quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Arte concreta




O termo arte concreta é usado por Theo van Doesburg (1883 - 1931), que participa do grupo e revista homônimos fundados em 1930, em Paris. No texto de introdução do primeiro número da revista Arte Concreta, pontua o que seria a base da pintura concreta: 

1º A arte é universal

2º A obra de arte deve ser inteiramente concebida e formada pelo espírito antes de sua execução.

3º O quadro deve ser inteiramente construído com elementos puramente plásticos, isto é, planos e cores. Um elemento pictural só significa a 'si próprio' e, conseqüentemente o quadro não tem outra significação que 'ele mesmo'

4º A construção do quadro, assim como seus elementos, deve ser simples e controlável visualmente;

5º A técnica deve ser mecânica, isto é, exata, antiimpressionista;

6º Esforço pela clareza absoluta". 

Portanto, a arte concreta tenta abandonar qualquer aspecto nacional ou regional e se afasta inteiramente da representação da natureza. E, negando as correntes artísticas subjetivistas e líricas, recusa o sensualismo e a arte como expressão de sentimentos. 

Sem implicar uma arte figurativa, a arte concreta nasce também como oposição à arte abstrata, que pode trazer vestígios simbólicos por causa de sua origem na abstração da representação do mundo. Linha, ponto, cor e plano não figuram nada e são o que há de mais concreto numa pintura.





Segundo Van Doesburg, um nu feminino, uma árvore ou uma natureza-morta pintados não são elementos concretos, mas abstrações. 

O que há de concreto numa pintura são os elementos formais. No entanto, Wassily Kandinsky (1866 - 1914) publica, em 1938, um artigo intitulado Arte Concreta para definir a pintura abstrata e não figurativa.

A arte concreta é herdeira das pesquisas do grupo De Stijl [O Estilo], 1917/1928, de Piet Mondrian (1872 - 1944) e Van Doesburg, que busca a pureza e o rigor formal na ordem harmônica do universo. 

Além disso, parte de ideais da Bauhaus, 1919-1933, nos quais a racionalidade deve estar presente em todos os âmbitos sociais e nas conquistas da arte democratizadas pela indústria.


O artista suíço Max Bill (1908 - 1994), nos anos 1950, com a Hochschule für Gestaltung - HfG [Escola Superior da Forma], em Ulm, Alemanha, tenta levar adiante esse projeto. Para Bill - um dos principais responsáveis pela divulgação da arte concreta na América Latina -, a matemática é o meio mais eficiente para o conhecimento da realidade objetiva e uma obra plástica deve ser ordenada pela geometria e pela clareza da forma. 




Em 1948, o argentino Tomás Maldonado (1922), que se torna professor da Escola Superior da Forma, faz contato com Bill. Antes disso, O Manifesto Invencionista publicado em 1946, na revista Arte Concreto-Invención, em Buenos Aires, reafirma o fim da arte como representação e ilusão, e diz ainda que "a estética científica substituirá a milenar estética especulativa e idealista".




Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a América Latina passa por um forte surto desenvolvimentista e industrial. No Brasil, são fundados o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ e de São Paulo - MAM/SP, o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - Masp e a Bienal Internacional de São Paulo.




Em 1950, Max Bill realiza exposição no Masp e, no ano seguinte, sua escultura Unidade Tripartida ganha o  prêmio na 1ª Bienal Internacional de São Paulo, o que influencia os caminhos da arte feita no país. Em 1952, o Grupo Ruptura, integrado por Anatol Wladyslaw (1913 - 2004), Lothar Charoux (1912 - 1987), Féjer (1923 - 1989), Geraldo de Barros (1923 - 1998), Leopold Haar (1910 - 1954), Luiz Sacilotto (1924 - 2003), liderado por Waldemar Cordeiro (1925 - 1973), realiza exposição no MAM/SP. 

O grupo redige manifesto em que diz que a arte é "um meio de conhecimento deduzível de conceitos", e reafirma seu conteúdo objetivo. 

A Exposição Nacional de Arte Concreta, realizada em 1956/1957, reúne, além dos artistas do Grupo Ruptura, alunos de Ivan Serpa (1923 - 1973), que leciona pintura no MAM/RJ e de onde surge o Grupo Frente, formado por Décio Vieira (1922 - 1988), Rubem Ludolf (1932), César Oiticica (1939) e Hélio Oiticica (1937 - 1980). 

Participam também, entre outros, Lygia Pape (1927 - 2004), Lygia Clark (1920 - 1988), Amilcar de Castro (1920 - 2002) e Franz Weissmann (1911 - 2005). 

O crítico Mário Pedrosa (1900 - 1981) - que em 1949 escreve tese pioneira sobre a relação entre arte e psicologia da gestalt, que muito alimenta os artistas concretos - publica artigo sobre a exposição e observa a diferença entre paulistas, que seriam mais teóricos e dogmáticos, e cariocas, intuitivos e empíricos.

Em 1959, liderados por Ferreira Gullar (1930), os cariocas assinam o Manifesto Neoconcreto.

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