosse superado, mediante acordos.

O ensaio intitulado "A filosofia do dinheiro" ("Philosophie des Geldes") foi publicado no ano de 1900 e é considerado um estudo representativo da perspectiva sociológica adotada por Simmel.

Neste estudo, Simmel procurou compreender quais as consequências da invenção, introdução e difusão social desse meio de troca (simbólica).

O dinheiro alterou enormemente as relações sociais, provocando efeitos que convergiram para a individualização (ou individualismo) numa fase da história em que as relações tradicionais ou pré-modernas (que se referem ao período do declínio do modo de produção feudal na Europa) estavam em vias de serem superadas pela emergência do modo de produção capitalista.

A difusão do dinheiro provocou uma série de conflitos na ordem social baseada nos costumes e nas relações pessoais, mas, como demonstra Simmel, o dinheiro era reflexo da transformação das interações sociais tradicionais que estavam se dissipando.

O dinheiro carrega o simbolismo do "impessoal", do "racional" e do "individualismo" e se ajusta à modernidade que estava surgindo no mundo ocidental capitalista.

O dinheiro desfez determinados tipos de dependência que se caracterizavam pela pessoalidade, mas criou outros, que se caracterizam pela impessoalidade.

Conforme demonstrou Simmel, a relação de tipo monetária que se tornou predominante na época moderna representa o patamar máximo da individualização humana.

domingo, 7 de junho de 2009

De todas as frases que ressoam do distópico 1984 (Ibep Nacional, 302 págs., R$ 65,90), lançado há 60 anos, no dia 8 de junho de 1949, a mais aterrorizante diz respeito ao pesadelo bélico de seu autor George Orwell.

"Se você quer uma imagem do futuro, imagine uma bota prensando um rosto humano para sempre", escreve em seu clássico que, seis décadas após sua publicação, os regimes totalitários se encarregam de manter atual.

Não fossem as ditaduras que sobrevivem, ainda confirmariam suas proféticas palavras as ameaçadoras câmeras espalhadas pelo planeta, que inclui tanto as de TV como as da web, passando por circuitos fechados e vigilantes olhos eletrônicos que monitoram vias públicas.

Sorte de Orwell ter morrido antes de virar adjetivo - orwelliano - para definir tudo o que há de ruim ligado à ideia do totalitarismo, ao poder absoluto do Estado.

Ele apenas imaginou um mundo controlado por três superestados intercontinentais, mas a extensão da tragédia se revelou maior que no distópico 1984.

No livro, eram simples helicópteros que fuçavam as janelas de subversivos descontentes com o regime do Big Brother - entidade abstrata que comanda a vida de todos os cidadãos por meio de telões instalados nas casas.

Na vida real, há mais de um Grande Irmão a ameaçar a integridade física e psicológica dos irmãozinhos, auxiliados na tarefa por uma diabólica rede de computadores, celulares e microcâmeras instaladas em cada cruzamento de rua.

Na esquina da casa de Orwell, que fica em Canonbury Square, Islington, ao norte de Londres, nada menos do que 32 câmeras controlam cada movimento dos bípedes - e também quadrúpedes - que circulam por ali.

E talvez não seja demais lembrar que a Inglaterra, terra natal do escritor, tem uma câmera apontada para cada 14 habitantes (são 4 milhões delas).

Como se não bastasse, o olho virtual do serviço de um gigante da internet já pode invadir qualquer lar descuidado com suas câmeras abelhudas, tornando real a ameaça de Orwell.

De resto, é só imaginar todo esse arsenal - somado às armas atômicas de destruição em massa - nas mãos de um lunático como o ditador da Coreia do Norte para concluir qual será o fim dessa história. Melhor não.

No livro, ela é manipulada pelo Ministério da Verdade, paradoxalmente um braço do superestado Oceania dedicado a reformular a história e contar mentiras para os milhares de infelizes súditos do Big Brother.

Winston Smith, assim batizado por Orwell em "homenagem" a Winston Churchill, é um funcionário público encarregado de alterar dados e registros jornalísticos que o partido único de Oceania considera perigosos para a estabilidade do regime.

Smith incinera exemplares de jornais e cuida da informação pública até conhecer Julia, sua colega de trabalho. Incentivado a se rebelar contra o partido - chamado no livro de IngSoc, abreviatura de socialismo inglês -, ele descobre tardiamente que sua revolta é incitada por um traidor.

Preso ao lado da companheira, Winston é levado ao nono círculo do inferno, uma sala de torturas conhecida como Quarto 101.

Lá é submetido a eletrochoques e obrigado a confrontar sua pior fobia - ratos famintos presos em uma gaiola a poucos milímetros de seu rosto.

Como se não bastasse, a ratazana chamada O?Brien também o tortura com palavras. Lembra que a Inquisição falhou ao transformar os hereges em mártires.

