segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Minhas preferências - parte 2




Thelonious Monk foi um dos maiores pianistas de Jazz que a história produziu, um dos criadores do estilo bepop com suas composições com harmonias dissonantes e guinadas melódicas foi construindo diante de seu talento seu espaço na história do Jazz, sendo referência no jazz da segunda metade do século XX.

O bebop expandiu os horizontes da música, desafiando os limites harmônicos e rítmicos do jazz feito até o começo dos anos 40.

Mas mesmo esse estilo revolucionário teve dificuldade para lidar com a (aparentemente) estranha linguagem de Monk.

Seu comportamento contribuía para a imagem de que não passava de um maluco: era lacônico, recluso e usava os chapéus mais bizarros que conseguia encontrar. O público, mais ainda, custou a digerir sua música. Em 55, a gravadora Prestige chegou a vender seu passe, insatisfeita com a baixa vendagem de obras-primas como "Blue Monk" e "Thelonious Monk/Sonny Rollins".

Na verdade, os boppers achavam que todos os pianistas deviam copiar Bud Powell, que tinha adaptado para o instrumento as velozes acrobacias de Gillespie e Parker.

Monk preferia continuar experimentando em direção ao futuro, dentro da nova linguagem, mas sem renegar a tradição do blues, do stride (de onde tirou os blocos de acordes) e do swing.

Firmou um estilo tão original que, embora seja hoje referência para todos os pianistas de jazz, ninguém consegue recriá-lo.


Em 1944, fez sua primeira gravação de estúdio com o quarteto de Coleman Hawkins. Hawkins foi um dos primeiros músicos a confiar no talento de Monk, tendo Monk retribuído o favor anos depois ao convidar Hawkins para uma sessão em 1957 com John Coltrane.

De 47 a 59, produziu seus maiores clássicos, solo ou acompanhado por Milt Jackson, Sonny Rollins, Art Blakey e John Coltrane, entre outros. "Monk's Music", "Brilliant Corners" e "Thelonious Monk with John Coltrane" estão entre os melhores discos dessa época.

Consagrado, fez várias excursões pela Europa nos anos 60. Em 71 e 72 integrou o grupo "all stars" Giant s of Jazz, que incluía Dizzy Gillespie, Art Blakey e Sonny Stitt
 Em 64, a revista Time exibiu Monk na capa. Antes dele, só dois jazzistas mereceram tal honraria.
Em meados da década, retirou-se de cena devido a problemas de saúde. Morreu em 17 de fevereiro de 1982.

http://www.monkinstitute.com/ - o site do Instituto de Jazz Thelonious Monk tem notícias sobre tributos, biografia e informações sobre as atividades da instituição. 

-> Conheci Monk na casa de um amigo pianista, mas não foram os seus álbuns dissonantes que me fizeram ficar ligado na sua música apesar de para os entendidos esses álbuns foram considerados obras-primas, eu gostei de um álbum sensacional com Coltrane que tocava grandes clássicos do Jazz, mais cool do que outros álbuns dele.

Foi o suficiente para que eu procurasse todos as gravações desse pianista, que talvez tenha sido mal-interpretado tanto pelo sua competência como pela sua doença.

Thelonious Monk sempre toca aqui em casa.




Marcello Lopes



Um comentário:

Laura disse...

Obrigada por este post ! =D