Também os nazistas e os comunistas russos - que Orwell cita nessa ordem - perseguiram a heresia mais cruelmente que a Inquisição e não tiveram melhores resultados.

Por quê? Porque deixaram que a posteridade julgasse seus atos. O Partido não deixa rastros. Não permite que os mortos se levantem contra eles.

Destroem tudo: a história e a memória pessoal dos rebeldes. Arremata O?Brien: "A posteridade jamais ouvirá falar de ti.

Serás totalmente eliminado da história. Haveremos de te transformar em gás e te soltar na estratosfera. Nada restará de ti.

Não terás existido nunca." Se, no passado, os hereges caminhavam para a fogueira ainda heréticos e as vítimas dos expurgos stalinistas viravam heróis, Oceania consegue o impossível: elimina a prova existencial da passagem de Winston pelo planeta.

No livro, Winston morre com uma bala instalada no crânio.

Na adaptação para o cinema, feita em 1984 pelo diretor inglês Michael Radford (leia texto abaixo), o funcionário público, submetido a uma lavagem cerebral e reciclado num perverso programa de recondicionamento, acaba numa espécie de boteco infecto, bebendo gim e remoendo a culpa por ter traído a única pessoa que amou na vida, Julia, em nome do Grande Irmão.

O sistema não usa apenas esse recurso para converter os inimigos do Big Brother, levados, como o burocrata Winston, a odiar o arquirrival do Estado, Emmanuel Goldstein.

Ex-integrante do Partido, Goldstein rebelou-se e teve o mesmo destino dos subversivos de Oceania - o sobrenome judeu é uma referência direta a Bronstein, verdadeiro nome de família de Trotski, perseguido por Stalin (Orwell apoiou a luta do Partido Operário de Unificação Marxista, milícia de tendência trotskista, contra a ditadura de Franco).

Goldstein pode ser também uma ficção inventada pelo Ministério da Verdade, que só conta mentiras para que o Ministério da Paz promova sua guerra perpétua contra a Lestásia.
Como se vê, as semelhanças com o regime stalinista não são poucas.

Orwell, em seu livro Por Que Escrevo e Outros Ensaios, afirma que tudo o que produziu depois da Guerra Civil espanhola foi "contra o totalitarismo e a favor do socialismo democrático".

1984, assim, seria um manifesto contra os traidores da revolução socialista. Stalin, entre eles.

Um dos aspectos mais assustadores de 1984 é o uso da linguagem para manter sob controle cidadãos condicionados pelo regime a dedicar dois minutos de ódio ao proscrito Goldstein, traidor que "conspurcou" a pureza do Partido ao denunciar num livro - que ninguém jamais leu - as atrocidades cometidas em nome de uma ideologia.

A língua inventada pelos donos do poder em Oceania, a novilíngua, serve não só para demonizar os inimigos do Estado como para controlar o pensamento dos cidadãos de Oceania, submetidos a esse idioma ainda em construção, destinado a expurgar expressões e opiniões contrárias ao regime.

Orwell já alerta para o perigo da uniformização cultural bem antes do advento do mundo globalizado e da padronização linguística imposta pela internet.Não foi sua única profecia. Pela boca do perverso O?Brien, Orwell prevê que, no futuro, não haverá mais curiosidade nem alegria diante do milagre da existência.

Porém, sempre haverá a intoxicação do poder, a sensação de vitória diante dos inimigos dos superestados. Portanto, todo cuidado é pouco. O Big Brother de Orwell ainda está de olho em você.

O som e a fúria de Glenn Gould

"Você toca como um compositor." O elogio, feito ao pianista canadense Glenn Gould (1932-1982), permanece até hoje como o juízo mais certeiro já dirigido a ele.

Seu autor, o compositor americano Aaron Copland, completou de modo ainda mais cirúrgico: "Quando eu o escuto tocar Bach, é como se o próprio Bach tocasse.

"Um dos maiores ícones culturais do século 20, o extraordinário e irascível Gould foi mais do que um pianista.

Levou uma carreira inteira de quebra de paradigmas e olhares para o futuro. Abraçou a tecnologia como nenhum outro músico.

Fez dela o passaporte para uma "presença cultural" intensa, que só se fortalece com o passar do tempo.

Continua sendo - como foi em toda a sua carreira de 27 anos, distribuídos entre 1955 e 1982 - um dos músicos mais discutidos, ouvidos, questionados, cultuados na cena musical.

Está artisticamente mais vivo do que nunca, a julgar pela quantidade de teses e livros que continuam a ser publicados, e pela presença em catálogo de seus cerca de 80 CDs.

Ainda hoje, seus registros das Variações Goldberg, de Bach, contabilizam vendas com números excepcionais.

Por isso mesmo, a Sony brasileira acaba de lançar o álbum triplo A State of Wonder no mercado nacional: o primeiro CD traz a gravação de 1955 das Goldberg para a Columbia, que transformou Gould instantaneamente em celebridade mundial; o segundo traz o que muitos chamam de seu testamento musical, a segunda versão, hipnotizante e bem mais lenta, das Goldberg, realizada em 1981; e no terceiro CD o pianista discute a obra e as duas leituras tão surpreendentemente distintas com o crítico musical Tim Page.

Além disso, o baú de imagens, gravações áudio, programas de rádio e TV do pianista parece mesmo inesgotável. Uma garimpagem nos lançamentos mais recentes no mercado internacional proporciona uma colheita riquíssima e diversificada.

No reino dos CDs, três caixas. A primeira, com seis discos, intitula-se The Young Maverick e resgata as primeiras gravações feitas para a CBC entre 1951 e 1955, ou seja, até ele ser "descoberto" pela Columbia norte-americana e levado a Nova York para gravar Chopin (Gould recusou-se e propôs as Goldberg ao piano moderno, uma heresia num tempo em que Bach só era tocado no cravo).

Dois CDs são dedicados a Bach, inclusive com uma versão prévia das Goldberg, de junho de 1954; em seguida, três CDs só com Beethoven: os três primeiros concertos para piano e orquestra; e preciosidades como as Seis Bagatelas opus 126; o sexto CD é dedicado a Arnold Schoenberg (Concerto para Piano opus 42), Sonata opus 1, de Alban Berg, e as Variações opus 27, de Anton Webern.

A segunda caixa intitula-se O Artista do Rádio. Gould inaugurou o que chamava de "rádio em contraponto", construindo polifonias de vozes faladas e a música de um modo muito pessoal. A caixa mostra, em cinco CDs (selo CBC Records), cinco dos 150 programas produzidos e apresentados por Glenn Gould originalmente na Rádio da CBC de Toronto, entre 1967 e 1977, com duração média de uma hora cada um.

Três giram em torno do Canadá. Os dois restantes são retratos musicais de dois ídolos de Gould: o violoncelista catalão Pablo Casals (1876-1973), o primeiro a levar o monumento das Seis Suítes para Violoncelo Solo, de Bach, para as salas de concerto, a partir de uma partitura comprada por ele aos 13 anos numa ensolarada manhã de 1889 num sebo qualquer de Barcelona; e o maestro inglês Leopold Stokowski (1882-1977), por sua decidida paixão pelas novas tecnologias, que ampliaram o público para a música de concerto, como na animação Fantasia, parceria com Walt Disney, de 1940.

A terceira caixa é um subproduto do Gould-artista-de-rádio: Michael Stegemann, biógrafo alemão de Gould e especialista em música clássica no rádio, "compôs" uma inteligente e rigorosa Glenn Gould Trilogy, distribuída em três programas de rádio, um em cada CD (selo Sony), contando a vida e a obra do pianista canadense, do nascimento à morte, utilizando os vastos materiais em áudio que ele deixou.

Stegemann realizou algo parecido com o que outro fanático, o cineasta francês Bruno Monsaingeon, fez em Glenn Gould - Au-Delà du Temps, já lançado em DVD ( Ideale Audience).

Ele se dedica ao pianista desde que, nos anos 60, ouviu por acaso e comprou em uma loja de Moscou dois LPs com alguns prelúdios e fugas do Cravo Bem Temperado por Gould.

De lá para cá, dirigiu todos os filmes tendo GG como centro entre 1967 e a morte do pianista em 1982; e coordenou a publicação de quatro volumes de artigos e entrevistas de GG, além de outros documentários, até este "além do tempo", focado na maciça presença do artista nos dias atuais, em todo o mundo.

A Romance on Three Legs, da jornalista americana Katie Hafner (Bloomsbury), tem um subtítulo que já diz tudo: A Busca Obsessiva de Glenn Gould Pelo Piano Perfeito.

O verdadeiro herói do livro, no entanto, não é o pianista nem o majestoso piano de cauda modelo D de concerto da Steinway & Sons identificado como CD-318, feito na década de 40, e no qual um Gould ainda menino tocou.

Ele o reencontra em 1960 e ao mesmo tempo que conhece o afinador cego de origem sueca Verne Edquist - afinal, por trás de todo grande pianista sempre há um grande afinador.

O 318 parecia, nas palavras de Gould, "um pouco como se fosse um cravo castrado", ideal para Bach. O livro conta as peripécias desse ménage à trois artístico, regado a uma rigorosa pesquisa.

A arte de Glenn Gould é um enigma real e permanente, que em igual medida fascina de modo avassalador pessoas de todas as latitudes do globo.

Daí a obsessão que não declina - ao contrário, eleva-se à medida que nos distanciamos de sua morte. Daí a sensação gostosa de que o seu baú é inesgotável.